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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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quinta-feira, novembro 20, 2003

Guerra e Pas sobre a Guerra e os jornalistas

É preciso voltar a consultar o Guerra e Pas por causa disto do jornalismo. Está aqui uma parte do que escreveu sobre os nossos enviados à GNR:

"Apostei comigo mesmo em como nenhum jornalista a iria entrevistar, ou à mãe ou ao marido de Maria João Ruela. Apostei comigo mesmo que não veríamos as suas salas de estar, com choros e conversas, bolinhos e repórteres.

Também apostei comigo mesmo que nenhum jornalista iria entrevistar o seu próprio chefe, para lhe perguntar se "foram tomadas todas as medidas de segurança no envio do nosso colega blá, blá, blá, se a SIC ou a TSF não deveriam ter alugado uns capangas e blá,blá,blá e se se justifica o envio de jornalistas para o Iraque e blábláblá, com tantas outras necessidades que há na redacção e blábláblá"

Esta ocorrência que felizmente parece estar bem resolvida - um jornalista raptado e uma ferida - mostra como os jornalistas enfrentam o paradoxos dos paradoxos - terem de falar de si mesmos e das suas praxis.
A sobriedade foi o véu que cobriu a paralisia e todos ficaram lindamente na fotografia, porque, não tenhamos dúvidas, se fosse uma oficial da GNR a apanhar um tiro, já conheceríamos a sua aldeia, a sua família, os seus colegas, os seus amores, os seus passatempos, o presidente do seu clube teria aparecido com uma camisola e o Governo teria sido trucidado por não ter previsto que havia bandidos armados, intrometidos na guerra.

Sei alguma coisa de redacções (é mesmo só alguma, não é um alguma retórico a dizer que sei muita) e sei que há um McGyver em cada esquina, com um colete Coronel Tapioca e muita tarimba desejoso de ir enfrentar os seus fantasmas e demónios lá longe, onde as AK-47 são tradutores universais. E também sei que há uma estranha noção de que estas odisseias à guerra higiénica funcionam como que um prémio. Serão dias e dias de aventura, de perigo, de convivio com outras culturas, de ajudas de custo e dólares, de muita tecnologia e de guias, de falta de gelo para o whisky, de Marlboro americano que não é a mesma coisa, de tapetes e artesenato comprado com tostões, de jipes e diários, de folgas e fins de semana que se vão transformar num mês fora da redacção sem queimar um dia de férias.
Nesta Disneylandia há até um bónus no final: pode escrever um livro sobre o assunto e será automaticamente apurado para os grandes prémios do jornalismo! Na final, o Presidente da República estará presente!

Às custas de Carlos Raleiras e Maria João Ruela (e ela é a mais sóbria e competente jornalista de TV que temos), pode ser que as coisas mudem um pouco. Eu, claro, duvido."

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