terça-feira, setembro 30, 2003

«It`s not only rock and roll»



Voltando aos Rolling Stones: eles foram realmente fantásticos. É incrível reparar que o alinhamento do concerto poderia ser semelhante ao de uma tourné decorrida em 1975. Passados mais de quarenta anos sobre a sua fundação, os Stones continuam a brilhar, ajudados por uma produção milionária e pelo carisma natural e adquirido. São uma espécie de realeza do rock, aclamados universalmente. O facto de serem os últimos sobreviventes das bandas míticas que transformaram o rock num fenómeno de massas (como, por exemplo, os Beatlles ou os Doors) deu-lhes um estatuto único. É ainda o cliché do «sexo, drogas e rock» que vendem (e por bom preço), embora isso tenha pouco a ver com a realidade. Actualmente, são excêntricos homens de negócios, preocupados com as cotações da bolsa e com as sessões de ginásio que lhes permitem exibir os músculos durante os concertos. Não deixa de ser estranho ver o sexagenário Jagger acenando para a bancada Vip (talvez pensando nos 200 mil contos que sacará da operação) e cantando

Angie, Angie, when will those clouds all disappear?
Angie, Angie, where will it lead us from here?
With no loving in our souls and no money in our coats
You can't say we're satisfied
But Angie, Angie, you can't say we never tried

enquanto, na outra ponta do palco, Richards se contorce num solo de guitarra, ostentando na boca o cigarro rebelde. E apagado, claro.
Apelo a todos os "bloggers"

Importavam-se de parar com os "posts" melancólicos sobre o Outono! Controlem-se. É todos os anos o mesmo: a folha a cair... o vento assobiando o amor terno de sofá... o calor reconfortante da camisola esquecida... a lareira... Um gajo até fica deprimido.

segunda-feira, setembro 29, 2003

TV 7 Dias

Um destes dias folheei a TV 7 Dias, uma revista semanal dedicada a assuntos de televisão.
Não é difícil definir o conteúdo da coisa: boatos sobre “famosos” (sendo que famosos são todos os que aparecem 15 segundos nas tvs, isto é, três quartos da população portuguesa), fotos de “famosos”, entrevistas a “famosos”, fait-divers e trivialidades sobre “famosos”.. Sem esquecer as rubricas obrigatórias sobre signos, inquéritos e páginas dedicadas ao sexo e à moda.
Como não podia deixar de ser, a revista é detestável, é repugnante, etc. Mas é bem feita: isto é, não é difícil adivinhar que uma dona de casa ou alguém que esteja à espera da consulta no dentista se sinta inevitavelmente atraído por ela. Como é possível resistir a um artigo em que se fica a saber que a Sílvia, apresentadora do Ídolos, namora com o ex-marido de uma das juradas do mesmo programa? Ou por um outro texto em que o dono de uma merceria de Aveiro jura que o Ricardo M., um dos concorrentes do Big Brother, era mal tratado pela madrasta, a ponto de esta lhe mandar a cabecita contra o bidé?
A Tv 7 Dias é os Lusíadas da pimbalhice.
O Padrinho

Hoje é dia de O Padrinho, na TVI. O filme está programado para a meia-noite, portanto deve começar à 1.30.
Música portuguesa

Uma das “causas” dos músicos portugueses é querer obrigar as rádios a passar música portuguesa. Aparentemente, os deputados vão discutir o assunto no Parlamento e fazer o frete aos cantores, aprovando leis para criar bolsas obrigatórias de música nacional nas programações. Parece que há quem pense que é a estratégia certa para defender a música portuguesa da vaga imperialista anglo-saxónica. É uma política similar às quotas para deputadas na AR ou à obrigatoriedade de as salas de cinema passarem filmes do Manoel de Oliveira e afins. É triste que haja quem queira impor certas coisas por decreto.
Rolling Stones

O concerto dos Rolling Stones foi impressionante (sobretudo pela quantidade e qualidade das soluções espectaculares, e por Mick Jagger). E até teve dois momentos de humor: um, quando o público começou a gritar "Portugal, Portugal..." (sem que se vislumbrasse qualquer golo ou qualquer manobra do PNR); outro, quando Keith Richards cantou.

domingo, setembro 28, 2003

São OO:31 e o puto está ainda a falar alto na cama e eu a querer silêncio.
Alguém sabe de algum médico que receite nozinan ou outro calmante a uma criança com dois anos e meio?
Tipo do género que só acorde aos 30 anos no dia do seu casamento.
Este post é longo mas acho bastante elucidativo.
quem gostar dos EUA (isto é para ti Tiberius) é favor passar à frente


CONVERSA ENTRE UM PAI E UM FILHO, ANTES DO ADORMECER, NUMA
CIDADE NORTE-AMERICANA:

Filho: Paizinho, porque é que tivemos que atacar o Iraque?

Pai: Porque eles tinham armas de destruição em massa, filho.

F: Mas os inspectores não encontraram nenhumas armas de
destruição em massa.

P: Isso é porque os iraquianos as esconderam.

F: E porque é que nós invadimos o Iraque?

P: Bom, as invasões funcionam sempre melhor que as inspecções.

F: Mas depois de os termos invadido, AINDA não encontrámos
nenhumas armas, pois não?

P: Isso é porque as armas estão muito bem escondidas. Mas
deixa lá, haveremos de encontrar alguma coisa,
provavelmente antes mesmo das próximas eleições.

F: Para que é que o Iraque queria todas aquelas armas de
destruição em massa?

P: Para as usar numa guerra, claro.

F: Estou confuso. Se eles tinham todas aquelas armas e
planeavam usá-las numa guerra, então porque é que não
usaram nenhuma quando os atacámos?

P: Bem, obviamente não queriam que ninguém soubesse que eles
tinham aquelas armas, por isso eles escolheram
morrer aos milhares em vez de se defenderem.

F: Isso não faz sentido, paizinho. Porque é que eles haveriam
de escolher morrer se tinham todas aquelas armas
poderosas para lutar contra nós?

P: É uma cultura diferente. Não é suposto fazer sentido.

F: Não sei o que é que tu achas, paizinho, mas não me parece
que eles tivessem quaisquer daquelas armas que o
nosso governo dizia que eles tinham.

P: Bom, sabes, não interessa se eles tinham ou não aquelas
armas. De qualquer modo nós tínhamos outra boa razão
para os invadir.

F: E qual era?

P: Mesmo que o Iraque não tivesse armas de destruição em
massa, Saddam Hussein era um cruel ditador, o que é
outra boa razão para invadir outro país.

F: Porquê? O que é que um ditador cruel faz para que seja
correcto invadir o seu país?

P: Bom, pelo menos uma coisa, ele torturava o seu próprio povo.

F: Assim como fazem na China?

P: Não compares a China com o Iraque. A China é um bom
parceiro económico, onde milhões de pessoas trabalham
por salários de miséria, em condições miseráveis, para tornar
as empresas norte-americanas mais ricas.

F: Então, se um país deixa que o seu povo seja explorado para
o lucro das empresas americanas, é um bom país, mesmo
se esse país tortura o povo?

P: Certo.

F: Porque é que o povo no Iraque era torturado?

P: Por crimes políticos, principalmente, tais como criticar o
governo. As pessoas que criticavam o governo no Iraque
eram presas e torturadas.

F: Não é isso exactamente o que acontece na China?

P: Já te disse, a China é diferente.

P: Qual é a diferença entre a China e o Iraque?

P: Bom, pelo menos uma coisa, o Iraque era governado pelo
partido Baas enquanto que a China é comunista.

F: Não me tinhas dito uma vez que os comunistas eram maus?

P: Não; só os comunistas cubanos são maus.

F: Porque é que os comunistas cubanos são maus?

P: Bom, pelo menos uma coisa, as pessoas que criticam o
governo em Cuba são presas e torturadas.

F: Como no Iraque?

P: Exactamente.

F: E como na China, também?

P: Já te disse, a China é um bom parceiro económico. Cuba, por
outro lado, não é.

F: Porque é que Cuba não é um bom parceiro económico?

P: Bem, é assim, no princípio dos anos 60, o nosso governo fez
umas leis que tornaram ilegal que os norte-americanos
tivessem trocas comerciais ou outros negócios com Cuba, até
que eles deixassem de ser comunistas e começassem a
ser capitalistas como nós.

F: Mas se nós acabássemos com essas leis, abríssemos o
comércio com Cuba, e começássemos a fazer negócios com
eles, isso não ajudaria os cubanos a tornarem-se capitalistas?

P: Não te armes em chico-esperto.

F: Eu acho que não sou.

P: Bom, de qualquer modo, também não há liberdade de religião
em Cuba.

F: Assim como na China, com o movimento Falun Gong?

P: Já te disse, deixa-te de dizer mal da China. De qualquer
maneira, Saddam Hussein chegou ao poder através de um golpe
militar, por isso ele não era realmente um líder legítimo.

F: O que é um golpe militar, paizinho?

P: É quando um general toma conta do governo de um país pela
força, em vez de eleições livres como nós temos nos Estados Unidos.

F: O líder do Paquistão não chegou ao poder através de um
golpe militar?

P: Referes-te ao General Pervez Musharraf? Uhm, ah, sim, foi;
mas o Paquistão é nosso amigo.

F: Como é que o Paquistão é nosso amigo se o seu líder é
ilegítimo?

P: Eu nunca disse que Pervez Musharraf era ilegítimo.

F: Não acabaste de dizer que um general que chega ao poder
pela força, derrubando o governo legítimo de uma nação, é um líder
ilegítimo?

P: Só Saddam Hussein. Pervez Musharraf é nosso amigo, porque
ele nos ajudou a invadir o Afeganistão.

F: Porque é que nós invadimos o Afeganistão?

P: Por causa do que eles nos fizeram no 11 de Setembro.

Q: O que é que o Afeganistão nos fez no 11 de Setembro?

F: Bem, em 11 de Setembro de 2001, dezanove homens, quinze dos
quais da Arábia Saudita, desviaram quatro aviões e lançaram três
contra edifícios, matando mais de 3000 norte-americanos.

F: Então, onde é que o Afeganistão entra nisso tudo?

P: O Afeganistão foi onde esses homens maus foram treinados,
sob o regime opressivo dos Taliban.

F: Os Taliban não são aqueles maus radicais islâmicos que
cortam as cabeças e as mãos das pessoas?

P: Sim, são esses exactamente. Não só cortavam as cabeças e as
mãos das pessoas, como também oprimiam as mulheres.

F: Mas o governo de Bush não deu aos Taliban 43 milhões de
dólares em Maio de 2001?

P: Sim, mas esse dinheiro foi uma recompensa porque eles
fizeram um bom trabalho na luta contra as drogas.

F: Na luta contra as drogas?

P: Sim, os Taliban ajudaram muito, para obrigar as pessoas a
deixarem de cultivar papoilas de ópio.

F: Como é que eles fizeram tão bom trabalho?

P: É simples. Se as pessoas fossem apanhadas a cultivar
papoilas de ópio, os Taliban cortavam-lhes as mãos e as cabeças.

F: Então, quando os Taliban cortavam as cabeças e as mãos das
pessoas que cultivavam flores, isso estava certo, mas não se
eles cortavam as cabeças e as mãos por outras razões?

P: Sim. Nós achamos bem se os radicais fundamentalistas
islâmicos cortam as mãos das pessoas por cultivarem flores, mas
achamos cruel que eles cortem as mãos das pessoas por roubar
pão.

F: Mas na Arábia Saudita eles não cortam também as mãos e as
cabeças das pessoas?

P: Isso é diferente. O Afeganistão era governado por um
patriarcado tirânico que oprimia as mulheres e as obrigava a usar
burqas sempre que elas estivessem em público, e as que não
cumprissem eram condenadas à morte por apedrejamento.

F: Mas as mulheres na Arábia Saudita não têm também que usar
burqas em público?

P: Não, as mulheres sauditas simplesmente usam uma vestimenta
islâmica tradicional.

F: Qual é a diferença?

P: A vestimenta islâmica tradicional usada pelas mulheres
sauditas é uma roupa modesta mas em moda que cobre todo o corpo
da mulher excepto os olhos e os dedos.
A burqa das afegãs, por outro lado, é um instrumento maligno da opressão patriarcal que
cobre todo o corpo da mulher excepto os olhos e os dedos.

F: Parece-me a mesma coisa com um nome diferente.

P: Bom, não vais agora comparar o Afeganistão com a Arábia
Saudita. Os sauditas são nossos amigos.

F: Mas parece-me que disseste que 15 dos 19 piratas do ar do
11 de Setembro eram da Arábia Saudita.

P: Sim, mas foram treinados no Afeganistão.

F: Quem é que os treinou?

P: Um homem muito mau, chamado Osama bin Laden.

F: Ele era do Afeganistão?

P: Aahh, não, ele era também da Arábia Saudita. Mas era um
homem mau, um homem muito mau.

F: Se bem me lembro, ele já tinha sido nosso amigo.

P: Só quando nós o ajudámos e aos mujahadin a repelir a
invasão soviética do Afeganistão nos anos 80.

F: Quem são os soviéticos? Não era o Império do Mal,
comunista, que o Ronald Reagan falava?

P: Já não há soviéticos. A União Soviética acabou em 1990, ou
mais ou menos, e agora eles têm eleições e capitalismo
como nós. Agora chamamo-lhes russos.

F: Então os soviéticos, quero dizer, os russos, agora são
nossos amigos?

P: Bem, não efectivamente. Sabes, eles foram nossos amigos
durante uns anos quando deixaram de ser soviéticos, mas
depois decidiram não nos apoiar na invasão do Iraque, por isso
agora estamos aborrecidos com eles. Também estamos
aborrecidos com os franceses e os alemães porque eles também
não nos ajudaram a invadir o Iraque.

F: Então os franceses e os alemães também são maus?

P: Não completamente, mas suficientemente maus para termos
mudado o nome das French Fries (batatas fritas) e das French
Toasts para Freedom Fries (batatas da liberdade) e Freedom
Toasts.

F: Nós mudamos sempre os nomes à comida quando outro país não
faz o que nós queremos?

P: Não, isso é só com os nossos amigos. Os inimigos, invadimo-
los.

F: Mas o Iraque não foi um dos nossos amigos nos anos 80?

P: Bem, sim. Durante algum tempo.

F: Saddam Hussein não era então o líder do Iraque?

P: Sim, mas nessa altura ele estava em guerra contra o Irão, o
que fez dele nosso amigo, temporariamente.

F: Porque é que isso fez dele nosso amigo?

P: Porque nessa altura o Irão era nosso inimigo.

F: Isso não foi quando ele lançou gás contra os curdos?

P: Sim, mas como ele estava em guerra contra o Irão, nós
olhámos para o lado, para lhe mostrar que éramos seus amigos.

F: Então, quem lutar contra um dos nossos inimigos torna-se
automaticamente nosso amigo?

P: A maior parte das vezes sim.

F: E quando alguém luta contra um dos nossos amigos torna-se
automaticamente nosso inimigo?

P: Às vezes isso é verdade, também. Porém, se as empresas
americanas poderem lucrar vendendo armas a ambos os lados
ao mesmo tempo, tanto melhor.

F: Porquê?

P: Porque a guerra é boa para a economia, o que significa que
a guerra é boa para a América. Além disso, visto que Deus está
do lado da América, quem se opõe à guerra é um ateu, anti-
americano, comunista. Percebes agora porque é que atacámos o Iraque?

F: Acho que sim. Nós atacámos porque era a vontade de Deus,
certo?

P: Sim.

F: Mas como é que nós sabíamos que Deus queria que atacássemos
o Iraque?

P: Bem, estás a ver, Deus fala pessoalmente com George W. Bush
e diz-lhe o que deve fazer.

F: Então, basicamente, estás a dizer que atacámos o Iraque
porque George W. Bush ouve vozes na cabeça?

P: Sim! Finalmente percebes como o mundo funciona. Agora fecha
os olhos, aconchega-te e dorme. Boa noite.

F: Boa noite, paizinho.

quinta-feira, setembro 25, 2003

Notícias a partir
Benfica partilha estádio com a Igreja Universal



O Benfica descobriu uma forma de rentabilizar o novo Estádio da Luz após o Euro 2004. Nos dias da semana em que não houver jogos de futebol, o recinto irá funcionar como um grande templo da Igreja Universal do Rego de Deus (IURD).

A igreja brasileira e o clube da Luz resolveram unir esforços com o objectivo de angariar mais sócios para o clube e mais fiéis para a IURD. O plano para transformar o estádio numa igreja já foi assumido pelo Benfica na sua campanha de marketing. "Seja um dos fundadores da nova catedral e faça parte da história do Benfica", pode ler-se num placar gigante à frente do recinto. A campanha inclui ainda a oferta aos novos sócios de dois meses de dízimo gratuito na igreja e ainda um bilhete para toda a época na chamada "Sessão de Descarrego". Os fiéis da igreja terão, por outro lado, desconto nos jogos dos "encarnados" para a I Liga.



A ideia é aproveitar uma receita de sucesso, já testada no Brasil, no Estádio do Maracanã, que costuma encher mais com o culto da IURD do que com os clássicos do futebol carioca. "As pessoas foram-se habituando 'hic' ao longo dos anos a irem para a Luz 'hic' rezar. Agora vão poder fazê-lo todos os dias da 'hic' semana", explicou Manuel Liravinho, presidente do clube. "O Benfica tem-se associado a várias marcas de sucesso e a IURD é mais uma delas. Queremos que o clube cresça à imagem do que essa 'hic'greja tem conseguido em 'hic' Portugal ", acrescentou. "'Hic'", soluçou.

"A nossa casa no Cinema Império já istava ficando piquena", explicou o pastor Wanderley de Freitas. "Agora vamo tê mais ispaço pras nossas sessão de libertação e vamo inaugurá o istádio da Lúiz com uma grande corrente 'Benfica no Reino do Senhor' pra ajudá o time a sê campeão. Afinal, Deus é benfiquista", revelou.

quarta-feira, setembro 24, 2003

Equador

Justamente elogiado como cronista e comentador, Miguel Sousa Tavares goza de uma quase absoluta impunidade da crítica literária, subserviente com ele como com quase mais ninguém. Multiplicam-se os elogios ao romance que escreveu, Equador, mas todos se esquecem de referir que é um livro mal escrito.
Não li o livro todo; aliás, li apenas umas 30 páginas de forma aleatória, das 500 ou 600 que o livro tem. Mas deu para perceber que a qualidade da escrita é deficiente, por exemplo na repetição de palavras ou na pobreza do vocabulário. Confirma-se que não é escritor quem quer e que um bom cronista não é necessariamente um bom romancista.
A questão coimbrã

Duas pequenas achegas:

1-Como bem refere o Mar Salgado, Coimbra não é Portimão. Se fosse, não nos daríamos a este trabalho...

2-O Lérias faz algumas observações pertinentes em relação ao assunto. Diz ele que o Carcaças subestima o papel de dinamização cultural e desportiva levado a cabo pelas secções da Associação Académica de Coimbra. É verdade que na AAC «sempre se fez muita coisa de interessante». Embora a própria AAC viva muito fechada no edifício da Padre António Vieira e interaja pouco com a cidade. O potencial da associação não é aproveitado. Mas o Lérias percebeu a mensagem. De facto, as minhas críticas dirigiam-se essencialmente às «instituições que mais giram à volta de uma certa Coimbra cristalizada». É claro que há outros pratos para onde seria muito mal educado e injusto cuspir.
Força!

Gostava de desejar as maiores felicidades ao La Louvière, Molde e Malmo.

terça-feira, setembro 23, 2003

Notícias a Partir
Bush quer reconstruir Iraque em forma de Disneylândia



NAÇÕES UNIDAS (AFPnis) - O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deixou hoje um pedido ajuda às Nações Unidas para a reconstrução do Iraque, apelando a que as divergências assumidas no passado quanto à ofensiva militar no território iraquiano fossem esquecidas e unidos os esforços para erguer uma nação entretanto fragilizada. Bush avançou mesmo com um projecto para reconstruir o país em forma de Disneylândia.

"A ideia é construir um país em que impere a paz e a democracia. Tinham-me sido sugeridos exemplos de países em que nos deveríamos basear, como a Finlândia ou a Islândia, mas eu pensei 'porque não ir mais longe e fazer ali uma Disneylândia?'", afirmou orgulhoso o chefe da Casa Branca, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU.

Bush explicou que, segundo o plano, todos os iraquianos passariam a andar nas ruas com um barrete de Rato Mickey e que os soldados norte-americanos no terreno ficariam encarregados do fogo-de-artifício. Os habitantes do Iraque não ficariam obrigados a pagar impostos, mas por outro lado, teriam de comprar ingresso todos os dias para poderem viver no país. Quanto aos problemas socio-estruturais que afectam o Iraque, Bush está optimista em como o novo modelo ajudará a resolvê-los: "Já fui várias vezes à Disneylândia e à EuroDisney, em Paris, e nunca vi lá gente desempregada ou crianças com fome", afirmou.

O plano do chefe de Estado norte-americano não recolheu, no entanto, o consenso na ONU, tendo merecido vivas críticas, nomeadamente, do secretário-geral da organização, Kofi Annan. "Ele [Bush] parece estar a gozar com o mundo. Uma ideia tão ridícula só pode partir de um perfeito irresponsável", afirmou Annan. "Pessoalmente, acho que o Iraque deveria ser reconstruído em forma de Parque Astérix", acrescentou.
Toda a verdade...

... sobre o sucesso dos orientais no ténis de mesa.

segunda-feira, setembro 22, 2003

O poeta urbano, a vê-las passar

Há muito que não implicava com o Mexia. E a verdade é que o pretexto serve também para outros cronistas da vida. Escreve o nosso pseudo-pós-moderno preferido:

"Num café, uma rapariga com uns olhos escuros lindíssimos. Fico debiloidemente atento, por detrás dos jornais"

Não há paciência! "Num café, uma rapariga com uns olhos escuros lindíssimos..." é provavelmente a segunda frase mais batida de toda a pequena literatura mundial (logo a seguir, claro, a "No metro, uma jovem suburbana de olhos rasgados e tímidos..."). E o pior é que, no outro dia, era "No restaurante, enquanto discutia política com a mais fina intelectualidade lisboeta, passou uma beldade de top Mango", ou uma merda do género. E há um mês era "na conferência da faculdade, vi-a na assistência, a perna cruzada, os lábios carnudos e vermelhos".

Foda-se Mexia, quando é que passas para o quarto? Quando é que ficas "debiloidemente" arranhado com a porcaria das unhas rosa choque?
Equívoco de Pipi

O nosso camarada Pipi fez recentemente aquilo a que chamou "Análise Sócio-profissional da Rebarba". Um texto bem esgalhado, ao seu estilo, em que defende, com a autoridade do seu empirismo, que há práticas sexuais preferidas pelas mulheres consoante a profissão que exercem: as executivas preferem "cu"; as secretárias, "punheta"; as balconistas, "foda em pé", e por aí adentro. O mais célebre fodósofo português tem, no entanto, uma passagem menos feliz:

«Putas e jornalistas (passe a redundância): tudo. Need I say more?»

Ora, trata-se de uma imprecisão científica imperdoável, que me obriga a sair em defesa das nossas colegas de profissão (refiro-me às jornalistas). As jornalistas não são putas, caro Pipi. As putas ganham muito mais.

Além disso, há diferenças físicas que uma observação atenta não deixa escapar. De tal forma, que talvez seja mais fácil explicá-lo através de imagens. Ora, preste atenção...

Isto é uma jornalista:



... e isto é uma prostituta:



Como se pode ver no exemplo acima, apesar dos pontos em comum, as putas, além de serem mais bonitas, têm outro cuidado com a imagem, sendo mais comedidas no uso da maquilhagem, o que lhes dá um aspecto mais sóbrio e discreto. Ver uma meretriz ou uma repórter a passar na rua é totalmente diferente. As vestimentas ultra-reduzidas, em cores berrantes, e o andar superbamboleante distinguem as jornalistas.

sexta-feira, setembro 19, 2003

Apaguei um post. Uma amiga sentiu-se chocada. Reli, achei forte, ainda que baseado na vida real. A parvoíce tem limites. Uma pretensa piada não vale uma amiga chocada.
Só agora é que soube e fiquei banzado

O grande Ribeiro Cristóvão está no Parlamento!



quinta-feira, setembro 18, 2003

Mais ou menos bem-vindo

O Núcleo Duro saúda a chegada à Blogosfera do Mais ou Menos Mentiroso, uma sátira ao blog Muito Mentiroso, já de si bastante satírico. O novo blog, da responsabilidade de Pi Nóquio, tem a virtude de provar que é possível gozar com coisas que já são a gozar, o que justifica a criação do verbo regozar. Obrigado, Pi, por este contributo para a cultura nacional.
Estamos salvos



A União Europeia decidiu que os maços de cigarros precisam de avisos maiores sobre os malefícios do tabaco. Tenho na mão um dos novos maços, comprados numa free shop de aeroporto, com avisos em inglês que dizem SMOKING KILLS e SMOKING CAN CAUSE A SLOW AND PAINFUL DEATH.

Até que enfim. Durante anos e anos, os maços de tabaco tinham as mesmas mensagens, mas em letras pequeninas. Ora é claro que eu, e milhões de outros como eu, nunca tinha paciência para ler o que vinha em letras miudinhas.

Agora fico a saber: O TABACO PODE MATAR. Não! Estes anos todos eu julgava que o tabaco fazia bem ao coração! Quando apanhava gripe tomava cigarros em vez de Vicks! E afinal o tabaco faz mal! Não sabia! Como é que eu havia de saber? O tabaco afinal PODE CAUSAR UMA MORTE LENTA E DOLOROSA! Porra, afinal vou ter de passar para a heroína, que causa uma morte RÁPIDA E INDOLOR.

Por isso: obrigado, União Europeia. Mas os génios que protegem a nossa saudinha nunca ficam parados. Eles já perceberam que os novos rótulos em letras garrafais ainda podem ser subtis para muita gente.

Os analfabetos ou os velhinhos que vêem mal ao perto continuam ignorantes, ainda não sabem que O TABACO PODE MATAR. Para os salvar, está a ser preparada uma uma nova medida.

quarta-feira, setembro 17, 2003

Kafka agradece

Já que Coimbra e a Universidade estão novamente na baila, aproveito a oportunidade para enviar alguns agradecimentos. É que o nosso texto "Se Kafka soubesse..." foi recebido de forma muito positiva pela blogosfera, tendo merecido comentários de blogues bem conhecidos:

«Uma lição de Marketing Sr. Reitor?
Através do Causa Liberal encontrei o post do Núcleo Duro, intitulado "Se Kafka soubesse...". Nele, o autor descreve o péssimo serviço da secretaria da Universidade de Coimbra quando este pediu o certificado de curso (para o obter terá de pagar 150 euros por um diploma que estará disponível na próxima década). Na minha faculdade passei por situação semelhante. Os prazos de entrega, contudo, não se equiparam aos descritos pelo Núcleo.
Será esta a melhor estratégia para uma Universidade desenvolver a sua marca? (...)»
- BrainstormZ, in Tempestade Cerebral

«Revista de Blogues VI
Os Melhores da Semana
(...) Melhor Posta: "Se Kafka soubesse...", no Núcleo Duro;»
- CAA, in Mata-Mouros

«SE KAFKA SOUBESSE: Roubo o título de um brilhante post do Núcleo Duro. Porque já há muitos anos me tive de defrontar com o mesmo sadismo burocrático, senti arrepios ao ler a descrição do sentimento de impotência perante o terror da burocracia.»
- NMP, in Mar Salgado

«Burocracia e subdesenvolvimento
O Núcleo Duro tem um post com um excelente exemplo do inferno burocrático em Portugal (neste caso, na Universidade de Coimbra): Se Kafka soubesse...»
- AAA, in Causa Liberal
Os Donos do Garfo

Nome: Il Padrino
Designação: pizzaria
Localização: São Teotónio (Alentejo)
Preço: aí uns 12 euros
Classificação: 8 (de 0 a 10)

Il Padrino (não tenho a certeza se é exactamente assim que se escreve) é uma pequena pizzaria situada em São Teotónio, uma povoação no sul do litoral alentejano, a meia-dúzia de quilómetros de Zambujeira do Mar. As pizzas são feitas à vista dos clientes por um sujeito de bigodinho que não estranharíamos ver num episódio de Os Sopranos ou num dos Padrinhos do Coppola.
Quando lá fui optei pela pizza Il Padrino, uma especialidade que me foi recomendada por amigos e que nunca tinha visto em nenhuma outra pizzaria. A massa era excelente, embora não fosse ela a principal responsável pela qualidade da pizza. O que a torna especialmente saborosa é uma finíssima (quase da grossura de uma folha de papel) fatia de carne e a quantidade apreciável de manteiga de alho que é colocada a embeber a massa. Não sendo particularmente grande, a pizza Il Padrino é suficientemente robusta para nos deixar de barriga cheia.
Como aperitivo foi colocado na mesa um extraordinário queijo, pequenino e caro, azeitonas, pão e uma salada de polvo.
Outra vez Coimbra

Zizou: o que dizes em relação à moda instalada de «dizer bem de Coimbra» é mentira. Pelo contrário, os jornais têm insistentemente criticado Coimbra e falado numa suposta «crise» que atingiu a cidade. E porquê? Porque a maioria das pessoas que frequentaram Coimbra durante os gloriosos anos de universidade (cada vez mais fugazes) cultivam a ideia de uma cidade mítica que depois propagam pelo país (ideia que esbarra violentamente na realidade). Porque há parolos e presunçosos a quem convém continuar a considerar Coimbra como o «escol da nação» (quando entretanto abriram dezenas de universidades melhores ou semelhantes a Coimbra, dado que, salvo raras excepções, não houve uma aposta na qualidade e inovaçao do ensino), para efeitos de promoção pessoal. E porque as autoridades da cidade insistem na ideia totalmente balofa de que Coimbra tem que ser capital de alguma coisa: já foi «capital da saúde», «capital do conhecimento», agora é «capital da cultura» e amanhã será capital de outra merda qualquer. Em suma, quanto a mim, as críticas que são feitas à cidade advêm essencialmente de uma avaliação errada e de uma expectativa muito elevada. É certo que acabaram as tertúlias da Brasileira (com Miguel Torga, Zeca Afonso e outros) e a vida intelectual se processa de forma diferente, mas isso é em todo o lado e não só em Coimbra. É claro que a boémia da cidade está a ser arrasada pelas propinas e pelas pressas em acabar os cursos, que levam os alunos a passarem pela UC de fugida e sem fazerem grandes amizades. Apesar disso, a Coimbra de hoje não é pior do que a de há vinte anos (de que ainda me lembro). Infelizmente também não é muito melhor. Se calhar, era isso que os zizous e os tibérius deste mundo esperavam. Eu também gosto de cuspir no prato em que comi uma refeição merdosa.

Coimbra fede a mofo e a batina
Coimbra metes nojo estudantina
Coimbra eferreááá eferríiii
Coimbra xiribititititi
Ainda Coimbra

Caro Ernesto, acho que confundes uma coisa: se há algum consenso sobre Coimbra é geralmente sobre as suas alegadas virtudes, e não sobre os seus defeitos. A moda, de há muitos anos para cá, é gabar Coimbra, elogiar Coimbra, aplaudir Coimbra...
É isso que a torna irritante, essa presunção generalizada de que Coimbra é a "cidade do conhecimento", a "capital da saúde", mais as balelas sobre a "Briosa" e o Mondego, e as capas e batinas, e os doutores... Pouco há em Coimbra que a distinga de maioria das outras cidades portuguesas, e no entanto ela é frequentemente celebrada, por motivos normalmente ridículos, como o tal estatuto que lhe foi atribuído de "cidade do conhecimento". Nenhuma outra cidade portuguesa é exaltada como Coimbra, nem mesmo Lisboa ou o Porto.
Nada de especial me move contra Coimbra: passei lá óptimos momentos da minha vida, conheci a Zizoua, fiz amigos que mantenho, etc. Mas isso não me retira a lucidez de pensar que Coimbra é de facto uma cidade miserável, porque é horrivelmente feia, por causa das praxes, porque pouco há para fazer...
Portugal volta a ter Oposição

Depois da tragédia da Casa Pia ter desgraçado Ferro Rodrigues, eis que o cão do líder socialista desapareceu no fim-de-semana deixando, segundo a imprensa popular de ontem, a sua família de rastos.

Acontece que o bicho foi encontrado entretanto, mas continua por identificar, com certeza, o herói desta história feliz. É que o Correio da Manhã de hoje diz que foi um leitor seu ("Leitor do CM avisa amigo sobre cão"). Mas o 24 Horas reclama precisamente o mesmo direito ("Salvámos o Gastão"), ambos com chamada e fotografia do canídeo na primeira página.
Hoje paguei três euros de estacionamento, oito euros por uma refeição rápida e ainda tive de dar dinheiro ao arrumador sob pena de não ter carro da próxima vez. Que saudades tenho de Coimbra, com as cantinas a 250 paus, imperial nas Amarelas e o mundo parecia um suspiro de rosa. No tempo em que era feliz com coisas tão ligeiras como furar a fila do D. Dinis ou cravar B52 nas barracas da Queima.

Foda-se, tou a ficar velho!
Ouvi dizer

O Jaime Antunes, o Luís Filipe Vieira e o Guerra Madalena são candidatos à liderança do Benfica?
É tão bom ser sportinguista nos dias que correm. Obrigado pai pelos conselhos.
Sobre os jornalistas

Agora parece que há algum bricabraque com a vinda de jornalistas para a blogosfera. É claro que como todas as questões entre pulgões (que, caso não saibam, são uma espécie parasitas de formigas, mais coisa menos coisa) debrucei-me sobre o assunto durante o meu período laboral e cheguei a algumas tristes conclusões.
É idiota distinguir jornalistas de outras classes não eméritas como os proxenetas, eurodeputados, cronistas, poetas, editores, professores e outros quejandos. Pelo que só por aí é perceptível que as birras do nosso grande amigo e outros não me merecem pais comentários.
Apesar disso, também não gosto da proverbial sapiência de outros jornalistas que gostam de armar-se em defensores da classe, como se tivessem mandato para tal. O facto de meia-dúzia de iluminados dizerem mal dos jornalistas não merece grande comentário até porque esses senhores só existem pelos media. Preocupa-me mais aquilo que pensa a empregada da mediadora que vai comprar o jornal no meu quiosque e não o que alguns carreiristas entendem. Se a relação fosse franca e honesta ainda aceitava as críticas mas isso não sucede. Quando há comunicados, dicas, sugestões de trabalho, o jornalista é sempre o melhor do mundo, mas quando os objectivos iniciais não são cumpridos toda a imprensa passa a ser uma merda. É claro que esta profissão é uma bosta para quem a vive de uma forma intensa e profissional: as suas vantagens aparentes transformam-se, com o passar dos anos, em estigmas limitadores.
Responder a verborreias de alguns sobre os jornalistas no intuito de gerar debate sério é algo que considero inútil perante o tipo de interlocutores existentes. Na relação com a fonte, somos ou amigos ou jornalistas. Mas também não estamos autorizados a criar inimigos. Eles que o sejam que nós pairamos.
Finalmente, uma última questão (e aquela que me levou a escrever este texto). Não suporto tomar a parte pelo todo e nas críticas aos jornalistas essa é uma verdade indesmentível. O erro de um profissional só o responsabiliza a ele ou, quanto muito, a instituição onde trabalha. Contudo, isso não sucede com os jornalistas. Porque há alguns que cometem erros, voluntários ou não, todos somos culpados. Porque há uma notícia sensacionalista, todos passam a ser tablóides. E aí nem a classe tem a coragem de responsabilizar os prevaricadores de modo a salvar a imagem de todo o resto. Fica tudo numa choldra onde bóiam dejectos e gente responsável.
Terminei!

Após cada 15 dias de férias deparo-me com lixo acumulado de seis meses a que tenho de dar destino. Todos os anos me proponho a arrumar tudo e deixar as coisas (finalmente) limpas. No entanto, todos os anos, protelo esta actividade até ao limite do humanamente aceitável (para os humanos que eu suporto sempre mais algum fax urgente espalhado entre papéis de rebuçado de café e folhas caídas de jornais velhos.
Este ano, esmerei-me e, quinze dias depois de ter voltado, consegui ver o fundo do túnel da minha arrumação. Pelo meio, deitei no lixo resmas de coisas importantes que perderam o seu timming ou foram dadas pela concorrência, como uma contagem inútil de vazas no final de um jogo de King.
Apesar disso, saboreei algumas pérolas entre aquele chiqueiro de porcos que são os jornais recolhidos. Memórias curiosas que guardo sem objectivo algum que não seja sorrir quando faço a arrumação anual do escritório.
Como o DN de Julho de 1995 onde Bin Laden dizia que os EUA tinham feito bem em invadir o Iraque ou o JN de 1997 onde Fernando Gomes elogiava, entre outros políticos sociais-democratas o então deputado Rui Rio.
Mas a melhor coisa foi algo que acabei por achar num jornal recente. Tratava-se de uma notícia de uma filósofa ou intelectual americana defendendo que uma das soluções para a felicidade era deitar todo o lixo que não precisássemos pela porta fora, limitando-nos ao essencial. Por isso deitei essa entrevista fora e guardei o resto dos jornais.
Pode ser que para o ano lance no contentor a ocasião em que Marcelo Rebelo de Sousa disse que Durão Barroso nunca seria Primeiro-Ministro.

terça-feira, setembro 16, 2003

Ainda Coimbra

Está na moda dizer mal de Coimbra. Por tudo e por nada, malha-se em Coimbra. Coimbra é fascista, Coimbra é conservadora, Coimbra é bolorenta, Coimbra é feia, Coimbra é ignorante e alcoólica.

Eu até sou capaz de encontrar alguma razoabilidade nestes adjectivos. E a verdade é que não me move nenhum sentimento especial pela cidade. O que me chateia são os consensos arrogantes e exagerados de quem julga que vive na urbe sofisticada e culta e saudável e progressista e liberal.

É certo que Coimbra tem um lado idiota: a hierarquia da praxe, os abusos da praxe, o provincianismo atavista. Mas tem muitas outras coisas boas, que não existem em nenhuma outra cidade portuguesa.

A meu ver, por exemplo, nenhuma outra cidade universitária integra tão bem os seus alunos e promove o companheirismo como Coimbra; isto pode soar uma bocado piegas, mas conheço muita gente que foi estudar para Lisboa e ficou desamparada, sem conseguir fazer novas amizades, sem ter uma vida social para além da faculdade.

Depois há a questão da aprendizagem. Coimbra está cheia de boémios, baldas, cábulas, veteranos com 10 matrículas... O ensino é mau. E então não é assim em todo o país? Qual é a originalidade? Não é, apesar de tudo, Coimbra uma cidade onde há cantinas razoáveis, onde há bibliotecas razoáveis, onde há computadores e outros meios escassos nas restantes universidades portuguesas.

Será assim tão difícil ver Coimbra para além da batina? Oh Tiberius, oh Zizou, que foi que vos frustrou assim tanto? Levaram com a colher de pau?! Foram enrabados pelos praxistas?! A vodka estava marada?!
Cidade do conhecimento

Quem circula na auto-estrada do norte vai deparando com placas que contêm informações muito sumárias sobre monumentos ou particularidades das localidades que se aproximam. "Castelo de Montemor-o-Velho", "Ria de Aveiro", "Mosteiro da Batalha" ou "Convento de Mafra", por exemplo. Coimbra, pelo contrário, é apresentada como "cidade do conhecimento". Que presunção! Que pirosice! Que mentira! "Cidade do conhecimento"?! Porquê? Quem teve a ideia? Quem quer enganar os turistas desprevenidos?

segunda-feira, setembro 15, 2003

What a Wonderful World
Fita anti-terrorismo



Desde o célebre 11 de Setembro, voar nunca foi tão seguro. Mas só agora pode dizer-se com alguma certeza que os terroristas especializados em sequestros de aviões têm os dias contados. É que os passageiros de um voo doméstico nos Estados Unidos descobriram as virtudes anti-atentado de um utensílio no qual a CIA e o FBI nunca tinham pensado: a fita-cola.

Este material revolucionário foi testado com sucesso no voo 54 (Honolulu-Los Angeles) da United Airlines, quando um maluco se levantou do seu lugar e desatou a declamar trechos da Bíblia em voz alta. Resta agora saber se a fita é igualmente eficaz na imobilização de indivíduos que lêem o Alcorão.

É tentador imaginar, num futuro próximo, as doces hospedeiras de bordo na demonstração dos procedimentos de segurança, antes da descolagem: «... coloque a sua máscara de oxigénio primeiro, antes de auxiliar a criança a seu lado. Em caso de atentado terrorista, um rolo de fita adesiva saltará do assento da frente. Enrole o sujeito barbudo da seguinte maneira...»
Tá tudo a comprar a box! Depois de codificar o canal 18, Durão Barroso mandou também codificar o ND. O corpo redactorial do ND mantém-se em negociações ao mais alto nível para demover o governo dessa pretensão, estando mesmo disposto a retirar a mulher desnuda (e animada) do template em troca por outra apenas em lingerie.
Um pequeno episódio da vida real.

Hoje de manhã, no tribunal, um homem mal encarado contestou a um dos escrivães o facto de eu estar sentado no banco de espera quando pessoas mais idosas aguardavam, impacientemente, a sua chamada. Pelo meio chamou-me puto e a escrivã (por sinal com um peito avantajado e lustroso) veio pedir para me levantar: "Ó jovem, importa-se de sair porque este senhor mais velho está a sentir-se mal?" (o cromo tinha 50 e poucos anos). Obviamente que anuí, um pouco incomodado, apenas porque a senhora era relativamente engraçada.
O Verão acaba com uma notícia triste. O canal 18 vai ser codificado.
Oh ElCablongue, acho que vou mesmo ter que te pedir o contacto daquele mecânico engenhocas que kita a box... O JPH também vai precisar.

terça-feira, setembro 09, 2003

Reflectoporn

O E-Bay tornou-se num dos sites de maior sucesso na Internet. Para quem não saiba, o E-Bay é um mercado onde toda a gente pode comprar e vender toda a espécie de merdas, desde carros a beanie babies.

Felizmente há pessoas com imaginação para tornar um site aborrecido onde se vendem maçanetas de portas ou chaleiras numa coisa interessante. A coisa está tão na moda que até já tem um nome: Reflectoporn.

segunda-feira, setembro 08, 2003

"Vamos jantar e paga ele"

Se ainda mais exemplos fossem precisos sobre a deprimente qualidade dos jornais desportivos portugueses, e em particular de A Bola, o pior dos três, eis que a "bíblia" nos oferece hoje uma extraordinária primeira página. Impressionante como uma simples página diz tudo sobre um jornal!

As canetas e as tampas

Depois de mais um interregno para umas bem merecidas férias – as primeiras pagas pela empresa em cinco anos – regresso a estas lides para vos contar uma breve história do quotidiano.
Como todas as pessoas que regressam de férias, jurei que iria arrumar melhor o meu escritório e organizar o meu tempo para conseguir ir ao ginásio ganhar aquele corpo esbelto que se esconde atrás das minhas banhas viscosas e moles.
Como todas as pessoas, decidi tentar arrumar o escritório, começando pelos papéis que, escorreitos e resistentes, teimavam em ocupar o espaço da secretária. Depois de várias selecções e subselecções em importante, médio importante, pouco importante, lixo, deitei a maioria no arquivo C (de caixote).
Após essa façanha, propus-me a arrumar as canetas e descobri um negócio de futuro. Já repararam como as tampas das canetas – quais pequenos gnomos com asas – fogem dos nossos locais de trabalho, como se roubadas por algum vilão? Estou mesmo a desenvolver uma teoria de que os ratos têm fixação em tampas bic e molin para actos sadomasoquistas e só os mais dotados é que tentam praticar sexo tântrico com as tampas uniball.
Bem, mudando de assunto, julgo pertinaz e adequado sugerir ao Sérgio Figueiredo, do Diário Económico, que aborde num dos seus próximos editoriais a falta de capacidade de resposta do sector caneteiro nos acessórios. Ora, se a Renault é obrigada a produzir jantes, pneus, suspensões e bancos em barda para satisfazer os clientes porque é que as marcas de esferográficas não fazem o mesmo com as tampas.
Se a teoria das canetas fosse aplicada nos carros, cada vez que mudássemos de escova do pára-brisas tínhamos de comprar um automóvel novo (além de que estes ficariam roídos na traseira devido ao nervosismo dos seus proprietários).
Deste modo, peço encarecidamente aos produtores de canetas que tenham em conta os interesses dos seus clientes e produzam tampas para aquelas coisinhas lindas de escrever que estão sozinhas nas nossas estantes (em copos idiotas calhados em rifas) porque as suas companheiras foram servir de vibrador a ratos sedentos de prazer.
Scolari, aprende que eu não duro sempre

É muito fácil criticar após derrotas, blá, blá, blá... A verdade é que as críticas devem ser feitas quando se justificam, e este é um desses momentos. É muito negativo o balanço da era Scolari, e já o era antes do jogo com a Espanha. Os resultados são muito fraquinhos e mesmo as vitórias são sempre por margens reduzidas e quase sempre frente a adversários das segunda ou terceira divisões europeias ou sul-americanas - a excepção foi o Brasil, mas mesmo aí a exibição esteve longe de ser brilhante.
A Scolari devem-se criticar várias coisas, entre elas convocar jogadores que não têm lugar na primeira equipa (Fernando Couto, Quim, Fernando Meira...) e não convocar ou utilizar pouco outros que deviam ser titulares ou andar lá perto (Vitor Baía, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Quaresma, Cristiano Ronaldo, Hugo Viana, Hélder Postiga, Jorge Andrade, Tiago...). É ainda evidente a absoluta incapacidade de pôr a equipa a jogar bem: não há boa circulação de bola, não se exploram os flancos, não se pressiona o adversário, não se defende bem... Como Scolari é teimoso e um bocado burro, é óbvio que não vai mudar nada - pior para ele e para a selecção. Eis qual devia ser o 11 titular: Ricardo, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Tiago, Deco, Figo, Quaresma, Cristiano Ronaldo, Hélder Postiga.

domingo, setembro 07, 2003

Matar velhinhos

Parece que há quem pense que aqueles obtusos limitadores de velocidade instalados a cada 500 metros em centenas de estradas do país vão servir para reduzir a sinistralidade rodoviária. Não vão, claro, porque o problema principal vem de trás, das fases de instrução e exames a que se submetem os candidatos à carta de condução. O facto de sermos pouco civilizados também ajuda, assim como o mau desenho e as más condições das estradas e a sinalização deficiente.
Querer acabar com as mortes na estrada com medidas avulsas, como colocar limitadores de velocidade activados aos 50 km/hora, é rídiculo. Aqueles aparelhos estão colocados nos lugares mais absurdos, onde não fazem nenhum sentido. Há estradas onde não é mais seguro para ninguém andar a 45 do que a 70 km/hora. E é muito irritante parar em sinais vermelhos de 500 em 500 metros, só porque ao passar por um controlador seguíamos a 55 km/hora, sem pôr nada nem ninguém em perigo. Dá vontade de acelerar e matar 3 ou 4 velhinhos que sigam a pé ou de bicicleta nas bermas!

sexta-feira, setembro 05, 2003

Os Donos do Garfo

Nome: "The Oval"
Designação: Pub
Localização: Abbey Road, Dublin
Preços: 15 euros por pessoa
Classificação: 7 (de 0 a 10)



Pode não ser o pub em tempos frequentado por Joyce, Yeats ou Beckett, mas sempre estamos num pub bastante conhecido de Dublin, devido à sua localização central, numa rua transversal à O`Connel Street. O nome do pub advém da sua fachada pouco usual, caracterizada pelo meio círculo que ornamenta o topo do edifício.



A primeira coisa complicada para o português que queira tomar uma refeição num verdadeiro pub irlandês é chegar a horas em que a cozinha ainda esteja em funcionamento. Que os tipos são muito mais amigos da bebida do que da comida, já eu sabia. Mas nunca pensei que fosse assim tão complicado. Cada pub tem os seus horários próprios, mas, por norma, é impossível pedir comida depois das oito da noite. Após alguns insucessos, lá nos predispusemos a comer pouco depois das seis e meia. Entrámos e deparámo-nos com um cenário típico de pub irlandês. No rés-do-chão, um robusto balcão de madeira, cheio de pessoas que saboreiam a primeira "pint" de Guinness depois do trabalho. Subimos ao primeiro andar, onde existem algumas mesas para os comensais. As paredes estão decoradas com desenhos de personagens que frequentaram o pub (todo o pub que se preze tem um longo historial de habitués ilustres e é comum ouvir dizer que x ou y "bebia" ali ou acoli) e as empregadas são jovens e parecem estrangeiras. Ao fundo, um televisor gigante mostrava imagens dos interessantes desportos gaélicos: "hurling" e futebol gaélico (que gozam de uma popularidade surpreendente).
Mas vamos ao que interessa. Confesso que não esperava maravilhas desta refeição. Mas, meus amigos, corri a Irlanda de lés a lés, andei pelas terreolas onde se diz que se come bem e nunca comi tão bem como no "The Oval". Pedi um "Irish Stew", o único prato decente da gastronomia irlandesa, acompanhado por uma pint de Guinness. O estufado veio servido num prato de sopa, regado abundantemente com um molho escuro (um dos ingredientes do molho era cerveja). A carne era muita e muito bem cozida,desfazendo-se ao toque do garfo. Tinha um sabor levemente adocicado, graças a uma especiaria que não consegui identificar (pronto, eu sei, não sou o David Lopes Ramos). A acompanhar, misturadas no caldo, duas ou três batatas cozidas. É também servido pão, que, depois de ensopado no molho, constitui uma deliciosa açorda. Mas isso sou eu, que sou um alarve!
Agora sim!



O "Público", que já nos habituou a projectos editoriais paralelos de grande sucesso, prepara-se para lançar mais um. O Núcleo Duro soube em primeira mão que está na calha um suplemento de "Ciências para Crianças". Como é que nunca ninguém pensou nisso?

Uma fonte dentro da redacção daquele diário, que realizou uma sondagem rigorosa ao potencial do mercado das publicações, revelou-nos que esse suplemento será dividido por secções direccionadas aos vários públicos infantis, a saber: "Física para Bebés", "Química Orgânica para Rapazes Mal-Comportados", "Astronomia para Miúdos Autistas", "Genética para Órfãos" e "Mecânica Quântica para Crianças Abandonadas".

A ideia deverá abrir caminho a outros cadernos dedicados a cada uma das várias minorias que compõem o leque de leitores do jornal, estando já em preparação outros suplementos: "Cultura para Futebolistas", "Desporto para Donas de Casa", "Política para Mongolóides", "Literatura para Analfabetos" e "Artes e Espectáculos para Cangurus Pedófilos".

segunda-feira, setembro 01, 2003

Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen



Aqueles que buscam a verdade por meio do intelecto e do aprendizado apenas se distanciam cada vez mais dela. Só quando os pensamentos cessam completamente de se ramificar em todas as direcções, só quando se desiste de pensar em sair em busca de alguma coisa, só quando a mente se imobiliza como madeira ou pedra, é que se está no caminho certo para o portal. Só assim é possível ser um concorrente do Big Brother.