terça-feira, janeiro 10, 2006

Não gosto de touradas



Bem sei que tenho estado fora tempo demais. Isso é simples de justificar. Não me apeteceu. Nem achei que tinha nada de especial para dizer. Não é nenhum bloqueio ou preguiça, porque passo horas no computador e poderia ter arranjado tempo para escrever alguma coisa.
Apesar de todos os lugares-comuns que se costumam repetir nos regressos dos blogueiros que se afastam destas lides, não quero que pensem que me sinto triste por não ter participado. Poderia escrever que era um leitor atento do blogue mas nem isso posso confessar porque grande parte das coisas passou por mim como o Wender pelo Sporting. Também não foi coisa que me preocupasse por aí além porque eu sempre fui calão e todas as desculpas serviram de subterfúgio para me justificar.
Cheguei mesmo a não ver a página durante semanas para não me cansar com recriminações morais. É que eu de moral tenho muito pouco excepto a mania de ser um moralista. Isto é muito complicado, principalmente para quem como eu, gosta de arranjar desculpas para tudo aquilo que não faço. Exemplo disso é a minha possível grande carreira como jogador de andebol, que foi anulada aos 12 anos depois de um treino em que fiquei com o dedo mindinho a abanar depois de um passe/remate mais violento do ponta-esquerda.
Desde então, com receio moral de danificar de modo permanente a falangeta do mindinho esquerdo abdiquei de ser um novo Ricardo Andorinho ou Carlos Galambas, preferindo seguir na bancada os jogos do meu ACS, grande escola de porrada e de jogadores de andebol, por esta ordem de grandeza. Agora, quando encontro na rua os meus colegas de então, vejo que perdi montes de gajas no currículo e só equilibrei a relação comercial no consumo de cerveja. A diferença (nítida para os olhos mais atentos) é na barriga: a deles é mais esférica, com um alargamento acentuado ao nível do duodeno enquanto que a minha é mais oval, iniciando o percurso elíptico a partir do diafragma, sinal de um estômago já dilatado e sem remissão de pecados passados.
Agora, vou tentar mais um regresso às lides blogueiras sem grandes esperanças. Sei que não terei a capacidade e a perseverança dos meus colegas de página pelo que este afrontamento (como acontece com as gajas) poderá durar poucos dias ou poucas horas. O tempo o dirá. Pelo meio é mais uma tentativa de regresso antes do silêncio.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Para mais uma reencarnação...
Novidades seguem dentro de momentos.
Donos do Garfo

Nome: Cona Restaurant
Localização: Ahmedabad, Índía
Preço por refeição: 80 rupias (1,5 euros), com entradas (chapati) e sobremesa incluídas


Foto: DJ Carcaça

Eis um restaurante no qual qualquer português terá curiosidade em entrar, dado o seu curioso nome. Nem todos podem dizer que já comeram no Cona. A mim, pelo menos, nunca tinha acontecido. O Cona é um restaurante acanhado, com uma luz ténue e intermitente, que mal deixa ver a comida nas mesas. Constatei depois que outros restaurantes de Ahmedabad tinham o mesmo tipo de iluminação, é uma especificidade local. Como não percebo sânscrito e não havia ementa em inglês (a cidade não costuma ser incluída nos roteiros turísticos), pedi seguindo as recomendações do chefe:
- That's a perfect choice -, disse-me com evidente entusiasmo.
Não era. Pedi às cegas e lixei-me. Cheguei rapidamente à conclusão de que nunca se deve pedir às cegas no Cona. Veio a comida mais picante e intragável que tive a oportunidade de comer na Índia. Fui obrigado a pedir duas Coca-Colas geladas de emergência, para apagar o fogo que me consumia o estômago. A minha teioria é que os indianos usam carradas de especiarias picantes para disfarçar a insipidez de muitas das suas comidas. Por absurdo, se se comesse merda barrada com tanto picante, a merda saberia a picante e não a merda.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Escutas do Núcleo

(mais um diálogo no período laboral de um escritório lisboeta. Constatação: não se trabalha muito nesse escritório lisboeta)

Ernesto: Então, oh [indivíduo de um blog daqueles a sério, dos que fazem parte do diálogo nacional], andas a peidar-te por todo o lado!

indivíduo de um blog daqueles a sério, dos que fazem parte do diálogo nacional: [?!?!??]

Ernesto: É o que diz toda a gente! Por isso é que não vem ninguém ter contigo!

Indivíduo, etc.: Ah, isso é uma piada àquilo das feijoadas.

Ernesto: Isto agora o que está a dar é o feijão. É como os pastéis de feijão do Soares.

[Vários minutos de conversa sem grandes motivos de interesse sobre as presidenciais]

Indivíduo, etc (apontando para Tiberius): Este gajo também faz parte do vosso blog?

Ernesto: Faz, faz.

Indivíduo, etc: Já não vou lá há muito tempo. Também, vocês só falam uns para os outros.

Ernesto: Não, eu não, eu escrevo posts para ser citado pelo JPP! Isso é este gajo! Ainda hoje meteu lá outro post desses! Ainda para mais, as gajas eram boas, mas estavam desfocadas.

Tiberius: O nosso blog é diferente. Não é como o vosso. A maioria dos blogs passam a vida a dizer mal dos gajos dos outros blogs; no Núcleo, só dizemos mal uns dos outros.

[Ernesto e o Indivíduo, etc. saem de cena. Tiberius fica sozinho, a ruminar, murmurando em voz baixa e meio alienada, tipo o Gollum do Senhor dos Anéis]

Tiberius: Este Indivíduo, etc. tem um blog com milhões de visitas diárias... Talvez consiga meter-lhe uma cunha para ele fazer um link para o post a denunciar o Vostra... Talvez o convença a denunciar o Fiel Monte de Merda... Vou conseguir expor o Vostra e a Fiel Bosta perante uma audiência nacional... A Fiel Bosta será destruída... [riso alucinado]
Escutas do Núcleo

(diálogo no período laboral de um escritório lisboeta)

Tiberius: Viste a ensaboela que eu te dei a ti e ao sacana do Vostra, viste, viste? Heh heh heh heh!!

Ernesto: Um, uh...

Tiberius: E aquela parte em que eu te chamo a ti pateta e ao Vostra salafrário? Hah hahahah!

Ernesto: (...)

Tiberius: Porque está lá tudo! Está lá tudo! Tu e o Vostra foram desmascarados, des-mas-ca-ra-dos!

Ernesto: Uh, bem, sabes que eu nem vi o fil...

Tiberius: Uma sova das antigas! Nem o Antero batia tanto no Castilho! Vocês amanhã nem saem à rua de vergonha!

Ernesto: (...)

Tiberius (olhar desconfiado): Tu só olhaste para as fotos, não foi?

Ernesto: (...)

Tiberius (excitado): Oh merda! Então eu gastei vinte minutos a escrever aquela merda, a desancar com toda a força e...

Ernesto: Tu não gostas do filme, o Vostra gosta. E quem te conhece já sabes que tu tens os teus preconceitos ideológicos e...

Tiberius (gesticulante): Mas isso está lá tudo! Está lá tudo! Vem no parágrafo 21, linha 3, essa argumentação toda desmontada, está lá escrito, o Lord of War...

Ernesto: Pois, mas não convences ninguém.

Tiberius (desesperado, elevando a voz): Mas o filme é uma merda! Uma MERDA TOTAL, UMA POIA DE TODO O TAMANHO, UM DEJECTO FEDORENTO, UMA CAGADA...

Ernesto: Olha, eu tenho de ir à casa de banho, acho que os directores já foram todos, pode ser que agora tenha vez.

Tiberius: (...)

Ernesto: A ideia das fotos era gira. [Olha à sua volta, vê o chefe]. Oh bolas, tenho de ir trabalho.

Tiberius (resmungando entredentes): grrrrmblb o Vostra... hmmmf porcaria pretenciosa... grrmbl merda total de filme...

Ernesto: No teu andar as pessoas também vão à casa de banho?
O Fiel Monte de Merda III: A Sentença Final

(ou: vamos enterrar de vez este filme de bosta, o lacaio das multinacionais Vostra e o seu assecla Ernesto)


O tenebroso Vostra, em conluio com as multinacionais Blogger e Microsoft, conspirou para a censura da primeira versão da minha demolição dessa bosta malcheirosa que é o Fiel Jardineiro. Mas ninguém pode calar a verdade.

O assunto, é certo, já chateia. Embora não seja tão chato como essa verruga em celulóide que é o Fiel Jardineiro. Mas em atenção aos leitores, vou intercalar este julgamento sumário do Fiel Monte de Merda e dos seus sequazes Vostra e Ernesto com imagens do último catálogo da Victoria's Secret.











O filme é mau. É muito mau. A podridão começa pelo argumento, que é construído à volta do tipo de "surpresas" e "revelações" que fazem revirar os olhos. Todos os truques mais rascas de filme série Z são usados. Por exemplo:

-os heróis da fita estão constantemente a "descobrir" cartas e documentos onde os vilões fizeram o favor de explicar detalhadamente as suas vilanias.

-há uma cena em que é preciso entrar num site protegido por password. Como é que o nosso herói faz? Abre o catálogo dos clichés de argumentistas preguiçosos e saca de lá um puto de 14 anos que é perito em informática. Evidentemente, o puto de 14 anos ADIVINHA a password logo à primeira.

-parte da "história" gira à volta de o nosso herói ter suspeitas de que a mulher o está a trair com um médico. Como é que o filme tranquiliza os espectadores? Ora, basta mostrar uma foto que prova que o médico é gay.
















Os actores são muito maus. O Ralph Fiennes (que é normalmente excelente, mas não aqui) parece o Keanu Reeves. Ou um tronco de árvore. Ou uma tábua de engomar. A Rachel Weisz é histérica, estridente, irritante.

Os papéis secundários não são melhores. Dois actores ingleses muito estimáveis, Gerald McSorley e Bill Nighy, fazem de capitalista inglês e de lorde inglês. São péssimos. As personagens deles são estereótipos que já nem a propaganda do PC teria coragem de usar. Fumam charutos, jogam golfe, fazem caras de mau. Só lhes falta ter cartolas e dizer "exxxxxxxxcelent" como o Monty Burns dos Simpsons.
















A realização parece saída de um concurso de vídeos de heavy metal da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira. A câmara anda aos solavancos. Quando está parada não há maneira de estar num ângulo que dê para ver os actores decentemente. A montagem é aleatória. Há flashbacks a torto e a direito e a despropósito. As cores são tão saturadas que não se consegue ver nada na maior parte das cenas.

O Fernando Meirelles fez um grande filme. O Cidade de Deus é mesmo muito bom. Mas no Cidade de Deus os truques de videoclip transmitiam o caos, a violência, a intensidade da favela. Aqui, é tudo gratuito. É tudo fogos de artifício para iludir os patetas (Vostra e Ernesto).















A maior parte do filme passa-se em África. Mas nenhum africano tem direito a ser mais que figurante. Não há uma única personagem africana no filme com mais complexidade que os capangas do mau que o Bond mata à dúzia nos filmes dele.

Pior: o filme assume o pior tipo de racismo paternalista, o que presume que todos os males de África são causados por Brancos Maus, e que quem os pode curar são os Brancos Bons. Não concede aos africanos a dignidade de ter a responsabilidade pelos seus problemas.

Trata-os como os politicamente correctos na América, como vítimas, como inocentes. "Coitadinhos dos africanos, que são tão pobrezinhos, tão ingénuos, tão alegres, parecem crianças." É mais ou menos a atitude que o Salazar (amigo de infância do Vostra) tinha para as ex-colónias.


















Mas o crime pior do Fiel Jardineiro não é ser um mau filme. Disso há muito. O problema é que é um mau filme (muito mau) que se julga um FILME IMPORTANTE. Um FILME COM MENSAGEM. Um filme pomposo, pretencioso.

Como tem uns tiques políticos muito bem-pensantes e antiglobalizantes, o Fiel Jardineiro presume que está imune a críticas. Há uma cena logo ao início que mostra bem o tipo de raciocínio, de desonestidade intelectual, que preside a esta bosta fumegante.






















O herói está a dar uma aula de relações internacionais em Londres. Não está a dizer nada de especial nem sequer de controverso. Eis que na plateia está a nossa heroína, que se levanta aos berros (não exagero: aos berros) e a despropósito começa a dizer "então e o Iraque? E o Bush? E a agressão imperialista?".

Como a aula acaba, os colegas levantam-se e ficam a olhar para ela com cara de maluquinha, enquanto ela continua a arengar, aos gritos em cima de uma mesa.
























E qual é o ponto de vista do filme sobre esta cena? É que esta doida furiosa é uma idealista cheia de coragem. Uma combatente pela liberdade.

O filme quer-nos vender a ideia de que começar aos gritos, insultar um professor (ainda por cima, um mero assistente a dar uma aula de substituição) e querer matraquear ideias políticas a um conjunto de estudantes é algo de perfeitamente lícito e louvável e não o comportamento de um fanático alucinado.

O filme quer fingir que as coisas que a maluquinha está a dizer em Londres são coisas muito revolucionárias e corajosas - embora sejam a opinião de 90 por cento dos ingleses e do resto dos europeus.
























E é essa a lógica dos energúmenos Vostra e Ernesto. O filme é antiglobalização e anti-Ocidente e anticapitalismo, portanto deve ser bom.

Mais: quem se atreva a dizer mal do filme está, evidentemente, a dizer mal por motivos políticos. O palermóide Ernesto, na sua ganância de lamber botas ao webmaster cá do sítio, vem logo falar da "fé irredutível de Tiberius na economia neoliberal e na respeitabilidade das multinacionais".

Não é verdade. Posso não concordar com a "mensagem" do Fiel Jardineiro - e não concordo, o nível intelectual das ideias políticas do filme é sub-Bloco de Esquerda. Mas esse não é o problema do filme. O problema é que o fiel é UMA VALENTE MERDA.






















Se eu fosse chatear-me desta maneira com todos os filmes politizados e anticapitalismo, estava tramado. Não podia ir ao cinema. Hollywood agora deu-lhe para o político e é um novo todas as semanas. Eu não tenho problemas com filmes politizados, nem sequer com filmes com ideias de que eu discordo. Tenho problemas com filmes que são UMA MERDA.

Um dos meus filmes favoritos é um filme anti-capitalismo. Ao mesmo tempo que o Fiel Monte de Esterco esteve nas salas também passou um filme vindo do mesmo quadrante ideológico, o Lord of War.























Também não concordo com a ideologia do Lord of War (a treta simplista do costume: os traficantes de armas são muito feios, e o Ocidente é muito feio por vender armas), mas o filme é brilhante.

Exemplo limite: o Fahrenheit 9/11. Acho o filme e o seu autor uns demagogos manipuladores e mentirosos. Mas o filme é giro! Está bem feito! Um gajo ri-se! Não digo mal do dinheiro que paguei para o ver. Enquanto o Fiel Jardineiro é uma MERDA TOTAL.























Veredicto final: o Fiel Jardineiro, para quem não tenha prestado atenção, é UMA MERDA. O Vostra é UM SALAFRÁRIO. O Ernesto é UM PATETA. O Fernando Meirelles fica em liberdade condicional porque o Cidade de Deus é mesmo muito bom, mas ele que não se atreva a fazer mais MERDAS DESTAS.
























Morte ao Fiel Jardineiro e a quem o apoiar! Morra o Vostra! Pim!

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Escutas do Núcleo - Adenda 2

[replicação de Zizou a Tiberius]

"...e também sou gordo de p.[censurado]! vira para cá o rabinho, minha linda, se quiseres experimentar..."

[Tiberius returque]

"Hás-de ser gordo de p.[censurado], mas tambémm hás-de ser curto. E flácido."
Escutas do Núcleo - Adenda

[resposta de Tiberius a Zizou]

"...o problema é que tu não és só gordo de corpo, és gordo de espírito. Gordo de alma. Tens banha na cabeça."
Escutas do Núcleo

"No natal só deram brinquedos para a bebé e chocolates (cuecas e peúgas, este ano, nada). Na verdade, tantos chocolates que até estou a ficar gordo e disforme como tu. Aliás, sempre me espantou porque é que me chamam «gordo» a mim e não a ti... gordo, gordo, gordo!"

[mensagem carinhosa de Zizou para Tiberius]

Taxista: Sabia que se comer três "Mon Cheris" acusa no balão?
DJ Carcaça: Isso explica muita coisa.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Alta Arte
El Roto



Ontem, estava a voltar para casa quando apanho aberta, no Centro Cultural de Círculo de Lectores, na "calle" O'Donnell, a exposição "El Roto, Vocabulario Figurado", com originais do melhor (digo eu) cartoonista do "El País", que escolheu um nome artístico algo curioso.

É certo que em Portugal não iria longe com um nome desses - no máximo até ao Lux - mas o rapaz até costuma ter boas ideias. Tive a oportunidade de observar em detalhe como o seu traço descuidado é compensado com uma grande noção de proporções e perspectiva... e com carradas de corrector. Na verdade, às tantas cheguei à conclusão de que o corrector não era mais do que um outro material de representação, usado sem complexos, para ajudar a corrigir a direcção da sua grossa pincelada.

Lápiz por apagar, manchas disfarçadas com corrector... fiquei com a ideia de que o cartoonista faz um desenho daqueles em menos de um minuto. E o pior é que apesar da javardice, nunca resulta mal de todo. As ideias, essas, algumas muito boas, outras algo forçadas e sem piada nenhuma. Mesmo assim, fiquei a pensar: "Quando for grande, quero ser como El Roto... mas com outro nome..."

Mais cartoons d'El Roto

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Escutas do Núcleo

[Diálogo entre duas mulheres de meia idade, no último dia de 2005]

- Eu este ano não tive tempo para nada, nem sequer para foder. Já não fodo há uns bons três anos, é a verdade.
- Nem tiras as teias de aranha com o dedo?

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Muito à frente

O governo austríaco financiou em um milhão de euros o projecto artístico "25Peaces", que pretende comemorar os 60 anos da república austríaca e os 10 anos da adesão do país à União Europeia, numa altura em que os austríacos se preparam para assumir a presidência da UE. Vários artistas europeus produziram imagens que estão expostas em placards na cidade de Viena. Eis algumas das imagens que podem ser vistas nas ruas da capital austríaca e que estão a dar uma polémica danada:






O Núcleo abstém-se de fazer comentários quanto à qualidade dos trabalhos. Acreditamos (menos o Tiberius) que não devem haver censuras na arte. Mas sempre achamos que podiam ter dado o pilim ao nosso artista plástico de serviço. O Vostra era capaz de estar à altura destes visionários. E, com a massa que desviaria do governo austríaco (eles têm demais, é preciso ajudar a gastá-lo) para o saco azul do ND, estávamos a esta hora todos na República Dominicana (menos o Tiberius), com a pulseirinha de tudo incluído e a chinela havaiana estacionada junto a uma espreguiçadeira. Isso é que seria um cenário de felicidade neste dealbar de um novo ano.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Em defesa da siesta

À atenção do Grupo de Trabalho Anticapitalismo e Antiglobalização do Núcleo (DJ Carcaça), este artigo num órgão de referência de um país obscuro:


Lei acaba com a siesta em Espanha
Daniel Wolls, Madrid


Longas pausas para almoço reduzidas a uma hora

Famosa pelos almoços demorados e pelas longas jornadas de trabalho, a Espanha aboliu oficialmente a partir de ontem a siesta, para permitir, pelo menos aos funcionários públicos, segundo a explicação do Governo socialista, passar mais tempo com a família e os amigos.
Muitos funcionários públicos espanhóis trabalham das nove da manhã às duas da tarde e fazem então uma pausa para almoço que pode acabar às 16h30, cumprindo depois três horas ou mais de trabalho. Se a isto juntarmos uma hora para chegar ao emprego e outra para regressar a casa, acontece que a maioria está doze horas por dia, no mínimo, longe de casa.
Na esmagadora maioria dos outros países da Europa, a hora de saída da função pública é às 17h00, com uma hora de intervalo para almoço. Agora, com a lei publicada na terça-feira, os departamentos da função pública espanhola terão as 18h00 como hora limite de encerramento, no âmbito de um conjunto de medidas que visa permitir um maior equilíbro entre trabalho e família.
Quando o pacote legislativo foi aprovado, no início de Dezembro, o ministro da Administração Pública, Jordi Sevilla, falou de "um dia feliz como ministro, funcionário público e pai de três filhos".
Os funcionários públicos - há cerca de 550 mil espanhóis que trabalham para o Governo central - têm agora a possibilidade de efectuar pausas para almoço mais curtas, mantendo a sua carga horária semanal, que é de 37 horas e meia ou 40 horas, conforme os casos.
Sevilla afirmou já esperar que o sector privado dê passos no mesmo sentido.
Uma influente associação, o Círculo de Empresários, afirmou num relatório publicado a semana passada que, em geral, os espanhóis trabalham muitas horas - apenas um pouco abaixo dos japoneses mas acima dos canadianos e britânicos, por exemplo - mas têm uma produtividade baixa. Claudio Boada, presidente do Círculo, acredita que a siesta custa à economia espanhola "pelo menos oito por cento do produto interno bruto".
Apenas 61 por cento do tempo que passam nos seus empregos é utilizado com eficácia, precisava o relatório, citando a consultora Proudfoot, do grupo londrino Management Consulting Group.
O ministro Sevilla pensa que a Espanha pode fazer a transição para um horário "europeu" e não baixar os índices de produtividade.
Outra mudança na nova lei permite, por exemplo, aos funcionários públicos tirar dez dias com vencimento em caso de nascimento (ou adopção) de um filho, quando até agora tinham três dias. E os funcionários públicos podem também reduzir a metade o número de horas que trabalham, com a correspondente redução salarial, se tiverem filhos com menos de doze anos.
Jordi Sevilla, cujos três filhos são adoptados, recordou este mês que quando adoptou o segundo, em 2000, era o responsável do Partido Socialista Operário Espanhol para os assuntos económicos e pediu ao líder, o agora primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, algum tempo de folga. "Ele disse-me que sim. Tirei dez ou doze dias. Senti-me privilegiado por poder fazer uma coisa que a maioria das pessoas não podia."
Sevilla acrescentou que, quando em 2004 se tornou ministro, decidiu dar prioridade a medidas para que todos os funcionários públicos pudessem beneficiar do mesmo.


Podem ler mais no FT sobre este erro crasso do Governo espanhol.

Que asneirada imensa. A globalização, ao contrário do que os tontos iletrados (Ernesto), os trotskistas bafientos (Carcaça) ou as amebas invertebradas (Zizou) pensam, é não só inevitável como boa. Mas não há nada na vida que seja exclusivamente bom. A globalização tem um lado negativo - e aí está ele ilustrado por esta calinada do Governo de Espanha.

Em nome de uma alegada melhoria de produtividade e de um putativo aumento do PIB, acaba-se assim com uma tradição milenar, saudável, civilizada. Eu não sou a favor de manter tradições só porque são tradições, mas esta valia a pena.

Mais: a siesta não só provavelmente faz bem à produtividade (eu cá, é meio dia e não me importava nada de ir dormir umas horitas), como era um marco distinto da cultura espanhola. Ao extingui-la, o Governo espanhol está a normalizar e banalizar Espanha. Que erro, que asneira colossal.

Porque é que os espanhóis se meteram nisto? Há uma explicação. Como é do conhecimento geral, há alguns meses que o tenebroso Vostra, agente das multinacionais, radicou-se em Madrid. É graças à sua influência que foi dado este golpe sobre a qualidade de vida do trabalhador espanhol!

Vostra, seu ranhoso, devolve-nos a siesta!

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Inquéritos de rua Núcleo

No grande debate Vostra vs. Tiberius, quem é que acha que tem razão?

Pai Natal, indiciado no processo Casa Pia por meter-se nas chaminés de crianças:




George W. Bush, antiga criança com dificuldades de aprendizagem:




Vostra, criminoso a monte em Castela:

terça-feira, dezembro 27, 2005

NúcleoShopping


Condones Núcleo em promoção!


Portando-se como o sevandija sibarítico do costume, o sequaz rastejante das multinacionais Vostra fez no post anterior descarada propaganda a um produto da concorrência:

"YO NUNCA PUEDO ENCONTRARLOS", DICE EL ÍDOLO
Enrique Iglesias dará nombre a unos condones extrapequeños


Mas as Televendas do Núcleo já têm a sua própria gama de condones personalizados! Assim, para rivalizar com os Enriques, para o homem extrapequeño, o Núcleo Shopping apresenta:

Condones Zizou: tamanho Enrique Iglesias, para o homem extrapequeño

Condones Vostra : tamanho iPod Nano, para o homem ultrapequeño

Condones Ernesto: modelo especial para eunucos

Condones Tiberius : tamanho King Kong
Recortes da Imprensa Espanhola
Mudos, condones y móviles



IU pide que la delegada del Gobierno dimita por "perseguir" a los anti refinería
AFIRMAN QUE SE HA LLEGADO A MULTAR A UNA PERSONA MUDA POR "VOCIFERAR"
El caso de "Juan el mudo"
[...] pero para Victor Casco el colmo de los colmos es el caso de la sanción impuesta por "vociferar" a un vecino de Villafranca que es "mudo". "Es conocido en Villafranca como Juan el mudo, no porque hable poco sino porque es mudo de verdad. [...]
- ABC

"YO NUNCA PUEDO ENCONTRARLOS", DICE EL ÍDOLO
Enrique Iglesias dará nombre a unos condones extrapequeños
- La Voz de Galicia

El Ayuntamiento de Palma (PP) aconseja a los adolescentes afeitarse el vello púbico para tener el pene más grande
- Diari de Girona

Dos narcos huidos van a entregarse y el juez les dice que allí no es
- 20 Minutos, de Múrcia

Se extiende la moda de introducir un móvil en el ataúd al ser enterrado
- El Mundo

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Escutas do Núcleo Especial Erótico

No café Atlântico, a jogar snooker, em Cascais. Conversa sobre uma nova colega de apartamento. Dois rapazes na casa dos 30. Maus jogadores de snooker.

Adulto Jovem - Ora, estava eu a chegar a casa de manhã anteontem e lá está a rapariga no sofá da sala a dormir. E a dormir só com um lençol por cima, e vestidinha com um tipo de peça de roupa que eu nem sei o nome, mas que não cobre quase nada.

Jovem Adulto - Seria um fio dental?

Adulto Jovem - Não, foda-se, isso não cobre mesmo nada. Isto era uma coisa com umas alcitas mas aberta do lado. Se fosse um fio dental a coisa era diferente. Quer dizer, se a gaja dormisse no meio da sala literalmente despida, ficava a pensar que aquilo era uma mensagem.
Fiquei um minuto a olhar pasmado para aquele espectáculo transcendente e fui trabalhar.

Jovem Adulto - Um minuto, caralho. És um porco!

Adulto Jovem - Bem, não estava ali de cronómetro, não sei se foram exactamente 60 segundos. Mas passei o resto da semana com aquela imagem na cabeça. Estou eu a ver o debate do Soares com o Cavaco e lá vejo aquele corpinho perfeito.

Jovem Adulto - Morde-a.

Adulto Jovem - Não posso. Ela não tem cara de quem dê essas confianças. O melhor de tudo é que ela diz que tem namorado, mas quando veio ao meu apartamento pela primeira vez vinha acompanhada de outra amiga quase tão boa, e elas pareciam muito amiguinhas!

Jovem Adulto - Bem, ela pode ter amigas e não ser lésbica.

Adulto Jovem - Não, elas pareciam muito amiguinhas mesmo. Muito amiguinhas. Mas ela nunca mais trouxe amigas lá para casa. Por outro lado, agora que penso nisso, ainda ontem dei com ela a dormir no sofá da sala outra vez. Será uma mensagem?

Jovem Adulto - Com certeza.
Fahrenheit Vostra - toda a verdade

Pois estava eu a dar os últimos toques num longo e, enfim, modéstia à parte e isso tudo, brilhantíssimo post... Sendo que esse brilhantíssimo post era a denúncia definitiva, autoritária e irrefutável dessa bosta total, dessa trampa miserável, dessa poia malcheirosa que é o Fiel Jardineiro... E sendo que o magnífico post dava umas rabecadas ao infame Vostra e ao seu lacaio Ernesto ...

...e não é que a porra da merda do Blogger vai abaixo e leva-me a merda da porra do post inteiro?!?!?!?!


Como dizia uma grande autora portuguesa, não há coincidências. Com o apoio das multinacionais, da CIA, do Echelon e do Chumbita Nunes, a Vostra-Gestapo está sempre em cima de quaisquer tentativas para denunciar os seus crimes. Não há direito e, agora que já não tenho pachorra para escrever aquilo tudo outra vez, não há post.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Escutas do Núcleo Especial Natal

Numa altura em que vagos rumores deram conta da possibilidade de um repasto natalício reunindo algumas das personalidades que constituem o Núcleo, a secção de escutas, demonstrando grande acutilância e sofisticação (quem é que pensa que as escutas do ND eram apenas telefónicas e presenciais? nós interceptamos tudo, inclusive mails e até relatórios secretos da CIA ), publica os pormenores da difícil preparação do último (e único e histórico) encontro de todos os elementos do Núcleo, que decorreu em Leiria nas vésperas do Euro 2004. Topem-me a bazófia dos maganos:

Tiberius (T): Isso do jantar é onde? Eu chego a Lisboa na madrugada de 10, vejam lá a que horas querem marcar isso.
Ernesto (E): Chegas na madrugada de 10 ou de 11? Se for na de 10, podemos marcar tipo em Coimbra, para aí às 21? Ou outro sítio, vejam lá?
T: Oh porra, eu chego na madrugada de 10 mas vou estar todo podre. Como tenho que estar em Lisboa a 11, nem pensar em fazer 400 quilómetros a 10. Marquem essa coisa para Lisboa ou arredores, eu vou fazer 5000 quilómetros, os outros morcões podem andar umas poucas centenas para ir à metrópole
Vostradeia (V): Negativo. Quem viaja 5000 viaja 5400. Coimbra sounds good. Quando é o concerto, caralho? Jantar no "Joe of the Bonés"?
Zizou (Z): Vai-te foder, ó caralho. Eu não vou para Lisboa. Quero o jantar mais perto de casa. Foda-se, estou velho, acomodei-me, não me apetece ir para Lisboa ... E vou já responder à resposta que vais mandar: pró caralho! Vai apanhar na peida!
T: Ao Zizou - vai chupar num grande mangalho que é o que tu precisas. Aos outros - eu depois de uma viagem intercontinental não tenho condições para andar a brincar aos carrinhos na autoestrada, e como tenho que estar em Lisboa a 11, nem pensar em grandes viagens. Vou no máximo até Santarém. Ou isso ou marcam a coisa para outro dia, quando já não houver jet lag.
E: Vá lá meninos, não é preciso baixar o nível. Zizou, acho que o argumento do Tiberius faz sentido. E até nem me importava que fosse em Coimbra. Vá lá ver, faz-te à estrada, é feriado e não tens desculpa. Quem quiser pode pernoitar lá na chafarica. Um dia não são dias e a possibilidade de reunir os membros nacionais e internacionais do ND também é cada vez mais complicada. Vá lá ver, apliquem-se.
El Cablogue (EC): E em Leiria? Dormem depois na minha casa? Cromos cabrões. O Tiberius pode ir com o Ernesto. Ele conduz mal como caralho, mas ainda não teve nenhum grande acidente.
T: Leiria parece-me muito bem. Agora ir, não vou no carro de ninguém. Primeiro, recuso-me a ser conduzido por um maluco da estrada português. Segundo, quando não vou a guiar enjoo (é verdade). Terceiro, vou alugar um carro em Lisboa e com o dinheiro que vou gastar naquilo até para atravessar a rua hei-de ir nele
Z: Não é preciso baixar o nível ó caralho. Todos para o caralho! Vão chuchar na picha uns dos outros, picos de merda! Enrabem-se à força toda, cabrões! Dito isto, e agora que já baixei o nível, devo dizer que a hipótese de Leiria é a melhor em cima da mesa. Não vou nem mais um quilómetro para sul. Santarém????! Pfff!
E: Realmente Santarém?!?!? Ok, Leiria tá-se, desde que o EC desta vez arranje lençóis lavados e eu não tenha que dormir em cadeirinha com o V. Mas Lisboa é mais fixe! Sei aí de uns night clubs... Oh Zizou, façamos assim: se o Porto ganhar hoje por dois golos de vantagem vens até à capital, ok? Número de caralhadas trocadas nos últimos oito mails: 21. É só gente fina.
EC: Porra! Caralho. Que putas dengosas acomodadas! A minha casa está à vossa disposição para uma noite (mal) dormida mas estou disponível para ir a Lisboa ou a Coimbra no dia 10. Que cromos acomodados. Cambada de velhos jarretas. Ó Ernesto, ter um puto não siginifica o fim da liberdade, quer dizer apenas que tens de educar a tua mulher.
V: Este é o espírito do verdadeiro Durão! Parabéns Cablogue! Isto merece lugar de destaque no Grande Livro de Pensamentos e Frases Lapidares do ND.
E: Eu vou ser um pai moderno, vou comprar uma daquelas cenas para levar o puto ao peito e tudo.
V: ... e se for macho, é começar a levá-lo desde cedo ao futebol, às praças de touros e às casas de putas. Quem disse que a vida acabava? PS. Alguém tem o mail actual do DJ Carcaça?

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Conversa entre ex-colegas universitários

-Sabes quem está grávida?
-A Susana.
-A sério... a das mamas.
-Essa.
-Mal empregadas... Bem, pode ser que o puto prefira biberão.
Cúmulo da falta de timing

ir à casa de banho no momento em que se revelou quem matou o António.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Escutas do Núcleo

[um empregado de uma pastelaria lisboeta]

"Eu comecei a trabalhar em 73 e foi numa pastelaria. Agora já não há pasteleiros. A massa já vem feita e depois só vai a cozer. A inspecção até aconselha que se usem esses pré-preparados. Dizem que é mais higiénico, mas o sabor não se compara. Se você fôr a uma dessas fábricas de pastelaria, conclui que uma pessoa que lá esteja faz uma catrefada industrial de bolos e salgados."

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Recortes da Imprensa Espanhola
Rubias, gatos y vibradores



Catalunya es una de las comunidades con menos rubias naturales de España
- Diari de Girona

Atropella a 36 niños y un adulto por esquivar a un gato
- Diario de Ibiza

Vibrador que funciona con SMS
Una empresa británica ha lanzado el primer vibrador que funciona a través de los mensajes de texto que recibe. Una vez recibido el mensaje, el móvil establece una conexión con el vibrador por medio de la tecnología bluetooth cursándole las órdenes oportunas para su funcionamento.
- Noticiasdot.com

Un pueblo modifica su nombre a cambio de diez años de televisión por satélite gratis
- Ideal, de Granada

LA MUJER ALEGA QUE JAMÁS TUVO UN ORGASMO
Demanda a su marido porque no la satisface sexualmente
- La Voz de Galicia