Encontro no trânsito com Nuno Gomes
Estes nossos ídolos da bola, que aparecem na televisão a fazer campanhas para deficientes ou em defesa da saúde pública, são de uma hipocrisia repugnante. Veja-se este episódio que presenciei ontem.
Ia eu para casa, num final de dia sereno, quando paro num semáforo e vejo ao meu lado, num Mercedes AMG, a falar por telemóvel, Nuno Gomes, o aranhiço com cabelo que (não) joga no Benfica.
O sinal esverdeou e o rapaz avançou, abrindo o vidro eléctrico e olhando para mim. Ainda pensei que me quisesse cumprimentar ("Então Ernesto, como é que vai o blogue?"). Engano. Nuno Gomes abrira o vidro eléctrico para lançar um papel que estava a sujar o interior revestido a mogno do seu popó.
Nesse momento, ocorreu-me apitar ("Oh palhaço, essa merda é para atirar para o chão!"). Mas depois lembrei-me que as estrelas do futebol podem ser muito susceptíveis e violentas (o Sérgio Conceição, dias antes, partira a cara a um gajo que lhe pedira uma cerveja, numa estação de serviço das Antas).
De novo ao seu lado num semáforo mais à frente, optei pela minha temível expressão de repúdio, os olhos semicerrados, abanando ligeiramente a cabeça.
Duvido, no entanto, que o nosso herói nacional se tenha apercebido da reprimenda. Por esta altura, a nuvem de fumo de cigarro dentro do seu bólide era mais cerrada que a cacimba de Sintra.
Feitas as contas a este encontro fortuito na Avenida da República, Nuno Gomes, imagem nacional de correcção e civilidade, em apenas um minuto, cometera nada mais nada menos do que três contra-ordenações: 1-falar pelo telemóvel ao volante, 2-atirar lixo para a via pública, 3-fumar enquanto conduz (ainda não é ilegal mais vai ser).
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