sábado, julho 16, 2005
Escutas do Núcleo
Ó Hilda, mete os miúdos na barraca, que isto vai dar porrada não tarda nada!
Ó Hilda, mete os miúdos na barraca, que isto vai dar porrada não tarda nada!
sexta-feira, julho 08, 2005
Índex: Quintos Beatles
Stu Sutcliffe

Era pintor, vendeu um quadro, e o Lennon convenceu-o a usar o dinheiro para comprar uma guitarra-baixo e ir para Hamburgo tocar na banda dele. Era um baixista à Sid Vicious - não sabia tocar, mas tinha muita pinta a fingir que tocava. Morreu novo, em 62, como convém a uma rock star. 3+
Pete Best

Foi o primeiro baterista. Qualificações: era o único dos Beatles que tinha dinheiro para comprar uma bateria. Parece que ainda emprestou uns cobres ao Lennon. Foi sumariamente corrido por incompetência. Não se sabe se o Lennon lhe devolveu o dinheiro. Incompetência? Quer dizer que ainda era pior que o Ringo? 2
George Martin

Era o produtor dos Beatles. Ganha pontos por ter sido o produtor mais importante da história do rock e, dizia ele próprio, não gostar de música rock. E ganha mais pontos ainda por ser um Sir. Sir George Martin. Um dia gostava de ser Sir. Sir Tiberius. Soa bem. 3+
Brian Epstein

Aparentemente, foi o Epstein que apresentou o Lennon e o McCartney ao LSD. Ou talvez tenha sido o contrário. Enfim, o Epstein morreu novo, de overdose, o que dá sempre pontos na escala de rock star, mesmo para um tipo que era só manager. E inventou o nome da label dos Beatles, Apple Records, que é um nome giro. 3
Phil Spector

Depois dos primeiros quatro quintos Beatles, há uma série de marmelos com pretensões à coisa - da Yoko ao Eric Clapton passando por músicos de estúdio, roadies, etc. Esses não interessam nada. O que interessa é o Phil Spector. Ele produziu o "Let it Be" em vez do George Martin. Tinha fama de ser um génio, produziu álbuns de toda a gente nos anos 60. Mas era mais maluco que um cão com cinco patas. Durante as gravações do "Let it Be", parece que puxou duma pistola contra o Ringo, ameaçou bater no McCartney, e consumiu mais drogas que o Lennon. Não há-de ter sido por coincidência que os Beatles acabaram logo a seguir. 4
Stu Sutcliffe

Era pintor, vendeu um quadro, e o Lennon convenceu-o a usar o dinheiro para comprar uma guitarra-baixo e ir para Hamburgo tocar na banda dele. Era um baixista à Sid Vicious - não sabia tocar, mas tinha muita pinta a fingir que tocava. Morreu novo, em 62, como convém a uma rock star. 3+
Pete Best

Foi o primeiro baterista. Qualificações: era o único dos Beatles que tinha dinheiro para comprar uma bateria. Parece que ainda emprestou uns cobres ao Lennon. Foi sumariamente corrido por incompetência. Não se sabe se o Lennon lhe devolveu o dinheiro. Incompetência? Quer dizer que ainda era pior que o Ringo? 2
George Martin

Era o produtor dos Beatles. Ganha pontos por ter sido o produtor mais importante da história do rock e, dizia ele próprio, não gostar de música rock. E ganha mais pontos ainda por ser um Sir. Sir George Martin. Um dia gostava de ser Sir. Sir Tiberius. Soa bem. 3+
Brian Epstein

Aparentemente, foi o Epstein que apresentou o Lennon e o McCartney ao LSD. Ou talvez tenha sido o contrário. Enfim, o Epstein morreu novo, de overdose, o que dá sempre pontos na escala de rock star, mesmo para um tipo que era só manager. E inventou o nome da label dos Beatles, Apple Records, que é um nome giro. 3
Phil Spector

Depois dos primeiros quatro quintos Beatles, há uma série de marmelos com pretensões à coisa - da Yoko ao Eric Clapton passando por músicos de estúdio, roadies, etc. Esses não interessam nada. O que interessa é o Phil Spector. Ele produziu o "Let it Be" em vez do George Martin. Tinha fama de ser um génio, produziu álbuns de toda a gente nos anos 60. Mas era mais maluco que um cão com cinco patas. Durante as gravações do "Let it Be", parece que puxou duma pistola contra o Ringo, ameaçou bater no McCartney, e consumiu mais drogas que o Lennon. Não há-de ter sido por coincidência que os Beatles acabaram logo a seguir. 4
Público e Bernardo Sasseti
Por apenas 6,5 euros é possível comprar do melhor jazz que há. A colecção que o PÚBLICO está a distribuir com o jornal, à quinta-feira, é excelente a todas os níveis, com uma edição cuidada e gravações (algumas muito antigas) bem remasterizadas, ao contrário do que costuma acontecer com colectâneas baratas. O disco dedicado ao piano continha ainda uma agradável surpresa: um texto de Bernardo Sasseti admirável sobre a sua relação com os "nomes grandes" do instrumento, em registo pessoal, apaixonado, e muito bem escrito. Imperdível.
Por apenas 6,5 euros é possível comprar do melhor jazz que há. A colecção que o PÚBLICO está a distribuir com o jornal, à quinta-feira, é excelente a todas os níveis, com uma edição cuidada e gravações (algumas muito antigas) bem remasterizadas, ao contrário do que costuma acontecer com colectâneas baratas. O disco dedicado ao piano continha ainda uma agradável surpresa: um texto de Bernardo Sasseti admirável sobre a sua relação com os "nomes grandes" do instrumento, em registo pessoal, apaixonado, e muito bem escrito. Imperdível.
quarta-feira, julho 06, 2005
terça-feira, julho 05, 2005
O Índex do Núcleo
Um dos meus sites favoritos era o Book of Ratings, onde um tipo chamado Sjöberg fazia classificações avulsas de tudo o que lhe passasse na cabeça, desde os poderes do Homem Aranha a sabores de gelado.
É uma ideia muito pós-moderna, de que tudo é quantificável e tudo é sujeito a uma classificação do tipo das estrelinhas dos críticos de cinema. E como ainda por cima o Sjõberg é um sujeito cheio de piada, aquilo tinha muito graça. Até deu um livro.
Enfim, o Sjöberg fartou-se, e agora já não faz mais ratings. Para compensar essa grave lacuna na Internet, o Núcleo resolveuplagiar indecentemente a ideia do gajo inspirar-se no exemplo do Sjöberg e iniciar o seu próprio book of ratings.
Mas chamando-lhe Índex o que, como toda a gente sabe, especialmente os senhores da Porto Editora, significa ponto de referência, deslocável, que indica a leitura a fazer numa escala de certos aparelhos ou instrumentos de medida. A escala é de 0 a 5.
Índex: moedas do euro
França

Uma árvore, que simboliza "vida, crescimento, continuidade", com o "liberté, fraternité, egalité" lá pespegado. É feiosa. As moedas de 50 cêntimos para baixo são muito superiores: nessas, os franceses metem a Marianne, ora a semear os campos ora com uma cara muito zangada mas muito laroca.
3-
Portugal

Eu não queria ser negativo, mas porque é que as nossas moedas têm de ser tão feias? Uma mistelada de castelos e rosas dos ventos e esferas armilares, que simbolizam, claro, o "diálogo", a "troca de valores", a "construção da Europa". O único ponto bom é que o nome do país está escrito numa letra muito miudinha, e ainda por cima num script circular, de maneira que a maior parte dos europeus nem se vai aperceber de quem é o culpado por esta coisa pavorosa.
2-
Irlanda

A imagem é a harpa céltica. Claro que o europeu comum só sabe que aquilo é a harpa céltica se alguém o avisar. Um tipo fica a olhar para aquilo e a pensar porque é que os irlandeses metem uma lira nas moedas. Será uma homenagem aos U2? Ao Van Morrison? Ao Johnny Logan? Provavelmente também tem a ver com "vida", "continuidade" ou "diálogo".
2
Alemanha

Ah, a eficiência alemã. Aqui não vida nem diálogo nem troca de valores. Há uma águia alemã e pronto. É simples e é bonito. Não é sequer preciso ter lá escrito em lado nenhum "Deutschland" - percebe-se logo de onde a moeda é. E ter um euro alemão, não sei porquê, dá a impressão que se pode ter mais confiança na moeda do que se fosse, por exemplo, um euro italiano ou um euro grego.
4+
Vaticano

Sim, há euros do Vaticano. Não me perguntem porquê. São, como convém, moedas simples: mete-se a cara do Papa e já está. Perde alguns pontos por ainda não ter lá a cara do Rotweiller de Deus. Ganha alguns pontos porque a ideia de usar moedas com a cara do Santo Padre em jogos de azar tem a sua graça.
4
Um dos meus sites favoritos era o Book of Ratings, onde um tipo chamado Sjöberg fazia classificações avulsas de tudo o que lhe passasse na cabeça, desde os poderes do Homem Aranha a sabores de gelado.
É uma ideia muito pós-moderna, de que tudo é quantificável e tudo é sujeito a uma classificação do tipo das estrelinhas dos críticos de cinema. E como ainda por cima o Sjõberg é um sujeito cheio de piada, aquilo tinha muito graça. Até deu um livro.
Enfim, o Sjöberg fartou-se, e agora já não faz mais ratings. Para compensar essa grave lacuna na Internet, o Núcleo resolveu
Mas chamando-lhe Índex o que, como toda a gente sabe, especialmente os senhores da Porto Editora, significa ponto de referência, deslocável, que indica a leitura a fazer numa escala de certos aparelhos ou instrumentos de medida. A escala é de 0 a 5.
Índex: moedas do euro
França

Uma árvore, que simboliza "vida, crescimento, continuidade", com o "liberté, fraternité, egalité" lá pespegado. É feiosa. As moedas de 50 cêntimos para baixo são muito superiores: nessas, os franceses metem a Marianne, ora a semear os campos ora com uma cara muito zangada mas muito laroca.
3-
Portugal

Eu não queria ser negativo, mas porque é que as nossas moedas têm de ser tão feias? Uma mistelada de castelos e rosas dos ventos e esferas armilares, que simbolizam, claro, o "diálogo", a "troca de valores", a "construção da Europa". O único ponto bom é que o nome do país está escrito numa letra muito miudinha, e ainda por cima num script circular, de maneira que a maior parte dos europeus nem se vai aperceber de quem é o culpado por esta coisa pavorosa.
2-
Irlanda

A imagem é a harpa céltica. Claro que o europeu comum só sabe que aquilo é a harpa céltica se alguém o avisar. Um tipo fica a olhar para aquilo e a pensar porque é que os irlandeses metem uma lira nas moedas. Será uma homenagem aos U2? Ao Van Morrison? Ao Johnny Logan? Provavelmente também tem a ver com "vida", "continuidade" ou "diálogo".
2
Alemanha

Ah, a eficiência alemã. Aqui não vida nem diálogo nem troca de valores. Há uma águia alemã e pronto. É simples e é bonito. Não é sequer preciso ter lá escrito em lado nenhum "Deutschland" - percebe-se logo de onde a moeda é. E ter um euro alemão, não sei porquê, dá a impressão que se pode ter mais confiança na moeda do que se fosse, por exemplo, um euro italiano ou um euro grego.
4+
Vaticano

Sim, há euros do Vaticano. Não me perguntem porquê. São, como convém, moedas simples: mete-se a cara do Papa e já está. Perde alguns pontos por ainda não ter lá a cara do Rotweiller de Deus. Ganha alguns pontos porque a ideia de usar moedas com a cara do Santo Padre em jogos de azar tem a sua graça.
4
domingo, julho 03, 2005
Chega de anonimato
Num dado momento da história deste blog (ver arquivos), em que o potencial sucesso do Núcleo Duro ameaçava tornar as nossas vidas um inferno de assédio paparazzi, os membros dos membros do grupo resolveram recorrer ao anonimato por forma a manter intactas as suas vidas privadas. Foi então que surgiram os nomes Vostradeis, Ernesto, DJ Carcaça, Zizou, Tiberius e El Cablogue.
Passada uma certa euforia criada em torno do nosso blog, e porque sinto uma certa falta das miúdas a pedirem-me autógrafos, resolvi ir aos poucos revelando aqui o mistério de Vostradeis. Começo então com um retrato, que as ajudará a reconhecerem-me na rua, e que foi construído com recurso a uma ferramenta informática disponibilizada gratuitamente neste site. Se continuar a ser ignorado pela grande massa anónima, revelarei em breve o meu número de telemóvel.
Então aqui vai. Este é o Vostradeis:
Num dado momento da história deste blog (ver arquivos), em que o potencial sucesso do Núcleo Duro ameaçava tornar as nossas vidas um inferno de assédio paparazzi, os membros dos membros do grupo resolveram recorrer ao anonimato por forma a manter intactas as suas vidas privadas. Foi então que surgiram os nomes Vostradeis, Ernesto, DJ Carcaça, Zizou, Tiberius e El Cablogue.
Passada uma certa euforia criada em torno do nosso blog, e porque sinto uma certa falta das miúdas a pedirem-me autógrafos, resolvi ir aos poucos revelando aqui o mistério de Vostradeis. Começo então com um retrato, que as ajudará a reconhecerem-me na rua, e que foi construído com recurso a uma ferramenta informática disponibilizada gratuitamente neste site. Se continuar a ser ignorado pela grande massa anónima, revelarei em breve o meu número de telemóvel.
Então aqui vai. Este é o Vostradeis:
quinta-feira, junho 23, 2005
World Press Photo - o melhor (2)

1º Prémio Assuntos Contemporâneos - Michael Wolf, Alemanha, Laif Fotos, Reportagem para a Stern; Operários de uma fábrica de aparelhos de ar condicionado chinesa ouvem o hino da empresa antes de começarem a trabalhar

1ºPrémio Natureza, Carsten Peter, Alemanha, National Geographic; Um tornado nos EUA

David Robert Swanson, EUA, The Philaldelphia Inquirer; Soldado norte-americano no Iraque

2ºPrémio Retratos, Nina Berman, USA, Time e Mother Jones; Soldados amnericanos feridos gravemente no Iraque

3ºPrémio Retratos, Isabel Muñóz, Espanha, Agence Vu para o El País Semanal; A tribo Suri da Etiópia. Os suri são semi-nómadas. Os homens costumam andar nus e ambos os sexos rapam as cabeças. As pinturas corporais são um modo de expressão estética e servem também para atrair o sexo oposto e intimidar adversários.
Gostei também muito de uma foto do americano Christopher Morris para a Time, que mostrava um comício do Bush num grande pavilhão dividido ao meio por uma cortina. Os apoiantes atafulhados a um dos cantos (para parecerem muitos) e o resto do pavilhão vazio, à excepção de umas limusinas pretas e de alguns "men in black". Do portfólio de Morris, apenas consegui pescar esta, também patente na exposição;

1º Prémio Assuntos Contemporâneos - Michael Wolf, Alemanha, Laif Fotos, Reportagem para a Stern; Operários de uma fábrica de aparelhos de ar condicionado chinesa ouvem o hino da empresa antes de começarem a trabalhar

1ºPrémio Natureza, Carsten Peter, Alemanha, National Geographic; Um tornado nos EUA

David Robert Swanson, EUA, The Philaldelphia Inquirer; Soldado norte-americano no Iraque

2ºPrémio Retratos, Nina Berman, USA, Time e Mother Jones; Soldados amnericanos feridos gravemente no Iraque

3ºPrémio Retratos, Isabel Muñóz, Espanha, Agence Vu para o El País Semanal; A tribo Suri da Etiópia. Os suri são semi-nómadas. Os homens costumam andar nus e ambos os sexos rapam as cabeças. As pinturas corporais são um modo de expressão estética e servem também para atrair o sexo oposto e intimidar adversários.
Gostei também muito de uma foto do americano Christopher Morris para a Time, que mostrava um comício do Bush num grande pavilhão dividido ao meio por uma cortina. Os apoiantes atafulhados a um dos cantos (para parecerem muitos) e o resto do pavilhão vazio, à excepção de umas limusinas pretas e de alguns "men in black". Do portfólio de Morris, apenas consegui pescar esta, também patente na exposição;
Prémio eu sei que é preciso encher páginas mas também não é necessário escrever barbaridades
"Uma das explicações para o facto de muitos automobilistas terem revestido bancos dianteiros dos carros com o material fluorescente pode ser apenas de ordem prática, já que, no caso de ser preciso vestir o colete antes de sair do automóvel, o equipamento está mais à mão do que se estivesse guardado no porta-bagagens."
Público de hoje
"Uma das explicações para o facto de muitos automobilistas terem revestido bancos dianteiros dos carros com o material fluorescente pode ser apenas de ordem prática, já que, no caso de ser preciso vestir o colete antes de sair do automóvel, o equipamento está mais à mão do que se estivesse guardado no porta-bagagens."
Público de hoje
segunda-feira, junho 20, 2005
A culpa foi da osteoporose
Está provado. Portugal é o país da treta que é por causa da osteoporose. Apenas e só por causa desta doença é que Portugal não tem um superavit em vez de um défice, salários bons em vez de miseráveis e o Casillas na baliza em vez do Ricardo.
Esta é a principal conclusão de uns estudos quaisqueres de uma qualquer instituição que faz estudos em Portugal. Tipo universidade, mas pode ser apenas um gabinete de estudos, não garanto.
Segundo esses ditos estudiosos, foi feita a exumação do corpo do Miguel de Vasconcelos, concluindo que ele sofria da dita doença dos ossinhos. Que, como todos sabem, fragiliza a estrutura dos ossos e o camandro, tornando-os mais quebradiços, tipo os joelhos do Venâncio ou do Mantorras.
Ora, se o homem (o Vasconcelos não o Mantorras, acalma-te Ernesto, que o vosso avançado angolano ainda pode ser o ex-futuro Eusébio de Benguela) não tivesse morrido da queda da varanda, poderia ter liderado o contra-golpe de 1640. E permaneceríamos todos espanhóis.
Sim, porque em 1640 foi um golpe palaciano que colocou fora de Portugal o nosso mui querido Filipe III, IV para os nuestros hermanos. Uma coisa tipo 25 de Abril de 1974 mas sem os cravos, as chaimites, a Maria de Medeiros e o Vasco Gonçalves (cuja música é um ícone português para os anais da história das artes).
Caso o Vasconcelos tivesse podido liderar o contra-golpe, ainda éramos espanhóis, a nossa selecção seria o Brasil da Europa de facto e não apenas por causa dos dribles idiotas do Dominguez. Teríamos tido a nossa história autonómica própria, como sucede com os Catalães e os Bascos e até poderíamos ter um grupelho separatista como a ETA ou o BNG, mas estaríamos (incomparavelmente) melhor do que estamos agora.
O salário médio de um jornalista em Espanha é 6 mil euros e as gajas não sabem o que é essa coisa de namorar: ou pinam e casam ou só pinam. O que acaba por ser uma vantagem. O problema é que elas se pintam demais e isso, reconheço, é chato porque qualquer beijo mais pronunciado corre o risco de causar fissuras e obrigar à recolocação de estuque.
Outra vantagem é que o Porto deixava de chatear os lisboetas sobre o facto de ser prejudicado no investimento, limitando-se a disputar com Ourense ou Vigo o estatuto de ayuntamento.
Finalmente, não teria que ter espanhol como língua estrangeira na universidade, cuja nota (dez nos dois anos) me diminuiu em muito a média geral do curso.
Como se percebe é só vantagens
Está provado. Portugal é o país da treta que é por causa da osteoporose. Apenas e só por causa desta doença é que Portugal não tem um superavit em vez de um défice, salários bons em vez de miseráveis e o Casillas na baliza em vez do Ricardo.
Esta é a principal conclusão de uns estudos quaisqueres de uma qualquer instituição que faz estudos em Portugal. Tipo universidade, mas pode ser apenas um gabinete de estudos, não garanto.
Segundo esses ditos estudiosos, foi feita a exumação do corpo do Miguel de Vasconcelos, concluindo que ele sofria da dita doença dos ossinhos. Que, como todos sabem, fragiliza a estrutura dos ossos e o camandro, tornando-os mais quebradiços, tipo os joelhos do Venâncio ou do Mantorras.
Ora, se o homem (o Vasconcelos não o Mantorras, acalma-te Ernesto, que o vosso avançado angolano ainda pode ser o ex-futuro Eusébio de Benguela) não tivesse morrido da queda da varanda, poderia ter liderado o contra-golpe de 1640. E permaneceríamos todos espanhóis.
Sim, porque em 1640 foi um golpe palaciano que colocou fora de Portugal o nosso mui querido Filipe III, IV para os nuestros hermanos. Uma coisa tipo 25 de Abril de 1974 mas sem os cravos, as chaimites, a Maria de Medeiros e o Vasco Gonçalves (cuja música é um ícone português para os anais da história das artes).
Caso o Vasconcelos tivesse podido liderar o contra-golpe, ainda éramos espanhóis, a nossa selecção seria o Brasil da Europa de facto e não apenas por causa dos dribles idiotas do Dominguez. Teríamos tido a nossa história autonómica própria, como sucede com os Catalães e os Bascos e até poderíamos ter um grupelho separatista como a ETA ou o BNG, mas estaríamos (incomparavelmente) melhor do que estamos agora.
O salário médio de um jornalista em Espanha é 6 mil euros e as gajas não sabem o que é essa coisa de namorar: ou pinam e casam ou só pinam. O que acaba por ser uma vantagem. O problema é que elas se pintam demais e isso, reconheço, é chato porque qualquer beijo mais pronunciado corre o risco de causar fissuras e obrigar à recolocação de estuque.
Outra vantagem é que o Porto deixava de chatear os lisboetas sobre o facto de ser prejudicado no investimento, limitando-se a disputar com Ourense ou Vigo o estatuto de ayuntamento.
Finalmente, não teria que ter espanhol como língua estrangeira na universidade, cuja nota (dez nos dois anos) me diminuiu em muito a média geral do curso.
Como se percebe é só vantagens
sexta-feira, junho 17, 2005
É importante, pá...
Ernesto, não estás a alcançar o interesse semântico da questão. É importante saber. Caso seja "de pé ó vítimas da fome", trata-se de uma exortação para que todas as vítimas da dita se ergam. Se for "de pé ou vítimas da fome", como vinha no jornal, trata-se de uma mensagem importante para que todos nos ponhamos de pé. Se não nos pusermos de pé, seremos atingidos pela fome. Ora, ninguém quer ser afectado por tal coisa. Pela minha parte, como se trata de um jornal fidedigno (pois, não é o Avante), vou já pôr-me em sentido.
De qualquer das formas, como foste o único a responder, ganhas tu o par de chiolas. Podes ir buscá-lo ao Auto-Serviço.
E, já agora, feliz aniversário. Bebe um uísquie (marado, não abuses) e põe na minha conta.
Ernesto, não estás a alcançar o interesse semântico da questão. É importante saber. Caso seja "de pé ó vítimas da fome", trata-se de uma exortação para que todas as vítimas da dita se ergam. Se for "de pé ou vítimas da fome", como vinha no jornal, trata-se de uma mensagem importante para que todos nos ponhamos de pé. Se não nos pusermos de pé, seremos atingidos pela fome. Ora, ninguém quer ser afectado por tal coisa. Pela minha parte, como se trata de um jornal fidedigno (pois, não é o Avante), vou já pôr-me em sentido.
De qualquer das formas, como foste o único a responder, ganhas tu o par de chiolas. Podes ir buscá-lo ao Auto-Serviço.
E, já agora, feliz aniversário. Bebe um uísquie (marado, não abuses) e põe na minha conta.
Ó, claro, pá
Ora parece que, afinal, a chafarica está viva. Bem hajam Cablongue e DJ. Dois comentários.
1- Percebo-te Cablongue. Emocionante, muito bonito. Faz-nos falta a tua sensibilidade oscilante entre o camião e a flor do campo. Quando voltas de vez ao nosso leito
2- DJ. Dúvida interessante. Mas que nunca me ocorreu. Se mal me lembro, nessas tertúlias raras de uísque marado cantávamos Ó. Aliás, só o Ó tem sentido, pá. Eu aposto no Ó. De resto, a prosa é boa, qual é a tua...
Ora parece que, afinal, a chafarica está viva. Bem hajam Cablongue e DJ. Dois comentários.
1- Percebo-te Cablongue. Emocionante, muito bonito. Faz-nos falta a tua sensibilidade oscilante entre o camião e a flor do campo. Quando voltas de vez ao nosso leito
2- DJ. Dúvida interessante. Mas que nunca me ocorreu. Se mal me lembro, nessas tertúlias raras de uísque marado cantávamos Ó. Aliás, só o Ó tem sentido, pá. Eu aposto no Ó. De resto, a prosa é boa, qual é a tua...
terça-feira, junho 14, 2005
(Eu sei que isto é raro, mas preciso de escrever... só assim expurgo um mal que me mói desde que ontem - a meio da tarde - soube da morte de um mestre)
As palavras valem o valem. E tu pesaste-as até ao limite, somando cada letra como se cada opção assumida encerrasse o mistério do mundo. Jamais encontrei em ti um verso, uma expressão, um adjectivo ou um fonema que não estivesse casado com o conjunto como um favo na colmeia ou um átomo numa célula viva.
Ensinaste-me a ver a poesia com todos os sentidos do corpo e não apenas com os olhos. A tua poesia não se lia, absorvia-se como quem respira as palavras em cada golfejo de versos. Apreciar a grafia das palavras, as paragens dos versos e o ritmo das vogais eram um desafio agradável em cada releitura da tua obra.
Tu e o Caeiro são a razão do meu gosto pela poesia. Conseguiram condensar as palavras na simplicidade das coisas simples, indo à essência da palavra pureza. Se o Caeiro não conheci vivo e, por isso, posso duvidar da sua existência (ou da criação de outro homem), a tua vidaé a prova de que o homem está na terra com um objectivo estético mais vasto do que coroar estatísticas. A tua existência prova que a língua pode ser sempre reinventada e redescoberta como se as palavras fossem apenas puzzles que podemos compor das mais variadas maneiras.
Se há perfeição nas palavras tu conseguiste-as. Só tu conseguiste definir sentimentos em imagens construídas com palavras sem nunca os nomear.
Quem me dera ser de novo criança e olhar para os teus poemas com os olhos de espanto de quem descobre o mundo pela primeira vez. Com a alma limpa, poderia saborear as tuas palavras e mexer nas tuas letras como se de plasticina se tratassem. E, misturando as cores, ficaria o castanho de terra, da mistura de todas as coisas dizíveis e indizíveis com que desenhastes os meus sonhos. Tu e Sophia que também partiu.
Vi-te por duas ocasiões, sempre de longe, e nunca te quis conhecer pessoalmente. A bonomia e simplicidade destrinçada em cada sorriso teu era o suficiente para quem, como eu, sente que está a quilómetros de distância de qualquer coisa que seja parecida com a sombra das sobras daquilo que escreveste. Depois de ti, fica um deserto que todos teremos de povoar mas sempre com o sentido de que o primeiro descobridor foste tu.
Um abraço
PS1: Irrita-me terem dado dias de luto nacional a gajos que nada me dizem (mas que respeito, no entanto). E ninguém fala sequer em ti, como nem ligaram à Sophia. Porque será que os políticos se esquecem que mais importante que os partidos, os países, as fronteiras ou as nações são os sentimentos? E tu cantaste-os como ninguém.
PS2: Finalmente: dois dos teus poemas que mais me marcaram. E que, ainda agora, me humedecem a alma.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
+++++
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
ao fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esquecerei de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...
Boa noite. Eu vou com as aves!
As palavras valem o valem. E tu pesaste-as até ao limite, somando cada letra como se cada opção assumida encerrasse o mistério do mundo. Jamais encontrei em ti um verso, uma expressão, um adjectivo ou um fonema que não estivesse casado com o conjunto como um favo na colmeia ou um átomo numa célula viva.
Ensinaste-me a ver a poesia com todos os sentidos do corpo e não apenas com os olhos. A tua poesia não se lia, absorvia-se como quem respira as palavras em cada golfejo de versos. Apreciar a grafia das palavras, as paragens dos versos e o ritmo das vogais eram um desafio agradável em cada releitura da tua obra.
Tu e o Caeiro são a razão do meu gosto pela poesia. Conseguiram condensar as palavras na simplicidade das coisas simples, indo à essência da palavra pureza. Se o Caeiro não conheci vivo e, por isso, posso duvidar da sua existência (ou da criação de outro homem), a tua vidaé a prova de que o homem está na terra com um objectivo estético mais vasto do que coroar estatísticas. A tua existência prova que a língua pode ser sempre reinventada e redescoberta como se as palavras fossem apenas puzzles que podemos compor das mais variadas maneiras.
Se há perfeição nas palavras tu conseguiste-as. Só tu conseguiste definir sentimentos em imagens construídas com palavras sem nunca os nomear.
Quem me dera ser de novo criança e olhar para os teus poemas com os olhos de espanto de quem descobre o mundo pela primeira vez. Com a alma limpa, poderia saborear as tuas palavras e mexer nas tuas letras como se de plasticina se tratassem. E, misturando as cores, ficaria o castanho de terra, da mistura de todas as coisas dizíveis e indizíveis com que desenhastes os meus sonhos. Tu e Sophia que também partiu.
Vi-te por duas ocasiões, sempre de longe, e nunca te quis conhecer pessoalmente. A bonomia e simplicidade destrinçada em cada sorriso teu era o suficiente para quem, como eu, sente que está a quilómetros de distância de qualquer coisa que seja parecida com a sombra das sobras daquilo que escreveste. Depois de ti, fica um deserto que todos teremos de povoar mas sempre com o sentido de que o primeiro descobridor foste tu.
Um abraço
PS1: Irrita-me terem dado dias de luto nacional a gajos que nada me dizem (mas que respeito, no entanto). E ninguém fala sequer em ti, como nem ligaram à Sophia. Porque será que os políticos se esquecem que mais importante que os partidos, os países, as fronteiras ou as nações são os sentimentos? E tu cantaste-os como ninguém.
PS2: Finalmente: dois dos teus poemas que mais me marcaram. E que, ainda agora, me humedecem a alma.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
+++++
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
ao fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esquecerei de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...
Boa noite. Eu vou com as aves!
domingo, junho 12, 2005
Secção 'O Meu Pai Andava em Viagem'
O irmão de Peseiro
Inspirado pela recente homenagem de Alberto João Jardim aos jornalistas do continente, o Núcleo Duro tem a honra (e a cara-de-pau) de apresentar uma nova secção de reencontros familiares. Um espaço que ajuda celebridades a descobrirem irmãos bastardos espalhados pelo mundo. A abrir, o treinador do Sporting encontra um mano em Espanha, a trabalhar duro nas obras-primas de Pedro Almodóvar.

José Peseiro, estratega português

Javier Cámara, actor espanhol
O irmão de Peseiro
Inspirado pela recente homenagem de Alberto João Jardim aos jornalistas do continente, o Núcleo Duro tem a honra (e a cara-de-pau) de apresentar uma nova secção de reencontros familiares. Um espaço que ajuda celebridades a descobrirem irmãos bastardos espalhados pelo mundo. A abrir, o treinador do Sporting encontra um mano em Espanha, a trabalhar duro nas obras-primas de Pedro Almodóvar.
José Peseiro, estratega português

Javier Cámara, actor espanhol
sexta-feira, junho 10, 2005
Secção Alguns Bastardos
Democracia a sério é no Parlamento da Madeira. Citações de um recente debate, a propósito da já célebre citação do presidente do governo regional sobre "alguns bastardos no continente, para não lhes chamar filhos da puta, que decidiram desabafar o ódio":
<<
"A Assembleia Legislativa da Madeira congratula-se com o modo, mais uma vez firme, como o presidente do Governo Regional denunciou comportamentos na comunicação social de Lisboa, os quais atentam contra os direitos, liberdades e garantias dos portugueses", lê-se no voto de congratulação aprovado pela maioria PSD.
O voto condena ainda que "meios socialistas locais alinhem com os que sistematicamente insultam a autonomia política do povo madeirense".
>>
<<
Enquanto Bernardo Martins (PS) se limitou a condenar o «défice de educação» do governante, já José Manuel Rodrigues (PP) classificou o presidente do Governo Regional como um «filho ilegítimo da Democracia portuguesa», logo um «bastardo», que ataca os jornalistas com processos em tribunal mas que quando é alvo de tais processos pede «ao Conselho de Estado que não lhe levante a imunidade com medo de sentar o "rabichol" no tribunal».
>>
<<
Leonel Nunes (CDU) foi mais longe, ao afirmar que «saltava para as ventas» de quem lhe dirigisse os epítetos utilizados por Jardim, os quais «são tiques de um velho ditador fascista» e que «só podem ser justificados com uma saúde mental extremamente débil ou fruto dos efeitos de um qualquer Johnnie Walker falsificado». Roberto Almada (BE) tem opinião semelhante: «Há muito tempo que precisa de tratamento psiquiátrico porque já não está bem dos parafusos».
>>
<<
Depois da salva de palmas de um minuto em apoio a Alberto João Jardim, o presidente do CDS/PP-M, José Manuel Rodrigues, sugeriu que o voto fosse enviado não à Quinta Vigia (sede da presidência do Governo Regional), "mas para a Coreia do Norte".
>>
O Núcleo regista contudo com preocupação que a imprensa cubana e bastarda do Continente não regista quaisquer declarações do deputado no Parlamento da Madeira cujo nome nós mais gostamos de ouvir: José COITO PITTA.
Democracia a sério é no Parlamento da Madeira. Citações de um recente debate, a propósito da já célebre citação do presidente do governo regional sobre "alguns bastardos no continente, para não lhes chamar filhos da puta, que decidiram desabafar o ódio":
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"A Assembleia Legislativa da Madeira congratula-se com o modo, mais uma vez firme, como o presidente do Governo Regional denunciou comportamentos na comunicação social de Lisboa, os quais atentam contra os direitos, liberdades e garantias dos portugueses", lê-se no voto de congratulação aprovado pela maioria PSD.
O voto condena ainda que "meios socialistas locais alinhem com os que sistematicamente insultam a autonomia política do povo madeirense".
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Enquanto Bernardo Martins (PS) se limitou a condenar o «défice de educação» do governante, já José Manuel Rodrigues (PP) classificou o presidente do Governo Regional como um «filho ilegítimo da Democracia portuguesa», logo um «bastardo», que ataca os jornalistas com processos em tribunal mas que quando é alvo de tais processos pede «ao Conselho de Estado que não lhe levante a imunidade com medo de sentar o "rabichol" no tribunal».
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Leonel Nunes (CDU) foi mais longe, ao afirmar que «saltava para as ventas» de quem lhe dirigisse os epítetos utilizados por Jardim, os quais «são tiques de um velho ditador fascista» e que «só podem ser justificados com uma saúde mental extremamente débil ou fruto dos efeitos de um qualquer Johnnie Walker falsificado». Roberto Almada (BE) tem opinião semelhante: «Há muito tempo que precisa de tratamento psiquiátrico porque já não está bem dos parafusos».
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Depois da salva de palmas de um minuto em apoio a Alberto João Jardim, o presidente do CDS/PP-M, José Manuel Rodrigues, sugeriu que o voto fosse enviado não à Quinta Vigia (sede da presidência do Governo Regional), "mas para a Coreia do Norte".
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O Núcleo regista contudo com preocupação que a imprensa cubana e bastarda do Continente não regista quaisquer declarações do deputado no Parlamento da Madeira cujo nome nós mais gostamos de ouvir: José COITO PITTA.
quarta-feira, junho 08, 2005
As melhores do World Press Photo 2005 - Desporto
Este ano pude ver os prémios da World Press Photo mais cedo e num cenário diferente do que o costumeiro Centro Cultural de Belém. Foi na bela Igreja Velha de Amesterdão, o lugar onde a mostra costuma ser exibida antes de partir para outros pontos do mundo (a WPF é de origem holandesa e comemora em 2005 os 50 anos). Aqui ficam algumas das fotos de que gostei mais, divididas por géneros. Em geral, concordei com as escolhas do júri:

1ºPrémio Sports Action Singles - Bob Martin, United Kingdom, Sports Illustrated, 200m Estilo Livre nos Jogos Paraolímpicos

2º Prémio Sports Action Stories - Donald Miralle Jr, USA, Getty Images, Jogos Olímpicos de Atenas

1º Prémio Sports News Stories, David Burnett, USA, Contact Press Images para a Time Magazine, Portfólio dos Jogos Olímpicos de Atenas

1º Prémio Sports Features Stories - Daniel Silva Yoshisato, Perú, Agence France-Presse, Equipa de futebol feminino de Churubamba

1ºPrémio Sports Action Singles, Adam Pretty, Australia, Getty Images, 200 metros livres dos Jogos Olímpicos de Atenas
Este ano pude ver os prémios da World Press Photo mais cedo e num cenário diferente do que o costumeiro Centro Cultural de Belém. Foi na bela Igreja Velha de Amesterdão, o lugar onde a mostra costuma ser exibida antes de partir para outros pontos do mundo (a WPF é de origem holandesa e comemora em 2005 os 50 anos). Aqui ficam algumas das fotos de que gostei mais, divididas por géneros. Em geral, concordei com as escolhas do júri:

1ºPrémio Sports Action Singles - Bob Martin, United Kingdom, Sports Illustrated, 200m Estilo Livre nos Jogos Paraolímpicos

2º Prémio Sports Action Stories - Donald Miralle Jr, USA, Getty Images, Jogos Olímpicos de Atenas

1º Prémio Sports News Stories, David Burnett, USA, Contact Press Images para a Time Magazine, Portfólio dos Jogos Olímpicos de Atenas

1º Prémio Sports Features Stories - Daniel Silva Yoshisato, Perú, Agence France-Presse, Equipa de futebol feminino de Churubamba

1ºPrémio Sports Action Singles, Adam Pretty, Australia, Getty Images, 200 metros livres dos Jogos Olímpicos de Atenas
sábado, junho 04, 2005
Um Salazar, mas um Salazar hot
You scored as Hot. You are Hot, you scream and are wild, people love doing anything sexual with you.
What is your sexual style? created with QuizFarm.com |
Um Salazar, é o que eu sou
You scored as Romanticist. Romanticism encourages society to look backwards to find our solutions. Your rationale is that things were much better a few hundred years ago so we should thus look back to those times and replace them in our modern society. You believe in a simple life and that the complexities of the modern world have turned it upside down.
What is Your World View? (updated) created with QuizFarm.com |
sexta-feira, junho 03, 2005
Os gajos do Google que nos contactem
Esse teste era giro. O meu deu isto:
Por falar em trotskistas-leninistas (trazidos abstrusamente à baila pelo Tiberius para se referir à minha pessoa), tenho andado a ler a imprensa inimiga e descobri aquilo que já sabia: que nós, jornalistas da imprensa escrita, estamos lixados:
"(...) newspapers worldwide have been - and seem destined to keep on - losing readers, and with them advertising revenue. In 1995 - 2003, says the World Association of Newspapers, circulation feel by 5% in America, 3% in Europe and 2% in Japan. In the 1960s, four out of five Americans read a paper every day; today only half do so. Philip Meyer, author of "The Vanishing Newspaper: Saving Journalism in Information Age" (University of Missouri Press), says that if the trend continues, the last newspaper reader will recycle his final paper copy in April 2040."
Por outro lado, meus amigos, há uma saída e a saída é aqui! Ficamos à espera que o Google nos contacte. LOL
"With so many new kinds of journalists joining the old kinds, it is also likely that new business models will arise to chalenge existing ones. Some bloggers are alowing Google to place advertising links next to their postings, and thus get paid every time a reader of their blog clicks on them. [já estou a ver o teaser que vamos pôr aqui no ND: 'Carrega aqui e vês gajas BOAS...BOASBOASBOAS']Other bloggers, just like existing providers of specialist content, may ask for subscriptions to all, or part, of their content. [também é uma hipótese aqui... há gajos que pagariam para ler as reflexões do Ernesto sobre a paternidade] Tip-jar systems, where readers click to make small payments to their favourite writers, are catching on. In one case last year, an OhmyNews article attacking an unpopular court veredict reaped $30.000 in tips from readers, though most of the sites revenues come from advertising." [se optarmos por este método do 'favourite writer', aviso já que só eu e o ElCablogue ganharemos carcanhol]
Esse teste era giro. O meu deu isto:
You scored as Cultural Creative. Cultural Creatives are probably the newest group to enter this realm. You are a modern thinker who tends to shy away from organized religion but still feels as if there is something greater than ourselves. You are very spiritual, even if you are not religious. Life has a meaning outside of the rational.
What is Your World View? (updated) created with QuizFarm.com |
Por falar em trotskistas-leninistas (trazidos abstrusamente à baila pelo Tiberius para se referir à minha pessoa), tenho andado a ler a imprensa inimiga e descobri aquilo que já sabia: que nós, jornalistas da imprensa escrita, estamos lixados:
"(...) newspapers worldwide have been - and seem destined to keep on - losing readers, and with them advertising revenue. In 1995 - 2003, says the World Association of Newspapers, circulation feel by 5% in America, 3% in Europe and 2% in Japan. In the 1960s, four out of five Americans read a paper every day; today only half do so. Philip Meyer, author of "The Vanishing Newspaper: Saving Journalism in Information Age" (University of Missouri Press), says that if the trend continues, the last newspaper reader will recycle his final paper copy in April 2040."
Por outro lado, meus amigos, há uma saída e a saída é aqui! Ficamos à espera que o Google nos contacte. LOL
"With so many new kinds of journalists joining the old kinds, it is also likely that new business models will arise to chalenge existing ones. Some bloggers are alowing Google to place advertising links next to their postings, and thus get paid every time a reader of their blog clicks on them. [já estou a ver o teaser que vamos pôr aqui no ND: 'Carrega aqui e vês gajas BOAS...BOASBOASBOAS']Other bloggers, just like existing providers of specialist content, may ask for subscriptions to all, or part, of their content. [também é uma hipótese aqui... há gajos que pagariam para ler as reflexões do Ernesto sobre a paternidade] Tip-jar systems, where readers click to make small payments to their favourite writers, are catching on. In one case last year, an OhmyNews article attacking an unpopular court veredict reaped $30.000 in tips from readers, though most of the sites revenues come from advertising." [se optarmos por este método do 'favourite writer', aviso já que só eu e o ElCablogue ganharemos carcanhol]
E prometo que esta é definitivamente a última vez que eu meto poesia neste blog
Não sei porquê, a escrever o post do teste idiota aqui abaixo lembrei-me de um poema do Walt Whitman, que é muito grande e um bocado chato, mas tem uns versos de que eu gosto muito:
Do I contradict myself?
Very well then I contradict myself,
(I am large, I contain multitudes.)
Não sei porquê, a escrever o post do teste idiota aqui abaixo lembrei-me de um poema do Walt Whitman, que é muito grande e um bocado chato, mas tem uns versos de que eu gosto muito:
Very well then I contradict myself,
(I am large, I contain multitudes.)
Sempre me pareceu que eu era um modernista
E com uma boa parte de materialista. E com 0% de idealista e fundamentalista. Palpita-me que o Vostra vai dar criativo cultural; o Cablogue, um existencial camusiano; o Ernesto vai aldrabar o teste para sair pós-moderno; o Carcaça, 100% fundamentalista marxista-leninista trotskista; o Zizou, cheira-me a romântico.
E com uma boa parte de materialista. E com 0% de idealista e fundamentalista. Palpita-me que o Vostra vai dar criativo cultural; o Cablogue, um existencial camusiano; o Ernesto vai aldrabar o teste para sair pós-moderno; o Carcaça, 100% fundamentalista marxista-leninista trotskista; o Zizou, cheira-me a romântico.
You scored as Modernist. Modernism represents the thought that science and reason are all we need to carry on. Religion is unnecessary and any sort of spirituality halts progress. You believe everything has a rational explanation. 50% of Americans share your world-view.
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sexta-feira, maio 27, 2005
As paredes têm bocas

Os filósofos de parede continuam activos na capital. Reflexões sobre a arte e a vida selvagem avistadas recentemente.
Na Estação de Entrecampos
OS ANIMAIS SÓ EXISTEM PARA COMIDA BELEZA E ENTRETENIMENTO
E CAÇA???
Na Universidade Lusófona:
A VERDADEIRA ARTE ESTÁ NA RUA
Na Estação de Metro de S. Sebastião (sic):
A TERTURA SÓ SERVE PARA DEIXAMOS DE PENSAR DE SERMOS HUMANOS É PIOR QUE UMA CONDENAÇÃO A MORTE
Os filósofos de parede continuam activos na capital. Reflexões sobre a arte e a vida selvagem avistadas recentemente.
Na Estação de Entrecampos
OS ANIMAIS SÓ EXISTEM PARA COMIDA BELEZA E ENTRETENIMENTO
E CAÇA???
Na Universidade Lusófona:
A VERDADEIRA ARTE ESTÁ NA RUA
Na Estação de Metro de S. Sebastião (sic):
A TERTURA SÓ SERVE PARA DEIXAMOS DE PENSAR DE SERMOS HUMANOS É PIOR QUE UMA CONDENAÇÃO A MORTE
terça-feira, maio 24, 2005
E agora vamos em directo para o estádio da luz para imagens exclusivas das comemorações da festa do título do benfica:

Interrompemos para compromissos comerciais: o Núcleo nunca compromete a sua independência e isenção apoiando produtos ou serviços, excepto se os produtos ou serviços forem mesmo bons. Como o Skype. que é o invento do milénio.
Esse nome outra vez: Skype.
E agora voltamos ao estádio da luz para ouvir luís filipe vieira discursar às hostes benfiquistas:

Interrompemos para compromissos comerciais: o Núcleo nunca compromete a sua independência e isenção apoiando produtos ou serviços, excepto se os produtos ou serviços forem mesmo bons. Como o Skype. que é o invento do milénio.
Esse nome outra vez: Skype.
E agora voltamos ao estádio da luz para ouvir luís filipe vieira discursar às hostes benfiquistas:
domingo, maio 22, 2005
...eu avisei, morcões, eu avisei...não foi o Dário quem chutou, foi o Joeano...O Ernesto está tão eufórico que até vai ver a Rute Marlene o José Cid ao Estádio da Luz.
sexta-feira, maio 20, 2005
Novas tendências futebolísticas

Apesar da Briosa, o futebol português nem sempre está à frente. Do estrangeiro chegam novas tendências, inovações quase inimagináveis. É o caso da situação relatada desenvolvidamente nos jornais espanhóis de hoje. Parece que um grupo de "dirigentes muito destacados da Frente Atlético" (eu prefiro chamá-los de rufias) partiram ao pontapé uma cerca e invadiram o campo onde se treinava a equipa de Madrid, descontentes com os recentes maus resultados. Os mariolas da claque do Atlético de Madrid aproximaram-se dos jogadores e técnicos com poses violentas, insultaram-nos e ameaçaram-nos de morte. Como é hábito, os jornalistas presentes também foram alvo de insultos. A Guardia Civil compareceu, mas não prendeu ninguém, visto que, segundo um porta voz, "o acto só poderia ser considerado delito se a cerca custasse mais do que 300 euros".
Como o futebol português é muito dado a excentricidades (repare-se na murraça de Sá Pinto a Artur Jorge, ou no recente regresso de Valentim, como se nada fosse), acredito que a coisa pegue por aqui. Já estou a ver os Super Dragões, encabeçados por Tiberius e com Zizou vestido de gaja (é a única maneira que o arruaceiro arranja para poder entrar nos estádios, dos quais foi banido) a invadirem o Dragão e a envolverem-se numa cena de pugilato com os jogadores. Poderá até ser já para a semana, caso não ganhem o campeonato. Sim, porque fica já o aviso, em forma de poema e com a basófia que é apanágio dos academistas:
no domingo não vamos ajudar
nem que empresários ofereçam húmida fruta
vamos ao dragão cheios de brio, pra ganhar
e os morcões verão como o dário chuta!

Apesar da Briosa, o futebol português nem sempre está à frente. Do estrangeiro chegam novas tendências, inovações quase inimagináveis. É o caso da situação relatada desenvolvidamente nos jornais espanhóis de hoje. Parece que um grupo de "dirigentes muito destacados da Frente Atlético" (eu prefiro chamá-los de rufias) partiram ao pontapé uma cerca e invadiram o campo onde se treinava a equipa de Madrid, descontentes com os recentes maus resultados. Os mariolas da claque do Atlético de Madrid aproximaram-se dos jogadores e técnicos com poses violentas, insultaram-nos e ameaçaram-nos de morte. Como é hábito, os jornalistas presentes também foram alvo de insultos. A Guardia Civil compareceu, mas não prendeu ninguém, visto que, segundo um porta voz, "o acto só poderia ser considerado delito se a cerca custasse mais do que 300 euros".
Como o futebol português é muito dado a excentricidades (repare-se na murraça de Sá Pinto a Artur Jorge, ou no recente regresso de Valentim, como se nada fosse), acredito que a coisa pegue por aqui. Já estou a ver os Super Dragões, encabeçados por Tiberius e com Zizou vestido de gaja (é a única maneira que o arruaceiro arranja para poder entrar nos estádios, dos quais foi banido) a invadirem o Dragão e a envolverem-se numa cena de pugilato com os jogadores. Poderá até ser já para a semana, caso não ganhem o campeonato. Sim, porque fica já o aviso, em forma de poema e com a basófia que é apanágio dos academistas:
no domingo não vamos ajudar
nem que empresários ofereçam húmida fruta
vamos ao dragão cheios de brio, pra ganhar
e os morcões verão como o dário chuta!