.
.

NÚCLEO DURO

 

Pub

A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







Pub







domingo, janeiro 29, 2006

CASOS DA VIDA COMENTADOS PELO NÚCLEO


Empresa de limpeza que destruiu escultura chegou a acordo com artista




A empresa de limpeza responsável pelo desaparecimento, em Dezembro de 2004, de parte da escultura As Frases, de Jimmie Durham, exposta na altura no Centro de Artes e Espectáculos (CAE) da Figueira da Foz, chegou finalmente a acordo com o escultor norte-americano e vai financiar a reconstrução da obra.
O incidente ocorreu há cerca de um ano quando o CAE recebeu a exposição de arte contemporânea intitulada Eu, tu, eles, que reunia peças de artistas nacionais e estrangeiros da colecção do Instituto das Artes (IA). A obra de Durham, que integrava a exposição, era constituída por um lavatório com um dos cantos partidos e com fragmentos espalhados pelo chão da sala de exposições.
De acordo com o inquérito realizado na altura, os fragmentos terão sido varridos por uma funcionária da FigueiraLimpe e posteriormente deitados ao lixo.

"Vi os cacos no chão. Perguntei a uma colega se eram para deitar fora. Ela disse-me que sim e eu limitei-me a pegar na pá e na vassoura e a deitar tudo no contentor", revelou a funcionária.

A empresa de limpeza assumiu então a responsabilidade pelo incidente e participou à companhia de seguros, que no entanto rejeitou sempre assumir os encargos. (...) O acordo agora alcançado atribui à empresa da Figueira da Foz a responsabilidade de financiar a construção de uma nova peça que, segundo a vontade do escultor, deverá ser idêntica à destruída em Dezembro de 2004.

Gafes idênticas executadas em Londres e na Alemanha

Em Junho, o empregado de limpeza da galeria de arte londrina Tate Britain também foi protagonista de uma "estória" semelhante. Confundindo com lixo um saco de plástico com cartão e papel amarrotado que fazia parte da instalação "Recreation of First Public Demonstration of Auto-Destructive Art", actualização do original do artista plástico alemão Gustav Metzger (1926) incluída na mostra "Art and the 60s - This Was Tomorrow", o funcionário deitou-o fora, mas foi recuperado antes de ser destruído. Nos anos 80, numa galeria alemã, uma banheira suja, parte de uma instalação de Joseph Beuys foi esfregada até à exaustão. Em 2001, na Eyestorm Gallery (Londres), foi para o lixo uma instalação de Damien Hirst composta por cinzeiros sujos e garrafas vazias.


Comentário: Este caso remete-nos para a questão da significância da arte contemporânea. Terá a empregada que varreu os detritos do chão alguma culpa no cartório? Não. A empregada limitou-se a fazer o que qualquer um de nós faria se visse pedaços de um lavatório na sua sala. Achou que aquilo estava ali mal e varreu. O seu julgamento estético é tão válido como o do escultor, mas provavelmente ela foi despedida e o artista vai agora ser indemnizado para voltar a partir outro lavatório. É injusto. Precisamos de ter em conta que, considerando a escola do "new criticism", o autor é uma entidade inexistente. Nenhum Homem pode, por isso, considerar-se dono de um lavatório partido aos bocados.

Fontes: André Jegundo, Público(19/01/06); Paulo Dâmaso, Jornal de Notícias

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home



 

banner for http://www.eurobilltracker.com

Powered By Blogger TM