Carta aberta à minha mãe
A minha mãe está sempre a chagar-me a cabeça porque diz que eu sou, entre os que escrevem regularmente neste blog, o menos prolífico.
"Os teus colegas contribuem muito mais que tu. Eles é parágrafos e parágrafos e tu não passas das quatro linhas",
voltou a lembrar-me este fim-de-semana, acrescentando:
"Então aquele que não põe vírgulas e está sempre a ouvir e a transcrever as conversas dos outros é um espectáculo".
Mãezinha,
Foda-se! Eu já te disse verbalmente mas agora fica por escrito: O DJ Carcaça é um ocioso, manhoso, que enche os seus posts com milhares de caracteres, descarregando citações copiadas algures na Internet. Assim é fácil.
Quanto ao Tiberius, como sabes, tem um problema desde pequenino: é um compulsivo. Basta lembrar que, aos quatro anos, já tinha lido o Moby Dick; aos 14, ingeria 20 coca-colas por dia; aos 24 anos, no primeiro dia que começou a fumar, mamou maço e meio de cigarros; aos 25, mandava abaixo 10 vodkas em meia hora; e, actualmente - como também já te contei - alterna o quotidiano entre a masturbação e a dedicação ao blog, com duas pausas de cinco minutos para as refeições e as necessidades.
E os restantes usam também os seus truques. Uns raramente escrevem, mas quando aparecem querem ter logo todo o protagonismo e é logo a bombar com 5000 caracteres e mais. E o outro é preguiçoso, mas domina a paginação: mete umas fotografias grandes e tal, uns sublinhados, e parece sempre que faz uma coisa em grande.
Mãezinha,
Posto isto, termino reproduzindo a frase com que me salvaste do suicídio, há uns 15 anos, depois do meu primeiro banho colectivo no balneário do gimnodesportivo do liceu:
"O tamanho não conta, não te preocupes".
PS1: Tiberius, acho que eu sou mais o Décio nessa tua história infantil. Espero pelo teu regresso a Portugal. Vem protegido.
PS2: Vostra, não sei quando é a época dos calos. Mas tenho ideia que, se te deixares dessas práticas onanistas bizarras, isso passa. Take your hand, man.
quinta-feira, outubro 07, 2004
quarta-feira, outubro 06, 2004
Defende-te com palavras
Não há direito. Assim não brinco. Anda um gajo, décadas até, a aperfeiçoar a sua linda tese, e depois vem um manjerico qualquer dizer que não liga. Ora porra, se ninguém responde às provocações mais vale encerrar a loja. Já ando farto de meter-me sempre com o Carcaça, que ainda por cima toma a via pusilânime e foge para o Oriente.
Se um gajo provoca, é para responder a sério, porra. Ernesto, quero lá saber o que é que tu achas do Che, ou respondes como deve ser ou isto não tem graça. E tu Vostra, que tal puxar pelos colhões e dar aí uma resposta como deve ser aos insultos todos sobre o formato do blog? Ou os meninos se portam mal ou vai tudo para a rua.
Não tem nada a ver, mas isto lembra-me uma história da minha infância. No ciclo ou na escola secundária ou uma merda dessas havia dois putos na minha turma que uma vez se pegaram. Um era o Leitão (já não me lembro do primeiro nome, Leitão fica melhor), que tinha a mania que era engraçadinho. O outro era o Décio, que era grande e tinha a mania que era grande.
Ora um belo dia está o Leitão a chagar a paciência ao Décio, a fazer pouco dele, e o Décio não vai de meias medidas: espeta-lhe um malho com uma mão bem pesada. Ao que o Leitão, com uma cara chocada, como se o Décio tivesse violado as regras do confronto escolar, responde:
Defende-te com palavras!
Não sei bem qual é a moral da história, mas lembro-me que na altura achei um piadão ao malho do Décio.
PS: Contaram-me que a TVI tem um novo reality show em que um dos participantes é ? o Avelino Ferreira Torres. O Avelino?!?!?!? Num reality show?!?!? Mas andam a meter LSD na água por aí ou quê?
Não há direito. Assim não brinco. Anda um gajo, décadas até, a aperfeiçoar a sua linda tese, e depois vem um manjerico qualquer dizer que não liga. Ora porra, se ninguém responde às provocações mais vale encerrar a loja. Já ando farto de meter-me sempre com o Carcaça, que ainda por cima toma a via pusilânime e foge para o Oriente.
Se um gajo provoca, é para responder a sério, porra. Ernesto, quero lá saber o que é que tu achas do Che, ou respondes como deve ser ou isto não tem graça. E tu Vostra, que tal puxar pelos colhões e dar aí uma resposta como deve ser aos insultos todos sobre o formato do blog? Ou os meninos se portam mal ou vai tudo para a rua.
Não tem nada a ver, mas isto lembra-me uma história da minha infância. No ciclo ou na escola secundária ou uma merda dessas havia dois putos na minha turma que uma vez se pegaram. Um era o Leitão (já não me lembro do primeiro nome, Leitão fica melhor), que tinha a mania que era engraçadinho. O outro era o Décio, que era grande e tinha a mania que era grande.
Ora um belo dia está o Leitão a chagar a paciência ao Décio, a fazer pouco dele, e o Décio não vai de meias medidas: espeta-lhe um malho com uma mão bem pesada. Ao que o Leitão, com uma cara chocada, como se o Décio tivesse violado as regras do confronto escolar, responde:
Defende-te com palavras!
Não sei bem qual é a moral da história, mas lembro-me que na altura achei um piadão ao malho do Décio.
PS: Contaram-me que a TVI tem um novo reality show em que um dos participantes é ? o Avelino Ferreira Torres. O Avelino?!?!?!? Num reality show?!?!? Mas andam a meter LSD na água por aí ou quê?
Tiberius, o atirador furtivo
Tiberius tinha uma tese sobre Che Guevara. Andava danadinho para a expor, mas ainda não tinha surgido um alvo (que uma torta esparramada na cara tem muito mais piada que uma torta que se atira para o chão).
Ao fim de anos de aperfeiçoamento da referida tese, Tiberius encontrou finalmente um alvo. Agarrou num título, que por acaso parodiava o conteúdo do post aproveitando o pseudónimo do autor, e pimba, lançou o seu projectil.
Acontece que o projéctil acertou ao lado. No Carcaça. Se o teste do Political Compass perguntasse se admirava Che (ou Fidel ou Pinto da Costa) a resposta seria negativa. Sempre preferi as camisolas estampadas com a fotografia do Jim Morrison às com a fronha do meu homónimo.
Portanto, apesar do jogo baixo de Tiberius, até acho que a tese, sendo desproporcinal e despropositada, é uma boa tese.
Tiberius tinha uma tese sobre Che Guevara. Andava danadinho para a expor, mas ainda não tinha surgido um alvo (que uma torta esparramada na cara tem muito mais piada que uma torta que se atira para o chão).
Ao fim de anos de aperfeiçoamento da referida tese, Tiberius encontrou finalmente um alvo. Agarrou num título, que por acaso parodiava o conteúdo do post aproveitando o pseudónimo do autor, e pimba, lançou o seu projectil.
Acontece que o projéctil acertou ao lado. No Carcaça. Se o teste do Political Compass perguntasse se admirava Che (ou Fidel ou Pinto da Costa) a resposta seria negativa. Sempre preferi as camisolas estampadas com a fotografia do Jim Morrison às com a fronha do meu homónimo.
Portanto, apesar do jogo baixo de Tiberius, até acho que a tese, sendo desproporcinal e despropositada, é uma boa tese.
As paredes têm bocas
Alguns grafitos revelam uma profusa criatividade linguística, digna de um Mia Couto, provando que alguns grafiteiros são verdadeiros escritores inconformados.
No edifício do jornal "Correio da Manhã", em Lisboa:
ARMAS PARA OS ENTENDIADOS
Nota: o ND interpreta o termo entendiado como um especialista numa qualquer matéria ou actividade, um entendido, que tenha sido atacado pelo tédio, como é o meu caso. Por isso, armas para mim.
Alguns grafitos revelam uma profusa criatividade linguística, digna de um Mia Couto, provando que alguns grafiteiros são verdadeiros escritores inconformados.
No edifício do jornal "Correio da Manhã", em Lisboa:
ARMAS PARA OS ENTENDIADOS
Nota: o ND interpreta o termo entendiado como um especialista numa qualquer matéria ou actividade, um entendido, que tenha sido atacado pelo tédio, como é o meu caso. Por isso, armas para mim.
segunda-feira, outubro 04, 2004
O Ernesto está Che-Che
Ernesto, estás a ficar pior que o Carcaça. Nem falo das tendências totalitárias - ai dos desgraçados que caiam nem meio ponto para o lado Leste do eixo, que vem o Ernesto de porrete corrigir o infame!
Não, o mal é que pelo título do post se percebe que o teu testezito da bússola te atira para a beira do Che Guevara - e tu gostas.
Hélas, o Che não era o herói romântico que os historiadores revisionistas gostam de fazer dele. Os bloquistas e os antiglobalizações e outros patetas canonizaram o homem, mas o ídolo tem pés de barro.
O Che era um assassino, um tirano e um demagogo responsável pela morte e pela miséria de muita gente. A desculpa que normalmente lhe fazem - que ele lutou contra as ditaduras latino-americanas, que eram do piorio - não chega.
Sim, ele tinha muita prosápia sobre libertar os fracos e os oprimidos, e sim, os tiranos da América do Sul eram merdosos; mas ele não era melhor.
Esta revista (aliás, insuspeitamente de esquerda) tem uma óptima história sobre o Che.
Mas é claro, a grande contribuição do Che Guevara para a história do mundo foi que a cara dele fica bem numa t-shirt. E assim temos milhões de putos ocidentais mimados com a tromba do Che ao peito, porque se sentem muito oprimidos pela sociedade de consumo e pelos paizinhos e pelo raio que os parta.
Exemplo típico desta juventude rebelde de Che ao peito são os Rage Against the Machine: tinham um gajo fantástico na guitarra e um palerma guedelhudo gago a fingir que era rapper, e apoiavam o Sendero Luminoso, convencidos que estavam a defender uns grandes heróis revolucionários.
Claro, o Sendero Luminoso era um grupo criminoso e sinistro que cometia crimes contra a humanidade.
Oh Ernesto, tens mesmo a certeza de que queres estar no mesmo sítio que esta gente?
Ernesto, estás a ficar pior que o Carcaça. Nem falo das tendências totalitárias - ai dos desgraçados que caiam nem meio ponto para o lado Leste do eixo, que vem o Ernesto de porrete corrigir o infame!
Não, o mal é que pelo título do post se percebe que o teu testezito da bússola te atira para a beira do Che Guevara - e tu gostas.
Hélas, o Che não era o herói romântico que os historiadores revisionistas gostam de fazer dele. Os bloquistas e os antiglobalizações e outros patetas canonizaram o homem, mas o ídolo tem pés de barro.
O Che era um assassino, um tirano e um demagogo responsável pela morte e pela miséria de muita gente. A desculpa que normalmente lhe fazem - que ele lutou contra as ditaduras latino-americanas, que eram do piorio - não chega.
Sim, ele tinha muita prosápia sobre libertar os fracos e os oprimidos, e sim, os tiranos da América do Sul eram merdosos; mas ele não era melhor.
Esta revista (aliás, insuspeitamente de esquerda) tem uma óptima história sobre o Che.
Mas é claro, a grande contribuição do Che Guevara para a história do mundo foi que a cara dele fica bem numa t-shirt. E assim temos milhões de putos ocidentais mimados com a tromba do Che ao peito, porque se sentem muito oprimidos pela sociedade de consumo e pelos paizinhos e pelo raio que os parta.
Exemplo típico desta juventude rebelde de Che ao peito são os Rage Against the Machine: tinham um gajo fantástico na guitarra e um palerma guedelhudo gago a fingir que era rapper, e apoiavam o Sendero Luminoso, convencidos que estavam a defender uns grandes heróis revolucionários.
Claro, o Sendero Luminoso era um grupo criminoso e sinistro que cometia crimes contra a humanidade.
Oh Ernesto, tens mesmo a certeza de que queres estar no mesmo sítio que esta gente?
Força Marrazes que ainda há esperança!
Este grito de guerra da minha meninice diz respeito a um grande clube do futebol mundial que, apenas por excesso de modéstia e falta de dinheiro, prefere passear a sua classe pelos pelados da distrital de Leiria em futebol.
Clube-emblema da cidade - que, como todos bem sabem se divide em Marrazes de Cima e Marrazes de Baixo, sendo que este último lugar cresceu um pouco mais à conta de um castelo e decidiu-se chamar Leiria - o Sport Leiria e Marrazes é um dos baluartes do sebastianimo imemorial. A única diferença é que nunca teve nenhum D. Sebastião, Eusébio, um Areias ou um Febras. Enfim um qualquer outro que soubesse fazer alguma coisa da bola.
No entanto, quem gosta de futebol na zona ou é do Marrazes ou do Sporting. A União de Leiria nasceu como um clube meritório da Estrada Nacional 1, com uma representação muito acentuada no sector da electricidade, lixos, moldes, plásticos e madeiras. Já adeptos ou simpatizantes, é o que se vê. No jogo contra o Estoril do Damásio e da Margarida Prieto, o número de espectadores não passou dos mil.
Dizem os historiadores locais, portugueses, estrangeiros, palecos e pxins, que este grito homérico e milenar da freguesia nasceu durante um jogo conta um rival da mesma igualha (talvez o Alcogulhe ou o A-dos-Pretos), lá nos idos de 60. Depois de estar a perder derrota em casa por 4-0 a zero, a meio da segunda parte um adepto bramiu num momento de silêncio no campo um urro do Ipiranga, que surpreendeu jogadores, adeptos e vendedoras de tremoços.
"Força Marrazes que ainda há esperança!"
A frase ficou para os anais da memória da humanidade principalmente devido às mudanças no marcador que esse incentivo gerou. O Marrazes veio a perder por 0-6.
PS: Esta noite, como bom sportinguista, vou torcer pela vitória da equipa B do Marrazes, a União de Leiria, para ver se o Peseiro vai ser pézudo para outro lado. E que leve com ele os dois meninos de coiro: Eduardinho e Pedro Caixinha.
Este grito de guerra da minha meninice diz respeito a um grande clube do futebol mundial que, apenas por excesso de modéstia e falta de dinheiro, prefere passear a sua classe pelos pelados da distrital de Leiria em futebol.
Clube-emblema da cidade - que, como todos bem sabem se divide em Marrazes de Cima e Marrazes de Baixo, sendo que este último lugar cresceu um pouco mais à conta de um castelo e decidiu-se chamar Leiria - o Sport Leiria e Marrazes é um dos baluartes do sebastianimo imemorial. A única diferença é que nunca teve nenhum D. Sebastião, Eusébio, um Areias ou um Febras. Enfim um qualquer outro que soubesse fazer alguma coisa da bola.
No entanto, quem gosta de futebol na zona ou é do Marrazes ou do Sporting. A União de Leiria nasceu como um clube meritório da Estrada Nacional 1, com uma representação muito acentuada no sector da electricidade, lixos, moldes, plásticos e madeiras. Já adeptos ou simpatizantes, é o que se vê. No jogo contra o Estoril do Damásio e da Margarida Prieto, o número de espectadores não passou dos mil.
Dizem os historiadores locais, portugueses, estrangeiros, palecos e pxins, que este grito homérico e milenar da freguesia nasceu durante um jogo conta um rival da mesma igualha (talvez o Alcogulhe ou o A-dos-Pretos), lá nos idos de 60. Depois de estar a perder derrota em casa por 4-0 a zero, a meio da segunda parte um adepto bramiu num momento de silêncio no campo um urro do Ipiranga, que surpreendeu jogadores, adeptos e vendedoras de tremoços.
"Força Marrazes que ainda há esperança!"
A frase ficou para os anais da memória da humanidade principalmente devido às mudanças no marcador que esse incentivo gerou. O Marrazes veio a perder por 0-6.
PS: Esta noite, como bom sportinguista, vou torcer pela vitória da equipa B do Marrazes, a União de Leiria, para ver se o Peseiro vai ser pézudo para outro lado. E que leve com ele os dois meninos de coiro: Eduardinho e Pedro Caixinha.
Ernesto Che Guevara
Cambada de fascistas. Eis os meus resultados no Political Compass, versão portuguesa:
esquerda/direita: esquerdalho - -4.50
libertarianismo/ autoritaritarismo: libertário - -3.69
Tiberius,
fiquei particularmente preocupado com os teus resultados! Tenho para mim que até o Portas, se fizesse este teste, se enquadraria nos esquerdalhos libertários.
Vá lá, Vostra, faz lá o teste. Tens aqui uma oportunidade para mostrares que não és o salazarista cavaquento que dizem.
Cambada de fascistas. Eis os meus resultados no Political Compass, versão portuguesa:
esquerda/direita: esquerdalho - -4.50
libertarianismo/ autoritaritarismo: libertário - -3.69
Tiberius,
fiquei particularmente preocupado com os teus resultados! Tenho para mim que até o Portas, se fizesse este teste, se enquadraria nos esquerdalhos libertários.
Vá lá, Vostra, faz lá o teste. Tens aqui uma oportunidade para mostrares que não és o salazarista cavaquento que dizem.
domingo, outubro 03, 2004
Percebeste? Racista!
Não quero ser racista, mas ontem vi dois na Alvaláxia que me chamaram a atenção. Eram estrangeiros, bem vestidos - com roupas caras e ténis de marca parecidos com os dos basquetebolistas da NBA - e estavam em frente a um restaurante, onde aparentemente tinham jantado. Um empunhava uma câmara fotográfica digital enquanto o outro posava para a foto. O que me pareceu engraçado foi que eles escolheram o fundo mais sem interesse para o retrato. Imaginei o retratado em casa a mostrar as fotos à família: "Tão a ver? Isto sou eu no centro comercial do estádio de um clube de futebol. Esta parede branca era em frente ao restaurante onde comemos". Isso não tem nada a ver com a raça dos indivíduos, dir-me-ão alguns. Concordo. Por isso não vou dizer qual era. Assim, racista não sou eu, mas o leitor que adivinhou.
Não quero ser racista, mas ontem vi dois na Alvaláxia que me chamaram a atenção. Eram estrangeiros, bem vestidos - com roupas caras e ténis de marca parecidos com os dos basquetebolistas da NBA - e estavam em frente a um restaurante, onde aparentemente tinham jantado. Um empunhava uma câmara fotográfica digital enquanto o outro posava para a foto. O que me pareceu engraçado foi que eles escolheram o fundo mais sem interesse para o retrato. Imaginei o retratado em casa a mostrar as fotos à família: "Tão a ver? Isto sou eu no centro comercial do estádio de um clube de futebol. Esta parede branca era em frente ao restaurante onde comemos". Isso não tem nada a ver com a raça dos indivíduos, dir-me-ão alguns. Concordo. Por isso não vou dizer qual era. Assim, racista não sou eu, mas o leitor que adivinhou.
Sobre a bússola...
Há aqui coisas que eu não percebo muito bem. No political compass tive -2.75 (esquerda/direita) e -1.85 (libertário/autoritário). Na versão tuga tive -3.75 e -2.00.
Depois, penso que algumas coisas se perdem na tradução. Em particular no verbo dever e poder, que pode marcar toda a diferença. Penso que a maior parte da população tuga vai dar valores semelhantes aos meus, ligeiramente esquerdoides mas sem exageros já que há perguntas tão óbivas que só alguns nazis, o Nogueira Pinto, o Louçã e os Portas. Com a forma como as frases e as ideias estão construídas dão-se alvíssaras a quem tiver resultados claramente positivos (ou até negativos) com excepção do facho do editor-coordenador-censor desta nossa humilde página.
Além disso, a forma taxativa como são colocadas a maior parte das perguntas levam-nos sempre a hesitar e a recuar numa posição de discordo ou concordo fortemente.
Há aqui coisas que eu não percebo muito bem. No political compass tive -2.75 (esquerda/direita) e -1.85 (libertário/autoritário). Na versão tuga tive -3.75 e -2.00.
Depois, penso que algumas coisas se perdem na tradução. Em particular no verbo dever e poder, que pode marcar toda a diferença. Penso que a maior parte da população tuga vai dar valores semelhantes aos meus, ligeiramente esquerdoides mas sem exageros já que há perguntas tão óbivas que só alguns nazis, o Nogueira Pinto, o Louçã e os Portas. Com a forma como as frases e as ideias estão construídas dão-se alvíssaras a quem tiver resultados claramente positivos (ou até negativos) com excepção do facho do editor-coordenador-censor desta nossa humilde página.
Além disso, a forma taxativa como são colocadas a maior parte das perguntas levam-nos sempre a hesitar e a recuar numa posição de discordo ou concordo fortemente.
sábado, outubro 02, 2004
Adoro vaquinhas, muuuuuuuuuu
Esse exercício da bússola política trouxe-me algumas revelações, uma delas a de que eu sou um esquerdalho (-3,62) e libertário do piorio (-3,64). No Political Compass original, os resultados foram mais radicais: -4,62 e ?4,15, o que faz de mim um exemplar pós-contemporâneo do Gandhi.
O teste tem uma série de perguntas a menos do que aquele que foi respondido pelos candidatos do PS, por exemplo «Na justiça penal, o castigo deve ser mais importante que a reabilitação», «Ninguém escolhe o país onde nasce, pelo que é disparatado ter-se orgulho no seu país», «A escolaridade não deve ser obrigatória», «Acções militares que desafiem o direito internacional são por vezes justificadas» ou «A fusão crescente entre a informação e o entretenimento contribui de forma preocupante para o declínio do interesse dos cidadãos». Porquê? Onde estão essas perguntas? Depois, além dos erros ortográficos (palavras sem acentos), há frases que estão mal traduzidas: «A principal função da educação nas escolas é equipar a geração futura para arranjar empregos». Equipar a geração??!!
Esse exercício da bússola política trouxe-me algumas revelações, uma delas a de que eu sou um esquerdalho (-3,62) e libertário do piorio (-3,64). No Political Compass original, os resultados foram mais radicais: -4,62 e ?4,15, o que faz de mim um exemplar pós-contemporâneo do Gandhi.
O teste tem uma série de perguntas a menos do que aquele que foi respondido pelos candidatos do PS, por exemplo «Na justiça penal, o castigo deve ser mais importante que a reabilitação», «Ninguém escolhe o país onde nasce, pelo que é disparatado ter-se orgulho no seu país», «A escolaridade não deve ser obrigatória», «Acções militares que desafiem o direito internacional são por vezes justificadas» ou «A fusão crescente entre a informação e o entretenimento contribui de forma preocupante para o declínio do interesse dos cidadãos». Porquê? Onde estão essas perguntas? Depois, além dos erros ortográficos (palavras sem acentos), há frases que estão mal traduzidas: «A principal função da educação nas escolas é equipar a geração futura para arranjar empregos». Equipar a geração??!!
Afasta de mim esse calo
Há uns meses, apareceu-me uma bolha no calcanhar direito. Não liguei, até que me começou a doer, ao andar. Furá-la não adiantou. Tentar espremê-la e arrancar com a unha também não. Até que um entendido me disse: "Isso é um calo!" Senti-me inusitadamente velho. Até então, só tinha tido calos nas mãos, dos matraquilhos. Mas nos pés, parecia mais coisa de avô - lembro-me de ouvir o meu a queixar-se dos malditos. O pior é a dorzinha chata, ao pisar. O meu calcanhar de Madjer transformou-se, de repente, em calcanhar de Aquiles.
Aconselharam-me uma coisa chamada Duofilm, só que na farmácia não havia. "Mas leve este aqui, que é a mesma coisa com outro nome", disse o farmacêutico, entregando-me um frasquinho com a suspeita designação de "Calicida Indiano". Iniciei o tratamento na semana passada. Neste momento, o danado do calo tem o quádruplo do tamanho e ainda dói, só que agora apresenta uma estranha coloração verde. Quero acreditar que isso é uma boa coisa, embora não deixe de ter a sensação de andar a carregar um calo que não pertence a mim, mas sim ao Incrível Hulk. Agora, há um dilema que me aflige: não sei se o arranque já, ou se o deixe amadurecer e cair sozinho do pé. Alguém sabe quanto falta para a época dos calos?
Há uns meses, apareceu-me uma bolha no calcanhar direito. Não liguei, até que me começou a doer, ao andar. Furá-la não adiantou. Tentar espremê-la e arrancar com a unha também não. Até que um entendido me disse: "Isso é um calo!" Senti-me inusitadamente velho. Até então, só tinha tido calos nas mãos, dos matraquilhos. Mas nos pés, parecia mais coisa de avô - lembro-me de ouvir o meu a queixar-se dos malditos. O pior é a dorzinha chata, ao pisar. O meu calcanhar de Madjer transformou-se, de repente, em calcanhar de Aquiles.
Aconselharam-me uma coisa chamada Duofilm, só que na farmácia não havia. "Mas leve este aqui, que é a mesma coisa com outro nome", disse o farmacêutico, entregando-me um frasquinho com a suspeita designação de "Calicida Indiano". Iniciei o tratamento na semana passada. Neste momento, o danado do calo tem o quádruplo do tamanho e ainda dói, só que agora apresenta uma estranha coloração verde. Quero acreditar que isso é uma boa coisa, embora não deixe de ter a sensação de andar a carregar um calo que não pertence a mim, mas sim ao Incrível Hulk. Agora, há um dilema que me aflige: não sei se o arranque já, ou se o deixe amadurecer e cair sozinho do pé. Alguém sabe quanto falta para a época dos calos?
sexta-feira, outubro 01, 2004
As paredes têm bocas
Coimbra é capaz de ser a capital portuguesa da filosofia de parede. Tirando as chatíssimas frases de apelo ao voto nas eleições académicas, o nível até que é elevado. Eis aqui algumas observadas na nossa última incursão pela Lusa Atenas.
Dos muros do Departamento de Antropologia:
LER PARA SER SÁBIO
PRECISAMOS TRAZER O PROGRESSO PARA PORTUGAL
NÓS SOMOS MELHORES QUE OS AMERICANOS
PROIBIDO PENSAR
Dos muros da Faculdade de Ciências:
AQUI CHUMBA-SE
FORÇA É POIS IR BUSCAR OUTRO CAMINHO
Coimbra é capaz de ser a capital portuguesa da filosofia de parede. Tirando as chatíssimas frases de apelo ao voto nas eleições académicas, o nível até que é elevado. Eis aqui algumas observadas na nossa última incursão pela Lusa Atenas.
Dos muros do Departamento de Antropologia:
LER PARA SER SÁBIO
PRECISAMOS TRAZER O PROGRESSO PARA PORTUGAL
NÓS SOMOS MELHORES QUE OS AMERICANOS
PROIBIDO PENSAR
Dos muros da Faculdade de Ciências:
AQUI CHUMBA-SE
FORÇA É POIS IR BUSCAR OUTRO CAMINHO
quinta-feira, setembro 30, 2004
SAL-GUEI-ROS!
Sem que eu desse por ela, o Salgueiros foi ter à II Divisão B, o que na prática quer dizer terceira divisão, o que quer dizer que o Salgueiral anda muito por baixo.
Isso deixa-me triste. Não é que seja salgueirista; o meu clube, evidentemente, é este:
Mas ver o Salgueiros em baixo é mau.
Há a ideia de que o Porto se divide assim em clubes: a maioria é portista, os ricos da Boavista são boavisteiros, e os pobres são salgueiristas. O Salgueiros seria assim o clube do povo.
Isto não é bem assim. O clube do povo é mesmo o Porto. Na verdade, os ricos, os pobres, os remediados e os outros são quase todos portistas.
Uns 90 por cento da cidade é do FCP. Há meia dúzia de lagartos, meia dúzia de lampos, duas ou três famílias de boavisteiros e uns quantos salgueiristas.
O Salgueiral é no entanto o segundo clube de quase toda a gente. Os salgueiristas puros e duros não costumam gostar do FCP, mas a gente não se chateia, até porque eles costumavam perder sempre nos jogos com o Porto (e às vezes ganhavam aos lampos e aos lagartos).
E sendo poucos, os salgueiristas reflectem uma parte importante da alma da cidade. Não, não é a história da alma salgueirista; isso foi inventado nos anos 80 pelas claques.
Mas o Salgueiros representa mesmo assim uma parte da alma do Porto. Do Porto à maneira antiga, proletário, macambúzio, que escarra para o chão e diz caralhadas.
Eu que nasci no meio disto gosto muito desse Porto. Também gosto de ir ao Vidal Pinheiro; um gajo empilhar-se com mais umas centenas de desgraçados numa bancadas decrépitas, com os fanáticos a ameaçar de morte o árbitro e a trepar a vedação para cuspir nos fiscais de linha.
Nenhum clube tem um grito de guerra melhor que o Salgueiros. A maneira correcta de torcer pelo Salgueiros é ver o jogo com uma tromba danada, a resmungar para o vizinho e, a propósito de nada, no meio da jogada mais inócua possível (um lançamento de linha lateral, uma substituição, um pontapé de baliza), gritar, com tanta força que se ouça no hospital de S. João -
SAL-GUEI-ROS!
E depois um gajo senta-se outra vez.
Enfim, a decadência do Salgueiral (aparentemente tem a ver com tramóias de dirigentes, falta de dinheiro, e despromoções administrativas) reflecte também a morte do Porto antigo.
Nos últimos anos, a cidade feia, suja, escura e ferozmente independente mudou. Quando lá volto, já não encontro o espírito do antigamente.
Isso é o progresso; quando um gajo se põe a refilar por as coisas já não serem como eram, normalmente está-se a ter nostalgia do atraso. O Porto está mais moderno, mais cosmopolita, mais evoluído.
Hélas, o custo do progresso é que a cidade também ficou mais incaracterística. As grandes instituições da cidade - o comércio da Baixa, o Bolhão, o JN, os traficantes da Sé, os putos mafiosos das Fontaínhas, o Salgueiral - ou estão em decadência ou modernizaram-se.
A vida moderna está a tirar ao Porto a sua personalidade. O Porto está a aburguesar-se, a ficar como outra cidade europeia qualquer - está a ficar, Deus nos livre, como Lisboa.
Enfim, um dia destes até o Salgueiral entra no século XXI, constroem-lhe um estádio novo, ele sobe de divisão outra vez, e as peixeiras e os reformados deixam de aparecer nas bancadas, ou vão lá mas deixam de mandar caralhadas e cuspir para o campo.
Por enquanto, desconfio que o Salgueiral ainda está como antigamente. Na terça-feira, joga em casa com o Nazarenos para a Taça. Não vou ao estádio, mas hei-de lá estar em espírito. À hora do jogo, vou sair à rua e vou gritar com força:
SAL-GUEI-ROS!
Bom, talvez não grite, talvez diga só baixinho. E depois volto para casa.
Sem que eu desse por ela, o Salgueiros foi ter à II Divisão B, o que na prática quer dizer terceira divisão, o que quer dizer que o Salgueiral anda muito por baixo.
Isso deixa-me triste. Não é que seja salgueirista; o meu clube, evidentemente, é este:
Mas ver o Salgueiros em baixo é mau.
Há a ideia de que o Porto se divide assim em clubes: a maioria é portista, os ricos da Boavista são boavisteiros, e os pobres são salgueiristas. O Salgueiros seria assim o clube do povo.
Isto não é bem assim. O clube do povo é mesmo o Porto. Na verdade, os ricos, os pobres, os remediados e os outros são quase todos portistas.
Uns 90 por cento da cidade é do FCP. Há meia dúzia de lagartos, meia dúzia de lampos, duas ou três famílias de boavisteiros e uns quantos salgueiristas.
O Salgueiral é no entanto o segundo clube de quase toda a gente. Os salgueiristas puros e duros não costumam gostar do FCP, mas a gente não se chateia, até porque eles costumavam perder sempre nos jogos com o Porto (e às vezes ganhavam aos lampos e aos lagartos).
E sendo poucos, os salgueiristas reflectem uma parte importante da alma da cidade. Não, não é a história da alma salgueirista; isso foi inventado nos anos 80 pelas claques.
Mas o Salgueiros representa mesmo assim uma parte da alma do Porto. Do Porto à maneira antiga, proletário, macambúzio, que escarra para o chão e diz caralhadas.
Eu que nasci no meio disto gosto muito desse Porto. Também gosto de ir ao Vidal Pinheiro; um gajo empilhar-se com mais umas centenas de desgraçados numa bancadas decrépitas, com os fanáticos a ameaçar de morte o árbitro e a trepar a vedação para cuspir nos fiscais de linha.
Nenhum clube tem um grito de guerra melhor que o Salgueiros. A maneira correcta de torcer pelo Salgueiros é ver o jogo com uma tromba danada, a resmungar para o vizinho e, a propósito de nada, no meio da jogada mais inócua possível (um lançamento de linha lateral, uma substituição, um pontapé de baliza), gritar, com tanta força que se ouça no hospital de S. João -
SAL-GUEI-ROS!
E depois um gajo senta-se outra vez.
Enfim, a decadência do Salgueiral (aparentemente tem a ver com tramóias de dirigentes, falta de dinheiro, e despromoções administrativas) reflecte também a morte do Porto antigo.
Nos últimos anos, a cidade feia, suja, escura e ferozmente independente mudou. Quando lá volto, já não encontro o espírito do antigamente.
Isso é o progresso; quando um gajo se põe a refilar por as coisas já não serem como eram, normalmente está-se a ter nostalgia do atraso. O Porto está mais moderno, mais cosmopolita, mais evoluído.
Hélas, o custo do progresso é que a cidade também ficou mais incaracterística. As grandes instituições da cidade - o comércio da Baixa, o Bolhão, o JN, os traficantes da Sé, os putos mafiosos das Fontaínhas, o Salgueiral - ou estão em decadência ou modernizaram-se.
A vida moderna está a tirar ao Porto a sua personalidade. O Porto está a aburguesar-se, a ficar como outra cidade europeia qualquer - está a ficar, Deus nos livre, como Lisboa.
Enfim, um dia destes até o Salgueiral entra no século XXI, constroem-lhe um estádio novo, ele sobe de divisão outra vez, e as peixeiras e os reformados deixam de aparecer nas bancadas, ou vão lá mas deixam de mandar caralhadas e cuspir para o campo.
Por enquanto, desconfio que o Salgueiral ainda está como antigamente. Na terça-feira, joga em casa com o Nazarenos para a Taça. Não vou ao estádio, mas hei-de lá estar em espírito. À hora do jogo, vou sair à rua e vou gritar com força:
SAL-GUEI-ROS!
Bom, talvez não grite, talvez diga só baixinho. E depois volto para casa.
Hoje estou muito peace and love
Cablogue: Vai chupá-los. Eu porventura disse que é preciso vir a Nova Iorque para ter wi-fi? Estava tão alegre aqui como estaria num hipermercado em Carrazeda de Anciães. Internet sem fios - excelente. Foda-se que um gajo já não pode ficar alegre sem virem outros a mandar vir!
Vostra: Vai mamá-los. Cada renovação gráfica que tu fazes deixa esta merda mais feia. E onde é que está a gaja russa a dançar, hã?
Carcaça: Vai lambê-los. Julgas que estás num blog de aspirantes a comentador político ou quê? Queres dizer mal do Governo, tens pelo menos de meter umas caralhadas. Questa merda de "É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente", andas também a ver se és citado pelo JPP?
Ernesto: Vai coçá-los. Como é que tu sabes o que está escrito nas paredes dos bordéis gay de Viseu, hã? E o Cablogue a falar em Viseu também, andam vocês os dois a fazer o quê no interior, oh pervertidos?
Zizou: Vai osculá-los. Andas muito calado, mas não enganas ninguém.
Cablogue: Vai chupá-los. Eu porventura disse que é preciso vir a Nova Iorque para ter wi-fi? Estava tão alegre aqui como estaria num hipermercado em Carrazeda de Anciães. Internet sem fios - excelente. Foda-se que um gajo já não pode ficar alegre sem virem outros a mandar vir!
Vostra: Vai mamá-los. Cada renovação gráfica que tu fazes deixa esta merda mais feia. E onde é que está a gaja russa a dançar, hã?
Carcaça: Vai lambê-los. Julgas que estás num blog de aspirantes a comentador político ou quê? Queres dizer mal do Governo, tens pelo menos de meter umas caralhadas. Questa merda de "É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente", andas também a ver se és citado pelo JPP?
Ernesto: Vai coçá-los. Como é que tu sabes o que está escrito nas paredes dos bordéis gay de Viseu, hã? E o Cablogue a falar em Viseu também, andam vocês os dois a fazer o quê no interior, oh pervertidos?
Zizou: Vai osculá-los. Andas muito calado, mas não enganas ninguém.
Elogio fúnebre
Hoje a minha alma morreu mais um pouco. Bem sei que a memória futura dos meus dias poderá até ignorar o dia de hoje, procurando esconder a chaga macerada do último dia do mês de Setembro de 2004. Desde o fim das revistas do Tintin que não me sentia tão mal e agora pareço o Simo Le Fleuve sem barba mas arrasado após o holocausto nuclear?
O http://caderneta-da-bola.blogspot.com morreu e comigo desapareceram sorrisos guardados entre os lábios à espera de ser surpreendido por mais um passe de Missé-Missé, um cabeceamento de Walter Paz ou um cruzamento de Valdir (sim, o do bigodinho à chulo) naquelas páginas sublimes.
Bem sei que já morreu há duas semanas mas quero aqui celebrar uma missa de 14º dia para honrar a memória de uma parelha de génios - um misto de João Aguiar com Jaime Gabriel, com pitadas de Veiga Trigo - que conseguiram recordar jóias da memória de todos nós.
Bem-hajam. Voltem sempre e se publicarem isso em livro terão em mim um comprador (ou fotocopiador).
Hoje a minha alma morreu mais um pouco. Bem sei que a memória futura dos meus dias poderá até ignorar o dia de hoje, procurando esconder a chaga macerada do último dia do mês de Setembro de 2004. Desde o fim das revistas do Tintin que não me sentia tão mal e agora pareço o Simo Le Fleuve sem barba mas arrasado após o holocausto nuclear?
O http://caderneta-da-bola.blogspot.com morreu e comigo desapareceram sorrisos guardados entre os lábios à espera de ser surpreendido por mais um passe de Missé-Missé, um cabeceamento de Walter Paz ou um cruzamento de Valdir (sim, o do bigodinho à chulo) naquelas páginas sublimes.
Bem sei que já morreu há duas semanas mas quero aqui celebrar uma missa de 14º dia para honrar a memória de uma parelha de génios - um misto de João Aguiar com Jaime Gabriel, com pitadas de Veiga Trigo - que conseguiram recordar jóias da memória de todos nós.
Bem-hajam. Voltem sempre e se publicarem isso em livro terão em mim um comprador (ou fotocopiador).
Agora que me apetece blogar, junto segue um texto que guardei no computador pelo tamanho grau de sapiência de alguns críticos de artes.
«TERMINAL DE AEROPORTO Trânsitos sobremodernos
Há um visitante da Karkhozia, Viktor Navorski, prolongadamente retido num terminal do aeroporto JFK em Nova Iorque; devido a acontecimentos no seu país, e aos mecanismos de controlo securitário, não é autorizado a entrar em solo americano, nem há base legal, nem possibilidades logísticas para o repatriar. Pois, a Karkhozia não existe, nesse sentido é um não-lugar, espaço ficcional, e a situação de "Terminal" afigura-se inverosímil.
Pensemos agora noutra situação: "Quando um voo internacional sobrevoa a Arábia Saudita, a hospedeira anuncia que durante a duração do sobrevoo é proibido o consumo de álcool no avião. A intrusão do território no espaço é assim significada. Terra = sociedade = cultura = religião: a equação do lugar antropológico reinscreve-se fugidiamente no espaço. Reencontrar o não-lugar do espaço, um pouco mais tarde, escapar à restrição totalitária do lugar, será reencontrar algo que se aparenta à liberdade" - "Não-lugares - Introdução a Uma Antropologia da Sobremodernidade" de Marc Augé (ed. portuguesa na Bertrand). Se Augé, nesse livro como em "A Guerra dos Sonhos - Exercícios de Etnoficção", se tem referido também ao estatuto antropológico de algumas séries televisivas americanas, eis um filme americano em que nos reencontramos também com espaços e sobreposições como as que o antropólogo analisou enquanto "não-lugares".
A matriz capriana da obra de Spielberg é por demais reconhecível, a grande referência sendo "It's a Wonderful Life/Do Céu Caiu Uma Estrela". A fascinação por personagens alienígenas, como o famoso E.T., tem referente primordial no anjo desse filme de Capra. Essa é a matriz de novo particularmente patente neste filme, já que Navorski é de algum modo um "e.t." retido no terminal - mas não é tanto isso que importa. "Terminal" é um filme de imensas virtualidades na improbabilidade de um encontro de Capra e Kafka, ou de imaginários caprianos e kafkianos. Muito poucos serão os casos em que um pesadelo burocrático (porque há também esse nível burocrático do controlo securitário), uma dessas situações que reconhecemos como "kafkianas", foi tão minuciosamente presente num filme desta envergadura produtiva e espectacular.
Uma tal tentativa de articulação de universos notoriamente antitéticos - o optimismo capriano e o pesadelo kafkiano - supôs um terceiro incluído, que é, declaradamente, Jacques Tati. Estamos afortunados por ainda ter tido há pouco a ocasião de (re)ver "Playtime - Vida Moderna". Aproveitemos, então, oportunidades de revisão.
Consideremos "Tempos Modernos" de Chaplin - podia ter um subtítulo marxiano, "consequências sociais da maquinaria automizada", caracteristicamente da era industrial. Com "Playtime" ocorriam outros tipos de espaços, sinaléticas, sociabilidades - e confusões de percursos e identidades.
Retomo Augé: "Por 'não-lugar' designamos duas realidades complementares mas distintas: espaços constituídos para certos fins (transporte, trânsito, comércio, divertimento), e a relação dos indivíduos com esses espaços (...) Mas os não-lugares reais da sobremodernidade, aqueles que tomamos quando vamos pela auto-estrada, fazemos as compras no supermercado ou esperamos no aeroporto pelo próximo voo têm a particularidade de se definirem também pelas palavras ou os textos que nos propõem, o seu modo de emprego, que segundo os casos se exprime de modo prescritivo ('circule pela faixa da direita'), restritivo ('é proibido fumar'), ou informativo ('está a entrar em...'), recorrendo tanto a ideogramas mais ou menos explícitos como à língua natural." "Playtime - Vida Moderna" foi o primeiro filme com um olhar sistematizado para as novas paisagens da sobremodernidade, começando no aeroporto.
Essa a razão primeira da filiação, até porque, tomando à letra, ou ao olho, o título, a entidade principal do filme é o "terminal de aeroporto", na magnificência da construção do espaço (e falo propriamente do espaço fílmico interno aos planos, não tanto do seu preâmbulo cenográfico) e na pontuação dos diversos elementos de visão e observação - a alucinação de Navorski quando vê numa televisão o que são supostas serem "imagens reais" das convulsões no seu país ou o seu jogo com o controlador de segurança que ele sabe estar a observá-lo em videovigilância são dos momentos mais notáveis.
Fábula que seja, "Terminal" não deixa de estar ancorado no real. Karkhozia já não nos soará hoje tanto como as Burdúria e Sildávia de Tintim no "Ceptro de Otokar" ou os reinos de opereta, mas como aquela inquietante estranheza afinal próxima da Ossétia ou da Ingúchia. Como proceder às descodificações e como estabelecer as normas de proximidade reconhecível?
A improbabilidade da fábula "capriana" ("Terminal" é um apelo à tolerância do democrata Spielberg), num tal quadro de pesadelo securitário "kafkiano" determina o limite do filme: a estranheza perante Navorski não existe, pois que ele é reconhecivelmente o "all american" Tom Hanks. Mas o paradoxo maior e primeiro não impede - pelo contrário, também dele decorrem - outros paradoxos secundários, que são dos mais interessantes do filme: a alucinação de Navorski perante a televisão é uma radical incompreensão de uma apresentação americana de imagens referentes ao seu país, enquanto para os burocratas securitários é incompreensível que para o outro o significante América, aquilo que o traz, seja a marca, o autógrafo, de um músico de jazz, Benny Golson. Questões de descodificação, de linguagens sobrepostas em espaços da sobremodernidade»
Perceberam?
«TERMINAL DE AEROPORTO Trânsitos sobremodernos
Há um visitante da Karkhozia, Viktor Navorski, prolongadamente retido num terminal do aeroporto JFK em Nova Iorque; devido a acontecimentos no seu país, e aos mecanismos de controlo securitário, não é autorizado a entrar em solo americano, nem há base legal, nem possibilidades logísticas para o repatriar. Pois, a Karkhozia não existe, nesse sentido é um não-lugar, espaço ficcional, e a situação de "Terminal" afigura-se inverosímil.
Pensemos agora noutra situação: "Quando um voo internacional sobrevoa a Arábia Saudita, a hospedeira anuncia que durante a duração do sobrevoo é proibido o consumo de álcool no avião. A intrusão do território no espaço é assim significada. Terra = sociedade = cultura = religião: a equação do lugar antropológico reinscreve-se fugidiamente no espaço. Reencontrar o não-lugar do espaço, um pouco mais tarde, escapar à restrição totalitária do lugar, será reencontrar algo que se aparenta à liberdade" - "Não-lugares - Introdução a Uma Antropologia da Sobremodernidade" de Marc Augé (ed. portuguesa na Bertrand). Se Augé, nesse livro como em "A Guerra dos Sonhos - Exercícios de Etnoficção", se tem referido também ao estatuto antropológico de algumas séries televisivas americanas, eis um filme americano em que nos reencontramos também com espaços e sobreposições como as que o antropólogo analisou enquanto "não-lugares".
A matriz capriana da obra de Spielberg é por demais reconhecível, a grande referência sendo "It's a Wonderful Life/Do Céu Caiu Uma Estrela". A fascinação por personagens alienígenas, como o famoso E.T., tem referente primordial no anjo desse filme de Capra. Essa é a matriz de novo particularmente patente neste filme, já que Navorski é de algum modo um "e.t." retido no terminal - mas não é tanto isso que importa. "Terminal" é um filme de imensas virtualidades na improbabilidade de um encontro de Capra e Kafka, ou de imaginários caprianos e kafkianos. Muito poucos serão os casos em que um pesadelo burocrático (porque há também esse nível burocrático do controlo securitário), uma dessas situações que reconhecemos como "kafkianas", foi tão minuciosamente presente num filme desta envergadura produtiva e espectacular.
Uma tal tentativa de articulação de universos notoriamente antitéticos - o optimismo capriano e o pesadelo kafkiano - supôs um terceiro incluído, que é, declaradamente, Jacques Tati. Estamos afortunados por ainda ter tido há pouco a ocasião de (re)ver "Playtime - Vida Moderna". Aproveitemos, então, oportunidades de revisão.
Consideremos "Tempos Modernos" de Chaplin - podia ter um subtítulo marxiano, "consequências sociais da maquinaria automizada", caracteristicamente da era industrial. Com "Playtime" ocorriam outros tipos de espaços, sinaléticas, sociabilidades - e confusões de percursos e identidades.
Retomo Augé: "Por 'não-lugar' designamos duas realidades complementares mas distintas: espaços constituídos para certos fins (transporte, trânsito, comércio, divertimento), e a relação dos indivíduos com esses espaços (...) Mas os não-lugares reais da sobremodernidade, aqueles que tomamos quando vamos pela auto-estrada, fazemos as compras no supermercado ou esperamos no aeroporto pelo próximo voo têm a particularidade de se definirem também pelas palavras ou os textos que nos propõem, o seu modo de emprego, que segundo os casos se exprime de modo prescritivo ('circule pela faixa da direita'), restritivo ('é proibido fumar'), ou informativo ('está a entrar em...'), recorrendo tanto a ideogramas mais ou menos explícitos como à língua natural." "Playtime - Vida Moderna" foi o primeiro filme com um olhar sistematizado para as novas paisagens da sobremodernidade, começando no aeroporto.
Essa a razão primeira da filiação, até porque, tomando à letra, ou ao olho, o título, a entidade principal do filme é o "terminal de aeroporto", na magnificência da construção do espaço (e falo propriamente do espaço fílmico interno aos planos, não tanto do seu preâmbulo cenográfico) e na pontuação dos diversos elementos de visão e observação - a alucinação de Navorski quando vê numa televisão o que são supostas serem "imagens reais" das convulsões no seu país ou o seu jogo com o controlador de segurança que ele sabe estar a observá-lo em videovigilância são dos momentos mais notáveis.
Fábula que seja, "Terminal" não deixa de estar ancorado no real. Karkhozia já não nos soará hoje tanto como as Burdúria e Sildávia de Tintim no "Ceptro de Otokar" ou os reinos de opereta, mas como aquela inquietante estranheza afinal próxima da Ossétia ou da Ingúchia. Como proceder às descodificações e como estabelecer as normas de proximidade reconhecível?
A improbabilidade da fábula "capriana" ("Terminal" é um apelo à tolerância do democrata Spielberg), num tal quadro de pesadelo securitário "kafkiano" determina o limite do filme: a estranheza perante Navorski não existe, pois que ele é reconhecivelmente o "all american" Tom Hanks. Mas o paradoxo maior e primeiro não impede - pelo contrário, também dele decorrem - outros paradoxos secundários, que são dos mais interessantes do filme: a alucinação de Navorski perante a televisão é uma radical incompreensão de uma apresentação americana de imagens referentes ao seu país, enquanto para os burocratas securitários é incompreensível que para o outro o significante América, aquilo que o traz, seja a marca, o autógrafo, de um músico de jazz, Benny Golson. Questões de descodificação, de linguagens sobrepostas em espaços da sobremodernidade»
Perceberam?
quarta-feira, setembro 29, 2004
O João Paulo II é um autoritário de esquerda, eu sou um libertário de direita
O site do jornal de referência de que o Carcaça gosta muito adaptou o teste do Political Compass para uma versão portuguesa.
Alguma coisa se há-de perder na tradução. Nos dois testes, eu fico no quadrante Sul-Leste, o que quer dizer que eu sou de direita e libertário.
No teste à portuguesa eu estou quase no centro: as minhas coordenadas são (-3,+1), o que dá um bocado libertário e um bocadinho de direita.
Por comparação com os três candidatos ao PS, isso é muito à direita (esses acabaram todos no quadrante Sul-Oeste, o João Soares tão à esquerda que quase saía do monitor; o nosso DJ Carcaça nem num wide-screen devia aparecer o pontinho dele) e não particularmente libertário. Enfim, é um centrismo centrista.
Mas no teste original à inglesa, a coisa sai mais extremada: umas lindas coordenadas de (-6,2, +2,9), ou seja, muito libertário, um bocado à direita.
Ou seja, podem contar com o Tiberius para uma sociedade libertária em que anda tudo a ter sexo com toda a gente.
Os meus resultados no teste em inglês deixam-me equidistante do Ralph Nader e do John Kerry, perto do Tony Blair e do Paul Martin (é o primeiro-ministro do Canadá, oh ignorantes), e longe do João Paulo II (um autoritário de esquerda) e do Saddam Hussein (um extremista autoritário e extremista de esquerda).
Melhor ainda: fico exactamente no mesmo ponto que o Tchaikovsky. Música de orquestra contemporânea da Rússia, isso sou eu.
Só que as coisas complicam-se porque ainda fiz mais um teste do mesmo género.
Este tem na mesma as diferenças entre esquerda e direita, mas em vez de autoritarismo/libertarianismo, a oposição é pragmatismo/idealismo.
E adivinhem lá o que aconteceu? Pois, o vosso Tiberius é um pragmático com os pés bem assentes na terra. Mas, segundo este teste, também é um bocado para o esquerdalho.
Aqui, as coordenadas foram (-4,5, -1,4), um pouco à esquerda e bastante mais pragmático que idealista.
Tirando a média aos três testes (isso implica uns cálculos geométricos muito complicados, vocês com a vossa matemática de sétimo ano não chegam lá), hum, ora cá vai a bissetriz e a raíz do co-seno e noves fora nada, acabo com umas coordenadas por volta de (-4,6, +1,8).
O que é que eu aprendi com isto? Que sou ou de direita ou de esquerda ou as duas coisas; que sou libertário e pragmático; que esta merda destes testes me fizeram perder 15 minutos da minha vida.
Mal posso esperar pelos resultados dos testes de vocelências. Os meus palpites: o Carcaça deve dar uns (-56, -29), o nosso tiranete Vostra dá para aí uns (+45, +189), o Zizou cheira-me a (0,0).
O site do jornal de referência de que o Carcaça gosta muito adaptou o teste do Political Compass para uma versão portuguesa.
Alguma coisa se há-de perder na tradução. Nos dois testes, eu fico no quadrante Sul-Leste, o que quer dizer que eu sou de direita e libertário.
No teste à portuguesa eu estou quase no centro: as minhas coordenadas são (-3,+1), o que dá um bocado libertário e um bocadinho de direita.
Por comparação com os três candidatos ao PS, isso é muito à direita (esses acabaram todos no quadrante Sul-Oeste, o João Soares tão à esquerda que quase saía do monitor; o nosso DJ Carcaça nem num wide-screen devia aparecer o pontinho dele) e não particularmente libertário. Enfim, é um centrismo centrista.
Mas no teste original à inglesa, a coisa sai mais extremada: umas lindas coordenadas de (-6,2, +2,9), ou seja, muito libertário, um bocado à direita.
Ou seja, podem contar com o Tiberius para uma sociedade libertária em que anda tudo a ter sexo com toda a gente.
Os meus resultados no teste em inglês deixam-me equidistante do Ralph Nader e do John Kerry, perto do Tony Blair e do Paul Martin (é o primeiro-ministro do Canadá, oh ignorantes), e longe do João Paulo II (um autoritário de esquerda) e do Saddam Hussein (um extremista autoritário e extremista de esquerda).
Melhor ainda: fico exactamente no mesmo ponto que o Tchaikovsky. Música de orquestra contemporânea da Rússia, isso sou eu.
Só que as coisas complicam-se porque ainda fiz mais um teste do mesmo género.
Este tem na mesma as diferenças entre esquerda e direita, mas em vez de autoritarismo/libertarianismo, a oposição é pragmatismo/idealismo.
E adivinhem lá o que aconteceu? Pois, o vosso Tiberius é um pragmático com os pés bem assentes na terra. Mas, segundo este teste, também é um bocado para o esquerdalho.
Aqui, as coordenadas foram (-4,5, -1,4), um pouco à esquerda e bastante mais pragmático que idealista.
Tirando a média aos três testes (isso implica uns cálculos geométricos muito complicados, vocês com a vossa matemática de sétimo ano não chegam lá), hum, ora cá vai a bissetriz e a raíz do co-seno e noves fora nada, acabo com umas coordenadas por volta de (-4,6, +1,8).
O que é que eu aprendi com isto? Que sou ou de direita ou de esquerda ou as duas coisas; que sou libertário e pragmático; que esta merda destes testes me fizeram perder 15 minutos da minha vida.
Mal posso esperar pelos resultados dos testes de vocelências. Os meus palpites: o Carcaça deve dar uns (-56, -29), o nosso tiranete Vostra dá para aí uns (+45, +189), o Zizou cheira-me a (0,0).
Tenho um Airport, Vostra vai mamar
Está resolvido o mistério do blackout do Núcleo. Aparentemente, este blog esteve offline umas horas devido a mais uma tentativa sinistra do Vostra de reformar o aspecto do site sem dar cavaco a ninguém.
Mas estou tão feliz que nem fiz um trocadilho fácil com cavaco, Vostra e Cavaco.
Não, meus queridos, eu estou feliz porque tenho um Airport. O Airport é lindo! Uma plaquinha de nada, que deixa um gajo ir à Internet sem fios, sem pagar nada, a alta velocidade, no meio do café!
O Airport é lindo, a Internet é linda, a Apple é linda e Vostra vai mamar. Estou tão contente que até decidi não fazer o meu "blackout" de protesto pela prepotência Vostradâmica. Apesar das tentativas do Vostra de continuar a fazer este blog o mais feio possível, irei postalhar alegremente nos próximos minutos. Airport!
Está resolvido o mistério do blackout do Núcleo. Aparentemente, este blog esteve offline umas horas devido a mais uma tentativa sinistra do Vostra de reformar o aspecto do site sem dar cavaco a ninguém.
Mas estou tão feliz que nem fiz um trocadilho fácil com cavaco, Vostra e Cavaco.
Não, meus queridos, eu estou feliz porque tenho um Airport. O Airport é lindo! Uma plaquinha de nada, que deixa um gajo ir à Internet sem fios, sem pagar nada, a alta velocidade, no meio do café!
O Airport é lindo, a Internet é linda, a Apple é linda e Vostra vai mamar. Estou tão contente que até decidi não fazer o meu "blackout" de protesto pela prepotência Vostradâmica. Apesar das tentativas do Vostra de continuar a fazer este blog o mais feio possível, irei postalhar alegremente nos próximos minutos. Airport!
Corram, que elas vêm aí com grandes bigodões
Eu bem vinha reparando na evolução das velocistas norte-americanas de ano para ano. Algumas têm mais testosterona que o Zezé Camarinha. E eis que um estudo inglês veio constatar que as mulheres podem mesmo vir a ser corredoras mais rápidas que os homens nos 100 metros, em meados do próximo século.
Ou seja, lá pelas Olimpíadas de 2156, as bisnetas da Marion Jones vão deixar para trás os descendentes do Maurice Greene e do Francis Obikwelu. Segundo as previsões dos cientistas da Universidade de Oxford, mais ou menos por essa altura as mulheres deverão alcançar a marca de 8,079 segundos nos 100 metros, enquanto os homens não devem fazer melhor que 8,098s. O recorde actual é 9,78s. Ainda bem que em 2156 já não estarei vivo para assistir a essa vergonha... nem ver os pêlos que devem ter na cara gajas que conseguem correr 100 metros em oito segundos.
Eu bem vinha reparando na evolução das velocistas norte-americanas de ano para ano. Algumas têm mais testosterona que o Zezé Camarinha. E eis que um estudo inglês veio constatar que as mulheres podem mesmo vir a ser corredoras mais rápidas que os homens nos 100 metros, em meados do próximo século.
Ou seja, lá pelas Olimpíadas de 2156, as bisnetas da Marion Jones vão deixar para trás os descendentes do Maurice Greene e do Francis Obikwelu. Segundo as previsões dos cientistas da Universidade de Oxford, mais ou menos por essa altura as mulheres deverão alcançar a marca de 8,079 segundos nos 100 metros, enquanto os homens não devem fazer melhor que 8,098s. O recorde actual é 9,78s. Ainda bem que em 2156 já não estarei vivo para assistir a essa vergonha... nem ver os pêlos que devem ter na cara gajas que conseguem correr 100 metros em oito segundos.
sobre os grafitis...
Notícia do Diário de Leiria de terça-feira:
«"A Câmara de Pombal classifica a campanha da Juventude Socialista (JS) de Pombal que levou à colocação na cidade de nove faixas negras com questões acerda de várias políticas autárquicas, como "atentados paisagísticos, ambientais e urbanísticos". (...) O presidente da Câmara considera mesmo que o modo de actuação da JS é ilegal "para ususfruir do seu direito à liberdade de expressão" e pede ao Partido Socialista de Pombal "para que não permita a continuação destes atentados contra a cidade e o povo de P0mbal".»
Notícia do Diário de Leiria de terça-feira:
«"A Câmara de Pombal classifica a campanha da Juventude Socialista (JS) de Pombal que levou à colocação na cidade de nove faixas negras com questões acerda de várias políticas autárquicas, como "atentados paisagísticos, ambientais e urbanísticos". (...) O presidente da Câmara considera mesmo que o modo de actuação da JS é ilegal "para ususfruir do seu direito à liberdade de expressão" e pede ao Partido Socialista de Pombal "para que não permita a continuação destes atentados contra a cidade e o povo de P0mbal".»
Cata Vento
O estilo do novo governo está lançado. É o estilo cata vento, sempre em busca da última onda de choque noticiosa que abala o país para mostrar serviço. Ouvindo os noticiários da RDP (que continua a ser a rádio oficiosa, cobrindo exaustivamente a agenda dos políticos com poder) isso fica claro: assassinam uma menina no Algarve e fonte do governo vem logo dizer que vão mudar a forma de funcionamento da Comissão de Protecção de Menores (depois podem não mudar nada, não interessa: o que é importante é mostrar dinâmica em tempo real). No mesmo dia, em reacção ao acidente de "tunning" em Palmela, dizem que vai reunir extraordinariamente uma comissão de prevenção de sinistralidade, para analisar medidas. Medidas e mais medidas, todos os dias e ao sabor do vento. E o que fazem os jornalistas? Publicitam as "medidas". É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente.
ps. estou a escrever a partir de uma biblioteca e não consigo aceder ao blog do Núcleo. Aparece o ecrã a negro e um sinalzinho de sentido proibido em baixo. Será isto sinal do que eu estou a pensar, seus pornógrafos...zzz?
O estilo do novo governo está lançado. É o estilo cata vento, sempre em busca da última onda de choque noticiosa que abala o país para mostrar serviço. Ouvindo os noticiários da RDP (que continua a ser a rádio oficiosa, cobrindo exaustivamente a agenda dos políticos com poder) isso fica claro: assassinam uma menina no Algarve e fonte do governo vem logo dizer que vão mudar a forma de funcionamento da Comissão de Protecção de Menores (depois podem não mudar nada, não interessa: o que é importante é mostrar dinâmica em tempo real). No mesmo dia, em reacção ao acidente de "tunning" em Palmela, dizem que vai reunir extraordinariamente uma comissão de prevenção de sinistralidade, para analisar medidas. Medidas e mais medidas, todos os dias e ao sabor do vento. E o que fazem os jornalistas? Publicitam as "medidas". É bom que depois se mantenham atentos e se preocupem em verificar o que foi feito concretamente.
ps. estou a escrever a partir de uma biblioteca e não consigo aceder ao blog do Núcleo. Aparece o ecrã a negro e um sinalzinho de sentido proibido em baixo. Será isto sinal do que eu estou a pensar, seus pornógrafos...zzz?
Eu sei que não é habitual escrever nestas páginas. O meu pedido de desculpas virá mais tarde ou mais cedo, quiçá ainda hoje.
Mas preciso de desabafar. Estou farto desta merda, deste jornalismo, desta profissão, desta vida. E já agora do meu puto, que não me deixou dormir a noite toda (ó Ernesto vai-te preparando...)
Estive até agora, às 15:40 a procurar em todas as fontes possíveis e imaginárias a confirmação de notícias de uma manchete de um diário português de hoje. Toda a gente desmente, toda a gente nega. E a notícia baseia-se em fontes "anónimas", algumas que nem existem e em sentimentos colectivos que não destrincei.
Acordei às 7:45 de hoje com um chefe a pedir-me esta história e chamando-me "discretamente" incompetente mas afinal a cromice não foi minha mas de um putativo jornalista, especialista em generalidades bacocas que decide escrever "coisas" a que chama de factos, com muitos adjectivos, utilizando fontes-fantasmas e pelo meio, perdi parte de um dia de trabalho a fazer uma não-notícia. E como somos todos bons camaradas, não desmentimos o colega mas limitamo-nos a esclarecer que a estória? não é bem assim.
Tou farto? Alguém sabe de algum cargo de assessor disponível?
Ou então de um café para arrendar?
Mas preciso de desabafar. Estou farto desta merda, deste jornalismo, desta profissão, desta vida. E já agora do meu puto, que não me deixou dormir a noite toda (ó Ernesto vai-te preparando...)
Estive até agora, às 15:40 a procurar em todas as fontes possíveis e imaginárias a confirmação de notícias de uma manchete de um diário português de hoje. Toda a gente desmente, toda a gente nega. E a notícia baseia-se em fontes "anónimas", algumas que nem existem e em sentimentos colectivos que não destrincei.
Acordei às 7:45 de hoje com um chefe a pedir-me esta história e chamando-me "discretamente" incompetente mas afinal a cromice não foi minha mas de um putativo jornalista, especialista em generalidades bacocas que decide escrever "coisas" a que chama de factos, com muitos adjectivos, utilizando fontes-fantasmas e pelo meio, perdi parte de um dia de trabalho a fazer uma não-notícia. E como somos todos bons camaradas, não desmentimos o colega mas limitamo-nos a esclarecer que a estória? não é bem assim.
Tou farto? Alguém sabe de algum cargo de assessor disponível?
Ou então de um café para arrendar?