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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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terça-feira, janeiro 13, 2004

Michael Moore IV — A vingança das mamonas empertigadas


Querido DJ, os livros (e o filme) do Moore não contêm apenas algumas incorrecções. Não se trata de uns desleixos com umas contas; trata-se de sistemática desonestidade intelectual. O homem diz mentiras, e sabe que está a dizer mentiras.

Na extrema esquerda americana há quem ache isso muito bem. A lógica é: se há comentadores repugnantes de direita (Rush Limbaugh, Ann Coulter, Sean Hannity — a sorte que vocês têm de não ter de saber quem é esta gente) que não têm escrúpulos de mentir e caluniar ao serviço dos seus objectivos, então é preciso responder na mesma moeda.

A tragédia de um tipo como o Michael Moore é que ele degrada o debate público. Livros como o “Stupid White Men” ou o “Dude, Where’s My Country” promovem um discurso nocivo: vale tudo, desde que se consiga berrar mais alto que o outro lado.

É por causa de demagogos como o Moore que há pessoas sensatas do calibre do Carcaça a pensar que nos EUA há uma prevalência do politicamente correcto. Isto é um disparate pegado.

Há de facto na América quem pense que Quem não for a favor da guerra no Iraque não é patriota e é amigo dos terroristas . Mas também houve milhões de pessoas andaram nas ruas a manifestar-se contra a guerra no Iraque. Não consta que tenham sido fuziladas. A seguir aos do Harry Potter, o livro mais vendido na América em 2003 foi o do Moore.

As listas de “best sellers” estão cheias de mais livros que chamam ao Bush de tudo (quase todos melhores que os do Moore) — e também estão cheios de livros dos radicais de direita como a Coulter, o Hannity ou o Limbaugh. O país está dividido. E há imenso debate — muito mais que na Europa, onde quem abra a boca contra os dogmas da seita intelectual dominante é logo mandado calar e insultado de neonazi.

É claro, o Moore gosta de fazer passar a ideia de que vive na Alemanha dos anos 30; assim ele parece um herói ainda maior. Por isso é que ele gosta de contar essa história fantástica de como a editora o tentou censurar.

Se o Murdoch e o resto da plutocracia instalada quisesse calar o Moore — não editava o livro. Ou pelo menos não editava milhões de cópias do livro, ou não lhe dava uma campanha de publicidade maciça.

Se fosse verdade que Depois do 11 de Setembro gerou-se um clima contrário à liberdade de expressão o “Stupid White Men” não estaria por todo o lado na América em Abril ou Maio de 2002 (foi quando o comprei). Não havia livraria que não o tivesse à venda e em destaque nos escaparates; o homem aparecia em tudo o que era jornal e programa de televisão.


Eu por mim não falo mais do Moore. O “Guardian” inglês, esse perigoso órgão de extrema direita, descasca a criatura muito melhor que eu neste artigo.

A presença do Moore diminui o nível deste blog. Em vez de mais Moore, proponho que se regresse à programação normal :


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