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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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quinta-feira, novembro 06, 2003

Mitos familiares

Sobre os homens e as mulheres

Viver em conjunto com alguém e ainda por cima com uma criança (ou um pequeno Abu Nidal em potência) de três anos transforma o nosso dia-a-dia em pequenas sagas épicas que Homero seria incapaz de descrever. Esta situação levou-me a coligir alguns momentos de conjugalidade que deveriam ficar nos anais (não desses que vocês estão a pensar mas os outros, aqueles sem nádegas nos lados) da história humana. Muitos destes breves trechos não foram vividos por mim mas são recordados por todos os homens casados numa tradição oral e subliminar que se propaga como a pneumonia atípica, equivalente aos mitos urbanos.

1 – As birras. Uma coisa curiosa num casal é a forma como as tensões se consomem. Os homens chateiam-se com qualquer coisa, dizem umas caralhadas e batem com a porta do escritório e sanam as consciências, coçando o ego com uma atitude machista barata como quem coça os tomates. Já as mulheres lidam com as tensões de modo diferente. Prova da sua grande inteligência, elas acumulam e não dizem a razão da sua má-disposição. Uma das perguntas que todos os homens já fizeram às suas companheiras é a célebre “o que é que eu fiz?”. Nalgumas ocasiões juntamos “de mal” à frase porque já sabemos que existe borrasca do outro lado da barricada. E, em muitos casos, o troco é o “se não sabes, devias saber”. Aqui está o cerne das tensões que acabam com muitos casamentos. É óbvio que os homens deixam as cuecas junto à cama e não limpam os pratos depois de comer. Mas, as mulheres não podem estar à espera que o companheiro se aperceba do erro, acumulando um mal-estar perpétuo. Estas crises correspondem àquilo que os especialistas chamam de birra-dela-que-queria-que-o-homem-soubesse-porque-é-que-ela-está-chateada-mas-ele-não-sabe-e-ela-não-lhe-diz.
Após aturadas sondagens no prédio onde vivo, constatei que este é um mal comum de todos os casais, pelo que sugiro uma solução de compromisso: na mesinha de cabeceira, ela cola uma fita com a cor que representa o motivo por que está chateada. Tipo amarela para questões de limpeza, rosa para ciúmes, verde para falta de carinho, azul para necessidade de conversar ou laranja para uma queca. Depois caberá ao homem adivinhar, mediante aquelas bissectrizes, as razões da birra da mulher. Ficam todos contentes: ela não fere o orgulho, dizendo porque é que está chateada, e ele resolve mais uma tensão inútil. Se quem ler este texto pensar em optar por esta solução, recomendo que não devem comprar muitas fitas laranjas porque a probabilidade de verem essa fita na mesinha de cabeceira é infinitamente inferior a qualquer uma das outras.

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