segunda-feira, julho 07, 2003

Queiroz não vai longe



Até gosto do Carlos Queiroz. Sempre me pareceu ser um homem calmo e um treinador com alguma coisa a ensinar à "geração bigode" de técnicos portugueses. O episódio da "porcaria da Federação" só lhe ficou mal porque dito na altura errada - soou a desculpa pelo falhanço. Uma pequena mancha no melhor pano. A verdade é que não lhe auguro nada de bom no Real Madrid. É certo que tem ao seu dispor alguns dos melhores jogadores do mundo, mas cada vez mais esse "melhores" significa "mais famosos". Vamos ver o que os "merengues" vão conseguir em termos de contratações neste defeso, mas até agora, foram buscar um caríssimo Beckham que não parece vir trazer nada de novo à equipa. Para o centro da defesa, volta a falar-se de Beto, um jogador que neste momento não tem lugar nem no banco da selecção portuguesa. De resto, Queiroz terá à sua disposição um Figo um ano mais lento (já não é nem deverá voltar a ser o mesmo), um Zidane que continua mágico mas que de ano para ano vai perdendo gás e protagonismo, um Ronaldo gordo e um sobrevalorizado Beckham que não poderá ficar no banco, já que foi a principal contratação. Mas não acredito que alguém consiga explicar aos adeptos se a equipa jogar menos do que o melhor futebol do mundo. A exigência para os lados do Santiago Bernabéu é exagerada. Não duvido que o Carlos Queiroz consiga fazer um bom trabalho (embora não ache que o José Peseiro vá ajudar muito como adjunto), mas o Del Bosque também fez - até foi campeão! - e correram com ele mesmo assim...

exclusivo Os Donos da Bloga/Forças de Blogueio
Confirma-se: eles são mesmos feios

Parece que houve um jantar da União dos Blogs Livres ou algo do género. Os Donos da Bloga não foram convidados, apesar de serem livres, o que é insultuoso. O relato do acontecimento está, no entanto, publicado na blogosfera. Pedro Mexia diz que se tratou de uma reunião de "um grupo de amiguinhos lisboetas, pós-modernos, ligados à universidade e aos jornais, com mania que são intelectuais, arrogantes, viciados em bocas foleiras e gracinhas, e que acabam a noite no Lux. Uma vergonha".

Bem visto. Eu também estava no Lux e acrescento: ... com gente feia, inapta para a dança (e por isso para o sexo), com camisas sem colarinho e barrigas protuberantes. Não admira que se masturbem muito e leiam mais. Aconselho umas corridas no estádio 1º de Maio. O Mexia diz que a Charllote levava com ele. Eu digo que a Charllote levava comigo.
Faixas brancas



O Ernesto já falou aqui numa banda de Detroit chamada The White Stripes – aquela que é composta por um casal que só se veste de vermelho e branco e que toda a gente achava que eram irmãos (li no outro dia na “Newsweek” que eles afinal não são irmãos, até já foram casados, mas hoje encontram-se divorciados. Isso não interessa nada também). Jack e Meg White estão a fezer do melhor rock que se ouviu nos últimos anos. Mas a boa nova é que parece (ouvi dizer) que eles estão para vir cá, para tocar no festival do Sudoeste. Esperemos que sim, mas a verdade é que ainda não está nada confirmado, como se pode comprovar no site oficial da banda. Aliás, há na Net óptimos sites sobre The White Stripes. Recomendo:

1- Site oficial
2- Site quase oficial
3- Site dos fãs da banda em Singapura



Deixo-vos com uma letra do último álbum (“Elephant”). Uma grande malha!:

Hypnotize

I want to hypnotize you baby
on the telephone
So many times I called your house
just to hear the tone
And though I knew that you weren’t home
I didn’t mind so much cause I’m so alone
I want to hypnotize you baby
on the telephone

I want to spin my little watch
right before your eyes
You’re the kind of girl a guy like me
could hypnotize
And if this comes as a surprise
Just think of all of those guys who would tell you lies
I want to spin my little watch
right before your eyes

I want to hold your little hand
if I can be so bold
And be your right hand man
til your hands get old
And then when all the feelings gone
Just decide if you want to keep holding on
I want to hold your little hand
if I can be so bold
If I can be so bold
If I can be so bold
País feio

O país está todo em obras e parece um estaleiro. Estradas, condomínios, centros comerciais, casas, prédios, pontes, teatros...: tudo parece estar a ser construído, ampliado ou requalificado. Em Aveiro, no Porto, em Lisboa, em Montemor, em Coimbra... Em cidades, vilas e aldeias. No litoral e no interior. No Verão e no Inverno. Obras a cargo de câmaras, do Governo, de institutos públicos ou de particulares. Obras financiadas por fundos comunitários ou não.
A questão é esta: as obras, à partida, deviam servir para melhorar e embelezar. E se é justo dizer que algumas obras o conseguem fazer, a verdade é que uma boa parte delas faz exactamente o oposto: estraga, destrói, corrompe, deforma, torna feio... Tantas intervenções e empreitadas, tantos tijolos e cimento, tanta madeira e telhas, tantos arquitectos e engenheiros, tantos presidentes de câmara e de junta... Tanto dinheiro.
O resultado, no entanto, é deprimente: Portugal está cada vez mais feio, mais desagradável, mais desordenado, mais desorganizado. Portugal deve ser dos países mais feios da Europa.
O jornalista que há em nós

O debate sobre o jornalismo mantém-se, no Aviz, no Terras do Nunca, no Liberdade de Expressão. Vale a pena ler o Terras do Nunca. Quanto ao Liberdade de Expressão baseia a tese no argumento de que o blogger é um editor. Acrescento: eu sou o pai natal. Parvoíce. Já sabíamos que existia um escritor em cada um dos portugueses, com a blogosfera estamos a descobrir que também existe um jornalista.


PS: O Mar Salgado já avisou. Esta semana há Kitano na RTP2.

sexta-feira, julho 04, 2003

Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen

O mestre zen de nome Gutei tinha por hábito levantar o indicador sempre que transmitia novos ensinamentos aos seus discípulos. Um pupilo começou a imitá-lo e, toda vez que alguém lhe perguntava algo sobre o que o mestre andara a ensinar, o rapaz levantava o dedo ao contar o que aprendera. Gutei foi informado disso e, um dia, ao surpreender o moço a imitá-lo, agarrou-lhe a mão com firmeza e decepou-lhe o dedo. O rapaz desatou a chorar e Gutei gritou: "Pare!" O aluno obedeceu e, voltando-se, encarou o mestre por entre as lágrimas. Gutei erguia o indicador. O pupilo foi levantar o seu e, quando compreendeu que não existia mais, inclinou-se diante do mestre. Naquele instante, o rapaz sentiu-se iluminado. Agora, sempre que a EDP me corta a luz por falta de pagamento, decepo um dedo para me sentir iluminado também. Já só tenho os dos pés.
PLAP



Estivemos ontem no mini-concerto do Pedro Luis e a Parede, na galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto (Lisboa). Grande som, com muita batucada e muita alma. As letras são muito interventivas e bem esgalhadas. Aqui fica um exemplo sacado do primeiro álbum, “Astronauta Tupy” (1997). A propósito, PLAP voltam a actuar esta noite, num concerto maior, na Festa da Cerveja, no Castelo São Jorge.

CHUVA DE BALA
(Pedro Luis)

Amor tá chovendo bala
Abre a janela prá não quebrar
(as vidraça)
Recolhe as coisa da sala
Maloca as criança por trás do sofá
(e passa a usar)
Guarda-chuvas de aço
E o peito blindado pro coração não sangrar
Tatuagens no braço
De balas passando rentes qual facas no ar
Há nuvens tão carregadas
Rajadas são trilha sonora do day by day Ôoo...
Guarda-chuvas de aço
E o peito blindado pro coração não sangrar
Tatuagens no braço
De balas passando rentes qual facas no ar
Chove, chove, chove, chove, chove
Chove bala Chove, chove, chove
Chove sem parar
SOBRE O JORNALISMO E OS JORNALISTAS

A última edição do suplemento «DNA» (28 de Junho) incluia uma crónica de José Mário Silva, jornalista e um dos autores do «Blog de Esquerda», onde voltam a ser evidentes certos equívocos em relação à profissão de jornalista.
Diz o José Mário Silva:

«A blogosfera é outra coisa, umas vezes segue os temas e o 'modos operandi' do jornalismo (nomeadamente nas criticas a acontecimentos culturais ou no comentário políitco) mas na maior parte das vezes não. Nos blogues, as notícias, as crónicas, cruzam-se com apontamentos do quotidiano(...)»

Trata-se, quanto a mim, de um ponto de vista errado. Nunca vi nenhum blog usar o 'modus operandi' do jornalismo. Nunca vi uma notícia num blog, vi comentários a notícias, o que é muito diferente. O 'modus operandi' do jornalismo é trabalhoso e exige uma estrutura que nenhum blog tem.

José Mário Silva defende que é preciso separar as águas entre a blogosfera e o jornalismo, «por muito que aparentem ser, nos tempos que correm, irmãos siameses».

Os blogues e o jornalismo não são irmãos siameses, são coisas totalmente diversas. Se há muitos jornalistas a escrever em blogues, é porque (alguns) têm propensão para a escrita e passam muitas horas nas redacções, «ligados» à net. O jornalista é, cada vez mais, um funcionário, com horários relativamente rígidos a cumprir (há mesmo quem pique o ponto) e exigências de produtividade, factores que levam à perversidade do jornalismo sentado.

«Depois de muito pensar sobre o assunto e de reler os blogues escritos por jornalistas (Francisco José Viegas foi uma das últimas aquisições) (...)»

Aqui está outro equívoco frequente. José Mário Silva foi logo escolher o exemplo de um jornalista que não o é. Para mim, um jornalista não é uma pessoa que escreve umas crónicas bonitas nos jornais, que faz comentário político, ou mesmo editoriais. Pelo contrário, um jornalista escreve notícias e faz reportagem (o lado mais criativo da profissão). Alguém já viu uma notícia que seja assinada pelo Francisco José Viegas? Não.
Há um mal entendido que permanece e que já aqui foi muito bem descrito pelo Ernesto e pelo ElCablogue: um jornalista não é alguém que escreve umas coisas giras nos jornais, nem uma arma de arremesso político (como era no pós 25 de Abril). É um profissional que se rege por um Código Deontológico exigente, onde o rigor, a discrição e a neutralidade são as metas a alcançar. E conseguir aproximar-se disso é muito difícil, muito custoso. Se calhar, é mais giro e dá mais projecção fazer uns artigos marotos, opinativos, sem observar essas regras. Até aceito que isso possa ter espaço num jornal. Mas não é jornalismo, é outra coisa! Para isso é que existem os blogues, por exemplo. Talvez seja essa vontade de protagonismo que leva a mais uma das originalidades portuguesas, um país onde há imensos jornalistas vitalícios (Mega Ferreira, Ruben Fonseca, Miguel Sousa Tavares, Miguel Portas, etc. etc., etc.) e onde o sonho da maior parte dos jornalistas é ganharem estatuto para... não serem jornalistas (transformando-se em gestores, directores, produtores de conteúdos, falsos grandes repórteres...). Isso vê-se nas nossas redacções, onde os mais jovens e inexperientes têm a maior carga de trabalho, enquanto, ao seu lado, o tipo com estatuto passa o dia a fazer que trabalha e a cultivar uma imagem de competência... É que o bom jornalismo dá muito trabalho, é desgastante (mas também dá gozo, felizmente) e vivemos num país de aparências e chicos espertos.

Por último, diz o José Mário Silva:

«Humildade porque nos apercebemos todos os dias que há pessoas, nomeadamente as que não têm acesso aos jornais, que sabem mais do que nós, estão mais bem informadas do que nós e escrevem melhor do que nós.»

Quanto a isso, não podia estar mais de acordo.

quinta-feira, julho 03, 2003

Não, Carlos, eu não posso ser teu adjunto no Real. Não insistas, pá. Olha lá, por que é que não convidas o Nelo ou o Peseiro? Ou o Neca? E também podias levar o Beto. E o Manel. E o Zé. E a Ti Maria. E o Quim. E o Manecas. E o Tozé. E o Zé Tó. E o Xico. E o Rafa.
JPP volta à carga

Pacheco Pereira voltou a falar sobre jornalismo. É por isso que gosto dele. A sério. Ele pensa estas coisas. E, não conhecendo a praxis, vai para além ou do raciocínio mais ou menos banal de políticos e intelectuais vários sobre o assunto. O problema de JPP, como já se disse aqui, é o exagero e a generalização (truques conhecidos que fazem o êxito dos "opinions makers" mas que implicam muitas vezes injustiças).

Desta feita o tema parecia ser a figura do editor, a propósito do que (não) distancia o jornalismo dos blogs. Diz JPP, sem distinguir o que se faz na rádio, na televisão e na imprensa, que o editor está enfraquecido devido à "dissoluçào da autoridade nas redacções e ao igualitarismo". Em que se baseia JPP para dizer isto? Acha porventura JPP que aquelas figuras que vemos fazer alguns jornalistas na televisão, em situações do tipo "o que sente com a morte do seu irmão?", não são instruídas por editores (desses educados com a "autoridade" das velhas e politizadas redacções do pré e do pós 25 de Abril que JPP parece preferir), muitas vezes sob pena de despromoção. E na imprensa? O que significa pouca edição na imprensa? Sabe JPP que num diário, por exemplo, existe uma reunião de editores de manhã, outra à tarde; que nenhum texto é paginado sem ser lido, quase sempre corrigido, por um editor.

Acredito que a ideia de JPP fosse mais esta: que os editores são maus, que são cada vez piores. Mas fala de quem JPP? Qual a comparação? Refere-se ao editor de suspensório, delegado do partido para a imprensa? Ao editor amador, que dava uma perninha no jornal depois da advocacia? Onde leu isso?

Acrescenta depois, e aí acerta:

"O jornalismo existe para nos informar, o resto vem por acrescento e à volta disso. Convém lembrar."

Para terminar:

"No entanto há que reconhecer que esta distinção edição / não-edição tem cada vez menos sentido. Primeiro, porque o jornalismo se tornou ficcional , uma espécie de "creative nonfiction" nos seus melhores e raros momentos. Nos piores, ou seja na maioria dos casos, produzem-se apenas redacções opinativas, mais ou menos escolares, que,a última coisa que querem é que lá dentro entrem factos. É o que acontece nalguns blogues. ( Quando colocar as "notas sobre o jornalismo político do Independente" , que tem como principal característica não ser jornalismo, falarei destas questões )"

Ó JPP, só hoje descobri nos jornais do dia dezenas de notícias que não são redacções opinativas! A "creative nonfiction", uma expressão que se não me engano é do Truman Capote e que se insere no novo jornalismo americano dos anos 60 (de que, em Portugal, Felícia Cabrita foi a mais recente e bem sucedida precursora - e não me refiro à Casa Pia, claro), está praticamente extinta na imprensa portuguesa! Vamos com calma.
Os Donos do Garfo



Nome: Stadin Kebab
Designação: Cadeia de “fast food” à moda do Médio Oriente
Local: Kaivokatu 8 (e outros três locais), Helsínquia
Página na Internet: www.maviakdeniz.com/stadin/main.html
Preço médio: 8 euros
Classificação: 5

Continuando em Helsínquia, uma opção para quem não tem preconceitos em relação aos restaurantes de tabuleiro e quer comer relativamente barato é o Stadin Kebab, uma cadeia com quatro estabelecimentos na capital finlandesa. Por menos de 10 euros, o que naquela cidade é um achado, é possível escolher alegada “comida rápida do Médio Oriente” de uma vasta lista... que anda sempre à volta do mesmo: kebab ou falafel. As doses são tremendas – dão bem para duas pessoas – e acompanham salada e uma montanha de arroz e/ou batatas fritas (tipo McDonalds), mas também há a versão pita. Recomenda-se o molho de alho (o molho picante é basicamente ketchup apimentado). Para economizar uns tustos, há o esquema do menu, que acompanha Pepsi, 7up, ou outra coisa do género. Não é lugar onde se queira voltar, mas não deixa de ser curioso observar como alguns frequentadores conseguem ingerir aquelas doses cavalares sozinhos – vimos alguns limpando o fundo do prato com as últimas batatas.
Favor não ler este post se não for da Judiciária

(é só para a judite que pode estar a escutas ao blogue, tipo ouvido encostado ao monitor)

Não somos pedófilos. O bónus é apenas uma piada e só mentes com bué imaginação poderão fazer associações deste género.
Outra pérola de sabedoria minóica:

" Meus Deus dai-me sabedoria para entender o meu chefe, porque se me deres
força, dou-lhe uma carga de porrada!!!"
Os Donos da Bloga falharam

O Ernesto ontem prometeu que haveria gajas nuas à tarde, mas como não é nenhum ás do html delegou em mim a tarefa. Ontem, não tive tempo. Mas, os nossos leitores é que não têm culpa e a verdade é que, crentes na promessa de Ernesto, fizeram-nos bater ontem o nosso recorde de visitas diárias, fixando-o agora em 304. Em homenagem a eles, aqui fica cumprida a promessa de Ernesto, com gajas nuas (mais juros de mora). Deliciem-se:

Gaja nua 1


Gaja nua 2


Bónus

quarta-feira, julho 02, 2003

Recebi esta mensagem por mail e achei piada:
"O duro não é carregar o peso dos cornos. Duro é... sustentar a vaca".
Desabafo

Dâssssssssss!!!... Hoje passei o dia todo a cobrir um encontro de associações imobiliárias, tendo de gramar com uns grunhos da gravatinha às bolinhas as discutir se o sector se deve ser auto-regulado, regulado ou não regulado de todo. Quem foi que disse que esta profissão era interessante?

PS: Preferia ter a do Mexia, seja lá ela qual for!
Crise internaaaaaaaaaaaaaaa!

Parece fatal. Os Donos da Bloga, o blog mais foleiro do país, está marcado pela fama. Até já tem uma crise interna. Só falta a expulsão de um dos elementos. Posso ser eu. O blog que vou criar chama-se Prontuário de Jesus... ou... Grã-fina ululante... não sei. Uma merda qualquer pós-moderna.

PS: Pedro Mexia não atingiu a mensagem. O problema não são os bons colunistas serem reconhecidos. O problema é que os bons noticiaristas (que são aqueles que fazem o jornalismo de investigação com que vocês enchem a boca, que mexem na merda e não estão sentados na cadeira à espera de inspiração) não o são. Nos EUA, com que vocês também enchem a boca, não é assim. É-se noticiarista até aos 60 anos e isso é prestigiante. Em Portugal, não. Só se premeia o rasgo da prosa, o diletante engraçadinho, o polemizador oportunista, o repórter de circunstância. O jornalismo é bem mais do que isso!

Mexia insiste em catalogar-me politicamente: para sua tristeza, pode atirar em todas as direcções que atira ao lado. Isto não é o blog de esquerda. A gente aqui não gosta nem da esquerda freak nem da direita freak.
Eu estou com a Maria: acho esta discussão um bocado estéril e parece-me que não vai levar a lado nenhum. Qual a intenção?: traçar a fronteira entre quem é bom jornalista e quem não é? Perceber quem é jornalista e quem não é? Saber quem tem carteira e quem não tem? Definir jornalismo?

O bom jornalismo não precisa de ser anunciado ou premiado (foi triste ver os jornalistas que estiveram no Iraque serem gratificados pelo PR). O mau jornalismo normalmente denuncia-se a si próprio: quando é “divertido”, por exemplo, ou quando é “incisivo”, no sentido de ser movido por causas muitas vezes obscuras.

O Pedro Mexia tem um ar asqueroso, com aquela barbicha loura de marialva, escreve num semanário de direita de má reputação e tem um blog com visibilidade, descreve os jantares com os amigos como se fossem coisas importantes, tem a mania que é engraçado, arma-se em cavaleiro andante da direita contra a esquerda... E depois? Qual é o problema? Onde está o perigo? Qual a causa para tanta embirração? O homem é inofensivo, não passa de um sujeito com opinião sobre tudo, que a publicita nos meios onde o deixam (jornal) e onde quer (blog) fazê-lo. Acho que são vocês que lhe estão a dar demasiada importância e a transformá-lo em mais do que aquilo que ele é.

Pior do que o “fenómeno Mexia” – porque sabemos quem é, de onde vem e para onde vai – é a acção política encapotada de jornalismo, a intriga partidária feita nas páginas dos jornais, os jogos de bastidores patrocinados e estimulados pelas redacções, os jogos de poder, as pressões (a que muitas vezes se cede), os interesses, o abuso das fontes anónimas, a opinião mascarada de informação... tudo feito de forma mais ou menos subtil, subreptícia, a coberto de jornalismo.

PS: tal como a Maria, também não sou namorado do Pedro Mexia, nem primo, nem amigo, nem conhecido...
O Mexia mordeu o isco. A resposta segue mais logo. Aos que cá vieram enganados na rede, aguardem. À tarde também temos gajas nuas.
Mariazinha

(perdoa-me o diminutivo, mas é dito com carinho)

Ser jornalista é uma profissão como todas as outras. O que não quer dizer que seja necessariamente má, mas tem as suas regras e nem sempre existem condições ou tempo para fazer aquilo que nos dá mais gozo. Quando critiquei o Mexia foi no contexto da pretensa oposição que ele e outros iluminados (sem ser no sentido pejorativo) da blogosfera criaram entre a imprensa e os blogues. Admito que possa existir alguma rivalidade, oposição ou complementaridade entre os textos de opinião dos jornais e os blogueiros nacionais mas nunca com os jornalistas.

É que, na blogosfera mas também no resto da sociedade, confunde-se a árvore com a Amazónia e chama-se jornalismo a tudo, mesmo aquilo que não o é nem (se calhar) o pretende ser. Quisemos (eu e o Ernesto) colocar os .. nos is sobre esta matéria. Os blogues dão opinião, se bem que em muitos casos baseada em factos, tal como os opinion-makers na imprensa. Mas a imprensa tem um pormenor chamado notícia que não pode ser confundido.
Maria dixit: "A julgar pelos teus lamentos ser jornalista é a maior seca do mundo. Com a agravante que faz o que lhe mandam. Eu também sou jornalista. Há, claro, assuntos sobre os quais não nos agrada escrever. Mas este trabalho é mesmo assim e às vezes (não muitas) temos de engolir sapos".
Não tenho essa sorte. Engulo mais sapos (às vezes com nenúfar e tudo) do que aqueles que queria. E olha que não estou a falar de atentados graves contra a minha consciência com os quais (felizmente) nunca fui confrontado. Falo apenas de muitos comunicadozinhos da treta, declarações hemorroidais de cromos sem neurónios e políticos de pacotilha que dizem mal uns dos outros à frente mas depois convidam-se todos para os casamentos e despedidas de solteiro. Sem falar na tragédia do homicídio de faca e alguidar em que temos de saber pormenores ridículos apenas porque o chefe os quer mas nunca levantou o cu para ver o país real.

Estou farto mas reconheço que é isto que a sociedade nos dá para noticiar. E quando damos o passo para a opinião deixamos de ser olhados pelos leitores como um relator de factos mas apenas mais uma da estrelas dessa constelação de vaidades que pululam nas páginas, com fotografia no canto do texto (em poses um pouco rotas, como diz o Pipi).

Deixei-me de ilusões o que não quer dizer que prefira ser jornalista a qualquer outra profissão. Mas não deixo de ter a consciência de estar numa máquina centrifugadora de pessoas que, em muitos casos, cerceiam as suas vidas pessoais apenas por uma cacha.

É por isso que gosto dos blogues. Dão-me a liberdade de vomitar uma conjunto de bestialidades (palavra que tanto deriva de besta como de bestial) anódinas.


PS: Apesar de tudo, também quero beber um copo contigo. Também estou apaixonado e sou mais bonito que o Vostradeis
Já estamos nas 81 presenças às 11:11. Hoje é para o record pessoal do blogue.
O Guerra e Pas é dos desalinhados e é muito bom. Para além de (conseguir) mostrar um belo poema de Mexia, tem esta feliz expressão, que vai no sentido de palavras pretéritas de Elcablongue: diz que é "um anti-citacionista militante na blogolândia". Recomendável.

terça-feira, julho 01, 2003

Um poema a la pipi:

Esgaço o pessego
estava só no começo
bato e aconteço
mão nele e adormeço

E agora um a la... Pedro Mexia:

Bebendo coca-cola no Monumental
via-a, bela
indumentária Berska e fio dental

E ainda um... a la Vasco Graça Moura

Deixa-me também brincar, Pacheco
O parlamento europeu está seco
Isto é que é vida, deputado
Vamos blogar, vamos mudar o Estado
Os Donos do Garfo



Nome: Zetor
Designação: cantina e bar com tractores
Local: Mannerheimintie 3-5, Helsínquia
Página na Internet: www.zetor.net
Preço médio: 20 euros
Classificação: 9,5

Há lugares que contrariam a ideia feita de que a boa cozinha europeia se resume à Mediterrânica. É verdade que os McDonald’s e Pizza Huts conhecem um êxito incomparável no Centro/Norte da Europa, ao se apresentarem como uma solução fácil e barata para quem tem fome. Mas o turista que vá por aí nem sabe o que perde. Numa visita recente à Finlândia, Os Donos do Garfo descobriram bem no centro de Helsínquia um restaurante que vale a pena conhecer.
Quem vê o Zetor por fora, não faz ideia do que vai encontrar no interior. A decoração rural, com paredes de madeira, pedaços de troncos a servirem de bancos e tractores antigos a servirem de mesas (na parte do bar), está particularmente bem conseguida. Cenário ideal para saborear a cozinha típica finlandesa.



O serviço é atencioso, sem ser maçador. A ementa é variada e satisfaz os vários apetites que podem acorrer a um sítio como este, que combina o “ravintola” (restaurante) com o “baari” (bar) – os pratos principais vão desde uma combinação de três tipos de salsichas fumadas com um molho de mostarda e batatas cozidas (10€) até um bife de rena à moda da Lapónia (23€), passando por algumas opções para os vegetarianos.
Optámos pelo “Hirvi perunasoseen kanssa” (número 15 do menu), que consiste em carne de alce guisada com bacon, cebola e um salpico de cerveja sahti, acompanhado de puré de batatas, tudo coberto com um desenjoativo molho de "lingonberries”. Uma combinação perfeita, num prato que se vai bem com uma cerveja da casa. A rematar, um superdoce “Marjapopero” (36 no menu) – mirtilos, groselhas e "lingonberries" afogados num creme feito com farinha de aveia, cevada e centeio – revelou-se uma sobremesa saborosa, porém algo pesada e enjoativa.



A relação preço-qualidade (ei, estamos no centro de Helsínquia, capital de um dos países mais caros da Europa), somada à originalidade do espaço, justifica plenamente uma visita ao Zetor. “Hyvää ruokahalua!”
Resposta a Maria

Escreveu-nos a nossa querida Maria que, como sabem os restantes "durões", é a mais atenta, competente e devota consultora da blogosfera portuguesa, a propósito do que disse sobre o Pedro Mexia lá em baixo. "Parece-me que vocês estão armados em guardiães da profissão e a querer provocar uma polémica onde ela não existe", comentou a jornalista. Acrescentando: "Não será completamente acessória a preocupação com as Furtados que se julgam jornalistas?" E, referindo-se também ao que disse Elcablongue: "Tu e o Ernesto deram agora em procuradores-gerais do Jornalismo?"

Três rebates:

1-A preocupação com as Furtados e os Mexias e os jornalistas não é acessória enquanto as pessoas não perceberem o que os distingue. E as pessoas não percebem.

2-Quanto à segunda questão: todos nós devíamos ter um procurador-geral dentro de nós (sem aquele bigode). Ou achas que não? Ou achas que a profissão se regula bem por si, em silêncio complacente, sem debate, sem crítica, sem controvérsia? Ou não sabes de nada: das tramóias de bastidores, dos colegas comprados, dos colegas vendidos, dos golpes da finança; dos colegas injustiçados, dos colegas injustamente valorizados, dos outros...

3-Pedro Mexia fala em MEC para lhe elogiar o "jornalismo incisivo, culto, divertido". E depois diz como isso foi importante para "muitos de nós" que cresceram com o Independente e com a Kapa. Quem são "nós"? Mais: O que é o "jornalismo incisivo, culto, divertido"?

Eu dou-te a minha opinião: O "jornalismo incisivo, culto e divertido" a que se refere Mexia é o jornalismo familiarzinho, com piadas mal intencionadas, com notícias falsas, que forja arguidos à medida dos seus interesses, que acha a deontologia e a ética um monte de balelas cinzentas e comunistas. Porque foi esse o jornalismo do Independente.

PS: E tu também tem cuidado, Maria. A Procuradoria-Geral está de olho nas tuas prosas. Tenham medooooo, tenham muitoooo medoooo! Uuuuuhhhhhh... Já contratámos a Maria José Morgado e o Pedro Namora. A Operação Mãos Limpas do Jornalismo é imparável... Uuuuhhhh