Sobre a bússola...
Há aqui coisas que eu não percebo muito bem. No political compass tive -2.75 (esquerda/direita) e -1.85 (libertário/autoritário). Na versão tuga tive -3.75 e -2.00.
Depois, penso que algumas coisas se perdem na tradução. Em particular no verbo dever e poder, que pode marcar toda a diferença. Penso que a maior parte da população tuga vai dar valores semelhantes aos meus, ligeiramente esquerdoides mas sem exageros já que há perguntas tão óbivas que só alguns nazis, o Nogueira Pinto, o Louçã e os Portas. Com a forma como as frases e as ideias estão construídas dão-se alvíssaras a quem tiver resultados claramente positivos (ou até negativos) com excepção do facho do editor-coordenador-censor desta nossa humilde página.
Além disso, a forma taxativa como são colocadas a maior parte das perguntas levam-nos sempre a hesitar e a recuar numa posição de discordo ou concordo fortemente.
domingo, outubro 03, 2004
sábado, outubro 02, 2004
Adoro vaquinhas, muuuuuuuuuu
Esse exercício da bússola política trouxe-me algumas revelações, uma delas a de que eu sou um esquerdalho (-3,62) e libertário do piorio (-3,64). No Political Compass original, os resultados foram mais radicais: -4,62 e ?4,15, o que faz de mim um exemplar pós-contemporâneo do Gandhi.
O teste tem uma série de perguntas a menos do que aquele que foi respondido pelos candidatos do PS, por exemplo «Na justiça penal, o castigo deve ser mais importante que a reabilitação», «Ninguém escolhe o país onde nasce, pelo que é disparatado ter-se orgulho no seu país», «A escolaridade não deve ser obrigatória», «Acções militares que desafiem o direito internacional são por vezes justificadas» ou «A fusão crescente entre a informação e o entretenimento contribui de forma preocupante para o declínio do interesse dos cidadãos». Porquê? Onde estão essas perguntas? Depois, além dos erros ortográficos (palavras sem acentos), há frases que estão mal traduzidas: «A principal função da educação nas escolas é equipar a geração futura para arranjar empregos». Equipar a geração??!!
Esse exercício da bússola política trouxe-me algumas revelações, uma delas a de que eu sou um esquerdalho (-3,62) e libertário do piorio (-3,64). No Political Compass original, os resultados foram mais radicais: -4,62 e ?4,15, o que faz de mim um exemplar pós-contemporâneo do Gandhi.
O teste tem uma série de perguntas a menos do que aquele que foi respondido pelos candidatos do PS, por exemplo «Na justiça penal, o castigo deve ser mais importante que a reabilitação», «Ninguém escolhe o país onde nasce, pelo que é disparatado ter-se orgulho no seu país», «A escolaridade não deve ser obrigatória», «Acções militares que desafiem o direito internacional são por vezes justificadas» ou «A fusão crescente entre a informação e o entretenimento contribui de forma preocupante para o declínio do interesse dos cidadãos». Porquê? Onde estão essas perguntas? Depois, além dos erros ortográficos (palavras sem acentos), há frases que estão mal traduzidas: «A principal função da educação nas escolas é equipar a geração futura para arranjar empregos». Equipar a geração??!!
Afasta de mim esse calo
Há uns meses, apareceu-me uma bolha no calcanhar direito. Não liguei, até que me começou a doer, ao andar. Furá-la não adiantou. Tentar espremê-la e arrancar com a unha também não. Até que um entendido me disse: "Isso é um calo!" Senti-me inusitadamente velho. Até então, só tinha tido calos nas mãos, dos matraquilhos. Mas nos pés, parecia mais coisa de avô - lembro-me de ouvir o meu a queixar-se dos malditos. O pior é a dorzinha chata, ao pisar. O meu calcanhar de Madjer transformou-se, de repente, em calcanhar de Aquiles.
Aconselharam-me uma coisa chamada Duofilm, só que na farmácia não havia. "Mas leve este aqui, que é a mesma coisa com outro nome", disse o farmacêutico, entregando-me um frasquinho com a suspeita designação de "Calicida Indiano". Iniciei o tratamento na semana passada. Neste momento, o danado do calo tem o quádruplo do tamanho e ainda dói, só que agora apresenta uma estranha coloração verde. Quero acreditar que isso é uma boa coisa, embora não deixe de ter a sensação de andar a carregar um calo que não pertence a mim, mas sim ao Incrível Hulk. Agora, há um dilema que me aflige: não sei se o arranque já, ou se o deixe amadurecer e cair sozinho do pé. Alguém sabe quanto falta para a época dos calos?
Há uns meses, apareceu-me uma bolha no calcanhar direito. Não liguei, até que me começou a doer, ao andar. Furá-la não adiantou. Tentar espremê-la e arrancar com a unha também não. Até que um entendido me disse: "Isso é um calo!" Senti-me inusitadamente velho. Até então, só tinha tido calos nas mãos, dos matraquilhos. Mas nos pés, parecia mais coisa de avô - lembro-me de ouvir o meu a queixar-se dos malditos. O pior é a dorzinha chata, ao pisar. O meu calcanhar de Madjer transformou-se, de repente, em calcanhar de Aquiles.
Aconselharam-me uma coisa chamada Duofilm, só que na farmácia não havia. "Mas leve este aqui, que é a mesma coisa com outro nome", disse o farmacêutico, entregando-me um frasquinho com a suspeita designação de "Calicida Indiano". Iniciei o tratamento na semana passada. Neste momento, o danado do calo tem o quádruplo do tamanho e ainda dói, só que agora apresenta uma estranha coloração verde. Quero acreditar que isso é uma boa coisa, embora não deixe de ter a sensação de andar a carregar um calo que não pertence a mim, mas sim ao Incrível Hulk. Agora, há um dilema que me aflige: não sei se o arranque já, ou se o deixe amadurecer e cair sozinho do pé. Alguém sabe quanto falta para a época dos calos?
sexta-feira, outubro 01, 2004
As paredes têm bocas
Coimbra é capaz de ser a capital portuguesa da filosofia de parede. Tirando as chatíssimas frases de apelo ao voto nas eleições académicas, o nível até que é elevado. Eis aqui algumas observadas na nossa última incursão pela Lusa Atenas.
Dos muros do Departamento de Antropologia:
LER PARA SER SÁBIO
PRECISAMOS TRAZER O PROGRESSO PARA PORTUGAL
NÓS SOMOS MELHORES QUE OS AMERICANOS
PROIBIDO PENSAR
Dos muros da Faculdade de Ciências:
AQUI CHUMBA-SE
FORÇA É POIS IR BUSCAR OUTRO CAMINHO
Coimbra é capaz de ser a capital portuguesa da filosofia de parede. Tirando as chatíssimas frases de apelo ao voto nas eleições académicas, o nível até que é elevado. Eis aqui algumas observadas na nossa última incursão pela Lusa Atenas.
Dos muros do Departamento de Antropologia:
LER PARA SER SÁBIO
PRECISAMOS TRAZER O PROGRESSO PARA PORTUGAL
NÓS SOMOS MELHORES QUE OS AMERICANOS
PROIBIDO PENSAR
Dos muros da Faculdade de Ciências:
AQUI CHUMBA-SE
FORÇA É POIS IR BUSCAR OUTRO CAMINHO
quinta-feira, setembro 30, 2004
SAL-GUEI-ROS!
Sem que eu desse por ela, o Salgueiros foi ter à II Divisão B, o que na prática quer dizer terceira divisão, o que quer dizer que o Salgueiral anda muito por baixo.
Isso deixa-me triste. Não é que seja salgueirista; o meu clube, evidentemente, é este:
Mas ver o Salgueiros em baixo é mau.
Há a ideia de que o Porto se divide assim em clubes: a maioria é portista, os ricos da Boavista são boavisteiros, e os pobres são salgueiristas. O Salgueiros seria assim o clube do povo.
Isto não é bem assim. O clube do povo é mesmo o Porto. Na verdade, os ricos, os pobres, os remediados e os outros são quase todos portistas.
Uns 90 por cento da cidade é do FCP. Há meia dúzia de lagartos, meia dúzia de lampos, duas ou três famílias de boavisteiros e uns quantos salgueiristas.
O Salgueiral é no entanto o segundo clube de quase toda a gente. Os salgueiristas puros e duros não costumam gostar do FCP, mas a gente não se chateia, até porque eles costumavam perder sempre nos jogos com o Porto (e às vezes ganhavam aos lampos e aos lagartos).
E sendo poucos, os salgueiristas reflectem uma parte importante da alma da cidade. Não, não é a história da alma salgueirista; isso foi inventado nos anos 80 pelas claques.
Mas o Salgueiros representa mesmo assim uma parte da alma do Porto. Do Porto à maneira antiga, proletário, macambúzio, que escarra para o chão e diz caralhadas.
Eu que nasci no meio disto gosto muito desse Porto. Também gosto de ir ao Vidal Pinheiro; um gajo empilhar-se com mais umas centenas de desgraçados numa bancadas decrépitas, com os fanáticos a ameaçar de morte o árbitro e a trepar a vedação para cuspir nos fiscais de linha.
Nenhum clube tem um grito de guerra melhor que o Salgueiros. A maneira correcta de torcer pelo Salgueiros é ver o jogo com uma tromba danada, a resmungar para o vizinho e, a propósito de nada, no meio da jogada mais inócua possível (um lançamento de linha lateral, uma substituição, um pontapé de baliza), gritar, com tanta força que se ouça no hospital de S. João -
SAL-GUEI-ROS!
E depois um gajo senta-se outra vez.
Enfim, a decadência do Salgueiral (aparentemente tem a ver com tramóias de dirigentes, falta de dinheiro, e despromoções administrativas) reflecte também a morte do Porto antigo.
Nos últimos anos, a cidade feia, suja, escura e ferozmente independente mudou. Quando lá volto, já não encontro o espírito do antigamente.
Isso é o progresso; quando um gajo se põe a refilar por as coisas já não serem como eram, normalmente está-se a ter nostalgia do atraso. O Porto está mais moderno, mais cosmopolita, mais evoluído.
Hélas, o custo do progresso é que a cidade também ficou mais incaracterística. As grandes instituições da cidade - o comércio da Baixa, o Bolhão, o JN, os traficantes da Sé, os putos mafiosos das Fontaínhas, o Salgueiral - ou estão em decadência ou modernizaram-se.
A vida moderna está a tirar ao Porto a sua personalidade. O Porto está a aburguesar-se, a ficar como outra cidade europeia qualquer - está a ficar, Deus nos livre, como Lisboa.
Enfim, um dia destes até o Salgueiral entra no século XXI, constroem-lhe um estádio novo, ele sobe de divisão outra vez, e as peixeiras e os reformados deixam de aparecer nas bancadas, ou vão lá mas deixam de mandar caralhadas e cuspir para o campo.
Por enquanto, desconfio que o Salgueiral ainda está como antigamente. Na terça-feira, joga em casa com o Nazarenos para a Taça. Não vou ao estádio, mas hei-de lá estar em espírito. À hora do jogo, vou sair à rua e vou gritar com força:
SAL-GUEI-ROS!
Bom, talvez não grite, talvez diga só baixinho. E depois volto para casa.
Sem que eu desse por ela, o Salgueiros foi ter à II Divisão B, o que na prática quer dizer terceira divisão, o que quer dizer que o Salgueiral anda muito por baixo.
Isso deixa-me triste. Não é que seja salgueirista; o meu clube, evidentemente, é este:
Mas ver o Salgueiros em baixo é mau.
Há a ideia de que o Porto se divide assim em clubes: a maioria é portista, os ricos da Boavista são boavisteiros, e os pobres são salgueiristas. O Salgueiros seria assim o clube do povo.
Isto não é bem assim. O clube do povo é mesmo o Porto. Na verdade, os ricos, os pobres, os remediados e os outros são quase todos portistas.
Uns 90 por cento da cidade é do FCP. Há meia dúzia de lagartos, meia dúzia de lampos, duas ou três famílias de boavisteiros e uns quantos salgueiristas.
O Salgueiral é no entanto o segundo clube de quase toda a gente. Os salgueiristas puros e duros não costumam gostar do FCP, mas a gente não se chateia, até porque eles costumavam perder sempre nos jogos com o Porto (e às vezes ganhavam aos lampos e aos lagartos).
E sendo poucos, os salgueiristas reflectem uma parte importante da alma da cidade. Não, não é a história da alma salgueirista; isso foi inventado nos anos 80 pelas claques.
Mas o Salgueiros representa mesmo assim uma parte da alma do Porto. Do Porto à maneira antiga, proletário, macambúzio, que escarra para o chão e diz caralhadas.
Eu que nasci no meio disto gosto muito desse Porto. Também gosto de ir ao Vidal Pinheiro; um gajo empilhar-se com mais umas centenas de desgraçados numa bancadas decrépitas, com os fanáticos a ameaçar de morte o árbitro e a trepar a vedação para cuspir nos fiscais de linha.
Nenhum clube tem um grito de guerra melhor que o Salgueiros. A maneira correcta de torcer pelo Salgueiros é ver o jogo com uma tromba danada, a resmungar para o vizinho e, a propósito de nada, no meio da jogada mais inócua possível (um lançamento de linha lateral, uma substituição, um pontapé de baliza), gritar, com tanta força que se ouça no hospital de S. João -
SAL-GUEI-ROS!
E depois um gajo senta-se outra vez.
Enfim, a decadência do Salgueiral (aparentemente tem a ver com tramóias de dirigentes, falta de dinheiro, e despromoções administrativas) reflecte também a morte do Porto antigo.
Nos últimos anos, a cidade feia, suja, escura e ferozmente independente mudou. Quando lá volto, já não encontro o espírito do antigamente.
Isso é o progresso; quando um gajo se põe a refilar por as coisas já não serem como eram, normalmente está-se a ter nostalgia do atraso. O Porto está mais moderno, mais cosmopolita, mais evoluído.
Hélas, o custo do progresso é que a cidade também ficou mais incaracterística. As grandes instituições da cidade - o comércio da Baixa, o Bolhão, o JN, os traficantes da Sé, os putos mafiosos das Fontaínhas, o Salgueiral - ou estão em decadência ou modernizaram-se.
A vida moderna está a tirar ao Porto a sua personalidade. O Porto está a aburguesar-se, a ficar como outra cidade europeia qualquer - está a ficar, Deus nos livre, como Lisboa.
Enfim, um dia destes até o Salgueiral entra no século XXI, constroem-lhe um estádio novo, ele sobe de divisão outra vez, e as peixeiras e os reformados deixam de aparecer nas bancadas, ou vão lá mas deixam de mandar caralhadas e cuspir para o campo.
Por enquanto, desconfio que o Salgueiral ainda está como antigamente. Na terça-feira, joga em casa com o Nazarenos para a Taça. Não vou ao estádio, mas hei-de lá estar em espírito. À hora do jogo, vou sair à rua e vou gritar com força:
SAL-GUEI-ROS!
Bom, talvez não grite, talvez diga só baixinho. E depois volto para casa.
Hoje estou muito peace and love
Cablogue: Vai chupá-los. Eu porventura disse que é preciso vir a Nova Iorque para ter wi-fi? Estava tão alegre aqui como estaria num hipermercado em Carrazeda de Anciães. Internet sem fios - excelente. Foda-se que um gajo já não pode ficar alegre sem virem outros a mandar vir!
Vostra: Vai mamá-los. Cada renovação gráfica que tu fazes deixa esta merda mais feia. E onde é que está a gaja russa a dançar, hã?
Carcaça: Vai lambê-los. Julgas que estás num blog de aspirantes a comentador político ou quê? Queres dizer mal do Governo, tens pelo menos de meter umas caralhadas. Questa merda de "É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente", andas também a ver se és citado pelo JPP?
Ernesto: Vai coçá-los. Como é que tu sabes o que está escrito nas paredes dos bordéis gay de Viseu, hã? E o Cablogue a falar em Viseu também, andam vocês os dois a fazer o quê no interior, oh pervertidos?
Zizou: Vai osculá-los. Andas muito calado, mas não enganas ninguém.
Cablogue: Vai chupá-los. Eu porventura disse que é preciso vir a Nova Iorque para ter wi-fi? Estava tão alegre aqui como estaria num hipermercado em Carrazeda de Anciães. Internet sem fios - excelente. Foda-se que um gajo já não pode ficar alegre sem virem outros a mandar vir!
Vostra: Vai mamá-los. Cada renovação gráfica que tu fazes deixa esta merda mais feia. E onde é que está a gaja russa a dançar, hã?
Carcaça: Vai lambê-los. Julgas que estás num blog de aspirantes a comentador político ou quê? Queres dizer mal do Governo, tens pelo menos de meter umas caralhadas. Questa merda de "É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente", andas também a ver se és citado pelo JPP?
Ernesto: Vai coçá-los. Como é que tu sabes o que está escrito nas paredes dos bordéis gay de Viseu, hã? E o Cablogue a falar em Viseu também, andam vocês os dois a fazer o quê no interior, oh pervertidos?
Zizou: Vai osculá-los. Andas muito calado, mas não enganas ninguém.
Elogio fúnebre
Hoje a minha alma morreu mais um pouco. Bem sei que a memória futura dos meus dias poderá até ignorar o dia de hoje, procurando esconder a chaga macerada do último dia do mês de Setembro de 2004. Desde o fim das revistas do Tintin que não me sentia tão mal e agora pareço o Simo Le Fleuve sem barba mas arrasado após o holocausto nuclear?
O http://caderneta-da-bola.blogspot.com morreu e comigo desapareceram sorrisos guardados entre os lábios à espera de ser surpreendido por mais um passe de Missé-Missé, um cabeceamento de Walter Paz ou um cruzamento de Valdir (sim, o do bigodinho à chulo) naquelas páginas sublimes.
Bem sei que já morreu há duas semanas mas quero aqui celebrar uma missa de 14º dia para honrar a memória de uma parelha de génios - um misto de João Aguiar com Jaime Gabriel, com pitadas de Veiga Trigo - que conseguiram recordar jóias da memória de todos nós.
Bem-hajam. Voltem sempre e se publicarem isso em livro terão em mim um comprador (ou fotocopiador).
Hoje a minha alma morreu mais um pouco. Bem sei que a memória futura dos meus dias poderá até ignorar o dia de hoje, procurando esconder a chaga macerada do último dia do mês de Setembro de 2004. Desde o fim das revistas do Tintin que não me sentia tão mal e agora pareço o Simo Le Fleuve sem barba mas arrasado após o holocausto nuclear?
O http://caderneta-da-bola.blogspot.com morreu e comigo desapareceram sorrisos guardados entre os lábios à espera de ser surpreendido por mais um passe de Missé-Missé, um cabeceamento de Walter Paz ou um cruzamento de Valdir (sim, o do bigodinho à chulo) naquelas páginas sublimes.
Bem sei que já morreu há duas semanas mas quero aqui celebrar uma missa de 14º dia para honrar a memória de uma parelha de génios - um misto de João Aguiar com Jaime Gabriel, com pitadas de Veiga Trigo - que conseguiram recordar jóias da memória de todos nós.
Bem-hajam. Voltem sempre e se publicarem isso em livro terão em mim um comprador (ou fotocopiador).
Agora que me apetece blogar, junto segue um texto que guardei no computador pelo tamanho grau de sapiência de alguns críticos de artes.
«TERMINAL DE AEROPORTO Trânsitos sobremodernos
Há um visitante da Karkhozia, Viktor Navorski, prolongadamente retido num terminal do aeroporto JFK em Nova Iorque; devido a acontecimentos no seu país, e aos mecanismos de controlo securitário, não é autorizado a entrar em solo americano, nem há base legal, nem possibilidades logísticas para o repatriar. Pois, a Karkhozia não existe, nesse sentido é um não-lugar, espaço ficcional, e a situação de "Terminal" afigura-se inverosímil.
Pensemos agora noutra situação: "Quando um voo internacional sobrevoa a Arábia Saudita, a hospedeira anuncia que durante a duração do sobrevoo é proibido o consumo de álcool no avião. A intrusão do território no espaço é assim significada. Terra = sociedade = cultura = religião: a equação do lugar antropológico reinscreve-se fugidiamente no espaço. Reencontrar o não-lugar do espaço, um pouco mais tarde, escapar à restrição totalitária do lugar, será reencontrar algo que se aparenta à liberdade" - "Não-lugares - Introdução a Uma Antropologia da Sobremodernidade" de Marc Augé (ed. portuguesa na Bertrand). Se Augé, nesse livro como em "A Guerra dos Sonhos - Exercícios de Etnoficção", se tem referido também ao estatuto antropológico de algumas séries televisivas americanas, eis um filme americano em que nos reencontramos também com espaços e sobreposições como as que o antropólogo analisou enquanto "não-lugares".
A matriz capriana da obra de Spielberg é por demais reconhecível, a grande referência sendo "It's a Wonderful Life/Do Céu Caiu Uma Estrela". A fascinação por personagens alienígenas, como o famoso E.T., tem referente primordial no anjo desse filme de Capra. Essa é a matriz de novo particularmente patente neste filme, já que Navorski é de algum modo um "e.t." retido no terminal - mas não é tanto isso que importa. "Terminal" é um filme de imensas virtualidades na improbabilidade de um encontro de Capra e Kafka, ou de imaginários caprianos e kafkianos. Muito poucos serão os casos em que um pesadelo burocrático (porque há também esse nível burocrático do controlo securitário), uma dessas situações que reconhecemos como "kafkianas", foi tão minuciosamente presente num filme desta envergadura produtiva e espectacular.
Uma tal tentativa de articulação de universos notoriamente antitéticos - o optimismo capriano e o pesadelo kafkiano - supôs um terceiro incluído, que é, declaradamente, Jacques Tati. Estamos afortunados por ainda ter tido há pouco a ocasião de (re)ver "Playtime - Vida Moderna". Aproveitemos, então, oportunidades de revisão.
Consideremos "Tempos Modernos" de Chaplin - podia ter um subtítulo marxiano, "consequências sociais da maquinaria automizada", caracteristicamente da era industrial. Com "Playtime" ocorriam outros tipos de espaços, sinaléticas, sociabilidades - e confusões de percursos e identidades.
Retomo Augé: "Por 'não-lugar' designamos duas realidades complementares mas distintas: espaços constituídos para certos fins (transporte, trânsito, comércio, divertimento), e a relação dos indivíduos com esses espaços (...) Mas os não-lugares reais da sobremodernidade, aqueles que tomamos quando vamos pela auto-estrada, fazemos as compras no supermercado ou esperamos no aeroporto pelo próximo voo têm a particularidade de se definirem também pelas palavras ou os textos que nos propõem, o seu modo de emprego, que segundo os casos se exprime de modo prescritivo ('circule pela faixa da direita'), restritivo ('é proibido fumar'), ou informativo ('está a entrar em...'), recorrendo tanto a ideogramas mais ou menos explícitos como à língua natural." "Playtime - Vida Moderna" foi o primeiro filme com um olhar sistematizado para as novas paisagens da sobremodernidade, começando no aeroporto.
Essa a razão primeira da filiação, até porque, tomando à letra, ou ao olho, o título, a entidade principal do filme é o "terminal de aeroporto", na magnificência da construção do espaço (e falo propriamente do espaço fílmico interno aos planos, não tanto do seu preâmbulo cenográfico) e na pontuação dos diversos elementos de visão e observação - a alucinação de Navorski quando vê numa televisão o que são supostas serem "imagens reais" das convulsões no seu país ou o seu jogo com o controlador de segurança que ele sabe estar a observá-lo em videovigilância são dos momentos mais notáveis.
Fábula que seja, "Terminal" não deixa de estar ancorado no real. Karkhozia já não nos soará hoje tanto como as Burdúria e Sildávia de Tintim no "Ceptro de Otokar" ou os reinos de opereta, mas como aquela inquietante estranheza afinal próxima da Ossétia ou da Ingúchia. Como proceder às descodificações e como estabelecer as normas de proximidade reconhecível?
A improbabilidade da fábula "capriana" ("Terminal" é um apelo à tolerância do democrata Spielberg), num tal quadro de pesadelo securitário "kafkiano" determina o limite do filme: a estranheza perante Navorski não existe, pois que ele é reconhecivelmente o "all american" Tom Hanks. Mas o paradoxo maior e primeiro não impede - pelo contrário, também dele decorrem - outros paradoxos secundários, que são dos mais interessantes do filme: a alucinação de Navorski perante a televisão é uma radical incompreensão de uma apresentação americana de imagens referentes ao seu país, enquanto para os burocratas securitários é incompreensível que para o outro o significante América, aquilo que o traz, seja a marca, o autógrafo, de um músico de jazz, Benny Golson. Questões de descodificação, de linguagens sobrepostas em espaços da sobremodernidade»
Perceberam?
«TERMINAL DE AEROPORTO Trânsitos sobremodernos
Há um visitante da Karkhozia, Viktor Navorski, prolongadamente retido num terminal do aeroporto JFK em Nova Iorque; devido a acontecimentos no seu país, e aos mecanismos de controlo securitário, não é autorizado a entrar em solo americano, nem há base legal, nem possibilidades logísticas para o repatriar. Pois, a Karkhozia não existe, nesse sentido é um não-lugar, espaço ficcional, e a situação de "Terminal" afigura-se inverosímil.
Pensemos agora noutra situação: "Quando um voo internacional sobrevoa a Arábia Saudita, a hospedeira anuncia que durante a duração do sobrevoo é proibido o consumo de álcool no avião. A intrusão do território no espaço é assim significada. Terra = sociedade = cultura = religião: a equação do lugar antropológico reinscreve-se fugidiamente no espaço. Reencontrar o não-lugar do espaço, um pouco mais tarde, escapar à restrição totalitária do lugar, será reencontrar algo que se aparenta à liberdade" - "Não-lugares - Introdução a Uma Antropologia da Sobremodernidade" de Marc Augé (ed. portuguesa na Bertrand). Se Augé, nesse livro como em "A Guerra dos Sonhos - Exercícios de Etnoficção", se tem referido também ao estatuto antropológico de algumas séries televisivas americanas, eis um filme americano em que nos reencontramos também com espaços e sobreposições como as que o antropólogo analisou enquanto "não-lugares".
A matriz capriana da obra de Spielberg é por demais reconhecível, a grande referência sendo "It's a Wonderful Life/Do Céu Caiu Uma Estrela". A fascinação por personagens alienígenas, como o famoso E.T., tem referente primordial no anjo desse filme de Capra. Essa é a matriz de novo particularmente patente neste filme, já que Navorski é de algum modo um "e.t." retido no terminal - mas não é tanto isso que importa. "Terminal" é um filme de imensas virtualidades na improbabilidade de um encontro de Capra e Kafka, ou de imaginários caprianos e kafkianos. Muito poucos serão os casos em que um pesadelo burocrático (porque há também esse nível burocrático do controlo securitário), uma dessas situações que reconhecemos como "kafkianas", foi tão minuciosamente presente num filme desta envergadura produtiva e espectacular.
Uma tal tentativa de articulação de universos notoriamente antitéticos - o optimismo capriano e o pesadelo kafkiano - supôs um terceiro incluído, que é, declaradamente, Jacques Tati. Estamos afortunados por ainda ter tido há pouco a ocasião de (re)ver "Playtime - Vida Moderna". Aproveitemos, então, oportunidades de revisão.
Consideremos "Tempos Modernos" de Chaplin - podia ter um subtítulo marxiano, "consequências sociais da maquinaria automizada", caracteristicamente da era industrial. Com "Playtime" ocorriam outros tipos de espaços, sinaléticas, sociabilidades - e confusões de percursos e identidades.
Retomo Augé: "Por 'não-lugar' designamos duas realidades complementares mas distintas: espaços constituídos para certos fins (transporte, trânsito, comércio, divertimento), e a relação dos indivíduos com esses espaços (...) Mas os não-lugares reais da sobremodernidade, aqueles que tomamos quando vamos pela auto-estrada, fazemos as compras no supermercado ou esperamos no aeroporto pelo próximo voo têm a particularidade de se definirem também pelas palavras ou os textos que nos propõem, o seu modo de emprego, que segundo os casos se exprime de modo prescritivo ('circule pela faixa da direita'), restritivo ('é proibido fumar'), ou informativo ('está a entrar em...'), recorrendo tanto a ideogramas mais ou menos explícitos como à língua natural." "Playtime - Vida Moderna" foi o primeiro filme com um olhar sistematizado para as novas paisagens da sobremodernidade, começando no aeroporto.
Essa a razão primeira da filiação, até porque, tomando à letra, ou ao olho, o título, a entidade principal do filme é o "terminal de aeroporto", na magnificência da construção do espaço (e falo propriamente do espaço fílmico interno aos planos, não tanto do seu preâmbulo cenográfico) e na pontuação dos diversos elementos de visão e observação - a alucinação de Navorski quando vê numa televisão o que são supostas serem "imagens reais" das convulsões no seu país ou o seu jogo com o controlador de segurança que ele sabe estar a observá-lo em videovigilância são dos momentos mais notáveis.
Fábula que seja, "Terminal" não deixa de estar ancorado no real. Karkhozia já não nos soará hoje tanto como as Burdúria e Sildávia de Tintim no "Ceptro de Otokar" ou os reinos de opereta, mas como aquela inquietante estranheza afinal próxima da Ossétia ou da Ingúchia. Como proceder às descodificações e como estabelecer as normas de proximidade reconhecível?
A improbabilidade da fábula "capriana" ("Terminal" é um apelo à tolerância do democrata Spielberg), num tal quadro de pesadelo securitário "kafkiano" determina o limite do filme: a estranheza perante Navorski não existe, pois que ele é reconhecivelmente o "all american" Tom Hanks. Mas o paradoxo maior e primeiro não impede - pelo contrário, também dele decorrem - outros paradoxos secundários, que são dos mais interessantes do filme: a alucinação de Navorski perante a televisão é uma radical incompreensão de uma apresentação americana de imagens referentes ao seu país, enquanto para os burocratas securitários é incompreensível que para o outro o significante América, aquilo que o traz, seja a marca, o autógrafo, de um músico de jazz, Benny Golson. Questões de descodificação, de linguagens sobrepostas em espaços da sobremodernidade»
Perceberam?
quarta-feira, setembro 29, 2004
O João Paulo II é um autoritário de esquerda, eu sou um libertário de direita
O site do jornal de referência de que o Carcaça gosta muito adaptou o teste do Political Compass para uma versão portuguesa.
Alguma coisa se há-de perder na tradução. Nos dois testes, eu fico no quadrante Sul-Leste, o que quer dizer que eu sou de direita e libertário.
No teste à portuguesa eu estou quase no centro: as minhas coordenadas são (-3,+1), o que dá um bocado libertário e um bocadinho de direita.
Por comparação com os três candidatos ao PS, isso é muito à direita (esses acabaram todos no quadrante Sul-Oeste, o João Soares tão à esquerda que quase saía do monitor; o nosso DJ Carcaça nem num wide-screen devia aparecer o pontinho dele) e não particularmente libertário. Enfim, é um centrismo centrista.
Mas no teste original à inglesa, a coisa sai mais extremada: umas lindas coordenadas de (-6,2, +2,9), ou seja, muito libertário, um bocado à direita.
Ou seja, podem contar com o Tiberius para uma sociedade libertária em que anda tudo a ter sexo com toda a gente.
Os meus resultados no teste em inglês deixam-me equidistante do Ralph Nader e do John Kerry, perto do Tony Blair e do Paul Martin (é o primeiro-ministro do Canadá, oh ignorantes), e longe do João Paulo II (um autoritário de esquerda) e do Saddam Hussein (um extremista autoritário e extremista de esquerda).
Melhor ainda: fico exactamente no mesmo ponto que o Tchaikovsky. Música de orquestra contemporânea da Rússia, isso sou eu.
Só que as coisas complicam-se porque ainda fiz mais um teste do mesmo género.
Este tem na mesma as diferenças entre esquerda e direita, mas em vez de autoritarismo/libertarianismo, a oposição é pragmatismo/idealismo.
E adivinhem lá o que aconteceu? Pois, o vosso Tiberius é um pragmático com os pés bem assentes na terra. Mas, segundo este teste, também é um bocado para o esquerdalho.
Aqui, as coordenadas foram (-4,5, -1,4), um pouco à esquerda e bastante mais pragmático que idealista.
Tirando a média aos três testes (isso implica uns cálculos geométricos muito complicados, vocês com a vossa matemática de sétimo ano não chegam lá), hum, ora cá vai a bissetriz e a raíz do co-seno e noves fora nada, acabo com umas coordenadas por volta de (-4,6, +1,8).
O que é que eu aprendi com isto? Que sou ou de direita ou de esquerda ou as duas coisas; que sou libertário e pragmático; que esta merda destes testes me fizeram perder 15 minutos da minha vida.
Mal posso esperar pelos resultados dos testes de vocelências. Os meus palpites: o Carcaça deve dar uns (-56, -29), o nosso tiranete Vostra dá para aí uns (+45, +189), o Zizou cheira-me a (0,0).
O site do jornal de referência de que o Carcaça gosta muito adaptou o teste do Political Compass para uma versão portuguesa.
Alguma coisa se há-de perder na tradução. Nos dois testes, eu fico no quadrante Sul-Leste, o que quer dizer que eu sou de direita e libertário.
No teste à portuguesa eu estou quase no centro: as minhas coordenadas são (-3,+1), o que dá um bocado libertário e um bocadinho de direita.
Por comparação com os três candidatos ao PS, isso é muito à direita (esses acabaram todos no quadrante Sul-Oeste, o João Soares tão à esquerda que quase saía do monitor; o nosso DJ Carcaça nem num wide-screen devia aparecer o pontinho dele) e não particularmente libertário. Enfim, é um centrismo centrista.
Mas no teste original à inglesa, a coisa sai mais extremada: umas lindas coordenadas de (-6,2, +2,9), ou seja, muito libertário, um bocado à direita.
Ou seja, podem contar com o Tiberius para uma sociedade libertária em que anda tudo a ter sexo com toda a gente.
Os meus resultados no teste em inglês deixam-me equidistante do Ralph Nader e do John Kerry, perto do Tony Blair e do Paul Martin (é o primeiro-ministro do Canadá, oh ignorantes), e longe do João Paulo II (um autoritário de esquerda) e do Saddam Hussein (um extremista autoritário e extremista de esquerda).
Melhor ainda: fico exactamente no mesmo ponto que o Tchaikovsky. Música de orquestra contemporânea da Rússia, isso sou eu.
Só que as coisas complicam-se porque ainda fiz mais um teste do mesmo género.
Este tem na mesma as diferenças entre esquerda e direita, mas em vez de autoritarismo/libertarianismo, a oposição é pragmatismo/idealismo.
E adivinhem lá o que aconteceu? Pois, o vosso Tiberius é um pragmático com os pés bem assentes na terra. Mas, segundo este teste, também é um bocado para o esquerdalho.
Aqui, as coordenadas foram (-4,5, -1,4), um pouco à esquerda e bastante mais pragmático que idealista.
Tirando a média aos três testes (isso implica uns cálculos geométricos muito complicados, vocês com a vossa matemática de sétimo ano não chegam lá), hum, ora cá vai a bissetriz e a raíz do co-seno e noves fora nada, acabo com umas coordenadas por volta de (-4,6, +1,8).
O que é que eu aprendi com isto? Que sou ou de direita ou de esquerda ou as duas coisas; que sou libertário e pragmático; que esta merda destes testes me fizeram perder 15 minutos da minha vida.
Mal posso esperar pelos resultados dos testes de vocelências. Os meus palpites: o Carcaça deve dar uns (-56, -29), o nosso tiranete Vostra dá para aí uns (+45, +189), o Zizou cheira-me a (0,0).
Tenho um Airport, Vostra vai mamar
Está resolvido o mistério do blackout do Núcleo. Aparentemente, este blog esteve offline umas horas devido a mais uma tentativa sinistra do Vostra de reformar o aspecto do site sem dar cavaco a ninguém.
Mas estou tão feliz que nem fiz um trocadilho fácil com cavaco, Vostra e Cavaco.
Não, meus queridos, eu estou feliz porque tenho um Airport. O Airport é lindo! Uma plaquinha de nada, que deixa um gajo ir à Internet sem fios, sem pagar nada, a alta velocidade, no meio do café!
O Airport é lindo, a Internet é linda, a Apple é linda e Vostra vai mamar. Estou tão contente que até decidi não fazer o meu "blackout" de protesto pela prepotência Vostradâmica. Apesar das tentativas do Vostra de continuar a fazer este blog o mais feio possível, irei postalhar alegremente nos próximos minutos. Airport!
Está resolvido o mistério do blackout do Núcleo. Aparentemente, este blog esteve offline umas horas devido a mais uma tentativa sinistra do Vostra de reformar o aspecto do site sem dar cavaco a ninguém.
Mas estou tão feliz que nem fiz um trocadilho fácil com cavaco, Vostra e Cavaco.
Não, meus queridos, eu estou feliz porque tenho um Airport. O Airport é lindo! Uma plaquinha de nada, que deixa um gajo ir à Internet sem fios, sem pagar nada, a alta velocidade, no meio do café!
O Airport é lindo, a Internet é linda, a Apple é linda e Vostra vai mamar. Estou tão contente que até decidi não fazer o meu "blackout" de protesto pela prepotência Vostradâmica. Apesar das tentativas do Vostra de continuar a fazer este blog o mais feio possível, irei postalhar alegremente nos próximos minutos. Airport!
Corram, que elas vêm aí com grandes bigodões
Eu bem vinha reparando na evolução das velocistas norte-americanas de ano para ano. Algumas têm mais testosterona que o Zezé Camarinha. E eis que um estudo inglês veio constatar que as mulheres podem mesmo vir a ser corredoras mais rápidas que os homens nos 100 metros, em meados do próximo século.
Ou seja, lá pelas Olimpíadas de 2156, as bisnetas da Marion Jones vão deixar para trás os descendentes do Maurice Greene e do Francis Obikwelu. Segundo as previsões dos cientistas da Universidade de Oxford, mais ou menos por essa altura as mulheres deverão alcançar a marca de 8,079 segundos nos 100 metros, enquanto os homens não devem fazer melhor que 8,098s. O recorde actual é 9,78s. Ainda bem que em 2156 já não estarei vivo para assistir a essa vergonha... nem ver os pêlos que devem ter na cara gajas que conseguem correr 100 metros em oito segundos.
Eu bem vinha reparando na evolução das velocistas norte-americanas de ano para ano. Algumas têm mais testosterona que o Zezé Camarinha. E eis que um estudo inglês veio constatar que as mulheres podem mesmo vir a ser corredoras mais rápidas que os homens nos 100 metros, em meados do próximo século.
Ou seja, lá pelas Olimpíadas de 2156, as bisnetas da Marion Jones vão deixar para trás os descendentes do Maurice Greene e do Francis Obikwelu. Segundo as previsões dos cientistas da Universidade de Oxford, mais ou menos por essa altura as mulheres deverão alcançar a marca de 8,079 segundos nos 100 metros, enquanto os homens não devem fazer melhor que 8,098s. O recorde actual é 9,78s. Ainda bem que em 2156 já não estarei vivo para assistir a essa vergonha... nem ver os pêlos que devem ter na cara gajas que conseguem correr 100 metros em oito segundos.
sobre os grafitis...
Notícia do Diário de Leiria de terça-feira:
«"A Câmara de Pombal classifica a campanha da Juventude Socialista (JS) de Pombal que levou à colocação na cidade de nove faixas negras com questões acerda de várias políticas autárquicas, como "atentados paisagísticos, ambientais e urbanísticos". (...) O presidente da Câmara considera mesmo que o modo de actuação da JS é ilegal "para ususfruir do seu direito à liberdade de expressão" e pede ao Partido Socialista de Pombal "para que não permita a continuação destes atentados contra a cidade e o povo de P0mbal".»
Notícia do Diário de Leiria de terça-feira:
«"A Câmara de Pombal classifica a campanha da Juventude Socialista (JS) de Pombal que levou à colocação na cidade de nove faixas negras com questões acerda de várias políticas autárquicas, como "atentados paisagísticos, ambientais e urbanísticos". (...) O presidente da Câmara considera mesmo que o modo de actuação da JS é ilegal "para ususfruir do seu direito à liberdade de expressão" e pede ao Partido Socialista de Pombal "para que não permita a continuação destes atentados contra a cidade e o povo de P0mbal".»
Cata Vento
O estilo do novo governo está lançado. É o estilo cata vento, sempre em busca da última onda de choque noticiosa que abala o país para mostrar serviço. Ouvindo os noticiários da RDP (que continua a ser a rádio oficiosa, cobrindo exaustivamente a agenda dos políticos com poder) isso fica claro: assassinam uma menina no Algarve e fonte do governo vem logo dizer que vão mudar a forma de funcionamento da Comissão de Protecção de Menores (depois podem não mudar nada, não interessa: o que é importante é mostrar dinâmica em tempo real). No mesmo dia, em reacção ao acidente de "tunning" em Palmela, dizem que vai reunir extraordinariamente uma comissão de prevenção de sinistralidade, para analisar medidas. Medidas e mais medidas, todos os dias e ao sabor do vento. E o que fazem os jornalistas? Publicitam as "medidas". É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente.
ps. estou a escrever a partir de uma biblioteca e não consigo aceder ao blog do Núcleo. Aparece o ecrã a negro e um sinalzinho de sentido proibido em baixo. Será isto sinal do que eu estou a pensar, seus pornógrafos...zzz?
O estilo do novo governo está lançado. É o estilo cata vento, sempre em busca da última onda de choque noticiosa que abala o país para mostrar serviço. Ouvindo os noticiários da RDP (que continua a ser a rádio oficiosa, cobrindo exaustivamente a agenda dos políticos com poder) isso fica claro: assassinam uma menina no Algarve e fonte do governo vem logo dizer que vão mudar a forma de funcionamento da Comissão de Protecção de Menores (depois podem não mudar nada, não interessa: o que é importante é mostrar dinâmica em tempo real). No mesmo dia, em reacção ao acidente de "tunning" em Palmela, dizem que vai reunir extraordinariamente uma comissão de prevenção de sinistralidade, para analisar medidas. Medidas e mais medidas, todos os dias e ao sabor do vento. E o que fazem os jornalistas? Publicitam as "medidas". É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente.
ps. estou a escrever a partir de uma biblioteca e não consigo aceder ao blog do Núcleo. Aparece o ecrã a negro e um sinalzinho de sentido proibido em baixo. Será isto sinal do que eu estou a pensar, seus pornógrafos...zzz?
Eu sei que não é habitual escrever nestas páginas. O meu pedido de desculpas virá mais tarde ou mais cedo, quiçá ainda hoje.
Mas preciso de desabafar. Estou farto desta merda, deste jornalismo, desta profissão, desta vida. E já agora do meu puto, que não me deixou dormir a noite toda (ó Ernesto vai-te preparando...)
Estive até agora, às 15:40 a procurar em todas as fontes possíveis e imaginárias a confirmação de notícias de uma manchete de um diário português de hoje. Toda a gente desmente, toda a gente nega. E a notícia baseia-se em fontes "anónimas", algumas que nem existem e em sentimentos colectivos que não destrincei.
Acordei às 7:45 de hoje com um chefe a pedir-me esta história e chamando-me "discretamente" incompetente mas afinal a cromice não foi minha mas de um putativo jornalista, especialista em generalidades bacocas que decide escrever "coisas" a que chama de factos, com muitos adjectivos, utilizando fontes-fantasmas e pelo meio, perdi parte de um dia de trabalho a fazer uma não-notícia. E como somos todos bons camaradas, não desmentimos o colega mas limitamo-nos a esclarecer que a estória? não é bem assim.
Tou farto? Alguém sabe de algum cargo de assessor disponível?
Ou então de um café para arrendar?
Mas preciso de desabafar. Estou farto desta merda, deste jornalismo, desta profissão, desta vida. E já agora do meu puto, que não me deixou dormir a noite toda (ó Ernesto vai-te preparando...)
Estive até agora, às 15:40 a procurar em todas as fontes possíveis e imaginárias a confirmação de notícias de uma manchete de um diário português de hoje. Toda a gente desmente, toda a gente nega. E a notícia baseia-se em fontes "anónimas", algumas que nem existem e em sentimentos colectivos que não destrincei.
Acordei às 7:45 de hoje com um chefe a pedir-me esta história e chamando-me "discretamente" incompetente mas afinal a cromice não foi minha mas de um putativo jornalista, especialista em generalidades bacocas que decide escrever "coisas" a que chama de factos, com muitos adjectivos, utilizando fontes-fantasmas e pelo meio, perdi parte de um dia de trabalho a fazer uma não-notícia. E como somos todos bons camaradas, não desmentimos o colega mas limitamo-nos a esclarecer que a estória? não é bem assim.
Tou farto? Alguém sabe de algum cargo de assessor disponível?
Ou então de um café para arrendar?
terça-feira, setembro 28, 2004
As paredes têm bocas
Sempre me fascinaram os grafitos e as pichagens com que os "artistas" e "filósofos" de bairro costumam cobrir a cal branca e reacionária dos muros. Sempre me pareceram feitas por gente cheia de coisas para dizer. É bem verdade que há para aí uns parvos que só fazem umas letras estranhas, com siglas sem sentido que não acrescentam nada e só emporcalham a cidade. Mas as cores quentes dos murais comunas dos anos 70, por exemplo, são um bom contraponto. Eu gosto de os ver quando passo na rua. Nunca o fiz, mas admiro a coragem subversiva dos que costumam pôr a latinha de tinta em acção. Quando era puto, imaginava-me a fazer bonecos, a escrever frases de resistência e a ser perseguido pela polícia.
Ontem, passei por uma localidade perto do Estoril com o conveniente nome de Parede. Acaba por ser de certa forma simbólico abrir com ela esta nova rubrica, que vai documentar as frases mais bem conseguidas espalhadas pelos muros de Portugal (e não só) que formos encontrando pelos nossos périplos. Vamos dar voz aos heróis do spray. Fica para já aqui então registada a sentença que vi na parede de uma casa da Parede:
É ISTO A SOCIEDADE FÁXISTA!!!
MORTE AOS POLÍTICOS
Sempre me fascinaram os grafitos e as pichagens com que os "artistas" e "filósofos" de bairro costumam cobrir a cal branca e reacionária dos muros. Sempre me pareceram feitas por gente cheia de coisas para dizer. É bem verdade que há para aí uns parvos que só fazem umas letras estranhas, com siglas sem sentido que não acrescentam nada e só emporcalham a cidade. Mas as cores quentes dos murais comunas dos anos 70, por exemplo, são um bom contraponto. Eu gosto de os ver quando passo na rua. Nunca o fiz, mas admiro a coragem subversiva dos que costumam pôr a latinha de tinta em acção. Quando era puto, imaginava-me a fazer bonecos, a escrever frases de resistência e a ser perseguido pela polícia.
Ontem, passei por uma localidade perto do Estoril com o conveniente nome de Parede. Acaba por ser de certa forma simbólico abrir com ela esta nova rubrica, que vai documentar as frases mais bem conseguidas espalhadas pelos muros de Portugal (e não só) que formos encontrando pelos nossos périplos. Vamos dar voz aos heróis do spray. Fica para já aqui então registada a sentença que vi na parede de uma casa da Parede:
É ISTO A SOCIEDADE FÁXISTA!!!
MORTE AOS POLÍTICOS
segunda-feira, setembro 27, 2004
Tese: Nomes são importantes?
Gosto de intitular publicações e por vezes dou por mim a dar nomes a jornais ou blogs imaginários. Aqui estão alguns dos títulos que me têm passado pela cabeça:
Zé Loves Maria
Vox Populi
Manifesto Comodista
Sem eira na beira
Periódico dos Pobres (esta publicação já existiu em portugal, no séc XIX)
Correr Mundo (viagens)
Vagabundo do Dharma (idem, com agradecimentos a kerouack)
Pedro Pedreiro (intervenção política, obrigado Chico Buarque)
Jardim Envenenado (sobre os malefícios da jardinose)
Assunto de Saias (sexologia)
Panorama Expositivo
Inconsequente
1bitxonaperuca
O Sistema (para este, convidaria como comentadores residentes Tiberius, em representação do norte e Ernesto, pelo Sul)
Porquê esta minha fização nos títulos? Os nomes são importantes, e não é por acaso que me chamo DJ Carcaça. Poderá um título caracterizar a linha editorial de uma publicação? Façamos uma sumária análise de alguns títulos da imprensa tuga:
Público - Transparece qualidade e bom gosto, algo que se confirma lendo o dito jornal. "Público" remete para a selecção e relato de factos e ideias que, saindo da obscuridade por via da publicação, transitam para o domínio público. Título apropriado.
Diário de Notícias - Soa a "Diário da República". É um órgão oficioso, conservador. Quase sempre foi, aliás: no início com a burguesia novecentista fundadora, depois com Salazar durante o Estado Novo, depois com os comunistas no PREC (quando era conservador ser de exrtrema-esquerda), agora com os gestores modernos da PT. É um título apropriado, um ponto favorável à tese segundo a qual os títulos estão para os jornais como as caras para as pessoas.
Independente - Jornal de independentes, profissionais liberais que trabalham a recibo verde e gostam do perigo. Jornal para aventureiros, que noticia escândalos sem confirmar cabalmente a sua veracidade. Às vezes acerta, noutras erra. Arrisca. Título apropriado.
Expresso - Título opaco, demodé. Parece querer insinuar uma ideia de velocidade que é falsa. "Quem lê o expresso sabe primeiro". Mentira. É um título que não diz nada, assim como o Expresso muitas vezes nada diz. Título apropriado.
Correio da Manhã - Analisando o título, ficamos a perceber que é um matutino. É, portanto, destinado a pessoas que se levantam muito cedo, ou seja, operários, malta do proletariado. Os intelectuais levantam-se um pouco mais tarde, muitos têm isenção de horário, ou estão ?mal empregados (categoria intermédia entre o emprego e desemprego que é cada vez mais vulgar; são também conhecidos por biscateiros, por viverem de biscates). Quando chegam às bancas, ensonados, já esgotaram os exemplares do "Correio da Manhã" e vêem-se obrigados a recorrer ao Público ou à imprensa estrangeira. Título apropriado.
Jornal de Notícias - Há aqui uma redundância que implica que as pessoas que adquirem este jornal tenham, por norma, um baixo nível cultural. Porquê explicar que o jornal é de notícias? Do que é que havia de ser? Já houve um título na imprensa nacional denominado apenas "O Jornal", o que é mais correcto. As pessoas que lêem uma coisa chamada jornal de notícias vivem em vilas e pequenas cidades e querem conhecer as novidades da paróquia. Título apropriado.
Sexus - Este jornal, tudo indica, é sobre sexo. Mas não é o sexo na versão terapêutica e fleumática de Júlio Machado Vaz e das suas muchachas, é o sexo do ?tudo nu?. E como se depreende isto? Basta ver que sexo é grafado com o u, acentuando a última vogal: "xus" (se-xus). Tal como em "nus", Sexus, é, portanto, um jornal de ?todos nus?, tal como a sua variante homossexuak "Korpus" (este título foi-me referido pelo El Cablogue e pela Xana, confesso que não o conhecia). Títulos apropriados.
A tese do DJ (e não do Núcleo, ainda teremos que debater isto em assembleia geral): Há claramente uma ligação entre o título da publicação e a sua linha editorial. O nome é crucial para a identidade do jornal.
Gosto de intitular publicações e por vezes dou por mim a dar nomes a jornais ou blogs imaginários. Aqui estão alguns dos títulos que me têm passado pela cabeça:
Zé Loves Maria
Vox Populi
Manifesto Comodista
Sem eira na beira
Periódico dos Pobres (esta publicação já existiu em portugal, no séc XIX)
Correr Mundo (viagens)
Vagabundo do Dharma (idem, com agradecimentos a kerouack)
Pedro Pedreiro (intervenção política, obrigado Chico Buarque)
Jardim Envenenado (sobre os malefícios da jardinose)
Assunto de Saias (sexologia)
Panorama Expositivo
Inconsequente
1bitxonaperuca
O Sistema (para este, convidaria como comentadores residentes Tiberius, em representação do norte e Ernesto, pelo Sul)
Porquê esta minha fização nos títulos? Os nomes são importantes, e não é por acaso que me chamo DJ Carcaça. Poderá um título caracterizar a linha editorial de uma publicação? Façamos uma sumária análise de alguns títulos da imprensa tuga:
Público - Transparece qualidade e bom gosto, algo que se confirma lendo o dito jornal. "Público" remete para a selecção e relato de factos e ideias que, saindo da obscuridade por via da publicação, transitam para o domínio público. Título apropriado.
Diário de Notícias - Soa a "Diário da República". É um órgão oficioso, conservador. Quase sempre foi, aliás: no início com a burguesia novecentista fundadora, depois com Salazar durante o Estado Novo, depois com os comunistas no PREC (quando era conservador ser de exrtrema-esquerda), agora com os gestores modernos da PT. É um título apropriado, um ponto favorável à tese segundo a qual os títulos estão para os jornais como as caras para as pessoas.
Independente - Jornal de independentes, profissionais liberais que trabalham a recibo verde e gostam do perigo. Jornal para aventureiros, que noticia escândalos sem confirmar cabalmente a sua veracidade. Às vezes acerta, noutras erra. Arrisca. Título apropriado.
Expresso - Título opaco, demodé. Parece querer insinuar uma ideia de velocidade que é falsa. "Quem lê o expresso sabe primeiro". Mentira. É um título que não diz nada, assim como o Expresso muitas vezes nada diz. Título apropriado.
Correio da Manhã - Analisando o título, ficamos a perceber que é um matutino. É, portanto, destinado a pessoas que se levantam muito cedo, ou seja, operários, malta do proletariado. Os intelectuais levantam-se um pouco mais tarde, muitos têm isenção de horário, ou estão ?mal empregados (categoria intermédia entre o emprego e desemprego que é cada vez mais vulgar; são também conhecidos por biscateiros, por viverem de biscates). Quando chegam às bancas, ensonados, já esgotaram os exemplares do "Correio da Manhã" e vêem-se obrigados a recorrer ao Público ou à imprensa estrangeira. Título apropriado.
Jornal de Notícias - Há aqui uma redundância que implica que as pessoas que adquirem este jornal tenham, por norma, um baixo nível cultural. Porquê explicar que o jornal é de notícias? Do que é que havia de ser? Já houve um título na imprensa nacional denominado apenas "O Jornal", o que é mais correcto. As pessoas que lêem uma coisa chamada jornal de notícias vivem em vilas e pequenas cidades e querem conhecer as novidades da paróquia. Título apropriado.
Sexus - Este jornal, tudo indica, é sobre sexo. Mas não é o sexo na versão terapêutica e fleumática de Júlio Machado Vaz e das suas muchachas, é o sexo do ?tudo nu?. E como se depreende isto? Basta ver que sexo é grafado com o u, acentuando a última vogal: "xus" (se-xus). Tal como em "nus", Sexus, é, portanto, um jornal de ?todos nus?, tal como a sua variante homossexuak "Korpus" (este título foi-me referido pelo El Cablogue e pela Xana, confesso que não o conhecia). Títulos apropriados.
A tese do DJ (e não do Núcleo, ainda teremos que debater isto em assembleia geral): Há claramente uma ligação entre o título da publicação e a sua linha editorial. O nome é crucial para a identidade do jornal.
domingo, setembro 26, 2004
Protesto
Recebemos da nossa estimada leitora Ana Maria Castro uma mensagem de protesto contra uma situação que diz respeito a todos. O Núcleo Duro declara-se solidário com Ana Maria unindo-se a ela nesta causa. Reproduzimos aqui o seu manifesto e mandamos um grande beijo na testa dessa maluca.
"Bom dia
O famoso canal 18 da TV Cabo, de um momento para o outro deixou de poder ser visto. A TV Cabo não avisa ninguém, não presta contas aos clientes. Não há direito. Há quem diga que o canal acabou...
A TV Cabo diz que o problema não é com eles, e que estão a tratar do assunto. Mas o que é certo é que há vários dias que o canal 18 deixou de poder ser acedido, e as reclamações chovem nos serviços da TV Cabo, até porque era um canal erótico a partir das 23 horas, e era bastante interessante.
NÃO HÁ DIREITO...
Queremos novamente o Canal 18 no ar !!!!"
NR: Tu queres ver é outra coisa no ar, sua maluca! MALUCA!!! He, he, he...
Recebemos da nossa estimada leitora Ana Maria Castro uma mensagem de protesto contra uma situação que diz respeito a todos. O Núcleo Duro declara-se solidário com Ana Maria unindo-se a ela nesta causa. Reproduzimos aqui o seu manifesto e mandamos um grande beijo na testa dessa maluca.
"Bom dia
O famoso canal 18 da TV Cabo, de um momento para o outro deixou de poder ser visto. A TV Cabo não avisa ninguém, não presta contas aos clientes. Não há direito. Há quem diga que o canal acabou...
A TV Cabo diz que o problema não é com eles, e que estão a tratar do assunto. Mas o que é certo é que há vários dias que o canal 18 deixou de poder ser acedido, e as reclamações chovem nos serviços da TV Cabo, até porque era um canal erótico a partir das 23 horas, e era bastante interessante.
NÃO HÁ DIREITO...
Queremos novamente o Canal 18 no ar !!!!"
NR: Tu queres ver é outra coisa no ar, sua maluca! MALUCA!!! He, he, he...
sábado, setembro 25, 2004
Competição ganha peso internacional
O nosso concurso Miss Núcleo Duro 2004 tem vindo a recolher cada vez mais projecção no estrangeiro. A nossa filial em Nova Iorque, mais conhecida por Tiberius, tem tido o cuidado de seleccionar as candidatas dentro daquilo que é a mulher americana dos dias de hoje, incutindo alguma diversidade estética à competição. Tiberius não teve mãos, braços, nem fitas métricas a medir e apresentou a concurso uma grande candidata. Literalmente.
Candidata número 7: Supersize Betsy
O nosso concurso Miss Núcleo Duro 2004 tem vindo a recolher cada vez mais projecção no estrangeiro. A nossa filial em Nova Iorque, mais conhecida por Tiberius, tem tido o cuidado de seleccionar as candidatas dentro daquilo que é a mulher americana dos dias de hoje, incutindo alguma diversidade estética à competição. Tiberius não teve mãos, braços, nem fitas métricas a medir e apresentou a concurso uma grande candidata. Literalmente.
Candidata número 7: Supersize Betsy
sexta-feira, setembro 24, 2004
Escutas do Núcleo
[dois estudantes de Direito a resolverem casos práticos, preparando-se para o exame do dia seguinte]
Ele: Aqui já não se aplica o princípio de sucessão por cabeça, aplica-se o princípio de sucessão por estirpe...
Ela: Não percebi esse princípio de sucessão por estirpe
Ele: Estirpe é isto: imagina que tinhas uma irmã e o vosso avô morria e o pai já tinha morrido. Só vos sobrava um tio para reclamar a herança do avô. Nesse caso aplica-se o princípio de sucessão por estirpe. Se a herança total for 900 contos, o tio recebe 450 e as irmãs teriam que dividir os outros 900. Se fosse sucessão por cabeça recebiam todos um valor igual, o que era injusto. A coisa mais importante na herança é calculares a massa da herança, porque senão os cálculos para a frente ficam todos uma merda. Portanto, a massa é igual a bens deixados menos dívidas mais doações. Este princípio é para evitar um prejuízo dos herdeiros legítimos à custa dos donatários. Quem defende a interpretação correctiva é o Pereira Coelho e mais um gajo que já não me lembro o nome... Depois há a escola de Lisboa, que entende que devia valer a letra da lei e ponto final parágrafo.
Ele: Neste caso de divórcio e disputa de uns pinheiros, nota bem que os pinheiros são bens imóveis enquanto estiverem presos ao solo
Ela: Ok, agora vamos fumar um cigarro e descansar um bocadinho.
[dois estudantes de Direito a resolverem casos práticos, preparando-se para o exame do dia seguinte]
Ele: Aqui já não se aplica o princípio de sucessão por cabeça, aplica-se o princípio de sucessão por estirpe...
Ela: Não percebi esse princípio de sucessão por estirpe
Ele: Estirpe é isto: imagina que tinhas uma irmã e o vosso avô morria e o pai já tinha morrido. Só vos sobrava um tio para reclamar a herança do avô. Nesse caso aplica-se o princípio de sucessão por estirpe. Se a herança total for 900 contos, o tio recebe 450 e as irmãs teriam que dividir os outros 900. Se fosse sucessão por cabeça recebiam todos um valor igual, o que era injusto. A coisa mais importante na herança é calculares a massa da herança, porque senão os cálculos para a frente ficam todos uma merda. Portanto, a massa é igual a bens deixados menos dívidas mais doações. Este princípio é para evitar um prejuízo dos herdeiros legítimos à custa dos donatários. Quem defende a interpretação correctiva é o Pereira Coelho e mais um gajo que já não me lembro o nome... Depois há a escola de Lisboa, que entende que devia valer a letra da lei e ponto final parágrafo.
Ele: Neste caso de divórcio e disputa de uns pinheiros, nota bem que os pinheiros são bens imóveis enquanto estiverem presos ao solo
Ela: Ok, agora vamos fumar um cigarro e descansar um bocadinho.
terça-feira, setembro 21, 2004
Pequena nota sobre Vostra
O gene que faz o cavalo malhado é tão antigo quanto o próprio eqüídeo mas, o crédito pela criação de uma raça distintiva de pelagem mosqueada cabe modernamente aos índios Nez Percé da América do Norte, que vivem no noroeste Nez Percé da AMérica do Norte, que viviam no noroeste do atual estado do Oregon. Suas terras incluíam o vale do rio Palouse (ou Palousy), e foi o rio que deu nome aos cavalos.
Geneticamente, os animais tinham sangue Árabe, Berbere e a fusão destes com os autóctones, ibéricos, o Andaluz. Os animais que traziam na sua carga genética esta peculiaridade de pelagem, provavelmente eram descendentes de Árabes de origem persa.
Todos os eqüinos das Américas descendem dos cavalos reintroduzidos pelos conquistadores ibéricos. Os indígenas norte- americanos capturaram eqüinos trazidos pelos exércitos espanhóis que invadiram o México.
A raça desenvolveu-se no século XVIII, com base nos cavalos trazidos pelos espanhõis. Nesse lote havia exemplares de pelagem salpicada descendentes remotos de cavalos da África Central. Os Nez Percé, que eram grandes criadores de cavalos, praticavam rigorosas políticas seletivas. Finalmente obtiveram um cavalo capacitado para qualquer trabalho, de aspecto inconfundível, além de essencialmente prático.
Em 1877, a tribo e a manada quase foram exterminadas quando o governo da União ocupou as reservas. Todavia, em 1938, com a fundação do Appaloosa Horse Club, em Moscow, Idaho, a raça começou a renascer das cinzas. Seu registro é hoje o terceiro mais numeroso do mundo.
No Brasil, a raça foi introduzida pelo criador Carlos Raul Consoni, na década de 70, em São Paulo.
Um Appaloosa é identificado, de imediato, pelas pintas que apresenta na sua pelagem, usualmente concentradas numa região do corpo, como a garupa, mas pode apresentar-se com pintas em todo o corpo.
Em termos de estrutura, é semelhante ao Quarto de Milha de lida, ou seja, um animal mais troncudo do que longilíneo, apresentando sólida ossatura. Os olhos possuem esclerótica branca em torno da íris; a cabeça de desenho refinado, com caráter distintivo; a pele do nariz conspicuamente mosqueada; possue lineamente compacto, com quarto robusto, resultado da introdução de sangue quarto de milha; os membros são adequados, um pré-requisito de qualidade e os cascos são duros, em geral com listras verticais. Altura: de 1,42 a 1,52m.
O Appaloosa moderno é reprodutor, mas também animal de competição (corrida e salto), notável pela resistência, vigor e boa índole.
Praticamente qualquer fundo básico sobre o qual se apresentem as pintas, que podem ser claras ou escuras, para contrastar. Há cinco pelagens oficiais de Apaloosa: blanket (cobertor), marble (mármore), leopard (leopardo), snowflake (floco de neve) e frost (geada). O Appaloosa é dócil, ágil e vigoroso, um excelente animal de lida, além de ser cultivado por simples motivos estéticos.
O gene que faz o cavalo malhado é tão antigo quanto o próprio eqüídeo mas, o crédito pela criação de uma raça distintiva de pelagem mosqueada cabe modernamente aos índios Nez Percé da América do Norte, que vivem no noroeste Nez Percé da AMérica do Norte, que viviam no noroeste do atual estado do Oregon. Suas terras incluíam o vale do rio Palouse (ou Palousy), e foi o rio que deu nome aos cavalos.
Geneticamente, os animais tinham sangue Árabe, Berbere e a fusão destes com os autóctones, ibéricos, o Andaluz. Os animais que traziam na sua carga genética esta peculiaridade de pelagem, provavelmente eram descendentes de Árabes de origem persa.
Todos os eqüinos das Américas descendem dos cavalos reintroduzidos pelos conquistadores ibéricos. Os indígenas norte- americanos capturaram eqüinos trazidos pelos exércitos espanhóis que invadiram o México.
A raça desenvolveu-se no século XVIII, com base nos cavalos trazidos pelos espanhõis. Nesse lote havia exemplares de pelagem salpicada descendentes remotos de cavalos da África Central. Os Nez Percé, que eram grandes criadores de cavalos, praticavam rigorosas políticas seletivas. Finalmente obtiveram um cavalo capacitado para qualquer trabalho, de aspecto inconfundível, além de essencialmente prático.
Em 1877, a tribo e a manada quase foram exterminadas quando o governo da União ocupou as reservas. Todavia, em 1938, com a fundação do Appaloosa Horse Club, em Moscow, Idaho, a raça começou a renascer das cinzas. Seu registro é hoje o terceiro mais numeroso do mundo.
No Brasil, a raça foi introduzida pelo criador Carlos Raul Consoni, na década de 70, em São Paulo.
Um Appaloosa é identificado, de imediato, pelas pintas que apresenta na sua pelagem, usualmente concentradas numa região do corpo, como a garupa, mas pode apresentar-se com pintas em todo o corpo.
Em termos de estrutura, é semelhante ao Quarto de Milha de lida, ou seja, um animal mais troncudo do que longilíneo, apresentando sólida ossatura. Os olhos possuem esclerótica branca em torno da íris; a cabeça de desenho refinado, com caráter distintivo; a pele do nariz conspicuamente mosqueada; possue lineamente compacto, com quarto robusto, resultado da introdução de sangue quarto de milha; os membros são adequados, um pré-requisito de qualidade e os cascos são duros, em geral com listras verticais. Altura: de 1,42 a 1,52m.
O Appaloosa moderno é reprodutor, mas também animal de competição (corrida e salto), notável pela resistência, vigor e boa índole.
Praticamente qualquer fundo básico sobre o qual se apresentem as pintas, que podem ser claras ou escuras, para contrastar. Há cinco pelagens oficiais de Apaloosa: blanket (cobertor), marble (mármore), leopard (leopardo), snowflake (floco de neve) e frost (geada). O Appaloosa é dócil, ágil e vigoroso, um excelente animal de lida, além de ser cultivado por simples motivos estéticos.