
Ao contrário dos "colegas" de outras cidades, como Barcelona ou Salamanca, onde os contornos violentos com as forças de segurança tiveram um saldo global de uma centena de feridos e seis dezenas de detenções, os "botelloneros" madrilenos revelaram-se uns verdadeiros anjos. Na noite de sexta-feira da semana passada, se algo correu pelas ruas de Madrid foi só cerveja e outras misturas de bebidas alcoólicas interceptadas pela polícia. Centenas de agentes municipais - a pé, a cavalo, de burro ou de moto, aplicaram assim, por toda a cidade, a ordem municipal que proíbe o consumo de álcool na via pública.
À saída da estação da Moncloa, onde se deveria realizar o "macrobotellon" convocado através da Internet e dos telemóveis, não havia forma de passar a rede policial com qualquer bebida alcoólica. Antes das 21h30, toda a zona estava ocupada pela polícia municipal e o mesmo sucedia no bairro de malasaña, onde surgiram os primeiros "botellon" nos anos 80, época da dourada movida madrilena.
"Isto é uma vergonha", queixava-se Vostradeis, a quem os agentes da polícia municipal tinham acabado de "requisitar" o saco de plástico com cerveja, uísquie barato e vinho tinto Teobar. "Tenho os meus direitos! Não sou delinquente!", gritou Vostradeis, tentando desesperadamente agarrar-se à garrafa do precioso vinho português. "Levem lá o Bushmils, mas o Teobar é que não, gaita", exclamou segundos antes de levar com o cacetete eléctrico dos agentes da justiça.
[O Núcleo Duro viajou a Madrid num avião fretado pelo Espresso]
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