quinta-feira, maio 20, 2004

Escutas do Núcleo
Filosofia de Ponta

Um quarentão e um jovem nos urinóis de uma das casas de banho do grupo editorial Impala (que publica a Focus, Nova Gente, Maria e outras revistas).

Quarentão: - Então, já cá temos o Verão...
Jovem: - Eh, pá nem me fales. Tenho um problema com o Verão!...
- Ai, sim?
- Eu e o Verão temos um problema que está para durar por muuuitos anos.
- Atão?
- Eh, pá. É que eu ponho-me a pensar ao que o homem chegou nos dias de hoje, após séculos de evolução, como é que insiste em trabalhar no Verão!?...
- (!?) Ah, hehe...
- É um problema existencial o meu, tá a ver?

terça-feira, maio 18, 2004

A questão do mérito



Tirando a questão da desculpabilização dos técnicos em relação ao que dizem após os jogos por estarem nervosinhos, com a qual não concordo - acho que a hipocrisia desses pacóvios é uma indesculpável falta de respeito para com os colegas, adversários, adeptos, etc. - não há verdadeira matéria para discussão entre mim e o Zizou.

A análise do merecimento da vitória por esta ou aquela equipa é tão subjectiva quanto discutir se a maçã é melhor que a banana. O melhor exemplo de que me lembro para demonstrar isto reporta-nos a um Argentina-Brasil do Mundial de 1990. A selecção "canarinha" passou o jogo inteiro ao ataque. Careca e Alemão deram um festival de bolas nos ferros e o frangueiro argentino Goycoechea fez defesas impossíveis. Até que a uns escassos minutos do fim, num brilhante lance de contra-ataque, Maradona ofereceu a bola a Caniggia, que com uma frieza letal matou a eliminatória.

Contra a opinião da maioria das pessoas, acho que a Argentina não só mereceu a vitória como mostrou a grande magia do futebol: a esperança que qualquer equipa pode ter no golo redentor, a hipótese de o David derrotar o Golias. Que seca seria a modalidade se as vitórias fossem decididas por um júri que desse nota artística e técnica às equipas!
Ó Vostradeis, Vostradeis...

Claro que não foi pelo árbitro, mas por culpas próprias, que o Porto perdeu a Taça, mas a rábula do Mourinho é compreensível ? o homem estava frustrado e nervoso e ninguém lhe pode levar a mal alguns excessos. Mas há que reconhecer que a arbitragem esteve longe de ser perfeita, embora os erros tenham sido repartidos.
Mas o que me surpreende é que digas que, «ao contrário do que disse José Mourinho, foi merecida a derrota do FC Porto na Taça de Portugal». Merecida?! Como pode alguém dizer semelhante barbaridade, depois de 100 minutos de clara supremacia do Porto contra 20 minutos de superioridade do Benfica? O que fez o Benfica para merecer ganhar? A «paciência», «concentração» e «humildade» de que falas não são atributos suficientes para justificar uma vitória. Então e a enorme disparidade na qualidade de jogo, a diferença nas oportunidades criadas, o domínio do adversário mesmo com 10 jogadores...? O Benfica ganhou porque teve sorte e o resto é conversa!
Mourinho e o desperdício



Ao contrário do que disse José Mourinho, foi merecida a derrota do FC Porto na Taça de Portugal, diante de um Benfica que compensou com paciência e concentração o que lhe faltou em futebol e bateu claramente o adversário em humildade. Lamentável a reacção do treinador portista em relação à arbitragem, que esteve à altura do jogo. Mourinho voltou a mostrar que a este nível não é melhor que qualquer representante da "geração bigode" de treinadores portugueses, que semana após semana repetem a mesma choradeira do penalti mal marcado e do fora-de-jogo mal assinalado. E sem necessidade. Um treinador de sucesso como ele inegavelmente é teria mais valor se não fosse pedante.

Na final do Jamor, o FC Porto teve o jogo na mão. Marcou primeiro mas não soube gerir. O Benfica empatou sobretudo com mérito próprio, numa bela jogada. Faltou então paciência aos "dragões", que na segunda parte poderiam facilmente impor o seu melhor futebol. Jorge Costa foi infantil, pra não dizer burro, no lance em que viu o vermelho. Mourinho podia ter falado disso, reconhecido o mérito do adversário e mais nada. Como um homem. Preferiu ser mais uma menina nervosa. Um grande treinador que desperdiça uma boa oportunidade de ser também um grande senhor. Uma pena.

domingo, maio 16, 2004

Grande regresso!

Estou eu a ouvir o relato da Taça, e cá está o grande Ribeiro Cristovão a fazer o relato na Renascença! Grande notícia: desde que me lembro de existir que ouço a bola na Renascença, já tenho saudades de ouvir as vozes do Cristovão e do Pedro Azevedo.

Mas o homem não era deputado agora? Então um tipo pode ir da Assembleia para o Jamor fazer relatos?

sábado, maio 15, 2004

Major Tom III

Para os vários milhões de fãs do David Bowie que seguem o Núcleo: não é que o homem se tenha tornado numa criatura embaraçosa com a idade (tipo o Paul McCartney ou o Michael Jackson), mas acho que o melhor que ele fez foi tudo até ao final dos anos 70.

Nos anos 90, os melhores discos do David Bowie não foram feitos por ele. Foram feitos pelos Suede (embora os Suede também roubem descaradamente aos T-Rex) e, por muito esquisito que pareça, pelo Marilyn Manson (este disco é metade "Space Oddity", metade "Ziggy Stardust"). Ouçam esses discos, que eles provocam muitos "momentos Zizou".

sexta-feira, maio 14, 2004

Ground Control to Major Tom

Ao Zizou é que costumam acontecer destas epifanias, mas há bocado também tive um "momento Zizou". Estava a ouvir "Space Oddity" do David Bowie e a pensar que há obras de arte perfeitas e que o conceito de um tipo ser imortalizado por uma coisa que ele escreveu não é assim tão piroso como isso.

"Space Oddity" (é aquela do "Ground Control to Major Tom") é uma música perfeita, até no sotaque cockney que o homem tinha há trinta e tal anos. Foi a primeira canção do Bowie a tornar-se conhecida, e embora ele tenha feito outras coisas giras, nunca mais fez nada tão bom.


For here am I sitting in a tin can
Far above the world
Planet Earth is blue
And there's nothing I can do


Um gajo pode passar a vida toda sem fazer nada de jeito, mas se tiver escrito alguma coisa como "Space Oddity" a existência dele já teve significado.


This is Major Tom to Ground Control
I'm stepping through the door
And I'm floating in a most peculiar way
And the stars look very different today


O mais giro é que eu nem tenho certeza se percebo o que o homem está a dizer. Se calhar a música não tem nada a ver com um astronauta sozinho no espaço e é uma metáfora para as experiências alucionogénicas ou para as aventuras homossexuais do Bowie, mas não interessa. É uma música bestial na mesma. Ide ouvi-la.

P.S: E também gosto muito do "Starman".
Um grande livro, apesar da advertência do cosmos

Como estou de folga e está sol e calor, fui até à Costa Nova, onde me instalei numa esplanada quase deserta (Atlândida, pastéis de nata do melhor, sempre quentes e com um frasco de canela à disposição). Abri um livro que ando a ler; folheadas umas páginas, oiço um som discreto e abafado: algo tinha-se vindo abater numa das páginas. A princípio pareceu-me o cadáver de um insecto que calculou mal a trajectória do voo; depois? bem, depois percebi que um pássaro estúpido me tinha cagado o livro.
Poderia interpretar o incidente como uma advertência celestial sobre a qualidade do livro, uma mensagem tipo «esse livro é uma bela merda». Acontece que «A epopeia da expedição amarela», de um sujeito chamado Jacques Wolgensinger, é cativante e merece ser lido.
Já cheira a caneco!



Estou a contar os dias para a final da Liga dos Campeões. Depois do que o FC Porto já fez na edição deste ano, ia saber a morte na praia perder com o Mónaco, embora reconheça que os franceses também estão a jogar bem e aquele Morientes é um perigo!

Por falar nisso, apetece-me deixar aqui uma nota sobre a meia-final com o Corunha. Sei que já passou algum tempo, mas ao menos ninguém me pode acusar de dizer as coisas a quente. O mesmo já não se pode dizer da reacção da imprensa espanhola ao desfecho da eliminatória. Acusaram os "dragões" de antijogo e dureza e até criticaram uma arbitragem limpinha do Collina (muito pior esteve o árbitro da primeira mão, nas Antas). Enfim, não digo que os portugueses não fizessem o mesmo se o resultado tivesse sido favorável aos galegos, mas o que se viu em Espanha, como diria Jaime Pacheco, pode ser resumido numa palavra: Mau perder.

Em homenagem à grande esquadra mourinha, aqui fica um belo conto dos Irmãos Grüne:

A lêndea de Gelsenkirchen

Diz a lêndea, com o consentimento do piolho, que a cidade de Gelsenkirchen, muito antes de assim se chamar, era um povoado florido e perfumado, onde a sofisticada civilização dos visigodos se dedicava à jardinagem, à meditação e às belas artes. Até que um dia vieram as invasões cristãs e os habitantes da aldeia assistiram à construção de uma catedral gótica, que o povo, que mal tinha para comer, teve de pagar à custa grande sacrifício. A dieta de um cidadão era baseada sobretudo em centeio e couve branca, o que vulgarizou uma prática intestinal geralmente tida como rude: o flato.

Os párocos que celebravam as missas, assim como a generalidade da população, não se continham nem durante os serviços religiosos e cedo a terra foi baptizada de Gelsenkirchen (do germânico gels - gás - e kirchen - igreja). O povo assumiu sem complexos as suas ventosidades e não demorou para que toda a nomenclatura clerical fosse adaptada. O padre passou a ser o "peidre", indivíduo que conseguia dizer um "Padre Nosso" todo num único arroto, ao mesmo tempo em que "se abria", peidorristicamente falando. A sacristia foi substituída pela "traquistia". Ali era preparada uma feijoadola que servia para acompanhar a "bóstia" - uma bolachinha de centeio que era tomada no final da missa perante as palavras do peidre: "O cocó de Cristo".

Muito antes da invenção do futebol, havia um anfiteatro romano, no local do actual estádio do Shalke 04, onde eram disputadas as Olimpeidas, os campeonatos locais de piroflato, uma modalidade que consiste na libertação de bufas contra um fósforo aceso. O autor da maior labareda era sagrado vencedor.

É sobre este terreno cheio de história e tradição que o FC Porto irá espalhar o perfume do seu futebol. A quipa portuguesa já está certamente a sentir o cheiro do troféu. Eperemos que entre a todo o gás.

segunda-feira, maio 10, 2004

"The great gig in the sky" (Pink Floyd) - eis uma das melhores músicas de sempre!

segunda-feira, maio 03, 2004

Muito fraco



O programa da Queima das Fitas deste ano arrisca-se a ser o pior de sempre. Denota uma aposta cada vez maior no mercado nacional, o que já de si indica a merda que é. Tirando Da Weasel, que mesmo assim também já esteve melhor, o resto dos cabeças-de-cartaz é uma merda: Blind Zero, DJ Vibe e os fossilizados Rui Veloso, Luís Represas, Quim Barreiros, Xutos e Pontapés e Jorge Palma (OK, este ainda tem uma ou outra).

Aquele que já foi o maior festival musical do país, no tempo em que vinham a Coimbra nomes como Violent Femmes, Tindersticks ou Deus, aparenta estar em franca decadência. Mais, o calendário contribui para a guetização do público: Luís Represas toca na mesma noite que Mafalda Veiga, há uma em que os "artistas" são Iran Costa, Mónica Sintra e Quim Barreiros, etc...

Isso é como se a estudantada passasse a beber Trinaranjus nas Noites do Parque. No meu tempo, a Queima era a festa que tinha o recorde nacional do consumo de cerveja.

sexta-feira, abril 30, 2004

Snooker

A propensão para gostar de desporto torna-nos devotos de várias modalidades para além do futebol. A minha mais recente paixão é o snooker inglês, para o qual tenho a habilidade de um cavalo mas que adoro ver na tv.
É essa uma das vantagens de ter a Eurosport em casa: é que este canal dedica horas a modalidades esotéricas, tipo hipismo, ciclismo e, louvado seja o senhor, snooker. O snooker é um dos desportos centrais na programação da Eurosport, sobretudo quando há grandes torneios a ser disputados. É actualmente o caso: Sheffield recebe o campeonato do mundo de snooker inglês, uma modalidade cuja beleza não pode apenas ser definida pela capacidade dos jogadores em acertar com as bolas nos buracos (eis outra das vantagens do snooker: permitir fazer piadinhas ordinárias com os buracos, as bolas e os tacos!)
Os jogos são brilhantemente disputados e emotivos. Ronnie O’Sullivan é o Maradona do snooker, com uma precisão invulgar e uma inteligência notável – é o melhor jogador do mundo e, já li algures, candidato a melhor de sempre. Nas meias-finais do mundial defronta (e esmaga) Stephen Hendry, sete vezes campeão do mundo e uma lenda viva da modalidade. A outra meia-final é muito mais equilibrada, entre Graeme Dott e Mathew Stevens. Absolutamente a não perder!

terça-feira, abril 27, 2004

Comece o dia com alegria!

“…and the life of man, solitary, poor, nasty, brutish and short.”
Thomas Hobbes

sexta-feira, abril 23, 2004

Ouve lá, ó Ernesto, tu não escreveste um texto a responder ao Tiberius? Apagaste-o? Eu vi-o algures, o que é feito dele?
O meu post era sobre uma frase escrita pelo Ernesto ali em baixo. Eu acho que dizer «parecem haver» está incorrecto, mas podem consultar as gramáticas e os prontuários para confirmar.
Não se diz «parecem haver»; diz-se «parece haver».
Dérbi mental



O Instituto do Desporto de Portugal (IDP) e a Sociedade da Língua Portuguesa (SLP) tão a gastar tempo e dinheiro desde o ano passado na construção de uma base de dados com a terminologia usada no desporto. A ideia é "corrigir o excesso de expressões e termos estrangeiros utilizados tanto pelos agentes como pelos jornalistas desportivos". Difícil de acreditar?

Parece que numa conferência, alguém perguntava: "Por quê dizer derby se podemos dizer clássico?". Ora, isto é o mesmo que perguntar "por quê dizer broche se podemos dizer punha de mamas?" PORQUE NÃO SÃO A MESMA COISA!!! Um FC Porto-Benfica é um clássico. Um Benfica-Sporting é um derby. Se não há uma palavra portuguesa para designar a coisa, usa-se uma estrangeira, qual o problema? Ou, melhor ainda, cria-se uma palavra nova!!! Podemos inventar o dérbi, ou melhor ainda, o capulo, a esfronga ou o frabuco. Haja imaginação, meu povo! Lembrem-se de que as coisas antes de existir não tinham nome.

quinta-feira, abril 22, 2004

Onde está o prof. Alcides Graça quando precisamos dele?

Escreve o Ernesto aí abaixo que o editor acaba por ser o personagem mais forte do filme. Não acaba nada. Acaba por ser a personagem mais forte do filme.

Personagem é fêmea, porra. Este Núcleo aprecia muito a cultura e a língua brasileiras (alguns mais que os outros), mas se é para falar como deve ser, fale-se como deve ser. A personagem. Não o personagem.

Podem ir verificar ao Porto Editora, o substantivo é feminino. Mas o que disser o dicionário não interessa, personagem com “o” é feio. A personagem, se faz favor.

quarta-feira, abril 21, 2004

Quatro observações

•Oh DJ, ficava mais bonito se o post anterior, a desculpar o post antecedente, fosse qualquer coisa do género “o meu post anterior foi interpretado fora do contexto”.

•Quem é o rei dos pneus?

•Não juro, mas até aposto que 99,99 por cento dos blogs portugueses não vão resistir a fazer um trocadilho qualquer com “pito dourado”.

•Está um lindo dia nas Antas.

segunda-feira, abril 19, 2004

O corajoso

Oh DJ, se achas que o Zapatero tem razão tudo bem. Mas daí à grande coragem política vai uma certa distância. Quer dizer, onde é que está exactamente a coragem do homem? Que riscos é que ele corre? Tomar uma medida que é muito popular e não lhe traz prejuízos absolutamente nenhuns não conta como coragem.

Podes achar que o Aznar era burro, mentiroso, teimoso e/ou malvado. Mas manter as tropas no Iraque, com 90% da opinião pública contra, e correndo o risco de levar por tabela quando houvesse sangue (como aliás aconteceu), bem, isso exige coragem (da tal coragem política, não tanto da outra, da física).

P.S: Vou querer os volumes 1, 3, 7, 14, 16 e 17 da colecção Nostalgia.

quarta-feira, abril 14, 2004

Adenda

Para cumprir a promessa do post anterior: esta gaja não está bem nua, mas é quase a mesma coisa. Esta está ainda mais despidita. E tomem ainda a Halle:



Queres sonhar vai dormir Ernesto, caramba!

O problema do Totoloto é mesmo esse. É que te põe a pensar que a única maneira de fazer fortuna honestamente é preenchendo preguiçosamente o boletim e pronto. Não é. Podes chegar aos teus barquinhos a trabalhar.

E porque é que para sonhar precisas do raio do Totoloto? Não podes ter as casinhas e os carrinhos na tua cabeça sem ter de fazer as cruzinhas primeiro?

Mais um argumento contro o Totoloto: enquanto jogo, não tem valor de entretenimento nenhum. Até um macaco pode fazer seis cruzinhas num papel e ficar a olhar para a maquineta. O maldito Totoloto acabou com um jogo que, esse sim, tinha graça: o Totobola.

Antes do Totoloto, um gajo punha-se a tentar adivinhar os resultados, e depois não ganhava nada na mesma mas ao menos ficava mais entretido a ouvir os relatos na rádio ao domingo à tarde. Agora ninguém joga no Totobola, e de qualquer maneira já quase não há jogos no domingo à tarde. Foi uma linda tradição que o Totoloto estragou.

P.S: Um grande abraço à tua tia Violeta

terça-feira, abril 13, 2004

Ernesto, não percebes nada do Totoloto

Oh Ernesto, para já não é aos burgueses ociosos que sai o totoloto — esses já têm dinheiro que chegue e são suficientemente espertos para não jogar.

Depois: a notícia dos auxiliares de enfermagem é boa — boa para eles, e muito bom proveito. Mas o teu post perpetua a lógica do “toda a semana sai a alguém”, o que dá a milhões de totós a ilusão de que lhes pode sair a eles.

O problema nisto é as pessoas que não percebem estatística, e não sabem que uma hipótese em 25 milhões é quase o mesmo que 0 em 25 milhões. Ou seja, os auxiliares de enfermagem do Porto estão na boa, mas os outros auxiliares de enfermagem do resto do país hão-de passar o resto da vida a preencher o boletinzinho e a não ganhar puto.

Eu cá sou todo a favor do Totoloto: é um imposto à estupidez, voluntário e pago apenas pelos tansos (as receitas do imposto podiam ir para outro lado que não a Santa Casa, mas enfim). Agora, fazer propaganda ao Totoloto num espaço augusto como este, isso não pode ser oh Ernesto.

E ainda te digo mais: agora que os auxiliares de enfermagem estão ricos, quem é que vai lavar as arrastadeiras dos cancerosos no Porto, hem? Aposto que não tinhas pensado nisso, pois não?


Há muito tempo que não escrevia um post tão desnecessariamente zangado como este. Prometo que o próximo há-de ter gajas nuas. Entretanto, fiquem com isto

segunda-feira, abril 05, 2004

Se calhar por isto é que somos todos tão burros

Um instituto chinês teve a ideia de fazer um ranking das melhores universidades do mundo em termos cientificos. Os metodos do ranking são discutiveis, mas a lista não feita à sorte. As universidades americanas dominam, mas também há imensas europeias.

E portuguesas? Há uma, muito por favor, metida entre os lugares 351 e 400, ensanduichada entre potentados como a universidade de Louisville, no Kentucky, e a universidade de Konstanz, na Alemanha: os chineses chamam-lhe só Universidade de Lisboa, não dá para saber exactamente qual, enfim, uma em 500, já é melhor que nada.
Restos não são uma alimentação saudável



Dâsssss... Estes gajos superam tudo. Estão finalmente encontrados os sucessores dos Pão e Circo, na sua vertente mais escatológica. Imagine-se que os Mão Morta engravidavam depois de serem enrabados pelos Irmãos Catita. O filho bastardo nascido desta bizarra relação sodomita seriam estes gajos: Comme Restus.

Com muito mais qualidade musical que a maioria das bandas de metal pesado que para aí andam, estes gajos têm ainda a virtude de recriar a língua portuguesa nas suas letras minimalistas porém brilhantes - há uma canção que diz apenas "Porque é que tu não vais pro caralhooooo. Palhaço do caralho" (imaginem isto cantado por uma vozinha à AC/DC). Há outras politicamente engajadas em causas anárquico-revolucionárias, como uma que apela: "Morte aos ciclistas". O autor das letras têm ainda a virtude assumir a verdade do potuguês falado nas ruas nos nossos dias. Aqui fica uma das melhores letras do repertório:


AMANDAME CÔA PAXAXA PUS DEMTES

Lavame os demtes cu teu fluido vaginal
Deixame xuparte a tua glãdula orinária
Enxe disporra essa boca ordinária

Exfregate nas minhas urelhas
Vãemte no meu olho
Amanda-me coa paxaxa pus demtes
Deichamlaberto bolho

FODE CABRA, FODE PUTA
Enfia as mãos na cona e
Bate palmas, Bate palmas, Bate palmas!

A tua pintelheira nujenta xega inté ao um bigo
i eu mijote pra demtro do cu
Eu cago e tu comes o cagalhão

Tu rixte com a boca xeia de merda
E eu riume com pintelhos nos demtes
Xupamos colhões
Xupazós té aos pulmões

FODE CABRA, FODE PUTA
Enfia as mãos na cona e
Bate palmas, Bate palmas, Bate palmas!