Nem 50 cêntimos o palhaço merece
Arriscando-me a ser catalogado de cota conservador, censor, e, quem sabe até, racista, tenho a dizer o seguinte: se eu mandasse, o guru do rap que dá pelo nome de 50 cent, neste momento, estaria preso no Estabelecimento Prisional de Lisboa por incitamento à violência de criancinhas de 12 anos, por obscenidades em público, e por ter dado um concerto que foi uma merda ? ao contrário do que estes colegas de bancada manifestaram e mais os jornalistas da praça, todos muitos excitados com esta coisa ? para eles ? exótica que é o hip hop.
Sim, eu sabia que o 50 cent apelava à violência e ao enriquecimento armado. Mesmo assim fui ao concerto porque não tinha mais nada para fazer, porque gosto de hip hop, e porque reconheço que 50 cent e sobretudo o senhor que lhe faz os ritmos ? doctor Dre, se não me engano ? têm uma personalidade própria, energia, e são mais sofisticados que a maioria dos rappers.
Não estava contudo preparado para aturar um grunho com a mania que já levou muitos tiros a dizer, de viva voz, em estilo de comício, a uns bons milhares de adolescentes, para irem comprar uma arma, começarem a matar e a roubar, para fumarem erva, embebedarem-se e para ?comerem conas portuguesas?.
Também não estava preparado para os mais de 50 samplers de tiros, que pontuaram todo o concerto: no meio das músicas, entre as músicas, ou sonorizando as bujardas que este delinquente sem graça vociferou. Uma coisa patética, um enjoo.
Por fim, foi deprimente a pobreza do palco ? certamente o mais despojado possível para que o troglodita ganhasse mais dinheiro com a coisa ?, e os minúsculos ecrãs que o ladeavam pareciam duas televisõezinhas, sistematicamente mostrando fotografias de armas reais.
Cereja em cima do bolo: musicalmente, uma bosta de todo o tamanho, o som horrível, nunca se perceberam os arranjos, abafados pela gritaria disparatada de 50 cent e seus compinchas.
Posto isto, juntamente com o 50 cent, se cá o Estaline mandasse, engaiolava também, na mesma gaiola, de preferência, os promotores portugueses do espectáculo, que sabiam certamente ao que iam, que sabiam de antemão que os miúdos que vêem o 50 cent em versão censurada na MTV não poderiam assistir àquele concerto obsceno, e que por isso deveriam ter estabelecido um limite de idade.
Como não mando, se não me dão o dinheiro de volta, apresento queixa na Procuradoria-Geral da República.
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