sexta-feira, outubro 17, 2003

O meu contributo para a discussão sobre pedofilia

Proponho que o "dossier" Casa Pia seja entregue a este juíz francês.



quinta-feira, outubro 16, 2003

Larga as folhas

Estava noutro dia a ver CD na pilha dos descontos quando dei com uma gravação pirata dos Pearl Jam em Atlanta. O CD é de 1996, e o que tem mais engraçado é a lista das músicas. A última tem o nome "Drop the Leaves".

Engraçado, porque o indivíduo que escreveu a lista das músicas obviamente não fazia ideia do que estava a fazer. A música chama-se "Leash", e o refrão é o Eddie Vedder a berrar "Drop the leash, drop the leash! Uaaaaaarrrrgh, get out of my fucking face! Drop the leash, drop the leash!".

Isto, para um gajo que não saiba muito de inglês e seja demasiado preguiçoso para ir procurar o nome da música no disco original (que se chama Vs. pode bem soar a "Drop the Leaves". O que é giro, porque assim o tema da letra ("larga a trela", sendo que aqui a trela é metafórica das inibições e limites da condição humana, etc. blá blá blá) passa a ser "larga as folhas".

Pensar num gajo a gritar "larga as folhas! larga as folhas!" teria a sua piada, numa perspectiva daliana-laurodérmica.
Há vários sites como este que registam histórias de letras mal entendidas.

Mas a mensagem mais interessante aqui é que, mesmo que um indivíduo julgue que o Vedder está a assaltar a uma árvore ("Larga as folhas! E a carteira! Ou eu uso a moto-serra!"), o conteúdo da música não se perde.

A parte mais eloquente é mesmo o "Uaaaaaarrrrgh", porque é primária e directa. Mesmo sem entender a ponta de um corno de inglês, basta ouvir a música e a voz alucinada do Vedder (os Pearl Jam nesta altura ainda não eram chatos) para perceber o que ele quer dizer. Por isso é que o rock é universal.

quarta-feira, outubro 15, 2003

Alta Arte

Estou a ouvir "Thursday's Child", de David Bowie, e não posso deixar de fazer um Alta Arte com esta música.

All of my life I've tried so hard
Doing my best with what I had
Nothing much happened all the same

Something about me stood apart
A whisper of hope that seemed to fail
Maybe I'm born right out of my time
Breaking my life in two

(Throw me tomorrow..oh,oh)
Now that I've really got a chance
(Throw me tomorrow..oh,oh)
Everything's falling into place
(Throw me tomorrow..oh,oh)
Seeing my past to let it go
(Throw me tomorrow..oh,oh)
Only for you I don't regret
That I was Thursday's Child

Monday, Tuesday, Wednesday born I was (x2)

Sometimes I cried my heart to sleep
Shuffling days and lonesome nights
Sometimes my courage fell to my feet

Lucky old sun is in my sky
Nothing prepared me for your smile
Lighting the darkness of my soul
Innocence in your arms

(Throw me tomorrow..oh,oh)
Now that I've really got a chance
(Throw me tomorrow..oh,oh)
Everything's falling into place
(Throw me tomorrow..oh,oh)
Seeing my past to let it go
(Yeah, throw me tomorrow..oh,oh)
Only for you I don't regret
That I was Thursday's Child

Monday, Tuesday, Wednesday born I was Thursday's Child
Monday, Tuesday, Wednesday born I was Thursday's Child
Monday, Tuesday, Wednesday born I was
Monday, Tuesday, Wednesday born I was
Patriotismo

Excelente este artigo sobre patriotismo.

«Não há nada mais ridículo, mais amordaçante, mais emburrecedor do que amar seu próprio país, sua própria cidade, sua própria tribo. É o sentimento mais normal do mundo, claro, amar os seus em detrimento aos outros, e por isso mesmo é ainda mais insidioso. Pior, é visto como uma qualidade e ensinado nas escolas».
De águia ao peito

Portugueses, o Benfica joga hoje um jogo importante na sua caminhada rumo à conquista na Taça UEFA. Vamos todos dar as mãos e vibrar ao segundo com cada passe, cada remate, cada defesa dos bravos atletas encarnados. E vamos, sobretudo, gritar bem alto o nosso patriotismo por cada golo que o grandioso clube, um dos maiores de Lisboa (contando já com os arredores), marcar à poderosa armada belga. Não será fácil, não tenhamos ilusões: o La Louvière é um adversário temível. É, logo a seguir à Lázio, a melhor equipa que o aquilino emblema defrontou nos últimos três anos nas competições europeias. Mas com 12 milhões de portugueses, nos quatro quantos do mundo, partilhando uma íntima fé nos ilustres heróis lusitanos, a vitória não escapará. Hoje serei águia, hoje todos seremos águias! Viva o Benfica, viva Portugal!
Alta Arte
A arrogância de Von Trier



Por norma, procuro olhar numa primeira instância para as obras de arte afastando-as do seu autor e daquilo que conheço dele. Convenci-me de que só assim posso desfrutar da obra na sua essência. Defecando naquilo que ela representa para quem a fez, posso, com mais proveito, retirar-lhe aquilo que representa para mim só pelo que ela é. Dizer também que nunca leio as críticas aos filmes antes de os ver (e raramente o faço depois) - se me estou nas tintas para a visão do próprio realizador, imagina o que penso da de um mero espectador. (Arrogante, eu?)

Isto para dizer que, como é hábito, nada procurei saber sobre o filme "Dogville", de Lars von Trier, antes de o ter ido ver na noite passada. Já tinha os bilhetes comprados quando a amiga que ia comigo me avisou, com base no que tinha lido, que o filme era uma espécie de peça de teatro transposta para o cinema. Isso explicava em parte o porquê de quase todos os amigos que convidei para essa sessão se terem "cortado", mas procurei não ligar à ligeira preocupação que o alerta me causou.

Começou o filme e a legenda informava que se tratava da história da aldeia de Dogville, contada em nove episódios que se seguiriam ao prólogo que então teve lugar. Cenário de teatro, com iluminação de teatro, casas de paredes invisíveis e maçanetas imaginárias que abriam e fechavam portas sonoplásticas. Senti-me logrado à partida. Quando essa carência de uma das coisas que mais aprecio no cinema - a possibilidade de retratar lugares de forma realista e variada - se apresentou associada à câmara tremida que já conhecia de outros filmes do realizador, apoderou-se de mim uma certa náusea e comecei a lamentar o dinheiro gasto no bilhete.

No entanto, a história - única coisa que era capaz de poder salvar o que já parecia perdido - mostrou-se, desde o prólogo, quebastosamente digna de dedicar ao resto um mínimo de atenção. Estava lançado o engodo e, qual a minha surpresa, quando ao fim do segundo capítulo já estava de tal forma fisgado pela narrativa e pelas bravíssimas actuações de um grupo formidável de actores, que deixei de reparar como tudo se passava em torno de paredes de ar e esqueci-me completamente da tremeliqueira da câmara.

Ao longo dos vários episódios, assiste-se a uma inquietante metamorfose da natureza pura e bondosa de um povo pacato na animalidade egoísta que encerra o espírito humano, capaz de cometer as maiores atrocidades, justificando-as sofregamente numa moral postiça e hipócrita. As cenas em que Grace (Nicole Kidman) é abusada sexualmente por alguns dos personagens são atordoantes. Genial a forma como Von Trier faz a desconstrução de personagens doces, que nos vinham cativando desde o início do filme, para culminar num holocáustico desfecho em que o espectador não consegue evitar sentir um certo sadismo redentor.

Durante o genérico final, em que belas fotos do interior dos Estados Unidos (a maior parte reportando à Grande Depressão) nos devolvem ao mundo real, apetece bater palmas à arrogância do senhor Von Trier, que se prestou a fazer um filme nestes moldes, com pelo menos esse resultado: mostrou que era possível. Chegada a hora de olhar para o que o realizador fez anteriormente - sem tentar averiguar se este último "faz sentido" no conjunto da sua obra, porque isso é que não faz sentido nenhum - lembro-me de que foi ele quem dirigiu, entre outros bons filmes, o único musical de que gostei até hoje, "Dancer in the Dark", que, à imagem de "Dogville", também vai transformando um "handicap" - o de ser um musical - numa virtude, e acaba por surpreender.

terça-feira, outubro 14, 2003

«Mi madre me baña»



Encontrei numa página qualquer da Internet este depoimento, que aqui se publica no original em espanhol (resolvemos não traduzir, mantendo assim a genuinidade de um registo já popularizado em Portugal por alguns canais de TV por cabo). Um contributo de grande valor científico para o estudo dos fetiches e das paixões humanas, do qual esperamos que os nossos leitores possam tirar o maior proveito.

«Crees que con 19 años ya soy mayorcito para tomar mi baño sólo? Bueno, quizás tienes razón... pero a mi todavía me gusta que mi madre me bañe. Nunca lo ha dejado de hacer.

Cuando era más joven y mi pene tenía una erección mientras mamá me secaba, acostumbraba a darme un masaje para relajarlo. Más tarde empezó a besarlo, a chuparlo, a masajearlo con sus tetas... hasta el día en que me permitió poner mi polla en su almeja.

Mi madre es mi profesora de educación sexual, ella dice que a las chicas no les gustan los chicos sin experiencia. El baño se llama en nuestra casa la habitación del orgasmo. Cada día tomamos un baño juntos de dos horas de duración como mínimo. Siempre me hace correr sobre sus tetas, o en su boca, o metiéndole la verga en su culo, para evitar quedar embarazada de su propio hijo.

¿Que qué opina mi padre de esto? A papá no le importa, está demasiado ocupado bañando y secando a mi hermana menor, su querida hija.»
Eu



Quem tem um estádio novinho em folha mesmo ao pé da porta, quem é, quem é?
Quem já tem dois bilhetinhos para os dois jogos do Euro'2004 em Aveiro, quem é, quem é?

segunda-feira, outubro 13, 2003

Sontag



Uma das vantagens de não se conhecer a cara das pessoas é a de assim podermos fazer delas uma imagem que para nós se adequa àquilo que conhecemos delas. Acontece com os locutores de rádio, por exemplo, de que conhecemos apenas a voz e a partir dela formamos uma ideia, ainda que vaga e indefinida, de como será o seu aspecto físico.
Hoje, no DN, aparece uma fotografia da escritora americana Susan Sontag, de que li um livro engraçado chamado "Debaixo do Vulcão" ou coisa parecida. Nunca tinha propriamente tentado imaginar qual a forma da sua cara, mas quando vi a foto custou-me, não sei bem porquê, a associá-la a ela. Nunca julguei que ela fosse assim, tão velha e com um aspecto tão pesado.

sexta-feira, outubro 10, 2003

Palheta, um herói esquecido

Recordemos um grande herói português esquecido pela história, Francisco de Melo Palheta. O nosso Palheta era um diplomata em funções no Brasil no início do século XVIII. Em 1724, os governadores da Guiana francesa e da Guiana holandesa pediram-lhe ajuda para mediar uma disputa fronteiriça.

É preciso explicar que, no século XVIII, a planta do café ainda era uma espécie de segredo de Estado. Só havia café na Arábia, na Índia, na África Oriental e em alguns países europeus. Os holandeses e os franceses tinham café, mas era ilegal ceder ou vender sementes da planta.

Portugal não tinha café, e o grande Palheta viu na história das Guianas uma excelente oportunidade de sacar as sementes. O nosso Palheta foi ter com holandeses e franceses, e resolveu o tal problema diplomático. No processo, segundo este livro, o Palheta seduziu (e papou) a mulher do governador francês.

A francesa, deslumbrada pela palheta do viril Palheta, decidiu oferecer um presente de despedida ao nosso diplomata antes de ele voltar ao Brasil. Deu-lhe um ramo de flores exóticas. No meio do ramo estavam escondidas sementes de café.

E foi dessa forma galante que o nosso Palheta regressou à sua fazenda no Pará, onde plantou as sementes, dando origem à grande indústria do café do Brasil. Da próxima vez que beberem um café brasileiro, lembrem-se do nosso herói Palheta.
A inocência de Pedroso



A libertação de Paulo Pedroso veio dar mais força à minha teoria de que o ex-ministro socialista está inocente, apesar de ter participado em casos de pedofilia. Parece contraditório, mas não é. Explico: numa relação pedófila, e com uma cara de puto daquelas, Pedroso só pode ter sido a vítima.

quarta-feira, outubro 08, 2003

O "l" que o tuga enfiou na tequila



O homo lusitanus em geral tem a mania que sabe falar "estrangeiro". Castelhano então é fácil, igualzinho ao português. Aliás ninguém percebe como é que os espanhóis não nos entendem, mesmo quando nos esforçamos por falar parecido com eles. Se calhar, e só para dar um exemplo, é porque quando procura um espacinho nas ruas de Madrid para "aparcar el coche", o tuga pergunta: "Por favior donde póssio estacioniar o cárrio?" OK, assim é difícil. Os espanhóis tão perdoados.

Mas foi dessa mania que surgiu uma palavra inexistente em espanhol. Essa palavra é "tequilla", ou como até já vi num aportuguesamento, "tequilha". Então como é que esse vocábulo alienígena surge? Ora, o tuga ouve um hispanohablante qualquer dizer "ella" (ela), "amarillo" (amarelo), "caballo" (cavalo) ou "bella" (bela, bonita) e deduz: "em espanhol, os eles andam sempre aos pares". Errado. Na língua de Cervantes, também há palavras só com um "l", letra que tem o mesmo som do "l" português.

Por isso, tuga, quando vais a Badajoz, escusas de procurar "caramelhos", que não vais encontrar. Experimenta "caramelos", como em português. Se queres visitar uns parentes imigrantes na América do Sul, não tentes comprar uma passagem para a "Venezuelha", porque esse país nem vem no mapa. Só vais encontrar "Venezuela", quer numa carta portuguesa, quer numa espanhola. À noite, se fores tomar uns copos, pede uma "tequila", que é como a bebida nacional do México se chama, tal como a cidade que lhe deu o nome.

terça-feira, outubro 07, 2003

Alta Arte

Dancing in the dark, Bruce Springsteen
A criança no tempo e O fardo do amor, Ian McEwan
Silêncio

Li no JN de hoje que ficaram dois penalties por marcar contra o Benfica no jogo com o Moreirense. Por que será que ninguém fala disso?

quinta-feira, outubro 02, 2003

Pipizinho



O Núcleo Duro foi aos arquivos da Torre do Rombo e descobriu um filme familiar muito curioso desse grande ídolo da blogosfera conhecido como O Meu Pipi. Filmado na década de 70, com uma câmara doméstica de 8mm, esta preciosidade de grande valor documental mostra o pequeno Pipi, com apenas 9 meses, a exibir já uma precoce inclinação para as coisas boas da vida. Ninguém imaginava, nessa altura, a dimensão do fenómeno que acabara de nascer.

quarta-feira, outubro 01, 2003

Hoje eu tou feliz

Vi o Real a ganhar ao Porto.
Já tentei (juro que já tentei) mas não consigo torcer por mais nenhum clube dos três grandes nem que seja a final da taça UEFa ou da Champions League
Mexia nos seis milhões

Gostei da atitude deste grande jornalista, por vezes tão maltratado no nosso blog. É a primeira vez que oiço um benfiquista assumir a mediania do seu clube, por muito que o Ernesto venha dizer que não. O Benfica já nem sabe o que fazer para sair da crise, como nós aliás noticiámos.

No entanto, nem toda a gente concorda com o Mexia, como é o caso deste rapaz, uma recente revelação da blogosfera.
Ernesto II

É conhecida a adoração do Ernesto pelo Rodrigo Guedes de Carvalho, apresentador do Jornal da Noite da SIC. Convém por isso ao Ernesto ler este texto.
Ernesto

É conhecida a embirração de Ernesto pelo Mexia. Mas por uma vez Ernesto devia dar razão ao Mexia, porque o Mexia escreveu um texto de espantosa lucidez no DN.

segunda-feira, setembro 29, 2003

TV 7 Dias

Um destes dias folheei a TV 7 Dias, uma revista semanal dedicada a assuntos de televisão.
Não é difícil definir o conteúdo da coisa: boatos sobre “famosos” (sendo que famosos são todos os que aparecem 15 segundos nas tvs, isto é, três quartos da população portuguesa), fotos de “famosos”, entrevistas a “famosos”, fait-divers e trivialidades sobre “famosos”.. Sem esquecer as rubricas obrigatórias sobre signos, inquéritos e páginas dedicadas ao sexo e à moda.
Como não podia deixar de ser, a revista é detestável, é repugnante, etc. Mas é bem feita: isto é, não é difícil adivinhar que uma dona de casa ou alguém que esteja à espera da consulta no dentista se sinta inevitavelmente atraído por ela. Como é possível resistir a um artigo em que se fica a saber que a Sílvia, apresentadora do Ídolos, namora com o ex-marido de uma das juradas do mesmo programa? Ou por um outro texto em que o dono de uma merceria de Aveiro jura que o Ricardo M., um dos concorrentes do Big Brother, era mal tratado pela madrasta, a ponto de esta lhe mandar a cabecita contra o bidé?
A Tv 7 Dias é os Lusíadas da pimbalhice.
O Padrinho

Hoje é dia de O Padrinho, na TVI. O filme está programado para a meia-noite, portanto deve começar à 1.30.
Música portuguesa

Uma das “causas” dos músicos portugueses é querer obrigar as rádios a passar música portuguesa. Aparentemente, os deputados vão discutir o assunto no Parlamento e fazer o frete aos cantores, aprovando leis para criar bolsas obrigatórias de música nacional nas programações. Parece que há quem pense que é a estratégia certa para defender a música portuguesa da vaga imperialista anglo-saxónica. É uma política similar às quotas para deputadas na AR ou à obrigatoriedade de as salas de cinema passarem filmes do Manoel de Oliveira e afins. É triste que haja quem queira impor certas coisas por decreto.

domingo, setembro 28, 2003

São OO:31 e o puto está ainda a falar alto na cama e eu a querer silêncio.
Alguém sabe de algum médico que receite nozinan ou outro calmante a uma criança com dois anos e meio?
Tipo do género que só acorde aos 30 anos no dia do seu casamento.
Este post é longo mas acho bastante elucidativo.
quem gostar dos EUA (isto é para ti Tiberius) é favor passar à frente


CONVERSA ENTRE UM PAI E UM FILHO, ANTES DO ADORMECER, NUMA
CIDADE NORTE-AMERICANA:

Filho: Paizinho, porque é que tivemos que atacar o Iraque?

Pai: Porque eles tinham armas de destruição em massa, filho.

F: Mas os inspectores não encontraram nenhumas armas de
destruição em massa.

P: Isso é porque os iraquianos as esconderam.

F: E porque é que nós invadimos o Iraque?

P: Bom, as invasões funcionam sempre melhor que as inspecções.

F: Mas depois de os termos invadido, AINDA não encontrámos
nenhumas armas, pois não?

P: Isso é porque as armas estão muito bem escondidas. Mas
deixa lá, haveremos de encontrar alguma coisa,
provavelmente antes mesmo das próximas eleições.

F: Para que é que o Iraque queria todas aquelas armas de
destruição em massa?

P: Para as usar numa guerra, claro.

F: Estou confuso. Se eles tinham todas aquelas armas e
planeavam usá-las numa guerra, então porque é que não
usaram nenhuma quando os atacámos?

P: Bem, obviamente não queriam que ninguém soubesse que eles
tinham aquelas armas, por isso eles escolheram
morrer aos milhares em vez de se defenderem.

F: Isso não faz sentido, paizinho. Porque é que eles haveriam
de escolher morrer se tinham todas aquelas armas
poderosas para lutar contra nós?

P: É uma cultura diferente. Não é suposto fazer sentido.

F: Não sei o que é que tu achas, paizinho, mas não me parece
que eles tivessem quaisquer daquelas armas que o
nosso governo dizia que eles tinham.

P: Bom, sabes, não interessa se eles tinham ou não aquelas
armas. De qualquer modo nós tínhamos outra boa razão
para os invadir.

F: E qual era?

P: Mesmo que o Iraque não tivesse armas de destruição em
massa, Saddam Hussein era um cruel ditador, o que é
outra boa razão para invadir outro país.

F: Porquê? O que é que um ditador cruel faz para que seja
correcto invadir o seu país?

P: Bom, pelo menos uma coisa, ele torturava o seu próprio povo.

F: Assim como fazem na China?

P: Não compares a China com o Iraque. A China é um bom
parceiro económico, onde milhões de pessoas trabalham
por salários de miséria, em condições miseráveis, para tornar
as empresas norte-americanas mais ricas.

F: Então, se um país deixa que o seu povo seja explorado para
o lucro das empresas americanas, é um bom país, mesmo
se esse país tortura o povo?

P: Certo.

F: Porque é que o povo no Iraque era torturado?

P: Por crimes políticos, principalmente, tais como criticar o
governo. As pessoas que criticavam o governo no Iraque
eram presas e torturadas.

F: Não é isso exactamente o que acontece na China?

P: Já te disse, a China é diferente.

P: Qual é a diferença entre a China e o Iraque?

P: Bom, pelo menos uma coisa, o Iraque era governado pelo
partido Baas enquanto que a China é comunista.

F: Não me tinhas dito uma vez que os comunistas eram maus?

P: Não; só os comunistas cubanos são maus.

F: Porque é que os comunistas cubanos são maus?

P: Bom, pelo menos uma coisa, as pessoas que criticam o
governo em Cuba são presas e torturadas.

F: Como no Iraque?

P: Exactamente.

F: E como na China, também?

P: Já te disse, a China é um bom parceiro económico. Cuba, por
outro lado, não é.

F: Porque é que Cuba não é um bom parceiro económico?

P: Bem, é assim, no princípio dos anos 60, o nosso governo fez
umas leis que tornaram ilegal que os norte-americanos
tivessem trocas comerciais ou outros negócios com Cuba, até
que eles deixassem de ser comunistas e começassem a
ser capitalistas como nós.

F: Mas se nós acabássemos com essas leis, abríssemos o
comércio com Cuba, e começássemos a fazer negócios com
eles, isso não ajudaria os cubanos a tornarem-se capitalistas?

P: Não te armes em chico-esperto.

F: Eu acho que não sou.

P: Bom, de qualquer modo, também não há liberdade de religião
em Cuba.

F: Assim como na China, com o movimento Falun Gong?

P: Já te disse, deixa-te de dizer mal da China. De qualquer
maneira, Saddam Hussein chegou ao poder através de um golpe
militar, por isso ele não era realmente um líder legítimo.

F: O que é um golpe militar, paizinho?

P: É quando um general toma conta do governo de um país pela
força, em vez de eleições livres como nós temos nos Estados Unidos.

F: O líder do Paquistão não chegou ao poder através de um
golpe militar?

P: Referes-te ao General Pervez Musharraf? Uhm, ah, sim, foi;
mas o Paquistão é nosso amigo.

F: Como é que o Paquistão é nosso amigo se o seu líder é
ilegítimo?

P: Eu nunca disse que Pervez Musharraf era ilegítimo.

F: Não acabaste de dizer que um general que chega ao poder
pela força, derrubando o governo legítimo de uma nação, é um líder
ilegítimo?

P: Só Saddam Hussein. Pervez Musharraf é nosso amigo, porque
ele nos ajudou a invadir o Afeganistão.

F: Porque é que nós invadimos o Afeganistão?

P: Por causa do que eles nos fizeram no 11 de Setembro.

Q: O que é que o Afeganistão nos fez no 11 de Setembro?

F: Bem, em 11 de Setembro de 2001, dezanove homens, quinze dos
quais da Arábia Saudita, desviaram quatro aviões e lançaram três
contra edifícios, matando mais de 3000 norte-americanos.

F: Então, onde é que o Afeganistão entra nisso tudo?

P: O Afeganistão foi onde esses homens maus foram treinados,
sob o regime opressivo dos Taliban.

F: Os Taliban não são aqueles maus radicais islâmicos que
cortam as cabeças e as mãos das pessoas?

P: Sim, são esses exactamente. Não só cortavam as cabeças e as
mãos das pessoas, como também oprimiam as mulheres.

F: Mas o governo de Bush não deu aos Taliban 43 milhões de
dólares em Maio de 2001?

P: Sim, mas esse dinheiro foi uma recompensa porque eles
fizeram um bom trabalho na luta contra as drogas.

F: Na luta contra as drogas?

P: Sim, os Taliban ajudaram muito, para obrigar as pessoas a
deixarem de cultivar papoilas de ópio.

F: Como é que eles fizeram tão bom trabalho?

P: É simples. Se as pessoas fossem apanhadas a cultivar
papoilas de ópio, os Taliban cortavam-lhes as mãos e as cabeças.

F: Então, quando os Taliban cortavam as cabeças e as mãos das
pessoas que cultivavam flores, isso estava certo, mas não se
eles cortavam as cabeças e as mãos por outras razões?

P: Sim. Nós achamos bem se os radicais fundamentalistas
islâmicos cortam as mãos das pessoas por cultivarem flores, mas
achamos cruel que eles cortem as mãos das pessoas por roubar
pão.

F: Mas na Arábia Saudita eles não cortam também as mãos e as
cabeças das pessoas?

P: Isso é diferente. O Afeganistão era governado por um
patriarcado tirânico que oprimia as mulheres e as obrigava a usar
burqas sempre que elas estivessem em público, e as que não
cumprissem eram condenadas à morte por apedrejamento.

F: Mas as mulheres na Arábia Saudita não têm também que usar
burqas em público?

P: Não, as mulheres sauditas simplesmente usam uma vestimenta
islâmica tradicional.

F: Qual é a diferença?

P: A vestimenta islâmica tradicional usada pelas mulheres
sauditas é uma roupa modesta mas em moda que cobre todo o corpo
da mulher excepto os olhos e os dedos.
A burqa das afegãs, por outro lado, é um instrumento maligno da opressão patriarcal que
cobre todo o corpo da mulher excepto os olhos e os dedos.

F: Parece-me a mesma coisa com um nome diferente.

P: Bom, não vais agora comparar o Afeganistão com a Arábia
Saudita. Os sauditas são nossos amigos.

F: Mas parece-me que disseste que 15 dos 19 piratas do ar do
11 de Setembro eram da Arábia Saudita.

P: Sim, mas foram treinados no Afeganistão.

F: Quem é que os treinou?

P: Um homem muito mau, chamado Osama bin Laden.

F: Ele era do Afeganistão?

P: Aahh, não, ele era também da Arábia Saudita. Mas era um
homem mau, um homem muito mau.

F: Se bem me lembro, ele já tinha sido nosso amigo.

P: Só quando nós o ajudámos e aos mujahadin a repelir a
invasão soviética do Afeganistão nos anos 80.

F: Quem são os soviéticos? Não era o Império do Mal,
comunista, que o Ronald Reagan falava?

P: Já não há soviéticos. A União Soviética acabou em 1990, ou
mais ou menos, e agora eles têm eleições e capitalismo
como nós. Agora chamamo-lhes russos.

F: Então os soviéticos, quero dizer, os russos, agora são
nossos amigos?

P: Bem, não efectivamente. Sabes, eles foram nossos amigos
durante uns anos quando deixaram de ser soviéticos, mas
depois decidiram não nos apoiar na invasão do Iraque, por isso
agora estamos aborrecidos com eles. Também estamos
aborrecidos com os franceses e os alemães porque eles também
não nos ajudaram a invadir o Iraque.

F: Então os franceses e os alemães também são maus?

P: Não completamente, mas suficientemente maus para termos
mudado o nome das French Fries (batatas fritas) e das French
Toasts para Freedom Fries (batatas da liberdade) e Freedom
Toasts.

F: Nós mudamos sempre os nomes à comida quando outro país não
faz o que nós queremos?

P: Não, isso é só com os nossos amigos. Os inimigos, invadimo-
los.

F: Mas o Iraque não foi um dos nossos amigos nos anos 80?

P: Bem, sim. Durante algum tempo.

F: Saddam Hussein não era então o líder do Iraque?

P: Sim, mas nessa altura ele estava em guerra contra o Irão, o
que fez dele nosso amigo, temporariamente.

F: Porque é que isso fez dele nosso amigo?

P: Porque nessa altura o Irão era nosso inimigo.

F: Isso não foi quando ele lançou gás contra os curdos?

P: Sim, mas como ele estava em guerra contra o Irão, nós
olhámos para o lado, para lhe mostrar que éramos seus amigos.

F: Então, quem lutar contra um dos nossos inimigos torna-se
automaticamente nosso amigo?

P: A maior parte das vezes sim.

F: E quando alguém luta contra um dos nossos amigos torna-se
automaticamente nosso inimigo?

P: Às vezes isso é verdade, também. Porém, se as empresas
americanas poderem lucrar vendendo armas a ambos os lados
ao mesmo tempo, tanto melhor.

F: Porquê?

P: Porque a guerra é boa para a economia, o que significa que
a guerra é boa para a América. Além disso, visto que Deus está
do lado da América, quem se opõe à guerra é um ateu, anti-
americano, comunista. Percebes agora porque é que atacámos o Iraque?

F: Acho que sim. Nós atacámos porque era a vontade de Deus,
certo?

P: Sim.

F: Mas como é que nós sabíamos que Deus queria que atacássemos
o Iraque?

P: Bem, estás a ver, Deus fala pessoalmente com George W. Bush
e diz-lhe o que deve fazer.

F: Então, basicamente, estás a dizer que atacámos o Iraque
porque George W. Bush ouve vozes na cabeça?

P: Sim! Finalmente percebes como o mundo funciona. Agora fecha
os olhos, aconchega-te e dorme. Boa noite.

F: Boa noite, paizinho.

quinta-feira, setembro 25, 2003

Notícias a partir
Benfica partilha estádio com a Igreja Universal



O Benfica descobriu uma forma de rentabilizar o novo Estádio da Luz após o Euro 2004. Nos dias da semana em que não houver jogos de futebol, o recinto irá funcionar como um grande templo da Igreja Universal do Rego de Deus (IURD).

A igreja brasileira e o clube da Luz resolveram unir esforços com o objectivo de angariar mais sócios para o clube e mais fiéis para a IURD. O plano para transformar o estádio numa igreja já foi assumido pelo Benfica na sua campanha de marketing. "Seja um dos fundadores da nova catedral e faça parte da história do Benfica", pode ler-se num placar gigante à frente do recinto. A campanha inclui ainda a oferta aos novos sócios de dois meses de dízimo gratuito na igreja e ainda um bilhete para toda a época na chamada "Sessão de Descarrego". Os fiéis da igreja terão, por outro lado, desconto nos jogos dos "encarnados" para a I Liga.



A ideia é aproveitar uma receita de sucesso, já testada no Brasil, no Estádio do Maracanã, que costuma encher mais com o culto da IURD do que com os clássicos do futebol carioca. "As pessoas foram-se habituando 'hic' ao longo dos anos a irem para a Luz 'hic' rezar. Agora vão poder fazê-lo todos os dias da 'hic' semana", explicou Manuel Liravinho, presidente do clube. "O Benfica tem-se associado a várias marcas de sucesso e a IURD é mais uma delas. Queremos que o clube cresça à imagem do que essa 'hic'greja tem conseguido em 'hic' Portugal ", acrescentou. "'Hic'", soluçou.

"A nossa casa no Cinema Império já istava ficando piquena", explicou o pastor Wanderley de Freitas. "Agora vamo tê mais ispaço pras nossas sessão de libertação e vamo inaugurá o istádio da Lúiz com uma grande corrente 'Benfica no Reino do Senhor' pra ajudá o time a sê campeão. Afinal, Deus é benfiquista", revelou.