domingo, julho 03, 2005

Chega de anonimato

Num dado momento da história deste blog (ver arquivos), em que o potencial sucesso do Núcleo Duro ameaçava tornar as nossas vidas um inferno de assédio paparazzi, os membros dos membros do grupo resolveram recorrer ao anonimato por forma a manter intactas as suas vidas privadas. Foi então que surgiram os nomes Vostradeis, Ernesto, DJ Carcaça, Zizou, Tiberius e El Cablogue.

Passada uma certa euforia criada em torno do nosso blog, e porque sinto uma certa falta das miúdas a pedirem-me autógrafos, resolvi ir aos poucos revelando aqui o mistério de Vostradeis. Começo então com um retrato, que as ajudará a reconhecerem-me na rua, e que foi construído com recurso a uma ferramenta informática disponibilizada gratuitamente neste site. Se continuar a ser ignorado pela grande massa anónima, revelarei em breve o meu número de telemóvel.

Então aqui vai. Este é o Vostradeis:

quinta-feira, junho 23, 2005

Prémio eu sei que é preciso encher páginas mas também não é necessário escrever barbaridades


"Uma das explicações para o facto de muitos automobilistas terem revestido bancos dianteiros dos carros com o material fluorescente pode ser apenas de ordem prática, já que, no caso de ser preciso vestir o colete antes de sair do automóvel, o equipamento está mais à mão do que se estivesse guardado no porta-bagagens."
Público de hoje

segunda-feira, junho 20, 2005

A culpa foi da osteoporose

Está provado. Portugal é o país da treta que é por causa da osteoporose. Apenas e só por causa desta doença é que Portugal não tem um superavit em vez de um défice, salários bons em vez de miseráveis e o Casillas na baliza em vez do Ricardo.
Esta é a principal conclusão de uns estudos quaisqueres de uma qualquer instituição que faz estudos em Portugal. Tipo universidade, mas pode ser apenas um gabinete de estudos, não garanto.
Segundo esses ditos estudiosos, foi feita a exumação do corpo do Miguel de Vasconcelos, concluindo que ele sofria da dita doença dos ossinhos. Que, como todos sabem, fragiliza a estrutura dos ossos e o camandro, tornando-os mais quebradiços, tipo os joelhos do Venâncio ou do Mantorras.
Ora, se o homem (o Vasconcelos não o Mantorras, acalma-te Ernesto, que o vosso avançado angolano ainda pode ser o ex-futuro Eusébio de Benguela) não tivesse morrido da queda da varanda, poderia ter liderado o contra-golpe de 1640. E permaneceríamos todos espanhóis.
Sim, porque em 1640 foi um golpe palaciano que colocou fora de Portugal o nosso mui querido Filipe III, IV para os nuestros hermanos. Uma coisa tipo 25 de Abril de 1974 mas sem os cravos, as chaimites, a Maria de Medeiros e o Vasco Gonçalves (cuja música é um ícone português para os anais da história das artes).
Caso o Vasconcelos tivesse podido liderar o contra-golpe, ainda éramos espanhóis, a nossa selecção seria o Brasil da Europa de facto e não apenas por causa dos dribles idiotas do Dominguez. Teríamos tido a nossa história autonómica própria, como sucede com os Catalães e os Bascos e até poderíamos ter um grupelho separatista como a ETA ou o BNG, mas estaríamos (incomparavelmente) melhor do que estamos agora.
O salário médio de um jornalista em Espanha é 6 mil euros e as gajas não sabem o que é essa coisa de namorar: ou pinam e casam ou só pinam. O que acaba por ser uma vantagem. O problema é que elas se pintam demais e isso, reconheço, é chato porque qualquer beijo mais pronunciado corre o risco de causar fissuras e obrigar à recolocação de estuque.
Outra vantagem é que o Porto deixava de chatear os lisboetas sobre o facto de ser prejudicado no investimento, limitando-se a disputar com Ourense ou Vigo o estatuto de ayuntamento.
Finalmente, não teria que ter espanhol como língua estrangeira na universidade, cuja nota (dez nos dois anos) me diminuiu em muito a média geral do curso.
Como se percebe é só vantagens

terça-feira, junho 14, 2005

(Eu sei que isto é raro, mas preciso de escrever... só assim expurgo um mal que me mói desde que ontem - a meio da tarde - soube da morte de um mestre)

As palavras valem o valem. E tu pesaste-as até ao limite, somando cada letra como se cada opção assumida encerrasse o mistério do mundo. Jamais encontrei em ti um verso, uma expressão, um adjectivo ou um fonema que não estivesse casado com o conjunto como um favo na colmeia ou um átomo numa célula viva.
Ensinaste-me a ver a poesia com todos os sentidos do corpo e não apenas com os olhos. A tua poesia não se lia, absorvia-se como quem respira as palavras em cada golfejo de versos. Apreciar a grafia das palavras, as paragens dos versos e o ritmo das vogais eram um desafio agradável em cada releitura da tua obra.
Tu e o Caeiro são a razão do meu gosto pela poesia. Conseguiram condensar as palavras na simplicidade das coisas simples, indo à essência da palavra pureza. Se o Caeiro não conheci vivo e, por isso, posso duvidar da sua existência (ou da criação de outro homem), a tua vidaé a prova de que o homem está na terra com um objectivo estético mais vasto do que coroar estatísticas. A tua existência prova que a língua pode ser sempre reinventada e redescoberta como se as palavras fossem apenas puzzles que podemos compor das mais variadas maneiras.
Se há perfeição nas palavras tu conseguiste-as. Só tu conseguiste definir sentimentos em imagens construídas com palavras sem nunca os nomear.
Quem me dera ser de novo criança e olhar para os teus poemas com os olhos de espanto de quem descobre o mundo pela primeira vez. Com a alma limpa, poderia saborear as tuas palavras e mexer nas tuas letras como se de plasticina se tratassem. E, misturando as cores, ficaria o castanho de terra, da mistura de todas as coisas dizíveis e indizíveis com que desenhastes os meus sonhos. Tu e Sophia que também partiu.
Vi-te por duas ocasiões, sempre de longe, e nunca te quis conhecer pessoalmente. A bonomia e simplicidade destrinçada em cada sorriso teu era o suficiente para quem, como eu, sente que está a quilómetros de distância de qualquer coisa que seja parecida com a sombra das sobras daquilo que escreveste. Depois de ti, fica um deserto que todos teremos de povoar mas sempre com o sentido de que o primeiro descobridor foste tu.

Um abraço

PS1: Irrita-me terem dado dias de luto nacional a gajos que nada me dizem (mas que respeito, no entanto). E ninguém fala sequer em ti, como nem ligaram à Sophia. Porque será que os políticos se esquecem que mais importante que os partidos, os países, as fronteiras ou as nações são os sentimentos? E tu cantaste-os como ninguém.

PS2:
Finalmente: dois dos teus poemas que mais me marcaram. E que, ainda agora, me humedecem a alma.


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus


+++++

Poema à Mãe



No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!


Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
ao fundo dos teus olhos!


Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!


Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.


Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!


Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...


Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!


Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;


ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;


ainda oiço a tua voz:


Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...


Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,


Não me esquecerei de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...


Boa noite. Eu vou com as aves!

domingo, junho 12, 2005

Secção 'O Meu Pai Andava em Viagem'
O irmão de Peseiro

Inspirado pela recente homenagem de Alberto João Jardim aos jornalistas do continente, o Núcleo Duro tem a honra (e a cara-de-pau) de apresentar uma nova secção de reencontros familiares. Um espaço que ajuda celebridades a descobrirem irmãos bastardos espalhados pelo mundo. A abrir, o treinador do Sporting encontra um mano em Espanha, a trabalhar duro nas obras-primas de Pedro Almodóvar.


José Peseiro, estratega português


Javier Cámara, actor espanhol

sexta-feira, junho 10, 2005

Secção Alguns Bastardos

Democracia a sério é no Parlamento da Madeira. Citações de um recente debate, a propósito da já célebre citação do presidente do governo regional sobre "alguns bastardos no continente, para não lhes chamar filhos da puta, que decidiram desabafar o ódio":

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"A Assembleia Legislativa da Madeira congratula-se com o modo, mais uma vez firme, como o presidente do Governo Regional denunciou comportamentos na comunicação social de Lisboa, os quais atentam contra os direitos, liberdades e garantias dos portugueses", lê-se no voto de congratulação aprovado pela maioria PSD.

O voto condena ainda que "meios socialistas locais alinhem com os que sistematicamente insultam a autonomia política do povo madeirense".
>>

<<
Enquanto Bernardo Martins (PS) se limitou a condenar o «défice de educação» do governante, já José Manuel Rodrigues (PP) classificou o presidente do Governo Regional como um «filho ilegítimo da Democracia portuguesa», logo um «bastardo», que ataca os jornalistas com processos em tribunal mas que quando é alvo de tais processos pede «ao Conselho de Estado que não lhe levante a imunidade com medo de sentar o "rabichol" no tribunal».
>>

<<
Leonel Nunes (CDU) foi mais longe, ao afirmar que «saltava para as ventas» de quem lhe dirigisse os epítetos utilizados por Jardim, os quais «são tiques de um velho ditador fascista» e que «só podem ser justificados com uma saúde mental extremamente débil ou fruto dos efeitos de um qualquer Johnnie Walker falsificado». Roberto Almada (BE) tem opinião semelhante: «Há muito tempo que precisa de tratamento psiquiátrico porque já não está bem dos parafusos».
>>

<<
Depois da salva de palmas de um minuto em apoio a Alberto João Jardim, o presidente do CDS/PP-M, José Manuel Rodrigues, sugeriu que o voto fosse enviado não à Quinta Vigia (sede da presidência do Governo Regional), "mas para a Coreia do Norte".
>>

O Núcleo regista contudo com preocupação que a imprensa cubana e bastarda do Continente não regista quaisquer declarações do deputado no Parlamento da Madeira cujo nome nós mais gostamos de ouvir: José COITO PITTA.

sexta-feira, junho 03, 2005

E prometo que esta é definitivamente a última vez que eu meto poesia neste blog

Não sei porquê, a escrever o post do teste idiota aqui abaixo lembrei-me de um poema do Walt Whitman, que é muito grande e um bocado chato, mas tem uns versos de que eu gosto muito:

Do I contradict myself?
Very well then I contradict myself,
(I am large, I contain multitudes.)
Sempre me pareceu que eu era um modernista

E com uma boa parte de materialista. E com 0% de idealista e fundamentalista. Palpita-me que o Vostra vai dar criativo cultural; o Cablogue, um existencial camusiano; o Ernesto vai aldrabar o teste para sair pós-moderno; o Carcaça, 100% fundamentalista marxista-leninista trotskista; o Zizou, cheira-me a romântico.




You scored as Modernist. Modernism represents the thought that science and reason are all we need to carry on. Religion is unnecessary and any sort of spirituality halts progress. You believe everything has a rational explanation. 50% of Americans share your world-view.

Modernist

75%

Materialist

63%

Existentialist

50%

Romanticist

31%

Postmodernist

31%

Cultural Creative

31%

Idealist

0%

Fundamentalist

0%

What is Your World View? (updated)
created with QuizFarm.com

sexta-feira, maio 27, 2005

As paredes têm bocas



Os filósofos de parede continuam activos na capital. Reflexões sobre a arte e a vida selvagem avistadas recentemente.

Na Estação de Entrecampos

OS ANIMAIS SÓ EXISTEM PARA COMIDA BELEZA E ENTRETENIMENTO
E CAÇA???



Na Universidade Lusófona:

A VERDADEIRA ARTE ESTÁ NA RUA


Na Estação de Metro de S. Sebastião (sic):

A TERTURA SÓ SERVE PARA DEIXAMOS DE PENSAR DE SERMOS HUMANOS É PIOR QUE UMA CONDENAÇÃO A MORTE

terça-feira, maio 24, 2005

E agora vamos em directo para o estádio da luz para imagens exclusivas das comemorações da festa do título do benfica:



Interrompemos para compromissos comerciais: o Núcleo nunca compromete a sua independência e isenção apoiando produtos ou serviços, excepto se os produtos ou serviços forem mesmo bons. Como o Skype. que é o invento do milénio.

Esse nome outra vez: Skype.

E agora voltamos ao estádio da luz para ouvir luís filipe vieira discursar às hostes benfiquistas:

terça-feira, maio 10, 2005

Oberst Sésamo!



Há tempos li uma crítica muito boa na "Newsweek" sobre este rapaz e fiquei curioso. Conor Oberst, também conhecido como Bright Eyes, é aclamado por alguns como uma espécie de Bob Dylan pós-moderno. Vi-o agora no programa do Jay Leno e achei interessante, embora não tenha ficado com uma opinião completamente formada. A letra da música que ele cantou, vestido de cowboy, esgrimindo notas apenas com a guitarra acústica, é gira. Para desgosto de Tiberius e alegria de Carcaça, aqui fica:

"When The President Talks To God"

When the president talks to God
Are the conversations brief or long?
Does he ask to rape our women's rights
And send poor farm kids off to die?
Does God suggest an oil hike
When the president talks to God?

When the president talks to God
Are the consonants all hard or soft?
Is he resolute all down the line?
Is every issue black or white?
Does what God say ever change his mind
When the president talks to God?

When the president talks to God
Does he fake that drawl or merely nod?
Agree which convicts should be killed?
Where prisons should be built and filled?
Which voter fraud must be concealed
When the president talks to God?

When the president talks to God
I wonder which one plays the better cop
We should find some jobs. the ghetto's broke
No, they're lazy, George, I say we don't
Just give 'em more liquor stores and dirty coke
That's what God recommends

When the president talks to God
Do they drink near beer and go play golf
While they pick which countries to invade
Which Muslim souls still can be saved?
I guess god just calls a spade a spade
When the president talks to God

When the president talks to God
Does he ever think that maybe he's not?
That that voice is just inside his head
When he kneels next to the presidential bed
Does he ever smell his own bullshit
When the president talks to God?

I doubt it

I doubt it

sexta-feira, maio 06, 2005

Tomatada de posição



O Núcleo Duro vem dizer aqui ao vivo e a cores vermelhas: SOMOS A FAVOR DO ABORTO desde que ele não interfira com o calendário da festa da Tomatina, em Espanha.
Os romanos não são todos iguais!

O Carcaça, como aliás é timbre da sua corrente ideológica, confunde a história. O Tiberius do Núcleo não é este Tiberius; é, pelo contrário, outro tipo completamente diferente, que de resto nem se chama Tiberius.

Este gajo...



...era um louco sanguinário, perverso e cruel do século I depois de Cristo!

Pelo contrário, este indivíduo...



...era um louco sanguinário, perverso e cruel do século I ANTES de Cristo!

E já agora: como serviço público, e a pedido da Interpol, da UNICEF e da Sociedade Protectora dos Animais, que andam todas à procura do perigoso meliante, revelamos aqui o aspecto actual de DJ Carcaça, fotografado pelos serviços de espionagem do Núcleo numa recente viagem ao Dubai:

Os rostos do Núcleo

O órgão de referência traz hoje um artigo sobre esse tema tão inovador e actual dos blogs, com alguns ilustres bloggers portugueses a queixar-se de que os "blogs anónimos" não têm "credibilidade". Pois bem, o Núcleo vai mais longe: não só temos nomes, damos rostos! Aqui estão, em primeira mão e exclusivo mundial, as carantonhas dos membros do Núcleo:

DJ CARCAÇA:


ERNESTO:


TIBERIUS:


VOSTRADEIS:


EL CABLOGUE:


ZIZOU:

quinta-feira, maio 05, 2005

Tomada de posição III: Ataque dos Clones



Sem referendo, o Núcleo Duro (na sua vertente mais dura), numa demonstração de completa insanidade ditatorial, vem assumir publicamente a sua posição: somos totalmente contra e simultaneamente a favor do aborto. Achamos que se por um lado ele reduz a taxa de natalidade, por outro impede a diminuição do rendimento per capita.

terça-feira, maio 03, 2005

Tomada de posição II: dissidência



Com ou sem referendo, numa demonstração de imaturidade democrática, a facção dissidente do Núcleo vem assumir publicamente a sua posição: somos a favor do aborto, e defendemos a sua obrigatoriedade para todos os eleitores do Bloco de Esquerda após os 325 meses!!!!!

segunda-feira, maio 02, 2005

Tomada de posição



Com ou sem referendo, o Núcleo Duro, numa demonstração de maturidade democrática, vem publicamente assumir a sua posição: SOMOS CONTRA O ABORTO e achamos que ele nunca devia ter sido eleito Presidente da República!!!

quinta-feira, abril 28, 2005

Secção fruta e rebuçados

Quanto um árbitro aceita uns cafés com leite, há quem o acuse de vestir a camisola. Ora, segundo artigos em prestigiados órgãos de comunicação social, o árbitro do Estoril-Benfica fez mais que vestir a camisola: ele também calçou as chuteiras!

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril sempre



Hoje é feriado mas tive de trabalhar. Mas a calma que se respira é notável... até dá gosto! Quem dera que todos os dias fossem assim. Agora percebo a frase '25 de Abril sempre!' (e eu que pensava que era qualquer coisa a ver com a ponte). E já que estamos numa de revolução, aqui fica o meu trecho preferido do poema "As Portas que Abril Abriu", de Ary dos Santos. Um belo naco de verso.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

sexta-feira, abril 22, 2005

Vida longa aos emigrantes!



Os portugueses que resolvem um dia tentar a sua sorte no estrangeiro dão, sem saber, um grande passo na sua evolução como pessoas. Viver em países mais desenvolvidos abre-lhes a mentalidade, tornando-os cidadãos avançados, com uma visão moderna do mundo. Comentário de 'PLACIDO', um tuga da América, a propósito de um artigo sobre Sexo e Religião:

A MINHA OPINIAO E' ESTA !-DESDE QUE O MUNDO COMECOU SEMPRE HOUVE SEXO PARA,SOBREVIVER AS ESPICIES,VAI DO SER HUMANO,AOS ANIMAIS,MAS AS RELIGOES VIERAM E SAIBAM MUITO BEM QUE O SER HUMANO ACREDITAM NUM PODER MAIS FORTE.POR ISSOAS RELIGIOES QUREM DOMINAR O SER HUMANO, QUE SE CHAMA ISSO LAVA CABECAS, MAS AS RELEGIOES SAO UMA DATA DE SAMESUGAS QUE SE APROVEITAM DOS FRACOS.E.U.A.

quarta-feira, abril 20, 2005

O andaime

Do melhor que tem aparecido na blogosfera nos últimos tempos. De um humor refinado e audaz, expresso em passagens hilariantes, como um inquérito que pergunta "Concorda com a morte do Papa?". Visitem e deliciem-se com O andaime. O ND provou, aprovou e deliberou incluí-lo na sua prestigiada lista de links.

segunda-feira, abril 18, 2005

Rodrigo



Algumas referências simpáticas da blogosfera ao trabalho de um jovem cartoonista bem conhecido aqui do Núcelo, uma promessa da banda desenhada nacional, cujo talento já começa a ser reconhecido aquém e além-fronteiras. Parabéns, Rodre! :)

Genialidad Pura
De Génio
O Rodrigo ganhou um prémio

sábado, abril 16, 2005

António Matos (IV)



Poema que António Matos escreveu a partir de uma entrevista a Annie Sprinkle, actriz porno americana que virou artista de belas artes:

Marilyn é feia e gorda
Prostituta e tarada
Deve comer muita açorda
Mesmo na cama deitada.

Tem namorada, além disso
À qual dizem muito ama
Gosta de pão com chouriço
E de ter o cão na cama.

Se pensa qu'é multimédia
Deve estar bem enganada
Precisa é duma rédea
E de ser bem cavalgada.

Quem galeria inventa
Merece todo o respeito
Mesmo que pese noventa
Não contando com o peito.

quarta-feira, abril 13, 2005

António Matos (III)



Mais uma pérola de António Matos, o Aleixo da Internet, desta vez a propósito de uma feira de artigos eróticos que vai ter lugar este ano em Lisboa:

Embora esteja nas lonas
À feira não vou faltar
Quero ver as boazonas
E seu perfume cheirar.

A patroa vou levar
Isso com toda a certeza
E não se vai espantar
Ao ver tanta vela acesa.

Para prevenir a Sida
Talvez veja um vibrador
Ninguém sabe os fins da vida
Nem quando pára o motor.

Comprarei uma boneca
Para quando viajar
Pois sendo levado da breca
À mulher vai sossegar.

No que toca ao modelo
Depende do carcanhol
Se nenhuma tiver pêlo
Ficarei co'a Lacto Doll.

À entrada vou deixar
Telefone e direcção
Se algum actor "falhar"
Entrarei eu em acção.

Aos que são envergonhados
Aconselho a lá passar
Podem estar descansados
Ninguém pra vós vai olhar.

terça-feira, abril 12, 2005

Os Donos do Garfo



Nome: Oficina do Ferrador
Designação: restaurante (cozinha tradicional)
Localização: Montemor-o-Novo
Preço: Quase 30 euros por cabeça (grande senão)
Pontuação: 8,5

Restaurante novo (ainda não aparece nos guias), ocupa um espaço onde antigamente trabalhava um especialista na colocação de ferraduras nos cavalos, quando os coches e carroças eram o meio de locomoção dos apressados. A decoração é impecável, toda à volta do tema, com instrumentos de ferro nas paredes e toalhas de couro nas mesas. Cenário ideal para a degustação de delícias típicas da gastronomia alentejana.

Entradas saborosas, bem ao jeito alentejano, com destaque para os queijos e enchidos. Uma tomatada com ovos de codorniz, preparada com cebola e poejos e sobre a qual se deitam rodelas de linguiça e torresmos a gosto, faz um belo prato principal. Nota positiva também para os lombinhos de porco preto, muito gulosos e suculentos, servidos com migas de espargos verdes. Qualquer dos pratos pode ser regado com excelência por um qualquer tinto alentejano da bem seleccionada carta da casa.

As sobremesas incluem uma "Panóplia de Doces Conventuais", que pode vir numa porção individual, para dois ou para quatro, mas que não é servida todos os dias. A grande variedade de bolos e a necessidade de os ter sempre frescos leva o restaurante a, por vezes, limitar a sua ementa de pós-pastos. Em alternativa, há sempre um bolo de mel e nozes, de sabor delicado e algo seco. Esta pontual pecha e o alto preço são compensados pela simpatia e eficácia do atendimento, em que participa a proprietária da casa, uma jovial ex-modelo de sotaque afrancesado.