domingo, julho 30, 2006

Cornada de Cristo

Capítulo encerrado



Depois de ter liderado a imprensa de referência mundial no importante tema de piadas sobre a marrada do Zidane, o Núcleo dá por aqui encerrado este capítulo da sua existência, considerando o assunto esgotado.

Voltamos assim à nossa programação normal e eclética, com os temas mais importantes do noticiário:

POLÍTICA INTERNACIONAL

As negociações para um novo acordo no âmbito da Organização Mundial do Comércio falharam definitivamente. Segundo fontes próximas do assunto, o G8 estava próximo de um acordo final quando, inesperadamente, o Presidente francês Jacques Chirac se levantou da mesa de negociações e espetou uma marrada no peito de Romano Prodi, primeiro-ministro de Itália.

CELEBRIDADES

O concurso Miss Universo concluiu-se com a vitória de Miss Porto Rico. A primeira dama de honor foi a Miss Japão. A segunda dama de honor, Mss França, foi desclassificada após ter, surpreendentemente, espetado uma marrada no peito da Miss Itália

FUTEBOL

Os juízes do caso "Calciocaos" decidiram-se por uma redução das penas das equipas envolvidas no escândalo de corrupção que abalou o futebol italiano. A principal beneficada foi a equipa do Milan, que viu a sua pena ser reduzida de 28 para apenas 15 marrada no peito.

quinta-feira, julho 27, 2006

Cornada de Cristo - O Regresso
Zidane dá outra hipótese ao futebol

O jogador, artista e semi-deus Zinedine Zidane quer despedir-se do futebol com outra imagem. Nem a maravilhosa monada que deu ao italiano Marco Materazzi na final do Mundial da Alemanha - a célebre Cornada de Cristo - o convenceu: o francês acabou por confessar que havia feito pontaria ao nariz.

A boa notícia é que, graças a isso, Zizou vai continuar a jogar durante mais uma temporada. Falta agora apenas encontrar clube, o que não deverá ser difícil, já que começaram a chover interessados, entre os quais o Muay Thai Club da Amadora e o Capoeira Brasil, de Portimão.

Mesmo sem ter ainda definido o seu clube para a nova temporada, Zidane tem andado a treinar para manter a forma, conforme o Núcleo Duro pôde comprovar:

domingo, julho 23, 2006

Documento
Prognósticos são os que apoiam os ateus?

Ainda agora acabou o Mundial e já só se pensa no futebol outra vez. Parece que o Alemanha 2006 só abriu mais a nossa fome de bola. Numa pequena aldeia lusitana, há um clube (famoso pelo seu optimismo) em que o apetite é, no mínimo, exagerado...

sexta-feira, julho 21, 2006

100 mil visitas!!!



Após o retumbante sucesso do Grande, Enorme Jogo do Mundial do Núcleo Duro, que deixou este blog meio paradão, regressamos ao endereço tradicional e deparamo-nos com uma surpresa que quase nos passava despercebida: o Núcleo Duro superou as 100 mil visitas!!!

Os números do Nedstat confirmam que este é um blog cada vez mais popular e cosmopolita, sendo visitado sobretudo por portugueses, brasileiros, americanos, espanhóis e alemães. De acordo com a mesma fonte, o grosso dos nossos visitantes chega até nós através de um conhecido site a quem emprestamos o nosso layout, o Google... Entre as palavras-chave que nos trazem mais visitantes através desse motor de busca, estão: "desnuda", "fotos", "porno", "actriz", "porn", "Ava", "Bella", "hardcore", "duro", "flmes", "Marie", "SLB", "hemorróida", "Sands", "Erika", "sexo", "Christy", "Dial" e "Nikki". Isso confirma o acerto da aposta pela linha editorial que temos vindo e vamos continuar a seguir.

Parabéns a todos!

domingo, julho 09, 2006

MUNDIALÍADAS - UM ÉPICO TRÁGICO-CÓMICO PORTUGUÊS
(Com interlúdio musical)

I


Podem ter muita relvinha
pista para a bicicleta
mas vão sair de mansinho
enquanto nós de lambreta

Podem ser civilizados
mas foram mal educados
a nação está na rua
e amesterdão amua



II


A Amsterdam

"A Amsterdam, il y a Dieu, il y a les dames.
J'ai vu les dames de mes yeux, j'ai pas vu Dieu à Amsterdam.

A Amsterdam, il y a les eaux, il y a les âmes.
J'ai vu les eaux dans les canaux, j'ai pas vu d'âme à Amsterdam.

A Amsterdam y a des vélos et y a des trams
et des bateaux qui font font l'amour au carrefour à Amsterdam
.

[Refrain] Il y a Dieu, il y a les dames.
J'ai vu les dames, où donc est Dieu?


A Amsterdam, il y a Dieu, il y a les dames.
J'ai vu les dames de mes yeux, j'ai pas vu Dieu à Amsterdam
.

A Amsterdam y a des florins avec des diams
et tout s'achète et tout se vend, même le vent, à Amsterdam.

A Amsterdam, il y a Van Gogh, il y a Van Dam.
Les chimpanzés sont exposés dans les musées à Amsterdam.

[Refrain] Il y a Dieu ...

A Amsterdam la Chine, l'Afrique et l'Islam
sont réunis et toutes les races enfin s'embrassent à Amsterdam.

A Amsterdam les fourmis, les hippopotames
sont assemblés dans un baiser plutôt osé à Amsterdam.

A Amsterdam j'ai cherché le Dieu d'Abraham.
Jésus, est-il ce jeune bonze qui se bronze à Amsterdam?

[Refrain] Il y a Dieu ...

A Amsterdam, il y a Dieu, il y a les dames.
J'ai vu les dames de mes yeux, j'ai pas vu Dieu à Amsterdam.

A Amsterdam, voici des pigeons qui s'enflamment
devant les belles qui ruminent dans les vitrines à Amsterdam.

A Amsterdam, dans les saunas, dans les hammams
Marcuse transmet son message dans les massages à Amsterdam.

[Refrain] Il y a Dieu ...

A Amsterdam y a du haschich par kilogrammes.
Ma bien-aimée dans la fumée fut embaumée à Amsterdam.

A Amsterdam j'ai vu soudain monter mon âme
par le p'tit trou qu'un vieux couteau m'a fait dans l'dos, à Amsterdam.

A Amsterdam, il y a Dieu, il y a les dames.
J'ai vu les dames de mes yeux, j'ai pas vu Dieu à Amsterdam. (bis)"

[Guy Béart]


III



foi o brutamontes hooligan
enfrentar o zé povinho
'britannia rules my man!'
ficou também pelo caminho

os alemães de bigodino
sonham agora c'o caneco
bebem às pipas de vinho
e cantam q'até faz eco

o país está doidinho
tipos a cair da estátua
mas eu cá mantenho o tino
ou não me chamasse Carcaça



IV


não são de Alcochete estes francius
mas vão levar à mesma c'oa baguete


fraco poeta fraco prosador
este que humildemente se subscreve
como o vosso narrador
que querendo ser Camões é só reles almocreve
q'ao futebol se dedica e a bola serve



V


não é de Alcochete este franciu
ai não não é
a origem pied noir o nome Zizou
afundou a caravela com o pé

sua classe é saber vencer
(que é saber perder)
enquanto mister s fez figura triste
invocando penalti que não existe

estava o país prestes a embandeirar em arco
e os plongeurs mergulhados no charco

não é de Alcochete este franciu
ai não não é
a origem pied noir o nome Zizou
destroçou as quinas com o pé




VI



onde Maradona é palhação
Eusébio é simplista
Pelé um vaidosão
Zizou estoicista

amanhã é a final
todos deveriamos torcer
p'lo campeão sem igual
- Que se despeça a vencer!

os relvados ficam mais pobres
mas sempre temos a Briosa
que mal comparando é nobre
joga de forma gostosa





VII

Epílogo

A manha italiana compensou
Zizou despediu-se à cabeçada
e a squadra azzurra levantou
a taça por todos desejada

sexta-feira, junho 23, 2006

Amo a Laura III
Já começam a ajavardar

Foi com muito prazer que o Núcleo, a partir da sua filial em Espanha, apresentou para todo o auditório português aquela que será a canção do Verão. Também tivemos a honra de mostrar uma actuação dos excelentes Los Happiness ao vivo no programa Buenafuente.

Mas já ninguém pode mais ter uma ideia saudável para a juventude que aparecem logo uns malcriados a quererem destruir a mensagem. Com "Amo a Laura" não podia ser diferente. Apareceram uns tais de Los Fuckiness, a parodiar o clip original da forma que se segue. Reproduzimos também a letra para verem a pouca vergonha que isto é!



Me Peto a Laura

Hagamos juntos un 69
Yo chupo tu almeja
tu pruebas mi leche
Estoy pinocho
te muerdo los pezones
- sha la la laaaa, sha la la la laaaaa -
En tu culito
chocan mis bolones

Quisiera ensuciarte
en tu espalda firmarte
hospedar en tu culo
sin mancharme lo de alante
Mamar es saber succionar
es saber succionar
es saber succionaaaaaaar...

Me peto a Laura
cabalgándome sus nalgas
me peto a Laura
descargándome en su cara.
Te voy a arrancar esa flor y la del culo
voy a ser yo.

Joven, recuerda que después de un beso
puedes estrujar tu tranca entre sus trufas
si la meneas como si fueras a hacer fuego
a eso se le llama una "paja cubana".

Me peto a Laura
cabalgándome sus nalgas
me peto a Laura
descargándome en su cara.
Nena pónme ya un condón o házmelo a pelo
mucho mejor.

quarta-feira, junho 14, 2006

Crónicas do Mundo Mundial
Brasileirando em Madrid



Brasil - Croácia. Prometia ser o melhor jogo do grupo F. Onde ver a estreia dos campeões em título, estando em Madrid? Algum "canarimarada" solidário avisou na Internet que ia ter festa na Casa do Brasil, que fica em Moncloa, com direito a telão e tudo. Boa oportunidade para sacar da gaveta a amarelinha número 21 (igual à que Viola usou quando jogou uns minutos na final de 1994 contra a Itália). Vou para lá.

Embora algo escondida, a Casa do Brasil foi fácil de achar. Bastou seguir a procissão amarela que nascia da estação de metro de Moncloa. Ambiente de festa, com muita batucada, e gente a mais para um espaço até espaçoso. Um sujeito suado, de óculos, com ar de ser da casa cerrava o caminho com os braços abertos: "Auditório! Auditório!", tentava pastorear a manada. Sigamos o seu apelo. Impossível conseguir uma cerveja com tanta gente na frente do balcão. A 15 minutos do início do jogo, talvez se encontre um lugar sentado no auditório, onde está o ecrã gigante...

Perfeito! Assistir a um episódio da história do futebol, em directo, num cinema! A coisa prometia. Começa o jogo, com uma reacção histérica da plateia. Cedo a gente se apercebe que a Croácia não é o timinho perna-de-pau que muitos esperavam. Rápidos e habilidosos, os jogadores de xadrez vermelho foram muitas vezes parados com recurso à falta. "Caiu sozinho", gritava uma mulher recusando as evidências do replay. Cada vez que o Brasil ameaçava o golo, uma festa danada. Quando eram os adversários que o faziam, um suspiro aterrador atormentava a massa. O relógio foi passando, com cada vez mais suspiros que festejos. Até que chegou o chute redentor de Kaká. Arrancado a ferros. Ninguém economizou foguetes. As oportunidades para queimá-los não iam ser muitas.

A segunda parte, um tormento. A Croácia se agigantava, tomava conta do jogo, jogava melhor... Alguém tentava quebrar o gelo: "Quem trocou os uniforme dos time?". A piada era boa, mas ninguém queria rir. O apito final foi tão comemorado como o milagre de Kaká. O resultado final ajudava todo mundo a acreditar que o Brasil tinha jogado melhor, que ainda era o melhor... Na contra-mão, um caboclo solitário caia na real: "A Croácia tá bem. O Brasil tem que melhorar".

No balcão do bar, já não estava a multidão de antes do jogo. Também, pudera... a cerveja tinha acabado. As pessoas estavam alegres, mas não teve samba. O edifício foi esvaziando aos poucos. O riacho amarelo corria agora em direcção ao metro. Lá embaixo da terra, os brasileiros não passavam despercebidos nem que quisessem. Um, ao entrar no vagão, abriu a janela, dirigindo-se aos amigos que esperavam do outro lado da plataforma: "Esse trem aqui vai pro Brasil. Cês tão errados. O Brasil é pra esse lado aqui".

Cortesia do site associado Grandenorme
QUEM É DE PORTIMÃO, QUEM É?

Portimão: Detido homem com arma ilegal carregada, antes da chegada de ministro
Portimão, 13 Jun (Lusa) - Um homem armado foi detido hoje de manhã na zona ribeirinha de Portimão, minutos antes da chegada do ministro da Administração Interna ao local, disse à Agência Lusa fonte policial.
O homem, com cerca de 30 anos de idade, tinha em seu poder um revólver ilegal de calibre 22, que se encontrava carregado com várias munições, quando foi detectado por um agente da PSP, cerca das 11:00, pouco antes da chegada de António Costa, que ali foi anunciar o reforço das forças de segurança durante o Verão, no Algarve.
Segundo a mesma fonte, a detenção do indivíduo ocorreu na sequência de "movimentos suspeitos" e pela forma como se vestia.
O suspeito está emigrado em Espanha e aparenta sofrer de perturbações mentais.
A mesma fonte disse desconhecer as intenções do homem, que foi interrogado, mas não revelou o que fazia no local com a arma. São conhecidas, no entanto, as simpatias do suspeito por Cavaco Silva e o PSD, pelo que o acto poderá ter tido motivações políticas.
Presente ao final da tarde ao juiz de instrução do tribunal judicial de Portimão, o suspeito saiu em liberdade, com obrigação de apresentação periódica às autoridades.
JPC/JMP.
Lusa/Fim

terça-feira, junho 06, 2006

segunda-feira, junho 05, 2006

Documento
Por uma democracia pura e dura

O Núcleo Duro vem apresentar uma proposta de revisão da Constituição da República, no sentido de incluir uma nova figura democrática, em substituição das votações parlamentares, e que poderia mesmo vir mais tarde a substituir os referendos e até as eleições - um grande passo em direcção a uma sociedade mais justa.

De acordo com esta proposta, os partidos passariam a decidir as questões da nação com recurso ao "bull poker". A solução já foi testada com êxito no último congresso do ND, como demonstra o documento que se segue - uma disputa pela introdução de pudins de tripas na sobremesa do próximo jantar do Núcleo. Tiberius era o maior defensor do sim e o vídeo capta o momento da sua vitória.


As seen on Break.com

domingo, junho 04, 2006

Secção O Meu Pai Andava em Viagem - Especial Mundial
Irmãos ciganos


Zlatan Ibrahimovic, craque da Suécia


David Gahan, vocalista dos Depeche Mode


Ricardo Quaresma, malabarista do FC Porto

(cortesia do site associado Grandenorme 2006)

sábado, junho 03, 2006

Escutas do Núcleo

Cablogue telefona a Tiberius às dez da manhã de um sábado

Cablogue: Estou?

Tiberius (acabrunhado): Hum?

Cablogue: Olá camarada, então como é que isso vai, olha o Grande Enorme não vou poder mandar os exceis e em vez disso bla bla bla parari parara tiriri tiriri...

Tiberius (sonolento): Huh?

Cablogue: ...bla bla bla e depois o grande jantar final, com toda a gente claro, pode ser no dia da final e bla bla yadda yadda yadda...

Tiberius (taciturno): Duuuuh...

Cablogue: ...e bla bla yadda yadda patati patata...

Tiberius (sonâmbulo): Hmmm, eu ainda estava a modos que a dormir?

Cablogue: A dormir? Mas já são...

Tiberius: Dez da manhã!

Cablogue: ...dez da manhã!

Tiberius: Pois, hmmm, eu estive ontem a ver os Pistons-Heat e...

Cablogue: Ah agora quando tiveres o puto é que vai ser, ainda hoje de manhã o Cabloguinho acordou-me às sete a dizer que queria jogar ténis e parari parara bla bla bla

Tiberius (semi-inconsciente): Hmmm, sim, whatever, manda depois um e-mail.

(click)


Cablogue (resmungando para si próprio): Estes caralhos é só boa vida, a dormir às dez da manhã.

Tiberius (resmungando para si próprio): Estes caralhos, foda-se, acordar um homem às dez da madrugada.

quarta-feira, maio 31, 2006

Amo a Laura II
Los Happiness - Live in Buenafuente

Documento imprescindível para todos os fãs do hit deste Verão. Andreu Buenafuente, o Conan O'Brien espanhol, conseguiu levar ao seu programa (transmitido no canal de televisão Antena 3) a banda do momento. Los Happiness são um fenómeno!

terça-feira, maio 30, 2006

Um novo movimento mundial

Está a espalhar-se por todo o mundo uma mensagem, um movimento, mais rápido e abrangente que as campanhas pelo cancelamento da dívida do terceiro mundo, mais mundial que os vídeos porno da Paris Hilton, mais numeroso que aquele vídeo do Amo a Laura (Vostra - temos de falar outra vez desse assunto).

Já não há site, já não há blog que não inclua a tarja da causa. Milhões e milhões de sites, toda a Internet entupida pela nova onda que inunda o mundo inteiro:

segunda-feira, maio 29, 2006

Vostra, põe-te a pau

Isto não está bom para cartoonistas. Já não é só os dinamarqueses; agora, houve motins no Irão por causa de baratas azeris.

Portanto Vostra, o teu portfólio sobre os azeris do Irão terá de ficar adiado. Põe-te a pau, que isto hoje em dia ser cartoonista é pior que ser toureiro. Aliás, como não li neste blog, a tua obra já está a causar celeuma:

Manifestação em Moscovo contra cartoon de Vostra nos pacotes de açúcar Nicola: "Não percebemos a piada! O que é um mandril?! Morte a Vostradeis!"

sexta-feira, maio 26, 2006

Escutas do Núcleo

"Dizem que o melhor homem para fazer amor é os coreanos, eu não sei porque nunca experimentei nenhum, mas parece que são muito bons amantes na cama."

[Uma quarentona no programa da manhã da TVI (o do Goucha)]

Em homenagem ao Tiberiusinho, junto seguem dois momentos de paternidade:

O primeiro banho.

Esse é um dos momentos de realização última de qualquer pai. Dias depois de nascer e da mãe já lhe ter ministrado os necessários cuidados de higiene, coube-me a mim dar-lhe o primeiro banho na minúscula casa de banho do meu minúsculo apartamento. Ficou tudo registado on tape pelo que as memórias são regularmente avivadas. Eu era mais magro mas mais desconfiado dessa coisa de garotos. A expectativa era imensa e o volume de visitas ao meu estabelecimento faziam inveja à rua do DIAP em tempo da Casa Pia ou à assistência do Vasco da Gama de Boleiros (que subiu este ano de divisão). Perante a assistência peguei no meu pequeno rebento (porra, como ele era pequeno) e tentei agarrá-lo com o indicador e o polegar pelas costas, como li numa edição golden da ?Pais e Filhos?.

Sem sucesso, reconheço. O puto escorregou das minhas mãos como se de uma pista de ski se tratasse e mergulhou na água tépida com detergente antibacteriano próprio para a sua pele. Assustado tentei agarrá-lo mas a película suave e hidratante da água cobria-o e após o agarrar pelo calcanhar, como Tetis fez com Aquiles, deixei-o cair de novo com estrondo. Após algumas tentativas de desesperado e perante os gemidos de incómodo que ele manifestava lá o consegui segurar com os dois braços e o queixo, como uma tenaz fixa.

Farto de não o conseguir lavar, decidi colocá-lo sobre o fraldário para o começar a vestir. Brinquei com ele, limpei-o e pus-lhe um outro creme, hidratando-o tanto que ele poderia passar pelo ralo da banheira sem qualquer fricção. Virei-me de costas para ir buscar a fralda (as melhores são as Dodot, ouviste tiberius?) e ele sorria como um inocente. Quando me viro, sinto um calor no peito anormal e pensei que, por causa da tensão, estava a ter algum tipo de enfarte. Mas, ao sentir que o calor não subia até à cabeça mas escorria até ao abdómen, percebi que não era um problema cardíaco mas sim urinário. E do meu filho que sorria contente, olhando para a minha figura.


O meu primeiro choro.

As primeiras noites foram santas. O puto mamava à 01:00, depois acordava ás 06:00 e o mundo era bom, seguindo o seu curso na Era Quaternária. No entanto, numa dada madrugada, a criança (consequência de algum espermatozóide mais noctívago, daqueles que não saíram para os lençóis quando eu tinha 13 anos) decidiu abrir os pulmões e cá vai disto. Não eram dentes, não era fome, não eram cólicas (bendita groselha em tubos que os médicos receitame lhe calam essas dores), nem sequer fralda suja. Era apenas a vontade de gritar, associada a algum jetleg mal feito desde o útero da mãe. O desespero apossou-se de mim, que tinha de acompanhar uma visita do Gugu (Guterres) um pouco mais tarde nessa madrugada.

Peguei na criança, sacudi-a violentamente enquanto tentava berrar mais alto do que ele. ?O QUE É QUE QUERES? CALA-TE MERDA! AINDA TAMANDO PELA JANELA!? Depois, olhei para o espelho do quarto e vi-me, aterrorizado, qual Nosferatu sem a cara pintada. Eu era um criminoso, um Anthony Hopkins (mas sem papar a Jodie Foster), um Vítor Jorge das Almuinhas. Dei a criança à mãe e fugi. Fugi de casa e de carro pela cidade às 05 da manhã, como um lobo acossado. Parei somente numa barraca de bifanas à porta de uma discoteca para comer uma sande de carne assada e beber uma bejeca.

Agora, mais recomposto, decidi dormir no carro à porta de casa, aguardando pelo momento em que iria enfrentar o primeiro-ministro da nação, na ressaca do primera tentativa de pensamento de homicídio qualificado do meu filho.

quarta-feira, maio 24, 2006

Queda das roupas


Tão importante como a queda das folhas no Outono, assistimos nesta época do ano a outro fenómeno da natureza que, embora semelhante, usa mais do que as cores quentes de pastel (menos para o Ernesto que é daltónico e vê mal).

Nestes meses primaveris, assiste-se à queda das roupas nas mulheres que, como árvores de porte frondoso, deixam revelar a nudez dos seus ramos e dos seus troncos. Algumas mulheres são típicas portuguesas, oliveiras robustas que se fixam na terra agreste e desafiam os olhares. Outras são mais eucaliptos, secam tudo à volta para aparecerem mais altas altas, longas pernas e olhar elevado. Outras parecem pinheiros bravos, com a pele resinosa e peitos desafiantes como copas que se acendem em mecha num qualquer fogo de Verão. Existem as caducas que optam pelos trajes minimalistas e aquelas que mostram ter vestuário perene e só a sombra dos ossos da traqueia é encarada como um decote indecoroso.

A faculdade de letras de Coimbra era um desses mostruários de mudanças climáticas nas roupas. A queda das roupas revelava os corpos escondidos durante o Inverno, indiciando nalguns casos surpresas e noutros desilusões. Aquele olhar maroto escondido no pólo de malha justo com o rebordo do soutien durante os meses de frio afinal não passava de carne mole e pastosa agrilhoada na roupa que agora é exposta às agruras do calor. Pelo contrário, aqueles dentes-de-leão defendidos por muralhas de roupa e de casacos afirmavam-se agora viçosos e orgulhosos, expondo a macieza da pele e a rigidez das formas, como símbolos de uma feminilidade que parecia até então não existir.

Hoje, numa escola superior de educação do centro do país, enquanto esperava por uma professora para recolher declarações sobre um curso inovador (dizem eles), apreciei como o fascínio do desconhecido ainda permanece, apesar dos canais Sexy Hot, Sleazydream ou Vénus. Embora divas como Silvia Saint, Veronica Zemanova, Kelly Trump ou Vanessa del Rio demonstrem que o mundo feminino já nada mais pode expor, reparei no comportamento dos homens que apreciavam duas flores sentadas no banco do jardim da escola.

Uma de calções justos e apertados, de cor clara que indiciavam, embora sem o confirmar, um fio dental modesto. A outra, de saia preta comprida, com uma racha também ela comprida até a meio do fémur, encimada por três botões dourados e redondos que pareciam selar uma encomenda de correio prioritário. As duas de perna cruzada deixavam entrever sombras do paraíso mas limitavam-se a ignorar os olhares mais ou menos evidentes dos cromossomas Y que por ali passavam. Uns mais de soslaio (os professores), outros de forma evidente (os putos) e outros fingindo nem reparar (os namorados).

Curiosamente, este meu breve estudo de campo confirmou a minha premissa inicial que os calções coarctam a imaginação masculina. Isto porque nos calções existe um limite último que é definitivo: o remendo de pano que se transforma no rio Letes da nossa imaginação, impedindo-nos de subir ao Inferno ou descer ao céu, conforme o caso.

Pelo contrário, os maiores torcicolos ou olhares vesgos (com riscos de descolamento da retina) eram dirigidos para a jovem de saia e racha comprida. A ilusão de chegar mais longe, onde nenhum olho chegou, terá levado mais cromossomas Y a disputar o lugar ao sol naquele jardim, com sucessivas passagens e repetições, algumas delas em câmara lenta.

Eu ainda tentei aprofundar mais a minha tese mas a dita docente, uma senhora respeitável que já terá sido também um nenúfar que algum jardineiro colheu (ou não), chamou-me e perdi aquele momento fugaz de eternidade. Quando saí da breve entrevista (ainda mais breve devido à minha pressa inaudita) os dois canteiros plantados no banco do jardim já de lá haviam saído e com eles a concretização da minha tese.

segunda-feira, maio 22, 2006

Núcleo Nostalgia

Momentos Locanda


Tinha aqui alinhavada uma brilhante prosa a que ia dar o nome "Ernesto e Tiberius vão ao Casino", que metia o casino de Lisboa, strippers, quantidades alucinantes de dinheiro apostadas na roleta e muitos, muitos chineses, mas não tenho pachorra para a escrever.

Estou cansado e dói-me a cabeça e, com franqueza, vocês, oh audiência do Núcleo, não valem o esforço.

Mas para compensar, vou fazer uma edição especial do Núcleo Nostalgia, a rubrica tipo Sic Gold que recupera os momentos mais belos do Núcleo. Nesta edição de Núcleo Nostalgia: Zizou (identificado pelo nome de código Rui Cunha) vai a uma pizzaria que é especializada em francesinhas e, naturalmente, pede um bife com batatas fritas, que não estava muito bom:



Os donos do garfo

Locanda
Canelas, Gaia
pizzas, francesinhas...

A especialidade são francesinhas, diferentes porque levadas ao forno. Eu comi um bife coberto com tiras de presunto, com batatas fritas às rodelas e molho de tomate. Estava bom, embora não magnífico. Também dizem que as pizzas são boas.


postado por Rui Cunha às 18:09


Locanda II

Neste último post, Zizou mostra claramente que é um amante do risco. Num restaurante onde a "especialidade" são as francesinhas e onde "as pizzas também são boas", ele opta pela solução mais perigosa e pede um bife coberto com tiras de presunto que não estava "magnífico". Zizou é enorme, de uma imprevisibilidade a toda a prova. Aguarda-se com curiosidade a sua próxima incursão aos frangos da Guia. Que pedirá então Zizou? Carpaccio de polvo, lasanha, sushi... Aceitam-se apostas.

postado por Ernesto às 18:39

Locanda III

Ernesto: imaginemos, por absurdo, que vais a uma casa de putas. A especialidade da casa é a profissional de serviço - uma matrona de 40 anos e 90 quilos - espetar-te com um dildo pelo cu acima. Que farias? Tornavas-te um «amante do risco», recorrias à tua «imprevisibilidade a toda a prova» e optavas pela «solução mais perigosa» para pedir um bico; ou, pelo contrário, deixarias que a senhora te enfiasse a prótese de borracha pelo teu traseiro hemorróidico?



postado por Rui Cunha às 10:44


Locanda IV

Compreendo-te, Zizou. É bem visto. Mas a questão é que eu não entraria numa casa de putas onde a especialidade é espetarem "dildos pelo cu acima" (a não ser que tivesse fumado muito daquelas plantas do Vostradeis...).


postado por Ernesto às 12:29





Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004

Locanda V

Recomendam-se algumas notas adicionais:
1. eu gosto de francesinhas, mas decidi optar pelo bife para ser diferente das outras três pessoas que jantaram comigo. 2. Ernesto é pouco rigoroso na citação das fontes: eu não disse «as pizzas também são boas»; eu disse «também dizem que as pizzas são boas», o que é diferente...
postado por Rui Cunha às 15:56


Locanda VI

Tenho de intervir neste fascinante debate para protestar contra as metáforas de Zizou. Ele compara uma francesinha a levar com um dildo pelo rabo acima. Ora, como ele próprio confessa, uma francesinha é uma especialidade culinária de qualidade. Dildo pelo rabo acima é uma coisa diferente.

Se Zizou aprecia francesinhas, e compara francesinhas a dildos, que conclusão podemos tirar? Para esclarecer as dúvidas na mente deste jovem transviado, vamos usar imagens:

Isto é uma francesinha: (imagem de francesinha - não tenho pachorra de ir à procura doutra. a próxima imagem era de um dildo grande, preto e de plástico)

E isto é um dildo:

PS: Que caralho de nome para um restaurante é que é "Locanda"?

PS 2: Qual é a utilidade de uma crítica gastronómica para um restaurante em Canelas, Vila Nova de Gaia?
postado por Tiberius às 18:57

sábado, maio 20, 2006

A polémica sobre a visibilidade mediática ou não dos nossos nomes (ou não) numa outra página da blogosfera gerou uma questão sobre a qual temos de nos debruçar (de bruços, portanto): Para quê o anonimato?

1. Para podermos obviar a posição equidistante a que a nossa profissão obriga?

Tirando o Zizou, que é um jornalista sério, o resto é só bandalha. O tiberius fala de coisas que não sabe, procurando passar entre os pingos da chuva para que ninguém note a sua ignorância, como sucederia com a Maria João Avillez a comentar jogos de futebol. O Ernesto compõe os seus textos com duas ou três figuras de estilo (sim, o Ernesto já é um gajo que pode pôr figuras de estilo nos seus textos ao contrário de nós, comuns mortais) e entrou naquela categoria dos pseudos que por muita porcaria que escreva, parece sempre bem. Além disso, o jornal dele também está em ritmo Titanic, por isso o que é que interessa? Eu, aqui na província, vou compondo breves dos jornais dito sérios e pouco mais. Por muito que eu estrafegue ou me ponha em bicos de pés tudo aquilo que possa ser visível na blogosfera será sempre risível aos olhos dos meus conterrâneos. O DJ paposseco dedicou-se a fumos estranhos e pestilências intelectuais para quem a Internet e os blogues são actos de masturbação na virilha da verve de cada um. O vostra, anda a comer gajas em Espanha e não quer saber disto.

  1. Para podermos ter mais liberdade naquilo que se diz?

Tirando o Zizou, que é um tipo sério, o resto é uma cambada de acomodados. Se todos estivessem cansados da prisão profissional já há muito poderiam ter mudado. Até o Ernesto, que tem uma prole de filhos e bastardos, poderia agarrar os seus sonhos de atleta profissional. Para isso bastaria viver à conta da mulher e poderia então abraçar o seu sonho de criança: ser taxista entre a Berlenga Maior e a mais pequena. Já com o tiberius, a situação torna-se mais complicado. As nossas origens marcam-nos sempre e ele é do Porto. É certo que já viveu nas estranjas e agora na capital mas os horizontes deles continuam a ser o mesmo: dono de uma barraca de francesinhas à porta do mercado do Bulhão. O DJ Paposseco no fundo queria ter uma intervenção cívica mais activa: tipo ser director de um pasquim neo-pós-moderno de uma academia qualquer no centro do país. Em contrapartida, poderia liderar uma lista de independentes para a presidência da Junta do Fórum dessa mesma cidade. Eu nasci padeiro, fui padeiro e seria assim que gostaria de ser lembrado: o Pessoa deixou versos, o gajo da tabacaria deixou a tabuleta e eu deixo pães (que duram mais do que alguns versos, conforme o fermento que se ponha). O problema é que não suporto muito bem o calor. Já o Vostra, o sonho dele é comer gajas em Portugal.


  1. Para evitarmos processos judiciais?

Essa é a resposta mais simples: bastaria assinarmos um acto de irresponsabilidade mútua entre nós. Como, de facto, só passamos o tempo a dizer mal de nós o único risco é algum entregar uma queixa no MP contra o vizinho do lado. Excepto o Zizou, que é um tipo pacato e o Vostra que só quer comer gajas e como nenhum de nós é mulher (embora existam algumas dúvidas em relação a um dos meus camaradas de blogue).

Viragem no Núcleo
A Canção do Verão

Enfarolado por esses dois vultos carcaço-cabloguisticos do pensamento contemporâneo, o Núcleo Duro vem anunciar a sua renúncia a um passado de "ordinarice" que vinha "contaminando" a blogosfera. Aproveitamos para nos colocar ao lado dos santíssimos bispos da Igreja Católica na batalha contra o Código Da Vinci e o preservativo.

Deixamo-vos, queridos irmãos que nos visitam, com um clip da banda Los Happiness, que chegou com uma nova mensagem de esperança, que está a fazer o maior sucesso aqui em Espanha, mostrando que a juventude não se precisa prostituir num mundo promíscuo de vício e silicone para vender discos. Convosco (bendita sois vós entre as mulheres...), a canção deste Verão: "Amo a Laura"

sexta-feira, maio 19, 2006

Fugindo ao tema Mundial, venho por este meio manifestar o meu total apoio à contratação de Carlos Queiroz para o Benfica.
Como sportinguista estou até disposto a ajudar a subsidiar o salário.
Com o Co e o Queiroz no Porto e Benfica, a desvantagem com que o Sporting parte é muito menor.

PS: com o elevado número de participações, não seria melhor pensar noutro tipo de retribuição do prémio? É que um jantar de 45 euros é uma enormidade