sábado, setembro 04, 2004

Holocausto Açoriano IV



Situação prossegue calamitosa no arquipélago já conhecido como as "Ilhas da Morte". Últimas do nosso agente infiltrado no Comando de Ponta Delgada da Polícia Secreta dos Açores

Detenções e ocorrências

Esquadra Sede

Foi detido um homem, de 21 anos de idade, por ter furtado um telemóvel no valor de 250,00 euros, no interior de um veículo. Furto este, efectuado por meio de arrombamento.

Esquadra de Investigação Criminal

No âmbito de uma investigação efectuada por esta esquadra, foram apreendidas no interior de um prédio rústico, noventa e oito plantas de "cannabis" com alturas compreendidas entre os vinte e um e os oitenta e cinco centímetros.

No âmbito de uma investigação efectuada por esta esquadra, foi recuperado um ciclomotor que havia sido furtado no dia vinte de Agosto de 2004.

Foi detido um jovem, de 18 anos de idade, por resistência e coacção a um Agente da Autoridade.

Esquadra de Segurança Aeroportuária

Despenhou-se um avião terrestre monomotor (ultraleve) num parque de estacionamento térreo, existente na via rápida de acesso ao Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, aproximadamente a trezentos metros da aerogare do mesmo. Do acidente, resultaram ferimentos ligeiros no piloto e ferimentos com alguma gravidade num tripulante, ambos transportados ao hospital desta cidade, bem como danos materiais no citado ultraleve e em cinco veículos que se encontravam estacionados no referido parque. De momento ignora-se as causas do acidente.

quinta-feira, setembro 02, 2004

Comunicado

Nas últimas horas, este blogue tem sido inundado por intervenções que, enquanto administrador da Núcleo Duro SA e líder do braço armado da nossa organização, repudio com veemência. Alguns de entre nós pretendem colar este órgão de comunicação a um registo onde a libertinagem desenfreada e o insulto gratuito são a imagem de marca. O seu objectivo é abalar a estrutura identitária do Núcleo, para depois poderem agir como punheteiros desabridos que são e sempre foram. Não se trata de uma novidade. Se bem se recordam, quando o blogue do Núcleo surgiu, há mais do que um ano, certos elementos tentaram actuar de forma duvidosa, fazendo publicar imagens escatológicas com despudor. Advogavam os celerados que dessa forma teríamos mais audiência. Estavam já rendidos ao mercado e só olhavam aos números do Netstadt e à perversidade. Zizou questionava a utilidade deste blog e Ernesto respondia que estava "mais interessado em explorar a coprofilia e outras escatologias" (posts de 27 de Março de 2003). Ora, nós ainda não somos a TVI, nem tão pouco o 24 Horas. Venho por esta forma apelar ao bom senso e ao fim desta devassidão que a todos consome. Dito isto, a minha proposta para miss sensualidade do Núcleo é a seguinte:

Candidata número 3: Rodre





quarta-feira, setembro 01, 2004

Regresso à caralhada

VOSTRA: não gostas das minhas trocas epistolares com o Carcaça, então CHUPA-MOS.

CARCAÇA: Se tivesse mais tempo levavas uma rabecada como deve ser, mas como tenho pressa digo só que "ele é que não se fica" O CARALHO, não espera que digo mais, também digo à tua nova demonstração de desonestidade intelectual carcácica, a chamar bushista a quem não concorda contigo, digo VAI FAZER COM QUE TE ENRABEM.

ZIZOU: Deves achar-te o máximo com esses posts vazios, mas eles são como a tua cabeça e o teu pénis, sem NADA LÁ DENTRO.

O RESTO: BARDAMERDA convosco.

E digo mais:

Candidata número 2: Mary Carey


Regresso às origens

Os números do Nedstat revelam que grande parte dos nossos visitantes diários, entram no blog do Núcleo Duro a partir de motores de busca, como o Google, Yahoo, Altavista e outros.

Entre as palavras-chave mais utilizadas, figuram: "núcleo", "duro", "saites", "pornográficos", "gajas", "nuas", "putas", "ordinárias" e "mamilos".

O ND entende que a opinião dos milhares de leitores que nos visitam diariamente vale o que vale, ou seja, nem um peido. Neste caso específico, no entanto, parecem ter razão. O ND tem desviado a sua linha editorial com propósitos pouco claros, mas isso a partir de agora acabou. Quem nos visitar de hoje em diante vai voltar a encontrar aquilo que procura: gajas boas, descascadas e sem complexos.

Em homenagem a essa massa inteligente e crítica que compõe o nosso painel de leitores, aqui fica um brinde que marca uma nova era do Núcleo. O regresso às origens. Vamos lançar o I Grande Concurso de Sensualidade Miss Núcleo Duro 2004, publicando regularmente a nossa lista de candidatas com fotos e tudo.

Candidata número 1: Deborah Secco

Escutas do Núcleo

(conversa gravada entre vostradeis e carcaça)

Vostradeis: É pá, tu, o Tiberius e até o Ernesto estão a dar cabo do blogue todo. Aquelas tricas do disse que disse, o eu não disse isso a remeter para um post de há semanas atrás. Isso é chato!
DJ: É ele que não se fica. Eu já me deixei disso.




Building bush

Ò Tiberius, desculpa lá, tenho andado aqui a conter-me, mas não resisto. I want to build a better bush. O meu bush preferido talvez seja o da combinação thinning hair, idiot, missing some teeth.



quarta-feira, agosto 25, 2004

O VALOR DO VENTO

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno e o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

Ruy Belo; Homem de Palavra[s]
Frases Usadas

"Há disparates que fiz só para ter o prazer de os contar."
Sacha Guitry

"Só trabalha quem não gosta do que faz."
Agostinho da Silva
Eu queria só dizer uma coisa

O Cablongue gosta de homens.

... Pronto, duas coisas

O Zizou gosta do Cablongue.

terça-feira, agosto 24, 2004

Táxi drástico - Filosofia de praça



Taxista de Lisboa, na casa dos 50, contando como faz para evitar os assaltos - em 30 anos de carreira, alegadamente não terá sofrido nenhum:

"... Tenho tido sorte, mas não é só sorte. É saber evitá-los. Eu topo-os ao longe e podem chamar à vontade que eu faço de conta que não os vejo. Pretos e ciganos tá quieto, vai lá, vai. Se tou parado numa praça e vêm pretos a pedirem para os levar para bairros manhosos eu digo logo 'isto aqui é assim, ó amigo, eu praí não vou'. E isto não é recusar serviço porque eu digo 'se quiserem deixo-vos no Rossio' e se eles aceitarem, muito bem. Senão, a mim ninguém me obriga a sair da praça. Ainda se for só um preto é como ò outro. Isto, sabe que um preto sozinho é um cordeiro. De dois pra cima é que já começa a ser um problema..."
Holocausto açoriano III



A guerra civil prossegue nos Açores. Eis as últimas do nosso agente infiltrado na polícia secreta de Ponta Delgada:

Esquadra Sede
Foram denunciadas duas mulheres, de idade desconhecida, representantes da empresa "Goldenflex" por terem burlado outros indivíduos em causa, com a venda de um colchão no valor de 4320,00 euros.

Esquadra de Ribeira Grande
Foi denunciado um indivíduo, de idade desconhecida, por ter cometido o crime de ofensas à integridade física de outro indivíduo, com uma arma branca (catana), do qual resultaram ferimentos graves, ou melhor, um antebraço partido e um corte na face.

Esquadra de Lagoa
Foi detido um homem, de 19 anos de idade, por injúrias a um Agente de Autoridade e por ter causado danos materiais em viatura policial.

quinta-feira, agosto 19, 2004

A actuação dos atletas olímpicos portugueses ou as 1001 formas de se ser derrotado sem perder

Não queria estar no lugar daquela moça loira - muito bem apessoada, por sinal - que apresenta o Diário Olímpico, programa da RTP que faz um resumo das provas dos Jogos. Não deve ser pêra doce ter de anunciar, todas as noites, o descalabro da armada portuguesa em Atenas:

"Gustavo Lima voltou a desiludir na vela..."

"Na natação, Pedro Bastos teve um dia mau..."

"Acabou-se o sonho olímpico de Nuno Delgado..."

"A selecção portuguesa encerrou a sua prestação..."

"No tiro com pistola de ar, Marcos Anastácio ficou em 43 lugar, depois de falhar o alvo três vezes seguidas..."

Muito triste.
Estou mesmo em crer que, não fossem as entrevistas aos atletas, transmitidas logo de seguida, e não nos restaria outra alternativa senão o suicídio colectivo.

Sucede que com essas entrevistas faz-se luz. Percebemos, então, ouvindo as palavras dos nossos heróis, que foi tudo um engano. Que os lançamentos da pivô se sustentavam apenas em resultados, em júris suspeitos, sem ter em conta o contexto (que, como se sabe, é sempre muito importante para os atletas portugueses: sem um bom contexto, a malta não consegue nadar, nem correr, nem chutar. Está nos livros...)

Com essas entrevistas percebemos, enfim, que todas as derrotas anunciadas foram, afinal, injustiças infames ou fatalidades da Providência.

Vejamos algumas explicações dos nossos bravos:

"As condições do mar não estavam boas e havia falta de vento..." - Gustavo Lima
(Pergunta que o repórter não fez: "Então e as ondinhas do mar e a falta de vento foram só para o teu barquinho?"

"Fiquei para trás muito cedo, e depois nadei quase sempre sozinho, sem ninguém que me puxasse..." - Pedro Bastos
(Pergunta que o repórter não fez: "Então e porque é que ficaste para trás muito cedo?")

"Venho de uma lesão nos dedos..." - Nuno Delgado
(Pergunta que o repórter não fez: "Porque é que só nos dizes isso agora?")

"Jogámos bem, mas a Costa Rica beneficiou de uma expulsão de um jogador nosso muito cedo" - José Romão
(Pergunta que o repórter não fez: "Porque é que Portugal não beneficiou da sua expulsão muito cedo?")

"No preciso momento em que ia atirar, a terra tremeu um bocadinho e o alvo desviou-se. Depois comi feijão ao almoço e isso, claro, não ajudou..." - Marcos Anastácio
(Pergunta que o repórter não fez: "E porque é que não mandaste uns peidinhos antes?")
Fahrenheit Tiberius II

Tens razão Ernesto, o imperador é um adversário perigoso. Os juízes do Quirziguistão dar-lhe-iam 8.879 pontos pela sua prova. Mas eu agora estou demasiado ocupado a ver as finais de badminton olímpico para responder à altura. Saliento apenas que as duas únicas propostas válidas de Tiberius são o seu poema em método cut-up (vou incluí-lo na minha próxima antologia) e a sugestão de convidar a Gina para participar neste blog. Ela deu-me a entender que é uma rapariga muito vivida e que está disposta a partilhar connosco seus diários íntimos (parece-me que é uma exibicionista). Aqui fica outro poema em cut-up, aproveitando as palavras do Tiberius:

no meu Fahrenheit anterior
mais velho que o cagar
é indigno
enrolado nas suas próprias palavras
as tuas tendências depravadas
Naomi
um jornal engagé
umas piruetas engraçadas
uma foto da Gina
ejaculações anteriores

quarta-feira, agosto 18, 2004

Ora zumba no Carcaça XXVIII

... e no intervalo do combate entra no ringue o treinador de DJ Carcaça.

"Estás-lhe a dar o flanco, Carcaça. Não podes, pá. Sabes que esse gajo não perdoa quando se abre o flanco. Tens que te manter na defensiva, dar-lhe a iniciativa, e nunca, mesmo nunca, falares em Americanos e Franceses no mesmo parágrafo."
Preâmbulo

Do arrazoado de estrumeira verbal debitado lá em baixo pelo Carcaça, só há um ponto verdadeiramente importante: a Gina. O Carcaça tem fãs?! É aquele estilo dele, intelectual de Kerouac e Derrida no bolso, que faz com que elas julguem que ele é *um tipo sensível*. Não te deixes levar Gina, que o homem só lê a Bola e a revista VIP.



Fahrenheit Teolinda - Alhos, bogalhos, e...

O nosso DJ volta à carga, mas começa muito mal, porque usa a táctica mais velha do mundo:

selecciona algumas frases, retirando-as do contexto

Oh Carcaça, isso está abaixo do teu nível! O truque do fora do contexto é mais velho que o cagar! É a desculpa mais esfarrapada de quem não sabe o que responder!

É como o Goering no julgamento de Nuremberga...

Sim, disse a herr Hitler *temos de matar os judeus todos até não restar mais nenhum desses schweines*, mas está a tirar a frase do contexto, eu estava na verdade a propor aumentar o nosso orçamento de construção de sinagogas.

...ou um político de segunda classe que se arrepende do que disse quando lê as suas cavaladas em papel:

Quando eu afirmei que o Presidente tem a mioleira de uma vaca excêntrica de Cambridge, o jornalista interpretou mal o que eu queria dizer.

É indigno Carcaça, sobretudo porque no meu Fahrenheit anterior eu citei o teu texto quase inteiro - não havia mais contexto nenhum para deixar de fora! Se eu quisesse citar-te fora de contexto, fazia assim:


sou um radical de esquerda sem tolerância pelas opiniões dos outros


E pronto, cá está o homem enrolado nas suas próprias palavras. Também podia, com um pouco mais de corta e cola...


vou
convencer
A Gina
e
uma amiga
fácil
a
fazer um trabalho correcto
mas
o caralho
já não dá vazão


...elucidar o povo sobre as tuas tendências depravadas. Também podia pegar num dos teus outros posts...


Estes gajos vendem a religião, vendem primeiros-ministros, vendem pagode e futebol. Terão jeito para a coisa, mas a mim irrita-me o registo.


...para sugerir que tu és um xenófobo lepénico em potência. Mas nós estamos acima disso. O fora de contexto é grave, mas há pior.

A matriz do Público é o El Pais (isso vê-se em certas secções do jornal português, que são quase um copy paste mal feito do diário madrileno). E qual foi a matriz do El Pais? Certamente que o Le Monde dos tempos áureos foi uma referência importante

Oh porra, mas que é que a porra dos outros pasquins têm a ver com a conversa, porra? Eu escrevi que gosto do Le Monde, e a ideia era que o Le Monde, tal como outros bons jornais franceses, tem uma clara perpectiva política. É um jornal engagé.

O Le Monde ou o Libé, ao contrário do Humanité, que também não era chamado à conversa, têm uma perspectiva e uma ideologia, sem serem porta-microfones de patrões políticos.

Mas disto o Carcaça não fala. Em vez disso, pega em mais bogalhos sob a forma do Mário Mesquita e da Bélgica, que estavam muito bem no seu lugar e não tinham de ser arrastados para a conversa.

A seguir...

E daqui, querida Gina, chegamos à questão da "escola americana"
Aqui, Tiberius faz uma extrapolação . Acha ele que eu acho que o jornalismo americano, como tudo o que é americano, é mau, até maligno


Tiberius não fez extrapolação nenhuma. Tiberius (que começa a achar muito divertido falar de si próprio na terceira pessoa) limita-se a notar que Carcaça usa americano como insulto. Voltem lá abaixo a uma das ejaculações anteriores do Carcaça, e vêm que é assim.

É mais um caso de bogalhagem, e os bogalhos continuam a chover:

Tiberius parece confundir esferas

Com esta tirada lapidar, Tiberius fica de facto com as esferas confundidas.

eu nunca disse que o ensaio que a Naomi escreveu é descomprometido (e também não digo que todo o jornalismo de causas seja mau

Tiberius também nunca disse que tu tinhas dito que ensaio da Naomi é descomprometido. Tiberius disse que o ensaio da Naomi é uma merda. Do jornalismo de causas, ainda ninguém tinha falado.

Uma coisa é o domínio pessoal, uma conversa de amigos (que, no fundo, é o que este blog despretensioso é. Aqui podemos ser todos reis do bitaite), outra coisa é o que se publica num jornal que vai ser lido por milhares.

O regresso dos bogalhos: o problema da Naomi e do Moore não é as coisas serem publicadas num blog ou num jornal. Não é eles mandarem bitaites. O problema é a reacção do Carcaça à manipulação e à demagogia.

O Carcaça dizia, no tal post lá no fundo, que as tropelias do Moore e da Naomi não fazem mal porque contribuem para derrotar o idiota. É a lógica de os fins justificarem os meios, que dá sempre mau resultado.

nunca disse que o que o Moore faz é jornalismo

Tiberius (hehehe, isto é giro) nunca disse que tu disseste. Mas a tua resposta bogalhosa é sintomática. Ou seja, o Moore pode dizer as alarvidades que quiser, como não é jornalista não faz mal. O Carcaça acha que só os jornalistas é que estão obrigados a ser honestos.

o mesmo que pensar que ao comunicar-vos que vou agora mandar um sms à Gina para ver se ela quer vir comigo a um recital de Teolinda Gersão vos estou a insultar.

Teolinda Gersão? TEOLINDA GERSÃO? TEOLINDA GERSÃO?!?! Carcaça, foste longe demais!!!!! Agarrem-me que eu mato-o!!!! Teolinda Gersão? Mas julgas que estás a falar com quem?! Este blog é lido por crianças, sabias?!


Bom, Carcaça, no espírito olímpico digo-te que o teu Fahrenheit não foi muito mau, mas na sua bogalhada deixou muito a desejar. É assim como uma prova de patinagem artística em que dançaste com música do Georgio Moroder, fizeste umas piruetas engraçadas, mas caíste de cu no triplo Axel. Nota do juíz da Letónia: 7,5.

A nota sobe se puseres online a foto da Gina. Enfim: bem hajas Carcaça.

P.S: Vostra, toca de arranjar um login de convidado à Gina.

terça-feira, agosto 17, 2004

Audrey



A verborreia Carcácica atirou muito para baixo a imagem dela, por isso cá está outra.

P.S.: Carcaça: isto está a ficar uma polémica gira, sim senhor. Deixa-te lá de mariquices que isto aqui não é um salão literário, se é para haver bordoada é para haver bordoada a sério. Mas a tua resposta teve a sua graça, pronto. Há-de ter contra-resposta, não imediatamente, mas dentro em breve, não perdes pela demora. Cumprimentos à Gina.
Fahrenheit Tiberius

O imperador romano utiliza uma velha táctica: selecciona algumas frases, retirando-as do contexto, e depois comenta-as com o objectivo de convencer a nossa estimada audiência (inclusive as três pessoas que nos lêem embora não nos conheçam pessoalmente) de que me contradigo, advogando uma prática jornalística isenta enquanto, na prática, sou um radical de esquerda sem tolerância pelas opiniões dos outros. A coisa assumiu proporções graves, já que recebi à bocado este SMS da Gina:

"Parece-me que o tib tem + razão do que tu. E agora, Carcaça?"

A Gina é uma dessas tais pessoas que nos lê sem nos conhecer. Conhece, no entanto, uma amiga comum, com quem terá comentado há umas semanas:
"O Carcaça parece um tipo sensível, gostava de o conhecer"

Em conversa casual, essa amiga referiu-me o episódio e, por acaso também, mostrou-me uma foto da Gina. Foi então que eu comecei a trabalhar. Apliquei-me, publiquei poemas bonitos, arranjei o seu número de telefone e mandei-lhe um sms para quebrar o gelo. Perguntei-lhe se ela queria ir ver ballet e agora o tibas faz-me esta desfeita.
"Parece-me que o tib tem mais razão do que tu"
Gina: O tiberius tem mais razão do que eu o tanas, como vais ver. Vamos por partes:

"Esta da Escola Francesa não pode passar. Oh Carcaça, queres jornais mais politizados que o Le Monde? Ou o Figaro? Ou o Canard Enchainé? Haverá jornal que seja mais abertamente partisan e ideológico que o Libération?"

Aqui o Tibas entra numa galhofeira desabrida, apanhando-me num ponto de refutação fácil. É claro que em todos os países democráticos se podem encontrar jornais partidários (os nos ditatoriais também, só que aí são de partido único). Em França, onde há 77 jornais diários (dados de 94), também. O célebre L?Humanité, ligado ao PCF, é um exemplo e há muitos outros. É complicado falar numa escola jornalística aplicada a um país. Quando falei de escola francesa estava-me a lembrar do exemplo do Le Monde, que foi formado por uma cooperativa do jornalistas por forma a ser independente dos poderes. A matriz do Público é o El Pais (isso vê-se em certas secções do jornal português, que são quase um copy paste mal feito do diário madrileno). E qual foi a matriz do El Pais? Certamente que o Le Monde dos tempos áureos foi uma referência importante. Para além disso, "escola francesa" (admito que a designação é infeliz) engloba o jornalismo francófono. A pessoa que mais me ensinou de teoria jornalística foi o Mário Mesquita, que é claramente mais ligado ao jornalismo francófono (até pela sua formação na Bélgica).E daqui, querida Gina, chegamos à questão da "escola americana"

"Aqui o nosso valente começa a abrir o jogo, seguindo uma corrente muito popular hoje em dia de empregar "americano" como insulto, como se dissesse "nazi" ou "pedófilo". Mas adiante."

Aqui, Tiberius faz uma extrapolação . Acha ele que eu acho que o jornalismo americano, como tudo o que é americano, é mau, até maligno. Penso o contrário: a América é uma das nações pioneiras do jornalismo, onde se encontram muitas das melhores escolas e jornais. Eu gosto do jornalismo americano e dos EUA em geral (do que conheço, que é muito menos do que conhece o imperador). Gosto menos de uma certa tendência para os tais "artigos editorializados", nos quais, muitas vezes, o jornalista escreve na primeira pessoa. É o estilo "eu fiz istõ, eu fiz aquilo".
Depois continuamos com uma tentativa de me colar ao pensamento anticapitalista:

"Uma tirada anti-capitalista fica sempre bem"

Tibas: Acho o capitalismo muito bem e acho os empreendedores e empresários pessoas que, em princípio, podem trazer grandes mais valias sociais e proporcionar progresso. Por frisar que devem haver algumas regras e por dizer que certos empresários portugueses têm pouca visão quando investem na comunicação social, não quer dizer que seja anticapitalista. E acredita que eu sei do que falo, conheço casos de gestão incompetente e plutocrática. Eu não tenho nada contra o lucro (é esse o objectivo central das empresas), mas acho que quem se meta no ramo jornalístico e quer ser levado a sério (Se não quer, tudo bem), tem que respeitar a deontologia da profissão. Assim é que se ganha credibilidade e se podem alcançar resultados a médio prazo. Há ainda a Naomi Klein e o Moore:

"O verdadeiro Carcaça revela-se aqui em toda a sua glória. O Moore pode não...
ouvir o contraditório, o citar (em vez de mandar bitaites)e, muito importante, dar espaço a fontes com opiniões contrárias...
mas como é um demagogo do mesmo lado da barricada que o Carcaça e a Naomi, não faz mal, até é bom que exista. Isso da objectividade e da honestidade e não sei quê é tudo muito bom, mas o Moore tem direito a um desconto porque é preciso educar o povo que, como é do conhecimento geral, é burro."



Nestas linhas, Tiberius parece confundir esferas. Ò tibas, eu nunca disse que o ensaio que a Naomi escreveu é descomprometido (e também não digo que todo o jornalismo de causas seja mau), nem que o que o Moore faz é jornalismo. E eu posso perfeitamente achar que o Bush é um idiota e uma ameaça para o mundo e fazer um trabalho correcto, expressando os seus pontos de vista e os dos que se lhe opõem. Uma coisa é o domínio pessoal, uma conversa de amigos (que, no fundo, é o que este blog despretensioso é. Aqui podemos ser todos reis do bitaite), outra coisa é o que se publica num jornal que vai ser lido por milhares.
Por último, há aquela nota surreal do Tibas achar que ao dizer "Bem Hajam", o estou a mandar indirectamente (perdoa-me a grosseria, Gina) para o caralho. Isto já é do domínio da paranóia. Talvez seja melhor telefonares ao Woody Allen para lhe pedires referências de bons psicanalistas. Bem Hajam é uma expressão que se usa na minha paróquia e que quer dizer exactamente isso: Bem Hajam. Pensar que quer dizer "vão para o Inferno ser enrabados pela verga de Mefistófeles" é o mesmo que pensar que ao comunicar-vos que vou agora mandar um sms à Gina para ver se ela quer vir comigo a um recital de Teolinda Gersão vos estou a insultar.

Ernesto: desculpa os pontos de interrogação e os bolds, mas estou com problemas técnicos. Esta gait a do blogger já não dá vazão. Parece que estou numa emissão da rtp de 1978
Desqualificado

Carcaça, Carcaça... até merecias um ponto com esta resposta ao Imperador Amaricano. Mas vais ter de ser desqualificado na secretaria, por questões formais.

QUANDO É QUE APRENDES A PÔR OS TÍTULOS A BOLD E A TIRAR OS PONTOS DE INTERROGAÇÃO DO WORD E A NÃO REPETIR O MESMO POST DUAS VEZES, MINHA CAVALGADURA!!!!!!!!! ASSIM NÃO HÁ TEOLINDA GERSÃO QUE TE VALHA!!!!
Carcaça desfeita

Oh Carcaça, se precisares de um ombro amigo para chorar... O Tiberius é mau. Ele é mau, tau, tau... Não se faz... Ir buscar o Canard Enchainé, pá... Não se faz, não se faz...

Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen



O monges Tanzan e Ekido viajavam juntos por uma estrada lamacenta, debaixo de uma chuva forte e persistente. Quando numa das curvas da estrada encontraram uma jovem adorável, vestida com um quimono de seda e uma faixa. A moça não conseguia atravessar o cruzamento.

"Venha cá, menina", disse Tanzan imediatamente. E levantando-a nos braços, carregou-a através da lama.

Apesar de incomodado com a atitude do companheiro, Ekido nada disse até ao cair da noite, quando chegaram a um templo com pousada. Nessa altura, não mais conseguiu conter-se. "Nós, monges, não nos aproximamos de mulheres", disse a Tanzan, "sobretudo das jovens e graciosas. É perigoso. Por que fizeste aquilo?"

"Nós somos monges", disse Tanzan. "Não amigos do Paulo Portas."

sábado, agosto 14, 2004

Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Sophia de Mello Breyner
Marketing brasileiro

A FIgueira da Foz está invadida pelo marketing brasuca. Por toda a cidade se ouvem os animadores a exortarem para a presença no mundialito de futebol de praia:

- Como é gente, eu quero ver todo o mundo pulando. Eu quero ver todo o mundo torcendo pelo time de Portugal! Aqui não há lugar para tristeza, todo o mundo gritando. Vá lá, isto é um espectáculo para ficar na história!

Ora, isto soa-me a "Igreja Universal do Reino de Deus":

- Jesus é o senhor! Todo o mundo cataando: Jesus é a salvação!

Estes gajos vendem a religião, vendem primeiros-ministros, vendem pagode e futebol. Terão jeito para a coisa, mas a mim irrita-me o registo.

ps - imperador, não tenho agora tempo para retorquir. Aguarda-me.