Querido Ernesto:
A tua cátedra sobre a condição de pai foi muito útil e enternecedora. Mil obrigados. Estou agora muito melhor preparado para aguentar as agruras ? que as há, como tu descreves ? e deleitar-me com os privilégios da paternidade.
Ela não me vai parecer linda; ela já me parece linda: a imagem dela, mesmo vista num monitor, é deslumbrante, não é?
É verdade, o vosso Zizou vai ser pai. O vosso Zizou, daqui a um mês, vais estar atolado na merda, perdão, no cocó, e vai dizer coisas estúpidas como «gu gu tá tá». O vosso Zizou vai ser um pai babado e encher a filha de mimos.
Os ensinamentos transmitidos pelo Cablongue, o pioneiro, a Ernesto e do Ernesto a mim serão mais tarde (muito mais tarde, digo eu) passados àqueles de entre nós que não têm a força na verga para criar novos durões. Carcaça, Vostra e Tibas: sigam-nos o exemplo e ponham crianças no mundo que a Zizoua é professora e precisa de meninos a quem dar aulas.
terça-feira, março 01, 2005
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
Muito bem
O nosso Zizou vai ser pai. Já é público e notório. Eu posso falar de alto. Sou um gajo experiente na matéria, como sabem.
Vocês perguntam, e o que é que o pai Ernesto tem a dizer sobre o assunto para ajudar este pobre companheiro?
Muito simples. É tudo verdade, camarada Zizou. Vai-te parecer linda, mesmo que seja zarolha; aquelas carinhas tontas, aquele cabecear descontrolado espalhando fio de baba, serão gracinhas ternurentas; a merda (que passa a ser cocó), os peidos (que passam a ser puns), tornar-se-ão uma obsessão para ti.
Dirás coisas que nunca pensaste, repetirás até à exaustão frases tolas como: "Já fez cocó?" Ou então esta: "Que lindo cocó!" Ou esta: "Olha ela a rir, anda ver".
A única coisa que é tanga é que "depois não custa". Custa sim. Adoras a miúda, mas dormes mal e sofres com o choro. Um dos momentos mais felizes da vida de um pai recente é quando larga a filha em casa dos avós.
De qualquer forma, parabéns Zizou. Nunca pensámos que conseguirias.
O nosso Zizou vai ser pai. Já é público e notório. Eu posso falar de alto. Sou um gajo experiente na matéria, como sabem.
Vocês perguntam, e o que é que o pai Ernesto tem a dizer sobre o assunto para ajudar este pobre companheiro?
Muito simples. É tudo verdade, camarada Zizou. Vai-te parecer linda, mesmo que seja zarolha; aquelas carinhas tontas, aquele cabecear descontrolado espalhando fio de baba, serão gracinhas ternurentas; a merda (que passa a ser cocó), os peidos (que passam a ser puns), tornar-se-ão uma obsessão para ti.
Dirás coisas que nunca pensaste, repetirás até à exaustão frases tolas como: "Já fez cocó?" Ou então esta: "Que lindo cocó!" Ou esta: "Olha ela a rir, anda ver".
A única coisa que é tanga é que "depois não custa". Custa sim. Adoras a miúda, mas dormes mal e sofres com o choro. Um dos momentos mais felizes da vida de um pai recente é quando larga a filha em casa dos avós.
De qualquer forma, parabéns Zizou. Nunca pensámos que conseguirias.
Vaneigem II
Face ao diagnóstico já descrito, Vaneigem propõe algumas linhas programáticas para "lançar as bases de uma sociedade humana". Como constatarão, as suas propostas são profundamente utópicas (aquela da abolição do dinheiro é fantástica!), o que não quer dizer que não concorde com muitas delas:
Criação de uma alocação de sobrevivência a qualquer indivíduo com mais de 18 anos, permitindo o livre exercício das actividades criativas;
El Cablogue poderá voltar a escrever para o ND sem sentir que a sua carreira académica está a ser prejudicada pelo provincianismo;
Financiamento, reparação, modernização e gratuidade dos serviços públicos, com prioridade para o ensino e saúde;
Tiberius deve apresentar-se na sala de imprensa do Benfica mostrando ostensivamente o seu cartão de sócio do FCP para as câmaras televisivas, enquanto grita "eu só quero ver Lisboa a arder, Lisboa a arder, Lisboa a arder";
Ajuda ao restauro das paisagens e das habitações;
Ajuda às colectividades locais encarregadas de intervir de modo criativo em prol das pessoas com dificuldades psicológicas ou materiais;
Concessão a DJ Carcaça de uma pensão vitalícia por "grandes serviços culturais prestados ao Estado português";
Ajuda à agricultura natural e ao controlo da qualidade dos produtos;
Vostradeis passará a usar um bigode de pontas retorcidas para cima, à maneira do seu inspirador Salvador Dalí. Continuando na sua senda narcisista, será uma espécie de "Emplastro" lisboeta, surgindo em todos os directos atrás das répóreres da SIC Notícias e da RTPN. Ficará famoso por isso;
Ajuda ao desenvolvimento das energias naturais não poluentes e gratuitas;
Zizou deverá fazer o pino em plena Avenida Lourenço Peixinho, enquanto canta: "Aveiro é só merda é só merda é só merda é só merda, de um lado é a ria, do outro lado é Cacia";
Ajuda à investigação científica liberta do domínio das máfias farmacêuticas e tecnológicas. Verificação do interesse exclusivamente humano das experiências realizadas;
Obrigatoriedade de Ernesto desempenhar funções como assessor de imagem do ex-ministro Paulo Portas durante cinco anos;
Abolição, num prazo mais ou menos longo, do dinheiro e do valor de troca, segundo métodos inspirados na experiência das colectividades catalãs de 1937, e levados ainda mais longe, graças aos meios e condições da nossa época;
Face ao diagnóstico já descrito, Vaneigem propõe algumas linhas programáticas para "lançar as bases de uma sociedade humana". Como constatarão, as suas propostas são profundamente utópicas (aquela da abolição do dinheiro é fantástica!), o que não quer dizer que não concorde com muitas delas:
Criação de uma alocação de sobrevivência a qualquer indivíduo com mais de 18 anos, permitindo o livre exercício das actividades criativas;
El Cablogue poderá voltar a escrever para o ND sem sentir que a sua carreira académica está a ser prejudicada pelo provincianismo;
Financiamento, reparação, modernização e gratuidade dos serviços públicos, com prioridade para o ensino e saúde;
Tiberius deve apresentar-se na sala de imprensa do Benfica mostrando ostensivamente o seu cartão de sócio do FCP para as câmaras televisivas, enquanto grita "eu só quero ver Lisboa a arder, Lisboa a arder, Lisboa a arder";
Ajuda ao restauro das paisagens e das habitações;
Ajuda às colectividades locais encarregadas de intervir de modo criativo em prol das pessoas com dificuldades psicológicas ou materiais;
Concessão a DJ Carcaça de uma pensão vitalícia por "grandes serviços culturais prestados ao Estado português";
Ajuda à agricultura natural e ao controlo da qualidade dos produtos;
Vostradeis passará a usar um bigode de pontas retorcidas para cima, à maneira do seu inspirador Salvador Dalí. Continuando na sua senda narcisista, será uma espécie de "Emplastro" lisboeta, surgindo em todos os directos atrás das répóreres da SIC Notícias e da RTPN. Ficará famoso por isso;
Ajuda ao desenvolvimento das energias naturais não poluentes e gratuitas;
Zizou deverá fazer o pino em plena Avenida Lourenço Peixinho, enquanto canta: "Aveiro é só merda é só merda é só merda é só merda, de um lado é a ria, do outro lado é Cacia";
Ajuda à investigação científica liberta do domínio das máfias farmacêuticas e tecnológicas. Verificação do interesse exclusivamente humano das experiências realizadas;
Obrigatoriedade de Ernesto desempenhar funções como assessor de imagem do ex-ministro Paulo Portas durante cinco anos;
Abolição, num prazo mais ou menos longo, do dinheiro e do valor de troca, segundo métodos inspirados na experiência das colectividades catalãs de 1937, e levados ainda mais longe, graças aos meios e condições da nossa época;
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
As paredes têm bocas

Os muros das praças de touros são frequentemente palco de filosóficas discussões acerca dos políticos e do seu papel na sociedade.
Na Praça de Touros do Montijo:
POLÍTICOS = CÚMPLICES DOS INCENDIÁRIOS
OS POLÍTICOS SÃO COMO OS TOIROS: SÓ FAZEM BOAS CORRIDAS QUANDO BEM PICADOS

Os muros das praças de touros são frequentemente palco de filosóficas discussões acerca dos políticos e do seu papel na sociedade.
Na Praça de Touros do Montijo:
POLÍTICOS = CÚMPLICES DOS INCENDIÁRIOS
OS POLÍTICOS SÃO COMO OS TOIROS: SÓ FAZEM BOAS CORRIDAS QUANDO BEM PICADOS
Vaneigen
Voltei a ler Raoul Vaneigen, um dos mentores do movimento situacionista, gerado mais ou menos por alturas do Maio de 68. Vaneigen faz uma crítica radical do capitalismo. Em muitos aspectos, concordo com ele no diagnóstico da doença. Mas nem sempre apoio as curas que ele propõe, mais utópicas do que práticas. Transcrevo algumas passagens de "Pela Abolição da Sociedade Mercantil".
"Os últimos ditadores já não estão a salvo de uma justiça que os mete na prisão, os chefes de Estado expõem-se a um destino semelhante, os militares, tão honrados e temidos, são alvo da risota dos miúdos, as instituições religiosas caem em desuso ? até o Islão, apesar da sua força numérica, está minado pela avareza financeira que, tal como acontece com os arcaísmos nacionalistas, faz dele o cobertor roído pela traça dos interesses mafiosos. Comunismo, liberalismo, fascismo, socialismo, anarquismo, esquerdismo, palavras de esperança e de sangue cujo clamor se repercutiu de continente em continente, são apenas embalagens vazias e definitivamente obsoletas. (...)
Ei-la pois perante nós, essa tábua rasa com que tanto sonhámos. Ela desembaraçou-se dos seus detritos mas, infelizmente, não da maneira como desejávamos, pois, liberta dos valores do passado, apenas nos oferece o vazio como ponto de apoio, como se a sua vacuidade proviesse do buraco negro para onde o dinheiro atrai os seres e as consciências. Ou seja, tal como acontecia ao pobre rei Midas, tudo o que lhe tocar transforma-se em virtualidade financeira, encontrando-se imediatamente despojado do seu uso, utilidade, prazer ou sabor."
"O poder do totalitarismo financeiro que se estendeu aos quatro cantos do mundo cobre o planeta com uma atmosfera poluída, verdadeira 'noite e nevoeiro', onde as sombras vão e vêm seguindo o curso flutuante dos dividendos. Como um gás incapacitante, as exalações da tirania lucrativa penetram na carne dos homens, das mulheres e das crianças para acabar por corromper completamente a vida mais elementar.
De meio indispensável para obter meios de subsistência, o dinheiro, elevado à condição de fetiche supremo pela curva hiperbólica do lucro, acabou por servir apenas para se reproduzir a ele próprio nos circuitos fechados da especulação. O dinheiro enlouqueceu à força de rodopiar sobre ele próprio, como uma serpente ouroborus devorando a sua própria cauda. Simultaneamente, o poder que dele emana e do qual é a própria emanação desligou-se por sua vez das realidades terrestres, onde cada indivíduo, com um mal estar crescente, procura acomodar-se ao seu absolutismo de direito divino."
"O dinamismo lucrativo da capitalismo de empresa deu lugar à preeminência de especulações bolsistas onde o dinheiro opera em circuito fechado. Gigantescas empresas estão-se bem nas tintas para a construção de fábricas ou para a criação de empregos. Fabricam accionistas, investem cada vez menos na produção de bens úteis à comunidade, desmantelam os serviços públicos, negligenciam o alojamento, vendem a educação ao desbarato, sabotam os transportes públicos, desvalorizam as prestações de saúde. Sem se preocuparem com o longo prazo, encaixam um lucro imediato do caos social provocado pela pauperização, pelo desemprego, pela precariedade da sobrevivência e por essa ânsia de obter dinheiro a todo o custo, que apodrece o pensamento e os costumes a toda a escala da miserável escala social."
Voltei a ler Raoul Vaneigen, um dos mentores do movimento situacionista, gerado mais ou menos por alturas do Maio de 68. Vaneigen faz uma crítica radical do capitalismo. Em muitos aspectos, concordo com ele no diagnóstico da doença. Mas nem sempre apoio as curas que ele propõe, mais utópicas do que práticas. Transcrevo algumas passagens de "Pela Abolição da Sociedade Mercantil".
"Os últimos ditadores já não estão a salvo de uma justiça que os mete na prisão, os chefes de Estado expõem-se a um destino semelhante, os militares, tão honrados e temidos, são alvo da risota dos miúdos, as instituições religiosas caem em desuso ? até o Islão, apesar da sua força numérica, está minado pela avareza financeira que, tal como acontece com os arcaísmos nacionalistas, faz dele o cobertor roído pela traça dos interesses mafiosos. Comunismo, liberalismo, fascismo, socialismo, anarquismo, esquerdismo, palavras de esperança e de sangue cujo clamor se repercutiu de continente em continente, são apenas embalagens vazias e definitivamente obsoletas. (...)
Ei-la pois perante nós, essa tábua rasa com que tanto sonhámos. Ela desembaraçou-se dos seus detritos mas, infelizmente, não da maneira como desejávamos, pois, liberta dos valores do passado, apenas nos oferece o vazio como ponto de apoio, como se a sua vacuidade proviesse do buraco negro para onde o dinheiro atrai os seres e as consciências. Ou seja, tal como acontecia ao pobre rei Midas, tudo o que lhe tocar transforma-se em virtualidade financeira, encontrando-se imediatamente despojado do seu uso, utilidade, prazer ou sabor."
"O poder do totalitarismo financeiro que se estendeu aos quatro cantos do mundo cobre o planeta com uma atmosfera poluída, verdadeira 'noite e nevoeiro', onde as sombras vão e vêm seguindo o curso flutuante dos dividendos. Como um gás incapacitante, as exalações da tirania lucrativa penetram na carne dos homens, das mulheres e das crianças para acabar por corromper completamente a vida mais elementar.
De meio indispensável para obter meios de subsistência, o dinheiro, elevado à condição de fetiche supremo pela curva hiperbólica do lucro, acabou por servir apenas para se reproduzir a ele próprio nos circuitos fechados da especulação. O dinheiro enlouqueceu à força de rodopiar sobre ele próprio, como uma serpente ouroborus devorando a sua própria cauda. Simultaneamente, o poder que dele emana e do qual é a própria emanação desligou-se por sua vez das realidades terrestres, onde cada indivíduo, com um mal estar crescente, procura acomodar-se ao seu absolutismo de direito divino."
"O dinamismo lucrativo da capitalismo de empresa deu lugar à preeminência de especulações bolsistas onde o dinheiro opera em circuito fechado. Gigantescas empresas estão-se bem nas tintas para a construção de fábricas ou para a criação de empregos. Fabricam accionistas, investem cada vez menos na produção de bens úteis à comunidade, desmantelam os serviços públicos, negligenciam o alojamento, vendem a educação ao desbarato, sabotam os transportes públicos, desvalorizam as prestações de saúde. Sem se preocuparem com o longo prazo, encaixam um lucro imediato do caos social provocado pela pauperização, pelo desemprego, pela precariedade da sobrevivência e por essa ânsia de obter dinheiro a todo o custo, que apodrece o pensamento e os costumes a toda a escala da miserável escala social."
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Táxi drástico - Filosofia de praça

Taxista gordo e baixinho, de rosto rosado, cabelo curto e grisalho e ar bonacheirão, durante uma longa corrida de Lisboa ao Montijo:
"... Eu sou alentejano de Borba. Já ouvi anedotas de todas as maneiras e feitios mas nunca ouvi nenhuma que fosse contra os alentejanos. Dizem que somos malandros!? Só trabalha quem é estúpido! Você sabe qual é a diferença entre um alentejano e um chuveiro? Meta-se debaixo dum e doutro que logo vê a diferença..."

Taxista gordo e baixinho, de rosto rosado, cabelo curto e grisalho e ar bonacheirão, durante uma longa corrida de Lisboa ao Montijo:
"... Eu sou alentejano de Borba. Já ouvi anedotas de todas as maneiras e feitios mas nunca ouvi nenhuma que fosse contra os alentejanos. Dizem que somos malandros!? Só trabalha quem é estúpido! Você sabe qual é a diferença entre um alentejano e um chuveiro? Meta-se debaixo dum e doutro que logo vê a diferença..."
domingo, fevereiro 20, 2005
Frases Usadas
O que faz as criaturas escreverem bem é terem dívidas.
Agustina Bessa-Luís
Parece-me que já me cheira um pouco melhor aqui em Coimbra. Pode ser da co-incineração, ou pode ser só impressão.
O gajo que fala a rimar
Na próxima reencarnação, abrirei um restaurante de leitão
O gajo que fala a rimar
O que faz as criaturas escreverem bem é terem dívidas.
Agustina Bessa-Luís
Parece-me que já me cheira um pouco melhor aqui em Coimbra. Pode ser da co-incineração, ou pode ser só impressão.
O gajo que fala a rimar
Na próxima reencarnação, abrirei um restaurante de leitão
O gajo que fala a rimar
Fórmula hummmmm...

Depois da gloriosa passagem de Pedro Lamy pelo mundo da Fórmula 1, o Campeonato Mundial volta a contar este ano com um português, que tem um nome promissor. A graça completa do 'rookie' luso é Tiago Vagaroso da Costa Monteiro.
Um corredor de automóveis com esse nome!?... é como um professor chamar-se António Analfabeto de Castro, ou um árbitro de futebol ser baptizado Luís Cegueta Invisual da Silva. Adivinha-se um futuro brilhante para o novo piloto da Jordan.

Depois da gloriosa passagem de Pedro Lamy pelo mundo da Fórmula 1, o Campeonato Mundial volta a contar este ano com um português, que tem um nome promissor. A graça completa do 'rookie' luso é Tiago Vagaroso da Costa Monteiro.
Um corredor de automóveis com esse nome!?... é como um professor chamar-se António Analfabeto de Castro, ou um árbitro de futebol ser baptizado Luís Cegueta Invisual da Silva. Adivinha-se um futuro brilhante para o novo piloto da Jordan.
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Aforismos de Agustina escolhidos por Carcaça
Apeteceu-lhe beijá-la, mas não o fez, isso era ceder demasiado ao seu próprio convite.
Penso que vivemos demasiado à margem da experiência para não nos tornarmos retóricos.
O que faz suportáveis os grandes golpes é a graduação com que as suas consequências se fazem sentir.
Quem tudo sabe, tudo perde.
Só sabemos definir as coisas quando elas não nos interessam mais.
O sábio é um homem que amou tanto a casa em festa como a casa em luto, e o fim e o princípio de todas as coisas.
A arte é o mais alto testemunho de um erro; ela só se desenvolve, como certas flores extremamente difíceis e que mal sobrevivem, numa atmosfera densa de toda a má consciência duma sociedade.
Todos os artistas mais ou menos estão marcados pela graça do sofrimento.
Os grandes livros são escritos de maneira fácil, porém hermética. E o idioma da alma nunca está terminado a tempo de traduzirmos tudo o que um homem viveu.
Apeteceu-lhe beijá-la, mas não o fez, isso era ceder demasiado ao seu próprio convite.
Penso que vivemos demasiado à margem da experiência para não nos tornarmos retóricos.
O que faz suportáveis os grandes golpes é a graduação com que as suas consequências se fazem sentir.
Quem tudo sabe, tudo perde.
Só sabemos definir as coisas quando elas não nos interessam mais.
O sábio é um homem que amou tanto a casa em festa como a casa em luto, e o fim e o princípio de todas as coisas.
A arte é o mais alto testemunho de um erro; ela só se desenvolve, como certas flores extremamente difíceis e que mal sobrevivem, numa atmosfera densa de toda a má consciência duma sociedade.
Todos os artistas mais ou menos estão marcados pela graça do sofrimento.
Os grandes livros são escritos de maneira fácil, porém hermética. E o idioma da alma nunca está terminado a tempo de traduzirmos tudo o que um homem viveu.
sábado, fevereiro 12, 2005
Onde andam os meus euros?
Já pararam para pensar os quilómetros que uma nota andou para chegar à vossa mão? E por que sítios irá passar a seguir? Houve um francês que não aguentou de curiosidade e pôs os seus conhecimentos de informática a trabalhar para ajudar a desvendar os mistérios do paradeiro das notas de euros. Criou um 'site' muito curioso em que as pessoas são convidadas a ajudar. Basta fazerem a inscrição e registarem os números de série e códigos das notas que têm no bolso. Se, passado um tempo, alguém registar a mesma nota, o Eurobilltracker traça imediatamente o percurso que ela fez no mapa. Já estou a participar e é engraçadíssimo!
Já pararam para pensar os quilómetros que uma nota andou para chegar à vossa mão? E por que sítios irá passar a seguir? Houve um francês que não aguentou de curiosidade e pôs os seus conhecimentos de informática a trabalhar para ajudar a desvendar os mistérios do paradeiro das notas de euros. Criou um 'site' muito curioso em que as pessoas são convidadas a ajudar. Basta fazerem a inscrição e registarem os números de série e códigos das notas que têm no bolso. Se, passado um tempo, alguém registar a mesma nota, o Eurobilltracker traça imediatamente o percurso que ela fez no mapa. Já estou a participar e é engraçadíssimo!
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Humor negro
Morreram uns portugueses em Espanha e, por cá, alguns jornalistas aproveitaram para lançar um novo conceito de "humor negro" - fazer piadinhas com o luto usando trocadilhos fáceis nos títulos. Um hino ao bom gosto este título do "Jornal de Notícias".
Morreram uns portugueses em Espanha e, por cá, alguns jornalistas aproveitaram para lançar um novo conceito de "humor negro" - fazer piadinhas com o luto usando trocadilhos fáceis nos títulos. Um hino ao bom gosto este título do "Jornal de Notícias".
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Sideburns que fizeram História
Número 8
Selecção da Alemanha Ocidental, campeã do Mundo em 1974
Número 8
Selecção da Alemanha Ocidental, campeã do Mundo em 1974
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
É balato e tá a clescel
O comércio chinês em pequenos bazares que vendem de tudo - de panelas e ferramentas a budas e chocolates - está a alastrar nitidamente, mas isso não é novidade. Só há um tipo de negócio actualmente capaz de rivalizar com as pequenas lojas de chinesices em termos de crescimento: os restaurantes chineses, mas isso também não é novidade.
O curioso, e que muita gente pode não ter reparado, é que as novas lojinhas orientais, que vão substituindo outros estabelecimentos menos bem sucedidos, estão carregadas de uma boa dose de humor chauvinista amarelo. Os seus novos proprietários fazem questão de não trocar os letreiros do negócio que funcionou ali anteriormente, como que a mostrar como é que se faz - "Tão a vel? Não ela pol causa do letleilo que não faziam dinheilo!".
Perto do local onde finjo que trabalho, há pelo menos duas lojas de chineses. Uma chama-se "ENGLISH SCHOOL", e a outra, "LIVRARIA CLEPSIDRA".
O comércio chinês em pequenos bazares que vendem de tudo - de panelas e ferramentas a budas e chocolates - está a alastrar nitidamente, mas isso não é novidade. Só há um tipo de negócio actualmente capaz de rivalizar com as pequenas lojas de chinesices em termos de crescimento: os restaurantes chineses, mas isso também não é novidade.
O curioso, e que muita gente pode não ter reparado, é que as novas lojinhas orientais, que vão substituindo outros estabelecimentos menos bem sucedidos, estão carregadas de uma boa dose de humor chauvinista amarelo. Os seus novos proprietários fazem questão de não trocar os letreiros do negócio que funcionou ali anteriormente, como que a mostrar como é que se faz - "Tão a vel? Não ela pol causa do letleilo que não faziam dinheilo!".
Perto do local onde finjo que trabalho, há pelo menos duas lojas de chineses. Uma chama-se "ENGLISH SCHOOL", e a outra, "LIVRARIA CLEPSIDRA".
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Sideburns que fizeram História
Número 7
Carlos Menem
Número 7
Carlos Menem
Em tempos de aperto, todos os militantes ajudam e, como seria de esperar, o VOSTRADEIS já está a fazer campanha pelo Pêéssedê. E, numa atitude prepotente, utiliza os seus privilégios de administrador do ND para alterar as mensagens dos seus confrades e atirar as culpas para um qualquer vereador brasileiro...muda lá outra vez, ò engraçadinho.
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Campanha eleitoral
A arma 'socreta'
As sondagens pré-eleitorais dão todas mais ou menos o mesmo resultado: o PS a ganhar com muitos mais votos que o PSD, mas sem uma percentagem que garanta maioria absoluta. Depois, os partidecos coxos mais atrás, com o Bloco de Esquerda na lanterna-vermelha (onde estão os malucos deste país?). A luta uma vez mais deverá ser entre os grandes, com os socialistas para já em vantagem.
Mas há uma manga escondida na carta que a "laranja santânica" deve estar a guardar para o último momento, que tem a ver com a vida privada do candidato "rosa" e que explica que a tendência política de José Sócrates é mais cromática do que ideológica. Veja-se um artigo publicado recentemente na sempre atenta imprensa do Brasil:
Resta saber se é o PSD que está a aguardar o momento certo para soltar a bomba e conseguir uma reviravolta nas urnas, ou se é o próprio PS que irá usar essa arma secreta para, aproveitando o "efeito Castelo Branco", alcançar a maioria absoluta.
A arma 'socreta'
As sondagens pré-eleitorais dão todas mais ou menos o mesmo resultado: o PS a ganhar com muitos mais votos que o PSD, mas sem uma percentagem que garanta maioria absoluta. Depois, os partidecos coxos mais atrás, com o Bloco de Esquerda na lanterna-vermelha (onde estão os malucos deste país?). A luta uma vez mais deverá ser entre os grandes, com os socialistas para já em vantagem.
Mas há uma manga escondida na carta que a "laranja santânica" deve estar a guardar para o último momento, que tem a ver com a vida privada do candidato "rosa" e que explica que a tendência política de José Sócrates é mais cromática do que ideológica. Veja-se um artigo publicado recentemente na sempre atenta imprensa do Brasil:
Resta saber se é o PSD que está a aguardar o momento certo para soltar a bomba e conseguir uma reviravolta nas urnas, ou se é o próprio PS que irá usar essa arma secreta para, aproveitando o "efeito Castelo Branco", alcançar a maioria absoluta.
domingo, janeiro 30, 2005
Frases Usadas
"O Jazz é, para mim, uma expressão de ideais elevados. A fraternidade está lá. E eu acredito que havendo fraternidade não haverá mais pobreza. Com fraternidade não haverá guerra."
John Coltrane, numa entrevista em 1966
"O Jazz é, para mim, uma expressão de ideais elevados. A fraternidade está lá. E eu acredito que havendo fraternidade não haverá mais pobreza. Com fraternidade não haverá guerra."
John Coltrane, numa entrevista em 1966
sábado, janeiro 29, 2005
Abertas candidaturas ao Concurso Mundial das Mentiras
Iniciamos hoje um processo de selecção das melhores mentiras de Portugal. A mentira vencedora irá candidatar-se ao Campeonato do Mundo das Mentiras, nos EUA (isto é verdade), representando a blogosfera portuguesa.
A frase que ganhou a última edição era a seguinte: "Choveu tanto este Verão que o lago em frente a minha casa ficou cheio de poças" (isto também é verdade).
A minha primeira proposta é a seguinte:
"Ontem de madrugada fui tirar o BI, só que pus tanto creme hidratante nas mãos antes de sair de casa, que as minhas impressões digitais não ficaram marcadas."
AHAHAAHAHAHAHAH
Iniciamos hoje um processo de selecção das melhores mentiras de Portugal. A mentira vencedora irá candidatar-se ao Campeonato do Mundo das Mentiras, nos EUA (isto é verdade), representando a blogosfera portuguesa.
A frase que ganhou a última edição era a seguinte: "Choveu tanto este Verão que o lago em frente a minha casa ficou cheio de poças" (isto também é verdade).
A minha primeira proposta é a seguinte:
"Ontem de madrugada fui tirar o BI, só que pus tanto creme hidratante nas mãos antes de sair de casa, que as minhas impressões digitais não ficaram marcadas."
AHAHAAHAHAHAHAH
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Pronunciamento do Núcleo sobre o momento político, económico e social da Nação
Bla bla bla Santana Lopes bla bla bla Sócrates yada yada yada desemprego ti ri ri ti ri ri progresso bla bla bla os portugueses ta ta ta ta paz mundial bla bla bla rigor e serenidade yada yada yada novos mundos ao mundo. Tenho dito.
Bla bla bla Santana Lopes bla bla bla Sócrates yada yada yada desemprego ti ri ri ti ri ri progresso bla bla bla os portugueses ta ta ta ta paz mundial bla bla bla rigor e serenidade yada yada yada novos mundos ao mundo. Tenho dito.
Escutas do Núcleo
Esquizofrenia laboral
Duas quarentonas loiras oxigenadas num restaurante chinês em São Sebastião (Lisboa):
- Não tem sido nada fácil. Há ali muitos ódios dentro naquela empresa.
- Ai sim?
- Sim. Mas claro, apenas ódios profissionais, nada de pessoal...
Comentário do ND: Ora aí está um novo fenómeno da vida urbana moderna - a completa dissociação entre a vida pessoal e a profissional. Uma espécie de esquizofrenia funcional consciente, em que os indivíduos se tornam personagens completamente distintas consoante estão a trabalhar ou não. Será relativamente comum nos dias que correm ouvir frases do género: "Fulano usou de jogo sujo para impedir a minha promoção, mas somos grandes amigos, desde a infância" ou "Aquele filho da puta andou a manchar o meu nome dentro da empresa, mas até é um gajo porreiro. Fazemos grandes jantaradas lá em casa".
Esquizofrenia laboral
Duas quarentonas loiras oxigenadas num restaurante chinês em São Sebastião (Lisboa):
- Não tem sido nada fácil. Há ali muitos ódios dentro naquela empresa.
- Ai sim?
- Sim. Mas claro, apenas ódios profissionais, nada de pessoal...
Comentário do ND: Ora aí está um novo fenómeno da vida urbana moderna - a completa dissociação entre a vida pessoal e a profissional. Uma espécie de esquizofrenia funcional consciente, em que os indivíduos se tornam personagens completamente distintas consoante estão a trabalhar ou não. Será relativamente comum nos dias que correm ouvir frases do género: "Fulano usou de jogo sujo para impedir a minha promoção, mas somos grandes amigos, desde a infância" ou "Aquele filho da puta andou a manchar o meu nome dentro da empresa, mas até é um gajo porreiro. Fazemos grandes jantaradas lá em casa".
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Marxismo
Li há pouco tempo a correspondência do António José Saraiva e do Óscar Lopes. Brutal. Para além das dezenas de cartas fastidiosas em que os dois marretas discutem correcções à História da Literatura, de que são autores, desenrola-se um debate interminável sobre o marxismo, com Lopes mostrando-se um estalinista irredutível e Saraiva revelando uma evolução que, caso fosse vivo, o enquadraria no PS ou no PSD (passe a redundância).
A reflexão tem em torno do comunismo tem a virtude de demonstrar que o marxismo acabou porque era uma teoria parva e, mais importante do que tudo, porque nunca ninguém percebeu bem o que significava. A experiência epistolar de Lopes e Saraiva deixa assim claro que a minha confusão liceal em torno do conceito de "super-estrutura" representou, afinal, um grande sinal de lucidez e perspicácia. Viveu um gajo anos nesta angústia...
Li há pouco tempo a correspondência do António José Saraiva e do Óscar Lopes. Brutal. Para além das dezenas de cartas fastidiosas em que os dois marretas discutem correcções à História da Literatura, de que são autores, desenrola-se um debate interminável sobre o marxismo, com Lopes mostrando-se um estalinista irredutível e Saraiva revelando uma evolução que, caso fosse vivo, o enquadraria no PS ou no PSD (passe a redundância).
A reflexão tem em torno do comunismo tem a virtude de demonstrar que o marxismo acabou porque era uma teoria parva e, mais importante do que tudo, porque nunca ninguém percebeu bem o que significava. A experiência epistolar de Lopes e Saraiva deixa assim claro que a minha confusão liceal em torno do conceito de "super-estrutura" representou, afinal, um grande sinal de lucidez e perspicácia. Viveu um gajo anos nesta angústia...

