sexta-feira, abril 30, 2004

Snooker

A propensão para gostar de desporto torna-nos devotos de várias modalidades para além do futebol. A minha mais recente paixão é o snooker inglês, para o qual tenho a habilidade de um cavalo mas que adoro ver na tv.
É essa uma das vantagens de ter a Eurosport em casa: é que este canal dedica horas a modalidades esotéricas, tipo hipismo, ciclismo e, louvado seja o senhor, snooker. O snooker é um dos desportos centrais na programação da Eurosport, sobretudo quando há grandes torneios a ser disputados. É actualmente o caso: Sheffield recebe o campeonato do mundo de snooker inglês, uma modalidade cuja beleza não pode apenas ser definida pela capacidade dos jogadores em acertar com as bolas nos buracos (eis outra das vantagens do snooker: permitir fazer piadinhas ordinárias com os buracos, as bolas e os tacos!)
Os jogos são brilhantemente disputados e emotivos. Ronnie O’Sullivan é o Maradona do snooker, com uma precisão invulgar e uma inteligência notável – é o melhor jogador do mundo e, já li algures, candidato a melhor de sempre. Nas meias-finais do mundial defronta (e esmaga) Stephen Hendry, sete vezes campeão do mundo e uma lenda viva da modalidade. A outra meia-final é muito mais equilibrada, entre Graeme Dott e Mathew Stevens. Absolutamente a não perder!
Boas notícias na música

A música cantada em português está num bom momento. Foram recentemente lançados dois álbuns de grande interesse e há ainda o novo grupo do ex-vocalista dos Ornatos Violeta (o Paulinho Santos), que agora surge integrado no "Projecto Nuno Nico" (não sei se já existe álbum, mas, pelo que ouvi na rádio, há grandes letras na onda de Ornatos).
O grande destaque vai para o Quinteto Tati, um projecto de J.P. Simões e Sérgio Costa, ambos dos Belle Chase Hotel (BCH). JP é um letrista extraordinário e o melhor retratista da geração que tem agora entre 25 e 35 anos. Tem as melhores influências (Chico Buarque, Tom Waits, Divine Comedy...) Já o tinha topado no primeiro álbum dos BCH, em 1998, onde JP já brilhava. O segundo álbum ("La Toilette des Etóiles") era ainda melhor, produzido por Joe Gore, que costuma trabalhar com Tom Waits. Aí JP cantava pela primeira vez uma música em português (até então todas as músicas eram cantadas em inglês ou francês). Tinha dito em entrevistas que não se sentia bem a escrever canções em português, que tinha muitas escritas e guardadas na gaveta por lhe parecerem forçadas. O novo álbum (Exílo), é todo cantado em português e é uma maravilha. Daqueles álbuns de ouvir e chorar por mais
Há também Nus, o novo álbum dos Mão Morta. O álbum baseia-se em "Howl" poema mais conhecido do grande poeta americano Allen Ginsberg. Pretende ser o retrato da geração que fundou a movida bracarense nos anos 80, com muitas drogas e loucura à mistura. É um álbum irregular, como quase todos os doa Mão Morta. Tem grandes momentos e também músicas falhadas. Mas os Mão Morta sempre foram uma banda para se ver ao vivo e numa noite em que Adolfo Luxúria Canibal esteja inspirado
Corrupçãozinha

A serem verdadeiros, os dados que vieram a público sobre o caso Valentim Loureiro remetem para uma questão muito portuguesa: Onde começa a corrupção? Os de Gondomar dizem que gostam de receber bem e que no Norte se recebe oferecendo presentes. Os de Gondomar oferecem relógios Rolex e peças de filigrana, mas afirmam que isso é apenas boa educação. Eu considero isso mais um sintoma da corrupçãozinha portuguesa, que grassa um pouco por todo o lado. Por exemplo, o que são as prendas valiosas (computadores portáteis, leitores de DVD, viagens, etc.) que os “delegados de informação médica” (esses agentes corruptores instituídos) oferecem a quase todos os médicos? O que são as ligações escandalosas entre certas empresas de construção civil e determinados municípios?
O caso Valentim Loureiro é apenas um caso em que as coisas se tornaram demasiado evidentes. A levar a lei à risca, metade do país estaria presa. Como li no outro dia num jornal,"metade do país presa e a outra metade desempregada".
Blog leva a despedimento de jornalistas

Três jornalistas do "Primeiro de Janeiro" foram despedidos por denunciarem num blog, em tom sarcástico e gozão, situações ilegais. Trata-se de um caso muito interessante e actual. Penso que todos os que escrevem neste blog sempre tiveram o cuidado em manter a reserva sobre a sua actividade profissional, não falando aqui de situações que dela derivam directamente. Acho que é assim que é leal e que deve ser. Mas o caso do "Primeiro de Janeiro" é diferente. Segundo os autores, o blog foi criado para denunciar situações ilegais e, como refere no artigo Óscar Mascarenhas, o jornalista não deve ser cúmplice de actos ilegais cometidos pela empresa em que trabalha: "É ilegal ser um director comercial a dar ordens a um jornalista e as empresas não podem fazer publicidade subliminar, fazendo passar por jornalismo o que é publicidade", refere. Terá sido o blog o meio mais indicado para a denúncia. Num mundo ideal, os jornalistas deviam ter apresentado a sua demissão e enviado um comunicado para todos os órgãos de comunicação concorrentes a explicar porquê. Mas não vivemos num mundo ideal.

terça-feira, abril 27, 2004

Comece o dia com alegria!

“…and the life of man, solitary, poor, nasty, brutish and short.”
Thomas Hobbes

domingo, abril 25, 2004

25 de Abril por VPV

Vasco Pulido Valente escreveu um ensaio notável sobre o 25 de Abril, publicado hoje no DN, que vai ser com certeza muito glosado pela direita blogosférica. No seu melhor estilo, VPV analisa de forma brilhante, em apenas seis páginas, o 25 de Abril de 1974 e os dois anos que se seguiram. O artigo é excepcional como contraponto às teses que mitificam a Revolução, e tem a vantagem de contar uma história sem os bloqueios cientistas ou politicamente correctos do costume.

No entanto, é também à luz deste estilo - taxativo, afirmativo, apelativo - que se percebe o abuso de classificações, de generalizações e de conclusões definitivas. Revolução? Não houve. "Capitães da liberdade"? Não houve (eram uma cambada de oportunistas temerosos da guerra no Ultramar, sem escola nem ideologia). Mudanças sociais? Não houve. Mudanças económicas? Houve, para pior.

Esta postura afirmativa, taxativa, está também ligada com a tendência de VPV para "novelisar" a história, agrupando os actores em categorias simples. Como num filme, há os "maus" - PC's, extrema esquerda, militares, os "bons" (a população que não se deixa arregimentar pelos radicais), o "herói" (Mário Soares) e o "vilão" (Otelo).

De qualquer forma isso não desmerece em nada o artigo, muito pelo contrário, porque o jogo é limpo e genuíno (o próprio registo literário usado nega qualquer pretensão científica, ao contrário do que sucede com outros historiadores mais comprometidos politicamente). A ler, portanto.

sábado, abril 24, 2004

Quer-se dizer...
Um homem ergue um tribunal e depois os magistrados usam-no para entalar um gajo. Oh Valentim, estou contigo, pá, não se faz. Para a próxima já sabes: em vez de construires tribunais e instalações para a PJ, o melhor é construires casas de putas e salas de jogo. Aí, pelo menos, estás livre de ser maltratado.

sexta-feira, abril 23, 2004

Ouve lá, ó Ernesto, tu não escreveste um texto a responder ao Tiberius? Apagaste-o? Eu vi-o algures, o que é feito dele?
Mas onde é que está "parecem haver"??? Qual post??? O que é que andas a cheirar???
O meu post era sobre uma frase escrita pelo Ernesto ali em baixo. Eu acho que dizer «parecem haver» está incorrecto, mas podem consultar as gramáticas e os prontuários para confirmar.
Feliz regresso

Ele voltou. O nosso guru regressou depois de vários meses de silêncio na blogosfera. Bem-vindo!

PS: a que é que se referia o teu último post???
Não se diz «parecem haver»; diz-se «parece haver».
Dérbi mental



O Instituto do Desporto de Portugal (IDP) e a Sociedade da Língua Portuguesa (SLP) tão a gastar tempo e dinheiro desde o ano passado na construção de uma base de dados com a terminologia usada no desporto. A ideia é "corrigir o excesso de expressões e termos estrangeiros utilizados tanto pelos agentes como pelos jornalistas desportivos". Difícil de acreditar?

Parece que numa conferência, alguém perguntava: "Por quê dizer derby se podemos dizer clássico?". Ora, isto é o mesmo que perguntar "por quê dizer broche se podemos dizer punha de mamas?" PORQUE NÃO SÃO A MESMA COISA!!! Um FC Porto-Benfica é um clássico. Um Benfica-Sporting é um derby. Se não há uma palavra portuguesa para designar a coisa, usa-se uma estrangeira, qual o problema? Ou, melhor ainda, cria-se uma palavra nova!!! Podemos inventar o dérbi, ou melhor ainda, o capulo, a esfronga ou o frabuco. Haja imaginação, meu povo! Lembrem-se de que as coisas antes de existir não tinham nome.

quinta-feira, abril 22, 2004

Onde está o prof. Alcides Graça quando precisamos dele?

Escreve o Ernesto aí abaixo que o editor acaba por ser o personagem mais forte do filme. Não acaba nada. Acaba por ser a personagem mais forte do filme.

Personagem é fêmea, porra. Este Núcleo aprecia muito a cultura e a língua brasileiras (alguns mais que os outros), mas se é para falar como deve ser, fale-se como deve ser. A personagem. Não o personagem.

Podem ir verificar ao Porto Editora, o substantivo é feminino. Mas o que disser o dicionário não interessa, personagem com “o” é feio. A personagem, se faz favor.
"Shattered Glass"

Vale a pena ir ver "Shattered Glass" ("Verdade e Mentira", na versão portuguesa...). Trata-se de um filme baseado na história, verídica, de um jovem jornalista da prestigiada revista The New Republic que inventa reportagens mirabolantes e que acaba por ser desmascarado pelo seu editor, Chuck Lane, actualmente a trabalhar no Washington Post.

Apesar de ter aquelas tretas habituais sobre a classe (por favor, essa ideia de que os jornalistas andam de gravata com o botão do colarinho desabotoado... e que não dormem de noite...), o filme revela de forma suficientemente verosímil um certo jornalismo e os conflitos de poder que por vezes se jogam dentro das redacções.

Para mim, Chuck Lane, o editor, acaba por ser o personagem mais forte do filme. Mas será que Chuck Lane existe tal como é retratado no filme?


quarta-feira, abril 21, 2004

Quatro observações

•Oh DJ, ficava mais bonito se o post anterior, a desculpar o post antecedente, fosse qualquer coisa do género “o meu post anterior foi interpretado fora do contexto”.

•Quem é o rei dos pneus?

•Não juro, mas até aposto que 99,99 por cento dos blogs portugueses não vão resistir a fazer um trocadilho qualquer com “pito dourado”.

•Está um lindo dia nas Antas.
Desmentido formal

A mensagem que aparece abaixo desta não é da autoria de DJ Carcaça. É alguém a tentar passar por ele e o DJ nem sequer sabe do que é que essa pessoa está a falar. Passam-se coisas estranhas neste blog...
Apito Dourado

Só faltam o rei dos pneus e o libertador das antas para desmontarem o sistema. Desculpem ter que escrever de forma codificada, mas corro riscos de vida.

terça-feira, abril 20, 2004

Fashion TV

Só via, praticamente, o "Midnight Hot", mas não deixa de ser triste que a TV Cabo tenha mais uma vez acabado com um canal sem aviso prévio, nem qualquer explicação.

O filme de mais este acto criminoso patrocinado pelo governo, neste caso o socialista, já foi exibido: uma teia de cumplicidades e negociatas permitiram um monopólio comercial - e o consumidor não pode fazer nada.

Neste caso, a estratégia delinquente da TV Cabo tem sido simples: acabar com os canais que custam dinheiro e meter lá outros que pagam para lá estar, de televendas e de seitas maradas. Gente esperta.

segunda-feira, abril 19, 2004

O corajoso

Oh DJ, se achas que o Zapatero tem razão tudo bem. Mas daí à grande coragem política vai uma certa distância. Quer dizer, onde é que está exactamente a coragem do homem? Que riscos é que ele corre? Tomar uma medida que é muito popular e não lhe traz prejuízos absolutamente nenhuns não conta como coragem.

Podes achar que o Aznar era burro, mentiroso, teimoso e/ou malvado. Mas manter as tropas no Iraque, com 90% da opinião pública contra, e correndo o risco de levar por tabela quando houvesse sangue (como aliás aconteceu), bem, isso exige coragem (da tal coragem política, não tanto da outra, da física).

P.S: Vou querer os volumes 1, 3, 7, 14, 16 e 17 da colecção Nostalgia.
Piz Buin

Alguém já viu a publicidade televisiva da Piz Buin?! Impressionante. Há de facto qualquer coisa nas cuecas de algodão brancas. E, depois, pronto, aquela zona... os vales, a dobragem do cabo da boa esperança... Não me lembro de ver um anúncio tão sensualmente pornográfico.
Viva Zapatero!

Ontem foi o dia de Zapatero. O homem mostrou grande coragem política. É uma questão de princípio. Ele tinha dito que era contra a trapalhada do iraque e tinha explicado porquê. Os espanhóis que votaram nele e o levaram a primeiro-ministro não esperavam posições dúbias.

domingo, abril 18, 2004

Escutas do Núcleo

[um jovem casal "in love"

[ela:] "Ele vem comigo para todo o lado. Trabalhamos a 3 metros um do outro, almoçamos e jantamos juntos, dormimos juntos. Estamos juntos a toda a hora. Até quando tenho trabalhos fora da redacção ele vem comigo. Só falta vir comigo à casa de banho”
[ele, trocista] “Até aí já tentei ir. E já consegui!"

[dois homens de meia idade num café da Figueira da Foz. Um deles parece desculpar-se perante o outro. Falam do Totoloto.]

"Perdemos um bocado de dinheiro neste concurso. Jogou-se mais. Também com um jackpot de um milhão e meio de contos, o que é que queria? Mas olhe que havemos de ganhar, mais tarde ou mais cedo. Eu tenho uma grande fezada naqueles números, sei que eles vão sair mais tarde ou mais cedo. Já há anos que uso aquela chave, alguma vez ela há-de sair. Mas, se quiser, para a próxima não entra na sociedade, é consigo!"

[um velho a falar para outro num autocarro dos smtuc, coimbra]

"Isto agora não há moral, não há princípios. Andam todos aí de mochila nas costas a viver acima das suas possibilidades. É só burla e sexo e roubo. Dantes também era assim, mas agora é muito pior. Eu cá sou como o outro [parece referir-se a Salazar], certinho nas contas. Não engano ninguém, sou honrado."
Mancha Negra

Desde o “só não sei porque não fico em casa” que toda a claque tem por ponto de honra o lançamento de um CD com o seu repertório coral. Há fanáticos que ouvem esses CD´s nos seus carros com o som no máximo. São todos de fugir e quanto mais rebuscados piores.
O da mancha negra, por exemplo, não lembra ao diabo. Para além do "se jogasses no céu morreríamos para te ver" (estamos a falar da académica e do seu futebol frequentemente sofrível, não da argentina de 1986), os putos compuseram uma letra (e cantam-na nos jogos) que vai buscar uma remota vitória numa Taça de Portugal de 1939 (!) e transpira um espírito saudosista muito português e, principalmente, muito de Coimbra. A música é a do "My Way", do Sinatra. A letra é esta:

"Quando te vi jogar, logo fiquei apaixonado
e quando te vi marcar, meu coração ficou marcado
e em 39 quando ganhaste aquela taça
senti que eras tu nossa briosa!
Lala lalalala lalalala lalalalala
Lala lalalala lalalala lalalalala
Lala lalalala lalalala lalalala lala"
PUBLICAÇÃO PARA BREVE

Andei recentemente a vasculhar os ricos arquivos do Núcleo Duro e encontrei preciosidades que demonstram como a nossa instituição tem um passado de projectos que, a serem concretizados, dariam um enorme contributo para a cultura nacional. Pensámos a edição de livros essenciais, que viriam preencher um vazio que ainda hoje persiste. Aqui ficam os títulos das colecções "Minerva" e "Nostalgia":

COLECÇÃO MINERVA – NÚCLEO DURO

1 – Malucas em Portugal
2 – Amigas da Narça
3 – O peido – Último reduto da intimidade da mulher
4 – Porque é que na inspecção não se pode ter só um colhão?
5 – Pelos no sovaco, pelos no cu – Devemos rapá-los?
6 – Como obter uma erecção duradoura (69 horas) sem o Viagra?
7 – Jornalismo e Sexologia (Prefácio: MM)

COLECÇÃO NOSTALGIA

1 – "Je suis fou pour chocolat lanvin" – A história revista do Núcleo Duro
2 – Tertúlias literárias – introdução ao estudo dos média nas Amarelas
3 – "Já que a estática introduz ideias, foi um prazer..."
4 – Rugby: Desporto? Paixão? Devoção? Religião? Um enigma
5 – Futebol, Mulheres e Filosofia: O fim do paradigma do intelectual
6 – O grunho do Monte e seus sequazes: Espécie ameaçada?
7 – “Grache” – Confissões de um zombie
8 – "Tu disseste meu querido" – Prelecções do Hotel Imperial
9 – "Noites!, noites!, noites!"
10 – "O dia em que o FCP enrabou o SLB" ou a tabloidização do jornalismo desportivo (Seminário)
11 – A ira da ovelha de Fafe ou o lamento de um lampião frustrado
12 – Tenha orgulho na sua hemorrróide. O Dr. F ensina a ver o lado bom da vida
13 – Viver hipocondríaco, ainda assim viver formosamente
14 – "Vamos para o buraco" – Psicanálise do grunho internacional
15 – Limpeza das fossas nasais – Pelo faquir e yogi R Gordo
16 – Manual da Piroflatulência – Como queimar peidos, bufas, traques e afins
17 – Porque limpar as mãos depois de mijar? O fim de um preconceito

quarta-feira, abril 14, 2004

Adenda

Para cumprir a promessa do post anterior: esta gaja não está bem nua, mas é quase a mesma coisa. Esta está ainda mais despidita. E tomem ainda a Halle:



Queres sonhar vai dormir Ernesto, caramba!

O problema do Totoloto é mesmo esse. É que te põe a pensar que a única maneira de fazer fortuna honestamente é preenchendo preguiçosamente o boletim e pronto. Não é. Podes chegar aos teus barquinhos a trabalhar.

E porque é que para sonhar precisas do raio do Totoloto? Não podes ter as casinhas e os carrinhos na tua cabeça sem ter de fazer as cruzinhas primeiro?

Mais um argumento contro o Totoloto: enquanto jogo, não tem valor de entretenimento nenhum. Até um macaco pode fazer seis cruzinhas num papel e ficar a olhar para a maquineta. O maldito Totoloto acabou com um jogo que, esse sim, tinha graça: o Totobola.

Antes do Totoloto, um gajo punha-se a tentar adivinhar os resultados, e depois não ganhava nada na mesma mas ao menos ficava mais entretido a ouvir os relatos na rádio ao domingo à tarde. Agora ninguém joga no Totobola, e de qualquer maneira já quase não há jogos no domingo à tarde. Foi uma linda tradição que o Totoloto estragou.

P.S: Um grande abraço à tua tia Violeta

terça-feira, abril 13, 2004

Deixa sonhar Tiberius, caramba!

Olha lá, eu também não sou adepto do Totoloto. E até tinha razões para ser: a minha tia Violeta, por exemplo, já ganhou o prémio máximo e vive hoje a sua reforma com esse dinheiro. É verdade que as hipóteses estatísticas são mínimas. Mas, diz-me lá, quais são as hipóteses estatísticas de uma enfermeira, ou quem quer que seja, ganhar 100 mil contos a trabalhar de forma honesta. São de 0 em 25 milhões, digo-te eu. O Totoloto tem pelo menos esta virtude: durante aquelas horas que precedem o sorteio, um gajo tem uma pequena, pequeníssima, esperança. E sonha, como uma criança, com barquinhos com bar, carrinhos, casinhas, desemprego voluntário... Foda-se Tiberius, foda-se pá!
Ernesto, não percebes nada do Totoloto

Oh Ernesto, para já não é aos burgueses ociosos que sai o totoloto — esses já têm dinheiro que chegue e são suficientemente espertos para não jogar.

Depois: a notícia dos auxiliares de enfermagem é boa — boa para eles, e muito bom proveito. Mas o teu post perpetua a lógica do “toda a semana sai a alguém”, o que dá a milhões de totós a ilusão de que lhes pode sair a eles.

O problema nisto é as pessoas que não percebem estatística, e não sabem que uma hipótese em 25 milhões é quase o mesmo que 0 em 25 milhões. Ou seja, os auxiliares de enfermagem do Porto estão na boa, mas os outros auxiliares de enfermagem do resto do país hão-de passar o resto da vida a preencher o boletinzinho e a não ganhar puto.

Eu cá sou todo a favor do Totoloto: é um imposto à estupidez, voluntário e pago apenas pelos tansos (as receitas do imposto podiam ir para outro lado que não a Santa Casa, mas enfim). Agora, fazer propaganda ao Totoloto num espaço augusto como este, isso não pode ser oh Ernesto.

E ainda te digo mais: agora que os auxiliares de enfermagem estão ricos, quem é que vai lavar as arrastadeiras dos cancerosos no Porto, hem? Aposto que não tinhas pensado nisso, pois não?


Há muito tempo que não escrevia um post tão desnecessariamente zangado como este. Prometo que o próximo há-de ter gajas nuas. Entretanto, fiquem com isto
Totoloto

Por uma vez o totoloto não saiu a um burguês ocioso ou a um desses grupos de vadios (tipo Jogadores de Sueca de A-do-Francos) que apostam muitos euros em quadradinhos, na esperança de deixarem de se preocupar com o facto de não trabalharem.

A notícia de que 17 auxiliares de enfermagem do Instituto de Oncologia do Porto ganharam o prémio máximo é muito boa e deixa-nos uma esperança na Providência.

segunda-feira, abril 12, 2004

Augusto M. Seabra

Num país onde existe uma reverência bacoca a uma dúzia de vultos da cultura, Augusto M. Seabra merece ser louvado. É provavelmente o único "crítico" que desanca com inteligência na mediocridade e nos "lobbies" instalados em Portugal, seja na música, no cinema ou na literatura. É também um dos últimos intelectuais com uma formação lata e actualizada e com uma escrita sofisticada e elegante.

Eu, se fosse a ele, respondia às provocações da Clara Ferreira Alves, no último Expresso. A senhora é tonta. Está a precisar de uma palmada no rabo. Não te fiques, Augusto. Faz esse serviço ao país. O ND está contigo.

terça-feira, abril 06, 2004

TGB é fixe, carago

Grande concerto ontem dos TGB, um trio português de tuba (Sérgio Carolino), guitarra (Mário Delgado) e bateria (Alexandre Frazão) com três dos mais virtuosos músicos da actualidade, numa formação original e muito bem sintonizada. Sérgio Carolino, um músico com formação clássica, toca a tuba como se fosse um trompete, introduzindo um ritmo grave muito "cool". Alexandre Frazão recorre a todos os trunfos na percursão, com uma técnica e uma personalidade extraordinárias. E assinala um dos momentos mais belos do disco, ontem apresentado no Pequeno Auditório do CCB, quando, numa peça da sua autoria, sopra a melódica ao mesmo tempo que, com a mão livre e os pés, vai marcando o ritmo. Por fim, Mário Delgado em grande forma, divertindo-se como nunca com os pedais, emprestando muito electricidade ao conjunto, deixando pontuações pertinentes e solos límpidos que nos levam para fora da sala. Acreditem em mim, não se trata de caridade patrioteira. TGB é muito divertido e muito bem feito.
Retomando à questão da RTP, vejam o que escreveu pertinentemente este jornalista:

O Despudor na Mudança da RTP
Por LUCIANO ALVAREZ
Segunda-feira, 05 de Abril de 2004


A mudança de instalações da RTP (sem dúvida motivo de notícia por variadas razões) foi usada de uma forma vergonhosa por parte da administração e direcções de programas e informação da estação pública.

Não por recordar o passado e a história da empresa, sem dúvida ligada à história das últimas décadas do país, ou por lembrar o muito de bom que foi feito ao longo dos tempos e que até está a ser feito actualmente.

A questão é que o antes, o durante e o depois da mudança de instalações foi também aproveitado pelos principais responsáveis da RTP para manobras de autopromoção no mínimo ridículas, que, acima de tudo, tentaram fazer passar a
ideia de que antes deles era o caos e agora é o paraíso. Num estilo de ir ao vómito, tipo "viva nós, os maravilhosos, e as nossas magníficas instalações", só não entrevistaram as paredes da casa nova porque elas não falavam e, como tal, não podiam dizer bem dos administradores, dos directores, da programação, da informação ou, no mínimo, da nova cantina.

Mais grave é que a mudança foi também utilizada, em alguns casos em claras vinganças pessoais, para dizer mal de tudo o que actualmente os rodeia no panorama televisivo português e o que os rodeou num passado recente no interior da RTP. Tudo muitas vezes levado a cabo num registo de desavergonhado servilismo ao poder político, capaz até de fazer corar o ministro Morais Sarmento.

E não fosse o Diabo tecê-las ou Nossa Senhora de Fátima ficar aborrecida - essa Santa que tanto tem colaborado com o ministro da Defesa, Paulo Portas -, até valeu meter um bispo (ou seria um cardeal?) a benzer as novas instalações da estação pública de um Estado laico
Escutas do Núcleo

[uma feminista com cerca de 25 anos, numa conversa com amigos]

"O desporto e a religião são os dois últimos redutos do machismo. Deve haver a possibilidade de mulheres jogarem num clube de futebol masculino. É absolutamente discriminatório o que a FIFA fez ao dizer que o Perugia não pode jogar com uma mulher. Não sei quantas mulheres há na direcção da FIFA e qual é a força que elas têm.
Isso é absolutamente a mesma coisa do que há um século as mulheres não poderem votar. Se há uma mulher que quer jogar numa equipa masculina, deixem-na jogar. Deixem-na decidir. A primeira deputada, política, juíza, foi sempre só uma.
Numa equipa de futebol de 11 há lugares para homens e mulheres. Há posições mais próprias para homens e mulheres. E não é jogar contra homens, é jogar juntos, é assim que devemos pensar.
Há agora o caso de uma miúda com 12 anos nos Açores que não pode continuar a jogar futebol porque não há campeonatos femininos nos Açores. Devem deixá-la continuar a jogar futebol nos campeonatos masculinos, se ela quer. E não é partir do princípio de que uma mulher não joga melhor do que um homem. Não se sabe. Tenho a certeza que se pusessem as duas melhores jogadoras do campeonato americano a jogar na primeira divisão masculina taliana, elas tinham lugar. Se derem as mesmas condições de treino a rapazes e raparigas, quem vos diz que uma mulher não pode vir a jogar tão bem como um homem?"

segunda-feira, abril 05, 2004

Se calhar por isto é que somos todos tão burros

Um instituto chinês teve a ideia de fazer um ranking das melhores universidades do mundo em termos cientificos. Os metodos do ranking são discutiveis, mas a lista não feita à sorte. As universidades americanas dominam, mas também há imensas europeias.

E portuguesas? Há uma, muito por favor, metida entre os lugares 351 e 400, ensanduichada entre potentados como a universidade de Louisville, no Kentucky, e a universidade de Konstanz, na Alemanha: os chineses chamam-lhe só Universidade de Lisboa, não dá para saber exactamente qual, enfim, uma em 500, já é melhor que nada.
Restos não são uma alimentação saudável



Dâsssss... Estes gajos superam tudo. Estão finalmente encontrados os sucessores dos Pão e Circo, na sua vertente mais escatológica. Imagine-se que os Mão Morta engravidavam depois de serem enrabados pelos Irmãos Catita. O filho bastardo nascido desta bizarra relação sodomita seriam estes gajos: Comme Restus.

Com muito mais qualidade musical que a maioria das bandas de metal pesado que para aí andam, estes gajos têm ainda a virtude de recriar a língua portuguesa nas suas letras minimalistas porém brilhantes - há uma canção que diz apenas "Porque é que tu não vais pro caralhooooo. Palhaço do caralho" (imaginem isto cantado por uma vozinha à AC/DC). Há outras politicamente engajadas em causas anárquico-revolucionárias, como uma que apela: "Morte aos ciclistas". O autor das letras têm ainda a virtude assumir a verdade do potuguês falado nas ruas nos nossos dias. Aqui fica uma das melhores letras do repertório:


AMANDAME CÔA PAXAXA PUS DEMTES

Lavame os demtes cu teu fluido vaginal
Deixame xuparte a tua glãdula orinária
Enxe disporra essa boca ordinária

Exfregate nas minhas urelhas
Vãemte no meu olho
Amanda-me coa paxaxa pus demtes
Deichamlaberto bolho

FODE CABRA, FODE PUTA
Enfia as mãos na cona e
Bate palmas, Bate palmas, Bate palmas!

A tua pintelheira nujenta xega inté ao um bigo
i eu mijote pra demtro do cu
Eu cago e tu comes o cagalhão

Tu rixte com a boca xeia de merda
E eu riume com pintelhos nos demtes
Xupamos colhões
Xupazós té aos pulmões

FODE CABRA, FODE PUTA
Enfia as mãos na cona e
Bate palmas, Bate palmas, Bate palmas!
Escutas do Núcleo

Diálogo sobre o pão. Duas mulheres, cerca de 40 anos, loiras artificiais, na fila da caixa do Pingo Doce de Alvalade.

- Este pão é só ar. Tenho umas saudades do pão caseiro da minha terra.
- Eu prefiro o papo-seco, devo dizer-te.
- Meu deus, porquê? O pão caseiro é mais saboroso e faz menos migalhas porque é mais massudo.
- Precisamente, o pão caseiro é mais maçudo!

sábado, abril 03, 2004

Micro mini-saia

Depois do 11 M, o Núcleo decidiu imediatamente enviar um repórter para Madrid. O pior é que, como não temos orçamento, o nosso homem teve que ir à boleia. Ora, hoje em dia não é nada fácil andar à boleia. Os espanhóis estão desconfiados e, para além disso, há um centro de massagens muito bom em Estremoz. Por todas estas razões, o dj só chegou à capital castelhana agora. A primeira impressão prende-se com a moda. A última moda em Madrid são as micro mini-saias. Ontem, o dj até viu uma cueca branca nas escadas rolantes do metro. A técnica é esperar que as pernas estejam quase no cimo das escadas e só nessa altura começar a subir, ligeiramente agachado. Tal como o floss, tão elogiado por Ernesto, o Núcleo aprova a micro mini-saia.

sexta-feira, abril 02, 2004

Pacheco Pereira sobre o Núcleo Duro:

"Há, em termos filosóficos, um último Núcleo interpretativo, uma ultima ratio, que separa a esquerda da direita"
Escutas do Núcleo [jovens conversando no bar Irlandês do Cais do Sodré]

Colombo vs. Amoreiras
"Não há sítio mais lascivo do que o Centro Comercial Colombo. As Amoreiras, por exemplo, ficam a léguas. São para maiores de 16 anos, um filme erótico para tias. O Colombo não, respira pornografia. É um antro de grossas, graças a Deus: as balconistas são muito mais porcas e as gajas que lá vão têm o arrojo das suburbanas orgulhosas das suas mamas gordas."

quinta-feira, abril 01, 2004

A ver se mordem...
O Núcleo Duro preparou um plano para fazer face à crise de audiências, que consiste na aplicação de vocábulos (a seguir indicados) que possam trazer a este espaço de debate mais leitores em busca de assuntos contemporâneos:
Sex
Porn
Jenna Jameson
Carla Matadinho
Benfica
Bush
John Holmes
Escutas do Núcleo

[o ceguinho no Metro]

"olhem podem crer que eu continuo a agradecer a quem tenha a bondade ou a possibilidade de me auxiliar, olhem podem crer que eu continuo a agradecer a quem tenha a bondade ou a possibilidade de me auxiliar, olhem acreditem que fico realmente grato a quem tenha a bondade ou a possibilidade de me auxiliar"

[Desabafo de contribuinte... Trata-se de um homem forte, com cerca de 50 anos, numa fila nas finanças]

"Esta juventude de hoje não tem tomates para mudar isto. Estamos no século 2004 (sic) e estas repartições de finanças continuam igualzínhas ao que eram há 30 anos. Aliás, piores: mais papéis, mais complicação, não há guichets para informações, anda aqui um tipo com a minha idade para cima e para baixo. Sabe o que é? Isto neste país vivemos quase todos num buraco escuro, quando não somos estropiados. Depois há uns poucos que vivem no luxo...Está mal. Repare, eu não tenho nenhuma posição política, não sou contra a propriedade nem comunista, mas isto é demais, percebe?"
RTP

Não há paciência para o tom de auto-complacência da RTP. Há um ano era o caos, agora são a melhor estação do mundo. Ontem (dia de mudança para as novas instalações), passaram todo o tempo a elogiarem-se e a passarem “spots” promocionais

- Em um ano mudámos. Redimensionámos o quadro de colaboradores, equilibrámos a situação financeira, inaugurámos novas e modernas instalações que são o maior pólo tecnológico do país

Independência da estação pública? Não brinquemos. Isto cheira a propaganda governamental por todo o lado. E pior: a branqueamento da verdade.

Ps: No meio das estrelas sorridentes, não vi qualquer referência (mas pode ter sido lapso meu) ao protesto público que trabalhadores anónimos da RTP fizeram ontem em frente às novas instalações, após decisão em plenário. É que, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas, há quem “não tenha motivo para festas”