Vamos falar a sério sobre jornais
Tenho muitas teorias que aqui não exponho mas irrita-me a forma como alguns jornais, ditos sérios, fazem da nomeação de um director um filme de terror.
Porra o DN é só o quinto diário do país, a caminho de ser ultrapassado pela Capital. Para que é que se preocupam com isso? Outras enormidades institucionais como os velhinhos Século ou Diário de Lisboa acabaram. Se calhar o jornal-de-referência-mais-tablóide-que-conheço vai morrer de morte natural e o Fernando Lima é o seu coveiro. Ou não.
Se calhar o senhor até é competente e merece o lugar. Irrita-me, isso sim, o discurso paternalista e esquerdóide que um jornal de referência faz deste caso, com um folhetim diário, quase como uma rubrica. É para bater no DN, vamos bater todos, parece a regra que chegou ao Público. Esquecem-se é que o seu director (como outros, aliás) fazem tantos fretes ao Governo como fez o Fernando Lima, só que de uma forma mais idiota porque não recebem salário. Não concordo com o jornalismo engajado ideologicamente mas irrita-me a colagem dos jornais nacionais ao Governo (numa lógica de seguir a onda). Os jornais apluadem agora todas as boas medidas e minimizam as asneiras. Do mesmo modo não vou tolerar que, quando o Executivo cair em desgraça, seja a imprensa a primeira a morder as mãos de quem lhes deu de comer. Isso sucedeu ciclicamente com Cavaco e Guterres, apenas para recordar os tempos mais próximos.
Por isso, admito que faça falta um novo diário de vocação de esquerda, pelo menos para contrabalançar o comodismo direitista, embalado pelos slogans do Portas e as poses do Durão.
Pelo meio, ao que ao jornalismo diz respeito, não gosto de ver o Fernando Lima na direcção do DN, como não gostei da tansferência directa de muitos jornalistas de política (sublinho, de política) para o novo Governo, depois das últimas eleições. Por isso penso que deveria haver um período de nojo antes de qualquer transferência entre profissões consideradas incompatíveis pela lei. Já agora, defendo que as incompatibilidades consagradas no estatuto de jornalista fossem alargadas para impedir situações complicadas, nomeadamente na imprensa regional. Sabiam que um chefe de gabinete, um vereador a meio-tempo ou um deputado municipal pode ser, de acordo com a lei, ao mesmo tempo jornalista, com carteira profissional?
Mais preocupado fico é com a entrega da carteira profissional de algumas vedetas do jornalismo televisivo por TRÊS DIAS para fazerem publicidade. Beneficiam do estatuto social obtido enquanto jornalistas para vender óleo de fígado de bacalhau ao Zé Pagode. Depois voltam à profissão, como se nada fosse. Neste caso, julgo que uma simples adenda à lei que preveja a existência de incompatibilidades, enquanto o anúncio for exibido, seria suficiente. É que a senhora Manuela Moura Guedes filma a publicidade sem ser jornalista mas quando o filme for exibido nas TV, rádio e cassete pirata ela já é de novo jornalista.
quinta-feira, novembro 06, 2003
Mitos familiares
Sobre os homens e as mulheres
Viver em conjunto com alguém e ainda por cima com uma criança (ou um pequeno Abu Nidal em potência) de três anos transforma o nosso dia-a-dia em pequenas sagas épicas que Homero seria incapaz de descrever. Esta situação levou-me a coligir alguns momentos de conjugalidade que deveriam ficar nos anais (não desses que vocês estão a pensar mas os outros, aqueles sem nádegas nos lados) da história humana. Muitos destes breves trechos não foram vividos por mim mas são recordados por todos os homens casados numa tradição oral e subliminar que se propaga como a pneumonia atípica, equivalente aos mitos urbanos.
1 – As birras. Uma coisa curiosa num casal é a forma como as tensões se consomem. Os homens chateiam-se com qualquer coisa, dizem umas caralhadas e batem com a porta do escritório e sanam as consciências, coçando o ego com uma atitude machista barata como quem coça os tomates. Já as mulheres lidam com as tensões de modo diferente. Prova da sua grande inteligência, elas acumulam e não dizem a razão da sua má-disposição. Uma das perguntas que todos os homens já fizeram às suas companheiras é a célebre “o que é que eu fiz?”. Nalgumas ocasiões juntamos “de mal” à frase porque já sabemos que existe borrasca do outro lado da barricada. E, em muitos casos, o troco é o “se não sabes, devias saber”. Aqui está o cerne das tensões que acabam com muitos casamentos. É óbvio que os homens deixam as cuecas junto à cama e não limpam os pratos depois de comer. Mas, as mulheres não podem estar à espera que o companheiro se aperceba do erro, acumulando um mal-estar perpétuo. Estas crises correspondem àquilo que os especialistas chamam de birra-dela-que-queria-que-o-homem-soubesse-porque-é-que-ela-está-chateada-mas-ele-não-sabe-e-ela-não-lhe-diz.
Após aturadas sondagens no prédio onde vivo, constatei que este é um mal comum de todos os casais, pelo que sugiro uma solução de compromisso: na mesinha de cabeceira, ela cola uma fita com a cor que representa o motivo por que está chateada. Tipo amarela para questões de limpeza, rosa para ciúmes, verde para falta de carinho, azul para necessidade de conversar ou laranja para uma queca. Depois caberá ao homem adivinhar, mediante aquelas bissectrizes, as razões da birra da mulher. Ficam todos contentes: ela não fere o orgulho, dizendo porque é que está chateada, e ele resolve mais uma tensão inútil. Se quem ler este texto pensar em optar por esta solução, recomendo que não devem comprar muitas fitas laranjas porque a probabilidade de verem essa fita na mesinha de cabeceira é infinitamente inferior a qualquer uma das outras.
Sobre os homens e as mulheres
Viver em conjunto com alguém e ainda por cima com uma criança (ou um pequeno Abu Nidal em potência) de três anos transforma o nosso dia-a-dia em pequenas sagas épicas que Homero seria incapaz de descrever. Esta situação levou-me a coligir alguns momentos de conjugalidade que deveriam ficar nos anais (não desses que vocês estão a pensar mas os outros, aqueles sem nádegas nos lados) da história humana. Muitos destes breves trechos não foram vividos por mim mas são recordados por todos os homens casados numa tradição oral e subliminar que se propaga como a pneumonia atípica, equivalente aos mitos urbanos.
1 – As birras. Uma coisa curiosa num casal é a forma como as tensões se consomem. Os homens chateiam-se com qualquer coisa, dizem umas caralhadas e batem com a porta do escritório e sanam as consciências, coçando o ego com uma atitude machista barata como quem coça os tomates. Já as mulheres lidam com as tensões de modo diferente. Prova da sua grande inteligência, elas acumulam e não dizem a razão da sua má-disposição. Uma das perguntas que todos os homens já fizeram às suas companheiras é a célebre “o que é que eu fiz?”. Nalgumas ocasiões juntamos “de mal” à frase porque já sabemos que existe borrasca do outro lado da barricada. E, em muitos casos, o troco é o “se não sabes, devias saber”. Aqui está o cerne das tensões que acabam com muitos casamentos. É óbvio que os homens deixam as cuecas junto à cama e não limpam os pratos depois de comer. Mas, as mulheres não podem estar à espera que o companheiro se aperceba do erro, acumulando um mal-estar perpétuo. Estas crises correspondem àquilo que os especialistas chamam de birra-dela-que-queria-que-o-homem-soubesse-porque-é-que-ela-está-chateada-mas-ele-não-sabe-e-ela-não-lhe-diz.
Após aturadas sondagens no prédio onde vivo, constatei que este é um mal comum de todos os casais, pelo que sugiro uma solução de compromisso: na mesinha de cabeceira, ela cola uma fita com a cor que representa o motivo por que está chateada. Tipo amarela para questões de limpeza, rosa para ciúmes, verde para falta de carinho, azul para necessidade de conversar ou laranja para uma queca. Depois caberá ao homem adivinhar, mediante aquelas bissectrizes, as razões da birra da mulher. Ficam todos contentes: ela não fere o orgulho, dizendo porque é que está chateada, e ele resolve mais uma tensão inútil. Se quem ler este texto pensar em optar por esta solução, recomendo que não devem comprar muitas fitas laranjas porque a probabilidade de verem essa fita na mesinha de cabeceira é infinitamente inferior a qualquer uma das outras.
terça-feira, novembro 04, 2003
Carlos Sainz da frente!
Co-piloto do Carlos Sainz: - Longa à direita, esquerda vinte e sete... direita dezoito... esquerda curta...
Carlos Sainz: - 'Joder', esta era longa!
- Pois era, desculpa. Enganei-me.
- Podia ter ido mais depressa. Lê lá essa 'mierda' com atenção!
- Direita curta... esquerda quinze... direita vinte e cinco... esquerda, longa... CURTA, DESCULPA!!!
Co-piloto do Carlos Sainz: - Longa à direita, esquerda vinte e sete... direita dezoito... esquerda curta...
Carlos Sainz: - 'Joder', esta era longa!
- Pois era, desculpa. Enganei-me.
- Podia ter ido mais depressa. Lê lá essa 'mierda' com atenção!
- Direita curta... esquerda quinze... direita vinte e cinco... esquerda, longa... CURTA, DESCULPA!!!
segunda-feira, novembro 03, 2003
Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen
Na alma absolutamente livre de pensamentos e emoções, nem mesmo um tigre encontra espaço para cravar as garras. Quanto mais o Guerra Madaleno.
pérolas da sabedoria zen
Na alma absolutamente livre de pensamentos e emoções, nem mesmo um tigre encontra espaço para cravar as garras. Quanto mais o Guerra Madaleno.
Cor-de-rosa
Um destes dias, num quiosque, vi na capa de uma revista do coração o deputado Paulo Pedroso agarrado à namorada, com pose de apaixonado. Para alguém que é suspeito de crimes de pedofilia não lhe ficava mal um pouco mais de pudor, decoro e discrição. Saiu da prisão há dias, continua arguido e aparece em revistas cor-de-rosa abraçado à namorada?
Um destes dias, num quiosque, vi na capa de uma revista do coração o deputado Paulo Pedroso agarrado à namorada, com pose de apaixonado. Para alguém que é suspeito de crimes de pedofilia não lhe ficava mal um pouco mais de pudor, decoro e discrição. Saiu da prisão há dias, continua arguido e aparece em revistas cor-de-rosa abraçado à namorada?
sexta-feira, outubro 31, 2003
O pacifista
Ahmed Rostami tinha um sonho. Queria um mundo de igualdade, sem injustiças, com todos os seres humanos a viver em comunhão, livres de invejas, crimes, corrupção e americanos. Ahmed resolveu então ir para a capital aprender a lutar, para se alistar em qualquer exército islâmico que combatesse o Grande Satã.
E munido de grande coragem, o nosso bravo Ahmed foi prestar provas a uma academia que treinava heróis em Teerão. Logo no primeiro teste, Ahmed descobriu a sua verdadeira vocação... e voltou para o Norte, para o cultivo de flores às margens do Lago Urmia, que nunca devia ter abandonado. Jurou a si próprio, perante Alá, que nunca mais voltaria a pegar numa arma. Isso de combater é para gente doida!...
Ahmed Rostami tinha um sonho. Queria um mundo de igualdade, sem injustiças, com todos os seres humanos a viver em comunhão, livres de invejas, crimes, corrupção e americanos. Ahmed resolveu então ir para a capital aprender a lutar, para se alistar em qualquer exército islâmico que combatesse o Grande Satã.
E munido de grande coragem, o nosso bravo Ahmed foi prestar provas a uma academia que treinava heróis em Teerão. Logo no primeiro teste, Ahmed descobriu a sua verdadeira vocação... e voltou para o Norte, para o cultivo de flores às margens do Lago Urmia, que nunca devia ter abandonado. Jurou a si próprio, perante Alá, que nunca mais voltaria a pegar numa arma. Isso de combater é para gente doida!...
quinta-feira, outubro 30, 2003
Coragem
1. Louve-se a coragem dos jornalistas do DN ao rejeitarem o nome do novo director e louve-se igualmente as críticas que formularam ao rumo do jornal (“tabloidização” e “descaracterização”, com consequente “perda de credibilidade”) nos últimos meses.
2. Ao longo da vida corta-se o cabelo dezenas de vezes. Hoje fi-lo mais uma vez, mas cortei-o todo a pente 3. Para muitos é uma coisa trivial, mas para alguém como eu, altamente conservador em matéria da sua própria aparência, é um acto de coragem.
1. Louve-se a coragem dos jornalistas do DN ao rejeitarem o nome do novo director e louve-se igualmente as críticas que formularam ao rumo do jornal (“tabloidização” e “descaracterização”, com consequente “perda de credibilidade”) nos últimos meses.
2. Ao longo da vida corta-se o cabelo dezenas de vezes. Hoje fi-lo mais uma vez, mas cortei-o todo a pente 3. Para muitos é uma coisa trivial, mas para alguém como eu, altamente conservador em matéria da sua própria aparência, é um acto de coragem.
quarta-feira, outubro 29, 2003
As olimpíadas da bufa
Eram tardes bem passadas, naquele apartamento que os oito tínhamos alugado na Rua do Brasil. A mesa da sala era perfeita para umas partidas de pingue-pongue. Bastava pôr uns rolos de papel higiénico alinhados no meio a fazer de rede e tínhamos diversão garantida e algum exercício físico para descomprimir da vida dura e agitada de estudante universitário na Coimbra dos anos 90. Mas o auge da galhofa era quando o Marco vinha com o isqueiro.
A ideia nasceu depois de termos assistido a um documentário na televisão sobre o aproveitamento do gás metano - aquele produzido pelos intestinos e fezes dos animais - como fonte de energia alternativa. O facto é que se trata de um gás inflamável, que pode substituir outro tipo de combustível na indústria, mas também pode gerar momentos da mais incontinente diversão.
Cada um de nós, na sua vez, deitava-se de barriga para cima no sofá, pernas na posição "freguesa-de-ginecologista", lança-chamas apontado ao "anel de couro" (com cuidado para não queimar as calças), apagávamos a luz... e era como se o fogo convertesse o metano em gás hilariante. Os puns transformavam-se em pequenas flamas. Ninguém conseguia conter as risadas... nem os peidos.
Até que resolvemos organizar os Campeonatos Locais de piroflato (foi assim que escolhemos designar a modalidade), convidando malta de todo o prédio e oferecendo como prémio para a maior labareda uma feijoada que acabávamos todos por comer, em ambiente de festa. No meio da celebração, costumávamos discutir o papel socializante do piroflato e as suas virtudes ambientais, uma vez que depois de queimados, os flatos não tinham cheiro. Também debatíamos questões estético-filosóficas deste fenómeno, que não deixava de ser a materialização do pum numa coisa visível, a prova de que o peido tinha forma. Mas preocupava-nos sobretudo o futuro deste desporto e surgiram ideias para a criação de uma federação nacional. Havia mesmo quem defendesse a elevação do piroflato a modalidade olímpica.
Dessas tardes de tertúlia peidorreira, guardo a lembrança das exibições do virtuoso Fidalgo, o nosso grande campeão, que impediu que o título alguma vez saísse de casa. Dotado de um aparelho intestinal capaz de produzir chamas do tamanho de bolas de futebol, Fidalgo era o mais extraordinário dos executantes, uma espécie de Pelé do pum. Também me lembro de uma vizinha, a quem todos passaram a chamar Fornalha, e que tinha um talento natural para a coisa.
Uma pena que, apesar de ser talvez o desporto mais democrático do mundo, muito graças ao baixo custo do equipamento (basta um isqueiro), o piroflato, ao contrário do que esperávamos, não se tenha alastrado como gás. É triste ver o povo pela rua a desperdiçar talento, largando bufas à toa, sem as queimar. O mundo perdeu certamente grandes espectáculos. Mas, enfim, estou-me a cagar!
Eram tardes bem passadas, naquele apartamento que os oito tínhamos alugado na Rua do Brasil. A mesa da sala era perfeita para umas partidas de pingue-pongue. Bastava pôr uns rolos de papel higiénico alinhados no meio a fazer de rede e tínhamos diversão garantida e algum exercício físico para descomprimir da vida dura e agitada de estudante universitário na Coimbra dos anos 90. Mas o auge da galhofa era quando o Marco vinha com o isqueiro.
A ideia nasceu depois de termos assistido a um documentário na televisão sobre o aproveitamento do gás metano - aquele produzido pelos intestinos e fezes dos animais - como fonte de energia alternativa. O facto é que se trata de um gás inflamável, que pode substituir outro tipo de combustível na indústria, mas também pode gerar momentos da mais incontinente diversão.
Cada um de nós, na sua vez, deitava-se de barriga para cima no sofá, pernas na posição "freguesa-de-ginecologista", lança-chamas apontado ao "anel de couro" (com cuidado para não queimar as calças), apagávamos a luz... e era como se o fogo convertesse o metano em gás hilariante. Os puns transformavam-se em pequenas flamas. Ninguém conseguia conter as risadas... nem os peidos.
Até que resolvemos organizar os Campeonatos Locais de piroflato (foi assim que escolhemos designar a modalidade), convidando malta de todo o prédio e oferecendo como prémio para a maior labareda uma feijoada que acabávamos todos por comer, em ambiente de festa. No meio da celebração, costumávamos discutir o papel socializante do piroflato e as suas virtudes ambientais, uma vez que depois de queimados, os flatos não tinham cheiro. Também debatíamos questões estético-filosóficas deste fenómeno, que não deixava de ser a materialização do pum numa coisa visível, a prova de que o peido tinha forma. Mas preocupava-nos sobretudo o futuro deste desporto e surgiram ideias para a criação de uma federação nacional. Havia mesmo quem defendesse a elevação do piroflato a modalidade olímpica.
Dessas tardes de tertúlia peidorreira, guardo a lembrança das exibições do virtuoso Fidalgo, o nosso grande campeão, que impediu que o título alguma vez saísse de casa. Dotado de um aparelho intestinal capaz de produzir chamas do tamanho de bolas de futebol, Fidalgo era o mais extraordinário dos executantes, uma espécie de Pelé do pum. Também me lembro de uma vizinha, a quem todos passaram a chamar Fornalha, e que tinha um talento natural para a coisa.
Uma pena que, apesar de ser talvez o desporto mais democrático do mundo, muito graças ao baixo custo do equipamento (basta um isqueiro), o piroflato, ao contrário do que esperávamos, não se tenha alastrado como gás. É triste ver o povo pela rua a desperdiçar talento, largando bufas à toa, sem as queimar. O mundo perdeu certamente grandes espectáculos. Mas, enfim, estou-me a cagar!
Madaleno ao poder
Faz parte dos estatutos: o Núcleo Duro apoia todo e qualquer candidato à presidência do Benfica que prometa - e sobretudo que consiga - comprar o Rui Costa. A promessa desta vez partiu do inigualável Guerra Madaleno e é portanto Guerra Madaleno que o ND apoia nas próximas eleições.
Rui Costa é, a par de João Pinto, o mais claro exemplo do jogador altamente sobrevalorizado. Faz parte da "geração de ouro" do futebol português, que como se sabe não ganhou rigorosamente nada ao serviço da selecção - campeonatos do mundo de juniores não contam, porque não têm importância nenhuma.
De maneira que a transferência de Rui Costa para o Benfica era o melhor que podia acontecer ao FC Porto. Por isso, faço figas para que o Madaleno ganhe as eleições.
Faz parte dos estatutos: o Núcleo Duro apoia todo e qualquer candidato à presidência do Benfica que prometa - e sobretudo que consiga - comprar o Rui Costa. A promessa desta vez partiu do inigualável Guerra Madaleno e é portanto Guerra Madaleno que o ND apoia nas próximas eleições.
Rui Costa é, a par de João Pinto, o mais claro exemplo do jogador altamente sobrevalorizado. Faz parte da "geração de ouro" do futebol português, que como se sabe não ganhou rigorosamente nada ao serviço da selecção - campeonatos do mundo de juniores não contam, porque não têm importância nenhuma.
De maneira que a transferência de Rui Costa para o Benfica era o melhor que podia acontecer ao FC Porto. Por isso, faço figas para que o Madaleno ganhe as eleições.
terça-feira, outubro 28, 2003
Obrigado, obrigado, obrigado...
Este blog é o responsável pela atribuição semanal dos Bordalos Awards. O Núcleo Duro orgulha-se de ter sido galardoado esta semana com o prémio para o "pior post", graças a uma malha do DJ Carcaça sobre os pensamentos de Koumba Yalá. Gostaríamos de agradecer aos nossos patrocinadores e a todos os que nos têm apoiado nesta nossa ascensão meteórica na blogosfera. Este prémio é para vocês!
Este blog é o responsável pela atribuição semanal dos Bordalos Awards. O Núcleo Duro orgulha-se de ter sido galardoado esta semana com o prémio para o "pior post", graças a uma malha do DJ Carcaça sobre os pensamentos de Koumba Yalá. Gostaríamos de agradecer aos nossos patrocinadores e a todos os que nos têm apoiado nesta nossa ascensão meteórica na blogosfera. Este prémio é para vocês!
segunda-feira, outubro 27, 2003
Língua sem papas
No site oficial da campanha de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica, o candidato responde às dúvidas dos benfiquistas. "Sem papas na língua! Luís Filipe Vieira desafia-o a perguntar-lhe o que quiser. Não vai recusar, pois não?", anunciou o site, que de pronto recebeu dezenas de questões tão pertinentes como: "Se esse badameco desse Paulo Barbosa é sócio do Benfica, como me disseram ontem no Estádio, o que é que o senhor e os seus pares estão á espera para o expulsar de sócio?"; ou "Vieira, obrigado por existires. No dia 30 lá estarei no jantar da FIL para te apoiar!" (sendo esta particularmente difícil, dado o esforço mental necessário para descobrir nela uma pergunta).
De uma lucidez de meter inveja a Koumba Yalá, Vieira dá-se ao trabalho de responder de forma sucinta, mas ao mesmo tempo esclarecedora, às principais preocupações dos encarnados. Finalmente encontraram resposta algumas das dúvidas que, ao longo de anos, têm assolado a nação benfiquista.
Nuno Costa pergunta:
Espero que seja o vencedor das eleições. Terá o meu voto. Como irá pagar o passivo do nosso Benfica que é ainda muito elevado?
Luís Filipe Vieira responde:
Obrigado pelo seu voto de confiança. Espero reduzir o passivo liderando uma equipa de gestores com uma política realista, tranquila, não deixando nunca de investir.
Hugo Briz pergunta:
É suficientemente benfiquista para ir até ao fim?
Luís Filipe Vieira responde:
Certamente que sim. Esta é uma corrida de fundo.
TC pergunta:
O que significa o S.L.Benfica para si???
Luís Filipe Vieira responde:
Significa Sport Lisboa e Benfica.
No site oficial da campanha de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica, o candidato responde às dúvidas dos benfiquistas. "Sem papas na língua! Luís Filipe Vieira desafia-o a perguntar-lhe o que quiser. Não vai recusar, pois não?", anunciou o site, que de pronto recebeu dezenas de questões tão pertinentes como: "Se esse badameco desse Paulo Barbosa é sócio do Benfica, como me disseram ontem no Estádio, o que é que o senhor e os seus pares estão á espera para o expulsar de sócio?"; ou "Vieira, obrigado por existires. No dia 30 lá estarei no jantar da FIL para te apoiar!" (sendo esta particularmente difícil, dado o esforço mental necessário para descobrir nela uma pergunta).
De uma lucidez de meter inveja a Koumba Yalá, Vieira dá-se ao trabalho de responder de forma sucinta, mas ao mesmo tempo esclarecedora, às principais preocupações dos encarnados. Finalmente encontraram resposta algumas das dúvidas que, ao longo de anos, têm assolado a nação benfiquista.
Nuno Costa pergunta:
Espero que seja o vencedor das eleições. Terá o meu voto. Como irá pagar o passivo do nosso Benfica que é ainda muito elevado?
Luís Filipe Vieira responde:
Obrigado pelo seu voto de confiança. Espero reduzir o passivo liderando uma equipa de gestores com uma política realista, tranquila, não deixando nunca de investir.
Hugo Briz pergunta:
É suficientemente benfiquista para ir até ao fim?
Luís Filipe Vieira responde:
Certamente que sim. Esta é uma corrida de fundo.
TC pergunta:
O que significa o S.L.Benfica para si???
Luís Filipe Vieira responde:
Significa Sport Lisboa e Benfica.
Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen
Fa-Yen vivia sozinho num pequeno templo do interior da China. Certo dia, entreouviu quatro monges em viagem, que discutiam sobre subjectividade e objectividade. Juntando-se a eles, indagou:
- Imaginai uma pedra bem grande. Conseguis vê-la dentro ou fora da vossa mente?
- Do ponto de vista budista, tudo é uma objectivação da mente, portanto eu diria que a pedra está dentro da minha mente - respondeu um dos monges.
- A vossa cabeça deve estar muito pesada, então - observou Fa-Yen - se andais com uma pedra dessas na mente...
Foi então que o monge confessou que havia andado a fumar erva da boa.
pérolas da sabedoria zen
Fa-Yen vivia sozinho num pequeno templo do interior da China. Certo dia, entreouviu quatro monges em viagem, que discutiam sobre subjectividade e objectividade. Juntando-se a eles, indagou:
- Imaginai uma pedra bem grande. Conseguis vê-la dentro ou fora da vossa mente?
- Do ponto de vista budista, tudo é uma objectivação da mente, portanto eu diria que a pedra está dentro da minha mente - respondeu um dos monges.
- A vossa cabeça deve estar muito pesada, então - observou Fa-Yen - se andais com uma pedra dessas na mente...
Foi então que o monge confessou que havia andado a fumar erva da boa.
sexta-feira, outubro 24, 2003
Coimbra outra vez
Caro Ernesto, vamos lá ver se nos entendemos:
Dizes que tenho um "ódio de morte" a Coimbra, o que não é verdade. É verdade que me cansei de Coimbra, depois de quatro anos a estudar lá; é verdade que acho Coimbra uma cidade feia; é verdade que acho que Coimbra é uma cidade arrogante e emproada por se julgar a capital da saúde e do saber, etc; é verdade que não gosto da Académica; é verdade que não gosto das praxes, que em Coimbra têm um território de eleição; é verdade que não gosto de certas coisas por que Coimbra é conhecida, como as tunas ou os presidentes da associação académica.
Mas daí a dizer que tenho um "ódio de morte" vai um grande distância. Guardo os anos que passei em Coimbra com saudade, em boa parte por vossa causa - os amigos que lá fiz. Não renuncio a isso, mas não me peças que adore Coimbra, que me arrebate de paixão ou que me desfaça em lágrimas de cada vez que lá vou.
Tá percebido?
Caro Ernesto, vamos lá ver se nos entendemos:
Dizes que tenho um "ódio de morte" a Coimbra, o que não é verdade. É verdade que me cansei de Coimbra, depois de quatro anos a estudar lá; é verdade que acho Coimbra uma cidade feia; é verdade que acho que Coimbra é uma cidade arrogante e emproada por se julgar a capital da saúde e do saber, etc; é verdade que não gosto da Académica; é verdade que não gosto das praxes, que em Coimbra têm um território de eleição; é verdade que não gosto de certas coisas por que Coimbra é conhecida, como as tunas ou os presidentes da associação académica.
Mas daí a dizer que tenho um "ódio de morte" vai um grande distância. Guardo os anos que passei em Coimbra com saudade, em boa parte por vossa causa - os amigos que lá fiz. Não renuncio a isso, mas não me peças que adore Coimbra, que me arrebate de paixão ou que me desfaça em lágrimas de cada vez que lá vou.
Tá percebido?
terça-feira, outubro 21, 2003
Núcleo didáctico
O Ministério da Educação resolveu adoptar para o 10º ano um manual de Língua Portuguesa, de nome "Comunicar", que introduz (salvo seja) a novidade de apresentar exercícios com o regulamento do concurso televisivo Big Brother, telenovelas e lixo do género. Essa estratégia parece consistir em fazer do ensino uma coisa mais atractiva e estimulante para o aluno.
O Núcleo Duro manifesta-se contra essa decisão. Ensinar merda de forma atraente não deixa de ser ensinar merda. Que cidadãos é que queremos formar!? Por isso, resolvemos propor um plano de ensino alternativo e interactivo, que passaremos a disponibilizar a partir do nosso blog. Os nossos programas curriculares têm conteúdos realmente edificantes para os putos e são apresentados de forma muito atraente, com animação, música, etc. Isto sim, é serviço público! Para começar, aqui fica o Bê-a-bá do Núcleo para os mais pequenos, que estão a começar a aprender as letrinhas.
O Ministério da Educação resolveu adoptar para o 10º ano um manual de Língua Portuguesa, de nome "Comunicar", que introduz (salvo seja) a novidade de apresentar exercícios com o regulamento do concurso televisivo Big Brother, telenovelas e lixo do género. Essa estratégia parece consistir em fazer do ensino uma coisa mais atractiva e estimulante para o aluno.
O Núcleo Duro manifesta-se contra essa decisão. Ensinar merda de forma atraente não deixa de ser ensinar merda. Que cidadãos é que queremos formar!? Por isso, resolvemos propor um plano de ensino alternativo e interactivo, que passaremos a disponibilizar a partir do nosso blog. Os nossos programas curriculares têm conteúdos realmente edificantes para os putos e são apresentados de forma muito atraente, com animação, música, etc. Isto sim, é serviço público! Para começar, aqui fica o Bê-a-bá do Núcleo para os mais pequenos, que estão a começar a aprender as letrinhas.
segunda-feira, outubro 20, 2003
Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen
Um monge chamado Sekito perguntou a seu mestre, Seigen:
- Qual é o segredo do budismo?
- Esse segredo é impossível de se obter, pois está para além da nossa compreensão.
- Pode o meu mestre explicar-me por outras palavras?
- O vasto céu não é perturbado pelo voo das nuvens brancas.
"Triiiiiiiiiiiiiiiim!!!...". O jovem monge tentava decifrar o segredo que o seu mestre lhe acabara de enunciar, quando atendeu o telefone:
- Mosteiro de Chaolim, boa tarde.
- Fegredo!? Fe for fegredo de juftifa, eftou-me a cagar! - dizia a voz de Ferro Rodrigues, do outro lado da linha.
pérolas da sabedoria zen
Um monge chamado Sekito perguntou a seu mestre, Seigen:
- Qual é o segredo do budismo?
- Esse segredo é impossível de se obter, pois está para além da nossa compreensão.
- Pode o meu mestre explicar-me por outras palavras?
- O vasto céu não é perturbado pelo voo das nuvens brancas.
"Triiiiiiiiiiiiiiiim!!!...". O jovem monge tentava decifrar o segredo que o seu mestre lhe acabara de enunciar, quando atendeu o telefone:
- Mosteiro de Chaolim, boa tarde.
- Fegredo!? Fe for fegredo de juftifa, eftou-me a cagar! - dizia a voz de Ferro Rodrigues, do outro lado da linha.
sexta-feira, outubro 17, 2003
Não temos vagas!
Apesar da notícia avançada ontem pelo Público, dando conta de que Portugal queria entrar para o nosso blog, lamentamos informar que o Núcleo Duro não tem vagas abertas para já, muito menos para 10 milhões de pessoas.
Os membros dos membros do Núcleo foram ali dar uma deliberada e, várias horas volvidas, decidiram que a eventual entrada de Portugal para o grupo viria diminuir a qualidade do blog, uma vez que somos portadores de um nível de literacia acima da média. Além do mais, o conjunto ficou completo com a entrada de Tiberius no mês passado.
Portanto, se o país quiser vir mandar uns bitaites para a Net, terá de criar o seu próprio blog. Entretanto, teremos muito gosto em que Portugal continue a visitar em peso o site do Núcleo Duro e a comentar os nossos posts.
Apesar da notícia avançada ontem pelo Público, dando conta de que Portugal queria entrar para o nosso blog, lamentamos informar que o Núcleo Duro não tem vagas abertas para já, muito menos para 10 milhões de pessoas.
Os membros dos membros do Núcleo foram ali dar uma deliberada e, várias horas volvidas, decidiram que a eventual entrada de Portugal para o grupo viria diminuir a qualidade do blog, uma vez que somos portadores de um nível de literacia acima da média. Além do mais, o conjunto ficou completo com a entrada de Tiberius no mês passado.
Portanto, se o país quiser vir mandar uns bitaites para a Net, terá de criar o seu próprio blog. Entretanto, teremos muito gosto em que Portugal continue a visitar em peso o site do Núcleo Duro e a comentar os nossos posts.