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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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terça-feira, maio 25, 2004

Carcaça, o profeta da desgraça


Recupero de um antigo diário um pequeno texto escrito no dia 21 de Janeiro de 96, era eu um estudante de Coimbra cheio de livros na cabeça. Lendo-o à luz de hoje, fiquei surpreendido com o facto de ter previsto, sem o saber, o 11 de Setembro de 2001 e outros eventos do género Certamente fui influenciado por algum ensaio que andava a ler. Já não me recordo qual seria, mas era bom. Embora considere o tom demasiado idealista, típico de um gajo que andava a descobrir por interpostas pessoas o Maio de 68 ("o sonho está quase irremediavelmente perdido": que raio queria eu dizer com isto?), mantenho a essência do que escrevi há oito anos. Na minha opinião, a civilização que o poder americano promove (ajudado por outros) É A CULPADA E OS TERRORISTAS SÃO A CONSEQUÊNCIA, como se conclui disto:


1 ? É certo que as sociedades medievais e do Antigo Regime viviam numa espécie de mitologia que se baseava no poder da Igreja e na sua ignorância.

2 ? Mas, por paradoxo, numa sociedade moderna, de informação, em que predomina o consumo e a sua ideologia, o mito continua a ser necessário. A tentativa de dessacralizar a vida, substituindo o mito pelo discurso científico falhou redondamente.
Hoje, os mitos giram à volta de personagens mediatizadas, como as estrelas de cinema ou da música. Assim, é introduzida a lógica do espectáculo, da performance. Muitas vezes aliada à do ruído, da confusão e da estupidificação geral.
Os projectos totalitários de Lei & Ordem, fundamentados na submissão do Homem a uma lógica de Estado, apostaram no mito conservador do corpo (gregos), tradição (família) e disciplina (Estado). Quem não queria participar nesta ordem redutora era, pura e simplesmente, eliminado.
Hoje, abolidos todos os projectos sistemáticos, enfraquecida definitivamente a religião, surge um ruído poderoso e aniquilador. O dinheiro é o sustentáculo da civilização capitalista. O projecto é o do sucesso individual a todo o custo. Ter é ser. As relações são deturpadas pelo poder do dinheiro, pelas hierarquias e pela marginalização. Os meios acabam por ser os fins, porque não se considera nada para além, nada que não seja mensurável ou visível. O sonho está quase irremediavelmente perdido, tudo o que é interior e profundo morto, ou só permitido a meia dúzia de artistas que funcionam como símbolos vivos duma contra-cultura que, no fundo, não passa de mais uma instituição espectacular.
A arte, a verdadeira arte, é hoje o suicídio ou a misantropia. Mataram os mitos, consideraram loucos os seus profetas. Reduziram tudo o que era "inferior" ou "primitivo" a espectáculo televisivo.
Hoje, o ruído submerge tudo o resto e os homens odeiam-se. Esta competição desenfreada é bem capaz de acabar em sangue. Se calhar, um dia, sem pretexto aparente, hordas de bárbaros virão destruir as nossas cidades. Aliás, isso já está a acontecer... [aqui penso que me referia aos saques de Los Angeles, que aconteceram mais ou menos nessa altura]

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