quinta-feira, maio 15, 2003

Na senda da crítica literária do blog Abrupto, e da sua fé clubista, cá vai um excerto de Arturo Pérez-Reverte, do livro A Pele do Tambor. A acção passa-se em Sevilha (tradução livre):

"... e agora cruzavam a ponte em estado de graça, evitadando pudorosamente olhar à esquerda para as nefastas edificações modernas da isla de la Cartuja, e recreando-se na paisagem que se oferecia à direita, Sevilha de toda a vida, bonita e rainha moura, com as palmeiras ao largo na outra margem, a Torre del Oro, o Arenal e a Giralda. E quase ao alcance de uma pedra, a praça de touros de La Maestranza: a catedral do Universo onde o povo ia a rezar aos homens valentes que Ninã Puñales cantava..."

"Caminhavam por cima da ponte junto ao varandim de ferro, ombro com ombro, como nos velhos filmes americanos, com a menina ao meio e eles os dois, don Ibrahim e o Potro del Mantelete, ladeando-a como leais cavalheiros. E no reflexo azul, ocre e branco da manhã sobre o rio, turvo pelos vapores suaves do fino La Ina que havia generosamente enchido os seus espíritos, soava um excerto de guitarra andaluza que só eles podiam ouvir. Uma música imaginária, ou talvez real, que dava aos seus passos curtos e algo precipitados, à forma em que deixavam nas suas costas a familiar Triana para passarem para a outra margem do Guadalquivir, a firmeza e a decisão de um passeio entre o sol e a sombra das cinco da tarde."



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