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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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quinta-feira, julho 03, 2003

JPP volta à carga

Pacheco Pereira voltou a falar sobre jornalismo. É por isso que gosto dele. A sério. Ele pensa estas coisas. E, não conhecendo a praxis, vai para além ou do raciocínio mais ou menos banal de políticos e intelectuais vários sobre o assunto. O problema de JPP, como já se disse aqui, é o exagero e a generalização (truques conhecidos que fazem o êxito dos "opinions makers" mas que implicam muitas vezes injustiças).

Desta feita o tema parecia ser a figura do editor, a propósito do que (não) distancia o jornalismo dos blogs. Diz JPP, sem distinguir o que se faz na rádio, na televisão e na imprensa, que o editor está enfraquecido devido à "dissoluçào da autoridade nas redacções e ao igualitarismo". Em que se baseia JPP para dizer isto? Acha porventura JPP que aquelas figuras que vemos fazer alguns jornalistas na televisão, em situações do tipo "o que sente com a morte do seu irmão?", não são instruídas por editores (desses educados com a "autoridade" das velhas e politizadas redacções do pré e do pós 25 de Abril que JPP parece preferir), muitas vezes sob pena de despromoção. E na imprensa? O que significa pouca edição na imprensa? Sabe JPP que num diário, por exemplo, existe uma reunião de editores de manhã, outra à tarde; que nenhum texto é paginado sem ser lido, quase sempre corrigido, por um editor.

Acredito que a ideia de JPP fosse mais esta: que os editores são maus, que são cada vez piores. Mas fala de quem JPP? Qual a comparação? Refere-se ao editor de suspensório, delegado do partido para a imprensa? Ao editor amador, que dava uma perninha no jornal depois da advocacia? Onde leu isso?

Acrescenta depois, e aí acerta:

"O jornalismo existe para nos informar, o resto vem por acrescento e à volta disso. Convém lembrar."

Para terminar:

"No entanto há que reconhecer que esta distinção edição / não-edição tem cada vez menos sentido. Primeiro, porque o jornalismo se tornou ficcional , uma espécie de "creative nonfiction" nos seus melhores e raros momentos. Nos piores, ou seja na maioria dos casos, produzem-se apenas redacções opinativas, mais ou menos escolares, que,a última coisa que querem é que lá dentro entrem factos. É o que acontece nalguns blogues. ( Quando colocar as "notas sobre o jornalismo político do Independente" , que tem como principal característica não ser jornalismo, falarei destas questões )"

Ó JPP, só hoje descobri nos jornais do dia dezenas de notícias que não são redacções opinativas! A "creative nonfiction", uma expressão que se não me engano é do Truman Capote e que se insere no novo jornalismo americano dos anos 60 (de que, em Portugal, Felícia Cabrita foi a mais recente e bem sucedida precursora - e não me refiro à Casa Pia, claro), está praticamente extinta na imprensa portuguesa! Vamos com calma.

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