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quarta-feira, janeiro 19, 2005

Veia poética

Já que estamos com veia poética, regressemos à poesia de parede. Tal como Vostra notou com o seu olhar clínico (no seu mítico espaço "as paredes têm bocas", que entretanto parece ter abandonado para apostar nas patilhas), Coimbra é mesmo capaz de ser a capital portuguesa da poesia de parede. Não admira: é também a capital dos intelectualóides e a capital da saúde e a capital da cultura 2003 e a capital do baixo Mondego e a capital da edução e a capital dos doutores por metro quadrado e a capital das terceiras cidades da europa. No aspecto da poesia de parede, a rua Padre António Vieira está muito bem municiada. Logo junto à sede da AAC, pintadas a letras verdes este três mensagens de grande análise política (Tiberius, não fui eu que as inscrevi, a minha caligrafia é muito má? mas subscrevo):

Quanto mais ignorantes
Melhor é para os governantes

É urgente destruir a ignorância

Os ricos que paguem a crise


Mais à frente, a letras escarlates e garrafais, esta informação de interesse geral

AMO-TE TÂNIA

um pouco mais acima no sentido da universidade, um apelo assinado pelo PCTP-MRPP. Aposto que não saiu da cabeça do grande líder Garcia Pereira, mas não deixa de ser sofisticada adaptação do comunismo à sociedade do consumo de Jean Braudillard

Adere ao comunismo!

Já junto à Faculdade de Medicina, alguém ? provavelmente um frequentador dos meandros universitários - decidiu colocar esta questão à população estudantil

Há vida inteligente na universidade?

terça-feira, novembro 09, 2004

As paredes têm bocas



É nos muros espalhados por esse Portugal afora que se encontram as mais bonitas peças de reflexão socio-filosófica. Mas também nos pára-choques dos camiões é possível, às vezes, descobrir belas obras de lírica dignas de um cancioneiro.

No muro em frente a uma igreja em S. Sebastião da Pedreira (Lisboa):

A REVOLUÇÃO É A FESTA DOS DEPRIMIDOS

Na traseira de um camião na A8:

MANTENHA A DISTÂNCIA
TRAVÕES À MANEIRA
DISTÂNCIA MÍNIMA 100 METROS
NÃO MARRAR!

sexta-feira, outubro 29, 2004

As paredes têm bocas



A Amadora é considerada a capital nacional da banda desenhada, mas bem podia ser também a capital das pichagens. Poucos lugares no país terão tão bem retratada nos seus muros a realidade dos seus habitantes. Descobri ao acaso um trajecto pelo qual as sucessivas mensagens que vão aparecendo, a tinta vermelha ou preta, algumas bem antigas, revelam o percurso típico do morador local médio nas várias etapas da sua vida.

Pelos Muros da Amadora (da Venda Nova à estação de comboios da Reboleira) ou A Vida de um Amadorense não Necessariamente por Essa Ordem:

NÃO À GUERRA CIVIL! UNIDADE DO POVO!

NÃO AO PACOTE LABORAL

PACOTE LABORAL É DO CAPITAL

REFORMA AGRÁRIA E PÃO E TRABALHO
LUTEMOS PARA A DEFENDER


ABAIXO A REPRESSÃO NA SOREFAME

THATCHER ABORTO POLÍTICO

OS TRABALHADORES NÃO PERMITIRÃO O DESPEDIMENTO COLECTIVO E A DESTRUIÇÃO DA BERTRAND

VOTA PCP

POR UM GOVERNO DO P.S. SEM CAPITALISTAS NEM GENERAIS

MÉÉ 100% ERVA

AS PUTAS SÓ PAREM FILHOS

SOU PUTA SANDRA

FUI PUTA NA ARTELHARIA No.1 INTENDENTE TÉCNICO

quarta-feira, outubro 20, 2004

As paredes têm bocas



Os escribas do spray deixam nas paredes registos escritos dos acontecimentos contemporâneos que servem de base à formulação de teorias novas sobre eventos históricos. No fundo, dotam a própria história de novas perspectivas, como a vertente mística dos eventos.

Nos muros de um edifício na Praça do Comércio (Lisboa):

ESPIRITOS MATAVAM + - 200 PESSOAS NOITE

quinta-feira, outubro 14, 2004

As paredes têm bocas



O trabalho dos grafiteiros pode influenciar o curso da história, apontando direcções para o mundo. Às vezes, servem de inspiração a movimentos políticos. Noutras, apresentam soluções para problemas sociais tão comuns como a questão da sobrelotação das prisões e outros. São, por assim, dizer, uma espécie de cábulas para a governação.

Nos muros do supermercado Feira Nova da Amadora (Nota: Os erros de portoguez foram correjidos):

CONTRACTOS APRAZO = LUCROS PARA O PATRÃO!

MORTE AOS LADRÕES!!

quarta-feira, outubro 06, 2004

As paredes têm bocas



Alguns grafitos revelam uma profusa criatividade linguística, digna de um Mia Couto, provando que alguns grafiteiros são verdadeiros escritores inconformados.

No edifício do jornal "Correio da Manhã", em Lisboa:

ARMAS PARA OS ENTENDIADOS

Nota: o ND interpreta o termo entendiado como um especialista numa qualquer matéria ou actividade, um entendido, que tenha sido atacado pelo tédio, como é o meu caso. Por isso, armas para mim.

sexta-feira, outubro 01, 2004

As paredes têm bocas



Coimbra é capaz de ser a capital portuguesa da filosofia de parede. Tirando as chatíssimas frases de apelo ao voto nas eleições académicas, o nível até que é elevado. Eis aqui algumas observadas na nossa última incursão pela Lusa Atenas.

Dos muros do Departamento de Antropologia:

LER PARA SER SÁBIO

PRECISAMOS TRAZER O PROGRESSO PARA PORTUGAL

NÓS SOMOS MELHORES QUE OS AMERICANOS

PROIBIDO PENSAR

Dos muros da Faculdade de Ciências:

AQUI CHUMBA-SE

FORÇA É POIS IR BUSCAR OUTRO CAMINHO

terça-feira, setembro 28, 2004

As paredes têm bocas



Sempre me fascinaram os grafitos e as pichagens com que os "artistas" e "filósofos" de bairro costumam cobrir a cal branca e reacionária dos muros. Sempre me pareceram feitas por gente cheia de coisas para dizer. É bem verdade que há para aí uns parvos que só fazem umas letras estranhas, com siglas sem sentido que não acrescentam nada e só emporcalham a cidade. Mas as cores quentes dos murais comunas dos anos 70, por exemplo, são um bom contraponto. Eu gosto de os ver quando passo na rua. Nunca o fiz, mas admiro a coragem subversiva dos que costumam pôr a latinha de tinta em acção. Quando era puto, imaginava-me a fazer bonecos, a escrever frases de resistência e a ser perseguido pela polícia.

Ontem, passei por uma localidade perto do Estoril com o conveniente nome de Parede. Acaba por ser de certa forma simbólico abrir com ela esta nova rubrica, que vai documentar as frases mais bem conseguidas espalhadas pelos muros de Portugal (e não só) que formos encontrando pelos nossos périplos. Vamos dar voz aos heróis do spray. Fica para já aqui então registada a sentença que vi na parede de uma casa da Parede:

É ISTO A SOCIEDADE FÁXISTA!!!
MORTE AOS POLÍTICOS