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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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quinta-feira, agosto 19, 2004

A actuação dos atletas olímpicos portugueses ou as 1001 formas de se ser derrotado sem perder

Não queria estar no lugar daquela moça loira - muito bem apessoada, por sinal - que apresenta o Diário Olímpico, programa da RTP que faz um resumo das provas dos Jogos. Não deve ser pêra doce ter de anunciar, todas as noites, o descalabro da armada portuguesa em Atenas:

"Gustavo Lima voltou a desiludir na vela..."

"Na natação, Pedro Bastos teve um dia mau..."

"Acabou-se o sonho olímpico de Nuno Delgado..."

"A selecção portuguesa encerrou a sua prestação..."

"No tiro com pistola de ar, Marcos Anastácio ficou em 43 lugar, depois de falhar o alvo três vezes seguidas..."

Muito triste.
Estou mesmo em crer que, não fossem as entrevistas aos atletas, transmitidas logo de seguida, e não nos restaria outra alternativa senão o suicídio colectivo.

Sucede que com essas entrevistas faz-se luz. Percebemos, então, ouvindo as palavras dos nossos heróis, que foi tudo um engano. Que os lançamentos da pivô se sustentavam apenas em resultados, em júris suspeitos, sem ter em conta o contexto (que, como se sabe, é sempre muito importante para os atletas portugueses: sem um bom contexto, a malta não consegue nadar, nem correr, nem chutar. Está nos livros...)

Com essas entrevistas percebemos, enfim, que todas as derrotas anunciadas foram, afinal, injustiças infames ou fatalidades da Providência.

Vejamos algumas explicações dos nossos bravos:

"As condições do mar não estavam boas e havia falta de vento..." - Gustavo Lima
(Pergunta que o repórter não fez: "Então e as ondinhas do mar e a falta de vento foram só para o teu barquinho?"

"Fiquei para trás muito cedo, e depois nadei quase sempre sozinho, sem ninguém que me puxasse..." - Pedro Bastos
(Pergunta que o repórter não fez: "Então e porque é que ficaste para trás muito cedo?")

"Venho de uma lesão nos dedos..." - Nuno Delgado
(Pergunta que o repórter não fez: "Porque é que só nos dizes isso agora?")

"Jogámos bem, mas a Costa Rica beneficiou de uma expulsão de um jogador nosso muito cedo" - José Romão
(Pergunta que o repórter não fez: "Porque é que Portugal não beneficiou da sua expulsão muito cedo?")

"No preciso momento em que ia atirar, a terra tremeu um bocadinho e o alvo desviou-se. Depois comi feijão ao almoço e isso, claro, não ajudou..." - Marcos Anastácio
(Pergunta que o repórter não fez: "E porque é que não mandaste uns peidinhos antes?")

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