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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Vaneigen

Voltei a ler Raoul Vaneigen, um dos mentores do movimento situacionista, gerado mais ou menos por alturas do Maio de 68. Vaneigen faz uma crítica radical do capitalismo. Em muitos aspectos, concordo com ele no diagnóstico da doença. Mas nem sempre apoio as curas que ele propõe, mais utópicas do que práticas. Transcrevo algumas passagens de "Pela Abolição da Sociedade Mercantil".

"Os últimos ditadores já não estão a salvo de uma justiça que os mete na prisão, os chefes de Estado expõem-se a um destino semelhante, os militares, tão honrados e temidos, são alvo da risota dos miúdos, as instituições religiosas caem em desuso ? até o Islão, apesar da sua força numérica, está minado pela avareza financeira que, tal como acontece com os arcaísmos nacionalistas, faz dele o cobertor roído pela traça dos interesses mafiosos. Comunismo, liberalismo, fascismo, socialismo, anarquismo, esquerdismo, palavras de esperança e de sangue cujo clamor se repercutiu de continente em continente, são apenas embalagens vazias e definitivamente obsoletas. (...)
Ei-la pois perante nós, essa tábua rasa com que tanto sonhámos. Ela desembaraçou-se dos seus detritos mas, infelizmente, não da maneira como desejávamos, pois, liberta dos valores do passado, apenas nos oferece o vazio como ponto de apoio, como se a sua vacuidade proviesse do buraco negro para onde o dinheiro atrai os seres e as consciências. Ou seja, tal como acontecia ao pobre rei Midas, tudo o que lhe tocar transforma-se em virtualidade financeira, encontrando-se imediatamente despojado do seu uso, utilidade, prazer ou sabor."

"O poder do totalitarismo financeiro que se estendeu aos quatro cantos do mundo cobre o planeta com uma atmosfera poluída, verdadeira 'noite e nevoeiro', onde as sombras vão e vêm seguindo o curso flutuante dos dividendos. Como um gás incapacitante, as exalações da tirania lucrativa penetram na carne dos homens, das mulheres e das crianças para acabar por corromper completamente a vida mais elementar.
De meio indispensável para obter meios de subsistência, o dinheiro, elevado à condição de fetiche supremo pela curva hiperbólica do lucro, acabou por servir apenas para se reproduzir a ele próprio nos circuitos fechados da especulação. O dinheiro enlouqueceu à força de rodopiar sobre ele próprio, como uma serpente ouroborus devorando a sua própria cauda. Simultaneamente, o poder que dele emana e do qual é a própria emanação desligou-se por sua vez das realidades terrestres, onde cada indivíduo, com um mal estar crescente, procura acomodar-se ao seu absolutismo de direito divino."

"O dinamismo lucrativo da capitalismo de empresa deu lugar à preeminência de especulações bolsistas onde o dinheiro opera em circuito fechado. Gigantescas empresas estão-se bem nas tintas para a construção de fábricas ou para a criação de empregos. Fabricam accionistas, investem cada vez menos na produção de bens úteis à comunidade, desmantelam os serviços públicos, negligenciam o alojamento, vendem a educação ao desbarato, sabotam os transportes públicos, desvalorizam as prestações de saúde. Sem se preocuparem com o longo prazo, encaixam um lucro imediato do caos social provocado pela pauperização, pelo desemprego, pela precariedade da sobrevivência e por essa ânsia de obter dinheiro a todo o custo, que apodrece o pensamento e os costumes a toda a escala da miserável escala social."

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O movimento situacionista nasceu nos anos 50.

16 abril, 2007 00:15  

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