segunda-feira, outubro 09, 2006

Nova rubrica
Perdidos no Sótão

Continuando a nossa luta por entrar no Guinness como o blog com o maior índice de rubricas fixas (temos neste momento cerca de uma rubrica por 1,5 posts), lançamos aqui uma nova, que consiste em imortalizar textos interessantes que encontramos por acaso ao fazer uma limpeza no sótão de casa.

Abrimos esta série com trechos de uma pérola encontrada no jornal semanário "Horizonte", de 18 de Junho de 2004, trazido de uma viagem à Ilha do Sal, Cabo Verde, e que define um pouco a maneira de ser daquele povo, a sua atitude perante a vida, num país onde as coisas funcionam num outro ritmo...




São Nicolau: Inaugurado desembarcadouro da Preguiça

A ilha de São Nicolau passa a estar melhor servida em termos de infra-estruturas portuárias, com a inauguração, domingo, do desembarcadouro da Preguiça, que sofreu profundas obras de reabilitação e ampliação.

(...) Minutos depois do descerramento da placa inaugural, numa manobra a olhos vistos fácil, atracaria no novo desembarcadouro o ferry-boat Sotavento, capitaneado por Salvador Nunes, este, por sinal, filho da Preguiça.

(...) No seu discurso da ocasião, o ministro Manuel Inocêncio disse que o desembarcadouro da Preguiça, embora pequena à escala e dimensão nacionais, não deixa de ser uma infra-estrutura grande para a Preguiça e importante para São Nicolau. (...)

domingo, outubro 08, 2006

Escutas do Ministério Público [as únicas que são melhores do que as do Núcleo]

«José Sócrates - Quer dizer, o teu nome anda por lá, não é? Nos depoimentos.
Ferro Rodrigues - Exactamente! Tá metido na merda, na lama(...) Mas como isto, pá, tá tudo a ser registado, pá, acho melhor, pá, teres cuidado com a língua, pá!
J.S. - Ó, eu tenho o caralho, pá! Tu desculpa lá, é que a mim não me intimidam, nem...
F.R. - Depois dizem que tu, pá, que tu não defendes o Estado de Direito, pá! Que não sabes o...
J.S. - Pois, eu não conheço o Estado de Direito!
F.R. - Que não conheces a separação de poderes...
J.S. - Puta que os pariu... os poderes...
F.R. - Tá bem»


[Transcrição de uma escuta telefónica (real) constante do processo Casa Pia. Escuta de conversa telefónica entre José Sócrates e Ferro Rodrigues a 24 de Maio de 2003 (ainda J.Sócrates não era Primeiro Ministro nem secretário geral do PS - cargo este ocupado por Ferro Rodrigues). Fonte: DN]

sábado, outubro 07, 2006

Borat em Cambridge

O maior repórter do Cazaquistão descobre os segredos de uma das mais antigas universidades do mundo. Comentário: o gajo em Coimbra passava-se!

sexta-feira, outubro 06, 2006

Pensamentos Para Lelos



Por quê os seguros cobrem tudo menos o que acontece?

quinta-feira, outubro 05, 2006

Chumbada proposta de AdSense
Núcleo duro de mais para o Google

Se não é de um gajo sentir orgulho, então não sei de que é. Com o propósito de fazer a popularidade do nosso blog começar a render uns cobres para as nossas jantaradas, submeti no Google uma proposta de adesão ao programa AdSense, que consiste basicamente em colocar uns banners de publicidade aqui no site e começar a somar carcanhol cada vez que alguém clica neles. A ideia era boa, mas a nossa proposta foi recusada. Mesmo assim, só pela resposta deles, já valeu:

"Estimado Vostradeis:

Gracias por el interés mostrado en AdSense de Google. Tras revisar su solicitud, nuestros especialistas han comprobado que no cumple las políticas de nuestro programa, por lo que de momento no podemos aceptarla. A continuación detallamos las razones que han motivado el rechazo de su solicitud:

- Lenguaje inapropiado
- Contenido del sitio inaceptable

---------------------

Más detalles:

Lenguaje inapropiado: Hemos comprobado que su sitio web incluye contenido que infringe las políticas del programa ASense de Google. Los sitios web que incluyen lenguaje o contenido potencialmente ofensivo no están permitidos en dicho programa. Por favor, revise nuestras políticas (https://www.google.com/adsense/policies?hl=es) para ver una lista completa de los contenidos no permitidos en las páginas web.

Contenido inaceptable: Durante la revisión de su solicitud encontramos que su sitio está usando marcas comerciales de Google (Google Brand Features) de una forma no autorizada. Éstas incluyen, entre otras, marcas de registro o negocio Google, logotipos, páginas web, capturas de pantalla, o cualquier otro elemento distintivo de Google, usados sin autorización o permiso previo de Google."
Num dia em que, coincidentemente, a Câmara da Amadora entrega o prémio reportagem Orlando Ranholas, eis mais um sério candidato ao Prémio Excelência Jornalismo ND, na variante da crónica. Trata-se de um texto que poderia ter sido produzido por um Ernesto nos seus melhores dias, mas a autoria cabe a Jorge Fiel, do Expresso. Desfrutem:

Priapismo Nocturno

"Nunca sofri de um ataque de priapismo nocturno puro e duro, daqueles que duram 36 horas (ou até mais), como o que passou num episódio recente da série 'Serviço de Urgência', da AXN, em que as simpáticas enfermeiras tiveram de administrar duas injecções na base do pénis do paciente para conseguirem derrubar a teimosa erecção que o atormentava. O pior que me acontece neste particular são episódicos mini-ataques de priapismo nocturnno que se revelam bastante incómodos quando coincidem com uma irreprimível vontade de satisfazer as minhas necessidades fisiológicas de carácter líquido. Não é preciso ser-se um iniciado nas artes do tiro curvo e do tiro tenso (o que, por acaso, até sou, já que a minha especialidade na tropa foi Anticarro e Morteiro Médio) para se perceber que é completamente impossível acertar com a urina dentro da sanita se o pénis está erecto.
A alternativa de fazer xixi como as senhoras, ou seja sentado, é um exercício doloroso e desprovido de resultados práticos já que o pénis está num ângulo superior a 90 graus com o chão e não está no seu estado flexível, pelo que é impossível acomodá-lo dentro da sanita. O que fazer nestas circunstâncias? Caso se trate de pequenos ataques, não é necessário recorrer à urgência do hospital. Pense em coisas desagradáveis (como, por exemplo, rim grelhado ao pequeno almoço) ou ligue o televisor e fique a ver um canal de vendas. Se não passar, vista o roupão e vá aliviar-se ao ar livre (sobretudo se morar perto de um bosque), rezando para não encontrar no elevador uma vizinha feia que pode achar que você ficou assim entusiasmado por vê-la. Ou então use o método de Robert de Niro em 'O Touro Enraivecido' - encha um 'frappé' e despeje o gelo sobre as suas partes. Vai ver que resulta."

Única (Expresso), 26 de Agosto de 2006

terça-feira, outubro 03, 2006

segunda-feira, outubro 02, 2006

Documento
O Festival dos Festivais

Todos os anos, sucedem-se os Festivais de Verão. As organizações esperam sempre conseguir reunir elencos que catapultem o seu evento para os anais dos festivais, ao lado de acontecimentos históricos como Woodstock (1969), Rock in Rio (1985), Queima das Fitas de Coimbra (1995)...

Esta década, ficará marcada por um evento que teve lugar em Trás-os-Montes. O cartaz diz tudo:



O alinhamento foi de antologia. A Festa Emigrante Transmontana (2006) teve o mérito de reunir em Macedo de Cavaleiros centenas de pessoas de todo o mundo e alguns dos maiores nomes da música:

Quarta, 2 de Agosto: Quim Barreiros (o grande!)
Quinta, 3 de Agosto: Emanuel (o enorme!)
Sexta, 4 de Agosto: Jorge Ferreira (o quem?)
Sábado, 5 de Agosto: Citroën C1 (inovação total na história da música. Pela primeira vez o cabeça-de-cartaz não foi um cantor, mas um automóvel)
Domingo, 6 de Agosto: Tony Carreira (o rei!)

domingo, outubro 01, 2006

Top Jackpot ND

Uma batalha decidida


No início do século XXI, há uma colossal batalha pelas mentes e espíritos de todos os seres humanos.

Um dos lados quer respeitinho e moral e bons costumes e casamento só entre homens e mulheres, um de cada em cada par.

O outro lado é a favor da tolerância e do individualismo e da libertinagem e de cada um fazer o que lhe apetecer.

Estes dois lados digladiam-se diariamente num duelo titânico pelas almas, sobretudo da "gente nova".

O lado dos conservadores tem a seu favor a Bíblia e o Corão e milénios de história e o Ratzinger e o João César das Neves e o George Bush e o Bin Laden e o Diácono Remédios e as velhinhas beatas e duzentos milhões de mullahs e 90 milhões de padres e freiras e o Jerry Falwell e aqueles gémeos que eram primeiros-ministros da Polónia e o Opus Dei e, em certos dias, o Ernesto e o Zizou e o Cablogue, e o Zezé Camarinha e mais uma porrada de gente.

E o outro lado, quem tem? Tem...



...os Scissor Sisters. Portanto, já ganhou.

sexta-feira, setembro 29, 2006

TOP JACKPOT ND


Zé Cabra, Deixei tuto por ela

deixei tudo por ela, deixei deixei
deixei tudo por ela, eu sei eu sei
deixei a minha vida, tão bonita e singela
deixei tudo o que tinha, dexei tudo por ela

deixei de ir ao cinema
deixei de ir ao futebol
deixei de ir à praia
deixei de ver o sol
nana nana nanana
nana na na nanana
porque ela achava bem

deixei tudo por ela, deixei deixei
deixei tudo por ela, eu sei eu sei
lalala lallalala lalala lalala
lalala lallalala lalala lalala

quinta-feira, setembro 28, 2006

TOP JACKPOT ND


Ena Pá 2000, Vida de Cão (ao vivo no Garage)

quarta-feira, setembro 27, 2006

Top Jackpot do ND

Cada vez mais virado para o audiovisual (porque dá menos trabalho), o ND propõe-se agora abrir a sua cagagésima rubrica. Como sou DJ, proponho que nos rendamos ao espírito "Top Jackpot". Lembram-se daqueles vinis rascas (ou, em alternativa, cassetes roufenhas) que circulavam por aí nos anos 80, com compilações dos "melhores singles do ano"? Pois bem, o ND vai mostrar-vos as músicas que sempre o inspiraram, aquelas que se perfilariam para a edição ND do Lollapalooza. Fiquemos com a primeira malha desta série, o rock budista dos nova-iorquinos King Missile, com a música "take stuff from work", retirada do álbum "mystical shit".



take stuff from work
Take stuff from work.
It's the best way to feel better about your job.
Never buy pens or pencils or paper.
Take 'em from work.
Rubber bands, paper clips, memo pads, folders-take 'em
from work.
It's the best way to feel better about your low pay
and appalling working conditions.
Take an ashtray-they got plenty.
Take coat hangers.
Take a, take a trash can.
Why buy a file cabinet?
Why buy a phone?
Why buy a personal computer or word processor?
Take 'em from work.
I took a whole desk from the last place I worked.
They never noticed and it looks great in my apartment.
Take an electric pencil sharpener.
Take a case of white-out; you might need it one day.
It's your duty as an oppressed worker to steal from
your exploiters.
It's gonna be an outstanding day.
Take stuff from work.
And goof off on the company time.
I wrote this at work.
They're paying me to write about stuff I steal from
them.
Life is good.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Borat dar umas risadas

O Núcleo Duro tem a honra de apresentar, directamente do Cazaquistão, pela primeira vez em Portugal, Borat Sagdiev. Guardem este nome! Vão ouvir falar muito nele.

quarta-feira, setembro 20, 2006



Que dizer? Materazzi não é, de facto, um homem educado, esteja dentro ou fora de campo.Só um profundo mau gosto, oleado pelos dólares da Nike, pode levar um jogador a entrar num anúncio como o reproduzido acima depois do que se passou na final do mundial entre esse jogador e Zidane.

terça-feira, setembro 19, 2006

Times They Are A Changing

lição de vida prática número 1: Paulo Portas


PP, o director do jornal O Independente: "O poder é a pior coisa que há, eu sou geneticamente contra o poder, seja ele de quem for."

uns anos depois...


PP, o Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar

sábado, setembro 16, 2006

Multirrubricas
DJ Carcaça e Vostradeis à solta em Madrid

Para assinalar um feito de grande simbolismo no Núcleo Duro - o reencontro de DJ Carcaça e Vostradeis em Madrid, quase uma década após o célebre tour dos dois show-men à capital espanhola - lançamos aqui uma nova rubrica, que consiste em misturar duas ou mais rubricas que são ou já foram habituais por aqui. Neste caso, recuperamos a saudosa "Os Donos do Garfo" (a nossa secção de crítica gastronómica) e "As Paredes têm Bocas" (as verdades que encontramos escritas nas paredes de todo o mundo)... e criámos assim:

As Paredes têm Garfos
Fomos bater umas Punyetes



Nome: Can Punyetes
Localização: Calle Señores de Luzón 5 (Metro: Opera ou Sol), Madrid
Preço: À volta de 10 euros (barato!)

Taberna ao bom estilo catalão bem no centro da Madrid dos Astúrias. As especialidades são as tostadas ou torrades, que vão bem como entrada, mas também como acompanhamento. Consistem numa bela fatia de pão torrado bem adubada com presunto serrano, queijos, pisto con ventresca, anchovas, enchidos, patês... um vasto leque de iguarias à escolha.

Como prato principal, a casa construiu a sua fama à base de grelhados, com destaque para os enchidos catalães. Os nossos durões apostaram com êxito na famosa butifarra (salsicha especial catalã) - Vostra escolheu a butifarra catalana e Carcaça optou pela negra - enquanto a Senhora Carcaça, nossa ilustre comensal nessa noite, elegeu uma competente dose de chuletillas (costeletinhas) de borrego na brasa.

O ambiente é rústico e acolhedor, com a cozinha e o seu assador à vista do público, e um balcão onde se pode simplesmente tomar uma cerveja (de garrafa, já que não têm à pressão) ou um bom vinho catalão.

Nas paredes do Can Punyetes (atenção à rima finíssima):

SON BUENAS ESTAS PUÑETAS
QUE SE MANDUCAN AQUI
Y LOS VINOS QUE SE BEBEN
SON DE LOS QUE HACEN TILÍN


CAN PUNYETES TE DARÁ
DE COMER Y DE BEBER
Y SI TIENES QUE ESPERAR
VALE LA PENA CHAVAL

sexta-feira, setembro 15, 2006



Está na altura de as equipas portuguesas começarem a mandar vir apanha-bolas brasileiros. Fonte da direcção da Briosa disse-me que este já está a caminho da Lusa Atenas.
Pensamentos Para Lelos



Meu primo Lelo ficou viúvo e casou-se com a cunhada. Terá sido para economizar sogra?

quinta-feira, setembro 14, 2006

Qual é o Filme?



Vê-se um homem a comprar o jornal e a reclamar:

- Não é possível! O Mário Soares outra vez na primeira página!? Chega! O homem está morto politicamente. Até o Manuel Alegre lhe deu uma coça. Quando será que este fóssil vai deixar de aparecer nos jornais!?

Qual é o Filme?

quarta-feira, setembro 13, 2006

Escutas do Núcleo



[numa praia, um homem com aspecto de camponês aproxima-se de um congénere, que aparentemente dorme estendido numa toalha]

- Então, estava aí na sorna?
- Não, estava só a passar pelas brasas...

- Isto hoje está mau, um nevoeiro esquisito.
- Eles tinham dado bom tempo, mas parece que é só para amanhã.
- Pois é... mas amanhã já cá não estou... é a vida...
- Então porquê?
- Então, tenho que ir para a apanha da batata.
- Deixe estar, pode ser que eles se enganem outra vez no tempo....
- Se eles me fizessem esse favor dava jeito, que a trabalhar na terra o calor não se atura.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Pensamentos Para Lelos



No tempo da escravidão, em que os escravos eram usados como moeda, como é que se davam os trocos? Com pigmeus?

quinta-feira, setembro 07, 2006

Qual é o Filme?



Vê-se um jovem estudante em Coimbra num café a terminar um trabalho para uma disciplina de Teoria e História da Imagem ao mesmo tempo em que joga aos dardos e conta em voz elevada aos empregados do estabelecimento as aventuras da sua adolescência como ajudante de padeiro nos subúrbios de Leiria. Quando se prepara para terminar o trabalho, a tinta da esferográfica acaba mesmo no momento de colocar o ponto final. Valendo-se de uma grande criatividade e sentido prático, o rapaz acende um fósforo apagando-o logo em seguida e, com a cabeça queimada do amorfo, desenha um enorme e inestético ponto final num trabalho já de si inapresentável. Qual é o Filme?

CASOS DA VIDA COMENTADOS PELO NÚCLEO




Os pais do rock mirandês


Maria José Margarido (Diário de Notícias)
Rui Coutinho (foto)

Reportagem: Sendim
Cantam o "amor agrícola, à luz da candeia", uma corrente musical progressiva a que alguém já chamou "surrealismo rural". Os Pica Tumilho gabam-se de ser o maior grupo de rock agrícola do mundo e deixam um aviso prévio ao público: quem assistir aos seus concertos "arrisca-se a levar para casa uma sachola autografada". São dez da manhã no Café Sendinês, chove ruidosamente nesta vila que parece ser um epifenómeno musical na região, capaz de gerar mais bandas diferentes por metro quadrado do que qualquer outra localidade mirandesa. Emílio Martins (vocalista, vozes estranhas, saltos, gritos e letras) e Bruno Peres (teclas apoiadas em fardos de palha) lamentam que os outros três membros do grupo estejam ausentes. "Deviam conhecê-los, são piores do que nós. São cá uns cromos..."

A comparência desses "cromos" em Sendim, terra natal do projecto, é impossível quando quase todos moram já fora da vila, um dos membros da banda está prestes a ser pai e os outros têm os seus afazeres profissionais, empregos comuns. O hard rock etnográfico, cantado em mirandês, que este professor de Estudos Sociais e aquele engenheiro mecânico criaram, não chega nem para pagar as contas dos Pica Tumilho. "Todo o dinheiro que a banda ganha é para investir na banda", juntamente com a ajuda de familiares que emprestam estábulos e palheiros para ensaios, um ambiente essencial para que o espírito criativo destes homens se debruce sobre a interioridade rural e a sátira "a amores de perdição como o de Camilo Castelo Branco, ao romantismo exagerado"que não cabe no quotidiano mais prosaico. Afinal, o mirandês "é idioma optimista e bem disposto, contrário a desesperos", explicam atropelando-se um ao outro às gargalhadas.

A crítica social do grupo, que garante beber inspiração "em grandes bandas dos anos 80 - Pink Floyd, Deep Purple, Led Zeppelin, Pão & Circo ou Marillion", chega também "às péssimas condições das estradas de Trás-os-Montes, aos subsídios desbaratados da União Europeia e à defesa dos interesses dos agricultores". Enquanto aprecia um tranquilo café, Emílio - prestes a baptizar a sua primeira filha - divaga sobre a sonoridade criada em 1998: "Estamos para as sacholas e forquilhas como um grupo de rock industrial está para a utilização de sons de rebarbadeiras e berbequins". O primeiro e único disco editado até agora, Sacho, Gaçpóia i rock'n' roll ("sachola, vinhaça e rock'n'roll"), pela Sons da Terra (do Porto), é prova disso. Por mais que se tente aqui descrever o ambiente musical de canções como Mundabas i palheiro ("reflexo das paixões vividas outrora pelas gentes do Nordeste transmontano, relacionadas melindrosamente com certas actividades de teor agrícola") ou Ai que cochino! (história de um porco que teimava em não morrer no acto da sua matança), o melhor é mesmo ouvi-las.

Avancemos agora para o ambiente de palco, que os dois membros da banda acedem a recriar. Enquanto o pai de Emílio vai buscar o tractor e se ri com as actividades do filho - "é maluco, mas como não é nada de drogas...e a esposa também não se importa..." -, o vocalista coloca uma cabeleira e uns óculos especiais. À semelhança das grandes óperas-rock, também os Pica Tumilho criaram duas personagens que os acompanham para todo o lado, o casal Florinda e Alfredo Pica, e que querem ver transpostos para uma banda desenhada em mirandês. Florinda é "uma donzela do campo, singela, meiga, trabalhadeira, madrugadora, que não perde uma missa, fã de música pimba". Já Alfredo "é um vadio, bebedolas, preguiçoso, playboy, roqueiro por natureza, que não perde uma noitada na discoteca". Reza a canção Se quejires ser labrador (ténes que tener un trator) que Florinda se lançou nos braços de Pica depois de saber que este adquirira um tractor de mil cavalos, "no fundo uma crítica aos abusivos projectos agrícolas extraídos à CEE", pois claro.

Já actuaram em "muitos lados" os Pica Tumilho - expressão que descreve o trabalho comunitário, feito em tempos ancestrais, de cortar em bocaditos giestas, tomilho e outras plantas selvagens, para depois as juntar ao estrume de animais e deixar a fermentar durante um inverno inteiro, alquimia para obter um precioso fertilizante. Começaram no festival Ga-rock 98, em S. Pedro da Silva, de onde saíram "como heróis" graças a esta mistura explosiva de rock e lavoura. Passaram por Braga, Vila Real, Macedo de Cavaleiros, "quase todas as aldeias do distrito". E querem ir mais além, embora "às vezes não tenhamos dinheiro".

Posam para as fotografias relembrando que os seus espectáculos começam sempre com "uma abertura insuflável que representa uma burra montada por uma mulher de biquíni, como se o campo fosse a praia". A partir daí é o desvario, com motores de rega a disparar fogo-de-artifício no palco, uma bigorna, alambiques, martelos e marras, serrotes e bidões - a juntar a instrumentos mais tradicionais. "Os Sétima Legião são uma banda que se identifica com o mar e isso reflecte--se no seu cenário, nós retratamos o quotidiano rural". Vestidos de camisas de linho e calças de pardo (lã de ovelha), "divertimo-nos à grande". Olhando pra eles, ninguém duvida - disso e das intenções de fazer uma tournée em cima de um tractor, ao melhor jeito de Uma História Simples, de David Lynch. O avô de Emílio, que também ali mora, aproxima-se. Quer saber se já vamos embora. Vamos. "Não querem levar ao menos uma cebola?"



Comentário do Núcleo: Eis mais uma reportagem que se coloca como séria candidata ao prémio Excelência no Jornalismo Núcleo Duro.
É bom saber que o legado dos Pão & Circo, banda anti-musical formada por quase todos os elementos do ND, tem herdeiros que o dignifiquem. Viva o rock do matarruano!

quarta-feira, setembro 06, 2006

Pensamentos Para Lelos



O meu filho usa saias e não come ninguém... Será roto ou há a hipótese de ser apenas padre?
Qual é o Filme?



Vê-se o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a chegar a Telavive em visita de estado. O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert vai recebê-lo, mas o brasileiro ignora-o e vai a correr ao hospital visitar Ariel Sharon. Um flashback mostra os dois na sua adolescência em reveladoras cenas romântico-rabéticas. Um corte leva-nos ao hospital da capital de Israel, onde Lula não consegue conter a emoção ao ver o antigo amante ligado às máquinas que o mantêm vivo. "Oh, Árik!", suspira... Qual é o Filme?