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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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terça-feira, agosto 17, 2004

Fahrenheit Tiberius

O imperador romano utiliza uma velha táctica: selecciona algumas frases, retirando-as do contexto, e depois comenta-as com o objectivo de convencer a nossa estimada audiência (inclusive as três pessoas que nos lêem embora não nos conheçam pessoalmente) de que me contradigo, advogando uma prática jornalística isenta enquanto, na prática, sou um radical de esquerda sem tolerância pelas opiniões dos outros. A coisa assumiu proporções graves, já que recebi à bocado este SMS da Gina:

"Parece-me que o tib tem + razão do que tu. E agora, Carcaça?"

A Gina é uma dessas tais pessoas que nos lê sem nos conhecer. Conhece, no entanto, uma amiga comum, com quem terá comentado há umas semanas:
"O Carcaça parece um tipo sensível, gostava de o conhecer"

Em conversa casual, essa amiga referiu-me o episódio e, por acaso também, mostrou-me uma foto da Gina. Foi então que eu comecei a trabalhar. Apliquei-me, publiquei poemas bonitos, arranjei o seu número de telefone e mandei-lhe um sms para quebrar o gelo. Perguntei-lhe se ela queria ir ver ballet e agora o tibas faz-me esta desfeita.
"Parece-me que o tib tem mais razão do que tu"
Gina: O tiberius tem mais razão do que eu o tanas, como vais ver. Vamos por partes:

"Esta da Escola Francesa não pode passar. Oh Carcaça, queres jornais mais politizados que o Le Monde? Ou o Figaro? Ou o Canard Enchainé? Haverá jornal que seja mais abertamente partisan e ideológico que o Libération?"

Aqui o Tibas entra numa galhofeira desabrida, apanhando-me num ponto de refutação fácil. É claro que em todos os países democráticos se podem encontrar jornais partidários (os nos ditatoriais também, só que aí são de partido único). Em França, onde há 77 jornais diários (dados de 94), também. O célebre L?Humanité, ligado ao PCF, é um exemplo e há muitos outros. É complicado falar numa escola jornalística aplicada a um país. Quando falei de escola francesa estava-me a lembrar do exemplo do Le Monde, que foi formado por uma cooperativa do jornalistas por forma a ser independente dos poderes. A matriz do Público é o El Pais (isso vê-se em certas secções do jornal português, que são quase um copy paste mal feito do diário madrileno). E qual foi a matriz do El Pais? Certamente que o Le Monde dos tempos áureos foi uma referência importante. Para além disso, "escola francesa" (admito que a designação é infeliz) engloba o jornalismo francófono. A pessoa que mais me ensinou de teoria jornalística foi o Mário Mesquita, que é claramente mais ligado ao jornalismo francófono (até pela sua formação na Bélgica).E daqui, querida Gina, chegamos à questão da "escola americana"

"Aqui o nosso valente começa a abrir o jogo, seguindo uma corrente muito popular hoje em dia de empregar "americano" como insulto, como se dissesse "nazi" ou "pedófilo". Mas adiante."

Aqui, Tiberius faz uma extrapolação . Acha ele que eu acho que o jornalismo americano, como tudo o que é americano, é mau, até maligno. Penso o contrário: a América é uma das nações pioneiras do jornalismo, onde se encontram muitas das melhores escolas e jornais. Eu gosto do jornalismo americano e dos EUA em geral (do que conheço, que é muito menos do que conhece o imperador). Gosto menos de uma certa tendência para os tais "artigos editorializados", nos quais, muitas vezes, o jornalista escreve na primeira pessoa. É o estilo "eu fiz istõ, eu fiz aquilo".
Depois continuamos com uma tentativa de me colar ao pensamento anticapitalista:

"Uma tirada anti-capitalista fica sempre bem"

Tibas: Acho o capitalismo muito bem e acho os empreendedores e empresários pessoas que, em princípio, podem trazer grandes mais valias sociais e proporcionar progresso. Por frisar que devem haver algumas regras e por dizer que certos empresários portugueses têm pouca visão quando investem na comunicação social, não quer dizer que seja anticapitalista. E acredita que eu sei do que falo, conheço casos de gestão incompetente e plutocrática. Eu não tenho nada contra o lucro (é esse o objectivo central das empresas), mas acho que quem se meta no ramo jornalístico e quer ser levado a sério (Se não quer, tudo bem), tem que respeitar a deontologia da profissão. Assim é que se ganha credibilidade e se podem alcançar resultados a médio prazo. Há ainda a Naomi Klein e o Moore:

"O verdadeiro Carcaça revela-se aqui em toda a sua glória. O Moore pode não...
ouvir o contraditório, o citar (em vez de mandar bitaites)e, muito importante, dar espaço a fontes com opiniões contrárias...
mas como é um demagogo do mesmo lado da barricada que o Carcaça e a Naomi, não faz mal, até é bom que exista. Isso da objectividade e da honestidade e não sei quê é tudo muito bom, mas o Moore tem direito a um desconto porque é preciso educar o povo que, como é do conhecimento geral, é burro."



Nestas linhas, Tiberius parece confundir esferas. Ò tibas, eu nunca disse que o ensaio que a Naomi escreveu é descomprometido (e também não digo que todo o jornalismo de causas seja mau), nem que o que o Moore faz é jornalismo. E eu posso perfeitamente achar que o Bush é um idiota e uma ameaça para o mundo e fazer um trabalho correcto, expressando os seus pontos de vista e os dos que se lhe opõem. Uma coisa é o domínio pessoal, uma conversa de amigos (que, no fundo, é o que este blog despretensioso é. Aqui podemos ser todos reis do bitaite), outra coisa é o que se publica num jornal que vai ser lido por milhares.
Por último, há aquela nota surreal do Tibas achar que ao dizer "Bem Hajam", o estou a mandar indirectamente (perdoa-me a grosseria, Gina) para o caralho. Isto já é do domínio da paranóia. Talvez seja melhor telefonares ao Woody Allen para lhe pedires referências de bons psicanalistas. Bem Hajam é uma expressão que se usa na minha paróquia e que quer dizer exactamente isso: Bem Hajam. Pensar que quer dizer "vão para o Inferno ser enrabados pela verga de Mefistófeles" é o mesmo que pensar que ao comunicar-vos que vou agora mandar um sms à Gina para ver se ela quer vir comigo a um recital de Teolinda Gersão vos estou a insultar.

Ernesto: desculpa os pontos de interrogação e os bolds, mas estou com problemas técnicos. Esta gait a do blogger já não dá vazão. Parece que estou numa emissão da rtp de 1978

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