Segundo este outro teste do mesmo site onde o Vostra foi tirar o teste do Matrix, o filme da minha vida é este:
terça-feira, novembro 11, 2003
Algemas e lantejoulas
O Núcleo Duro tem o prazer de apresentar uma história verídica (alguém duvida?), publicada recentemente no "Correio da Manhã". Alguém imagina como terá sido a primeira noite do José Castelo Branco, esse macho latino, no xadrez? Inesquecível para quem assistiu. Aqui fica um trecho delicioso de uma verdadeira pérola do jornalismo:
«"Foi a noite mais divertida que já passámos na prisão". A frase é de João Braga Gonçalves e foi proferida ontem, durante o café da manhã, no Estabelecimento Prisional junto à Polícia Judiciária (EPPJ). Na mesma mesa, João Vale e Azevedo e José Braga Gonçalves, outros dos notáveis daquela prisão, assentiram e o riso foi geral.
Tudo por causa de José Castelo Branco, cuja passagem pelo EPPJ dificilmente será esquecida, de acordo com aquilo que os irmãos Braga Gonçalves contaram ontem a uma das suas visitas. Tudo começou quando Castelo Branco teve de se despir, regra da prisão. O facto de estar de 'collants' de lycra e cueca fio dental foi, obviamente, alvo da maior chacota. Depois, o 'marchant' ex-modelo, não aguentou ficar fechado na cela. Gritava bem alto que sofria de "afrontamentos" e "claustrofobia".
Numa primeira fase, os guardas iam-lhe abrindo a porta da cela a espaços. Mas face à gritaria, com frases como "são os invejosos", "eu sou um senhor, casado com uma dama multimilionária e conhecido em todo o mundo" e "é por causa desta inveja que eu detesto este País, quero voltar para Nova Iorque", quando a espertina já tinha atingido toda a ala e todos riam, foi tomada a decisão de deixar a porta da cela aberta e colocar um guarda de vigia.
De manhã, na tal mesa do café, continuaram as lamentações. Castelo Branco queria estar "apresentável" para ir a interrogatório, até porque só veste grandes marcas. Pediu gel e um elástico para o cabelo. Como não havia, protestou alto e bom som. Voltando às suas frase preferidas - "Eu sou um lorde, um senhor, vocês são uns invejosos, não posso ir assim ao juiz" -, Castelo Branco lá conseguiu um elástico de borracha normal e puxou o cabelo para trás com água.»
- Para quem quiser ler a notícia toda.
O Núcleo Duro tem o prazer de apresentar uma história verídica (alguém duvida?), publicada recentemente no "Correio da Manhã". Alguém imagina como terá sido a primeira noite do José Castelo Branco, esse macho latino, no xadrez? Inesquecível para quem assistiu. Aqui fica um trecho delicioso de uma verdadeira pérola do jornalismo:
«"Foi a noite mais divertida que já passámos na prisão". A frase é de João Braga Gonçalves e foi proferida ontem, durante o café da manhã, no Estabelecimento Prisional junto à Polícia Judiciária (EPPJ). Na mesma mesa, João Vale e Azevedo e José Braga Gonçalves, outros dos notáveis daquela prisão, assentiram e o riso foi geral.
Tudo por causa de José Castelo Branco, cuja passagem pelo EPPJ dificilmente será esquecida, de acordo com aquilo que os irmãos Braga Gonçalves contaram ontem a uma das suas visitas. Tudo começou quando Castelo Branco teve de se despir, regra da prisão. O facto de estar de 'collants' de lycra e cueca fio dental foi, obviamente, alvo da maior chacota. Depois, o 'marchant' ex-modelo, não aguentou ficar fechado na cela. Gritava bem alto que sofria de "afrontamentos" e "claustrofobia".
Numa primeira fase, os guardas iam-lhe abrindo a porta da cela a espaços. Mas face à gritaria, com frases como "são os invejosos", "eu sou um senhor, casado com uma dama multimilionária e conhecido em todo o mundo" e "é por causa desta inveja que eu detesto este País, quero voltar para Nova Iorque", quando a espertina já tinha atingido toda a ala e todos riam, foi tomada a decisão de deixar a porta da cela aberta e colocar um guarda de vigia.
De manhã, na tal mesa do café, continuaram as lamentações. Castelo Branco queria estar "apresentável" para ir a interrogatório, até porque só veste grandes marcas. Pediu gel e um elástico para o cabelo. Como não havia, protestou alto e bom som. Voltando às suas frase preferidas - "Eu sou um lorde, um senhor, vocês são uns invejosos, não posso ir assim ao juiz" -, Castelo Branco lá conseguiu um elástico de borracha normal e puxou o cabelo para trás com água.»
- Para quem quiser ler a notícia toda.
Eu sou o Neo, eu sou o Neo!!!...
Fui fazer o teste do "Que personagem do Matrix és tu?" e adivinhem só... sou o herói! O que prova que o teste é mesmo verdadeiro e para levar a sério. Diz lá que eu apresento "uma perfeita fusão de heroísmo e compaixão", o que define de forma atordoantemente precisa a minha pessoa. Agradecimentos ao blog do Dooxo, que deu a dica.
Fui fazer o teste do "Que personagem do Matrix és tu?" e adivinhem só... sou o herói! O que prova que o teste é mesmo verdadeiro e para levar a sério. Diz lá que eu apresento "uma perfeita fusão de heroísmo e compaixão", o que define de forma atordoantemente precisa a minha pessoa. Agradecimentos ao blog do Dooxo, que deu a dica.
sexta-feira, novembro 07, 2003
Alta Arte
Amor Natural
O brasileiro Carlos Drummond de Andrade foi um dos maiores poetas do modernismo em língua portuguesa. Um "monstro", comparável a Pessoa. Em Portugal, a editora Dom Quixote publicou uma "Antologia Poética" do autor mineiro. A sua extensa obra tem coisas geniais, mas gosto particularmente deste, retirado do livro "O Amor Natural", que apenas foi publicado postumamente, por exigência do próprio Drummond.
A bunda, que engraçada
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
Amor Natural
O brasileiro Carlos Drummond de Andrade foi um dos maiores poetas do modernismo em língua portuguesa. Um "monstro", comparável a Pessoa. Em Portugal, a editora Dom Quixote publicou uma "Antologia Poética" do autor mineiro. A sua extensa obra tem coisas geniais, mas gosto particularmente deste, retirado do livro "O Amor Natural", que apenas foi publicado postumamente, por exigência do próprio Drummond.
A bunda, que engraçada
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
quinta-feira, novembro 06, 2003
Matrax
Temos sido amplamente felicitados pelo nosso artigo sobre o piroflato. As pessoas sublinham com gratidão o grande contributo científico e documental desse trabalho. Mas também nos chegam, de toda a parte, agradecimentos de peidorreiros que se sentiam recriminados pela sociedade e para os quais a leitura do nosso texto "As olimpíadas da bufa" apareceu como um grande alento, servindo para ajudar a dissipar velhos tabus. Em homenagem aos bufadores de todo o mundo, aqui fica uma "treila" do filme The Matrax: Revolutions (levantem o som das colunas, que a banda sonora é essencial), que estreou ontem em salas de cinema a céu aberto de todo o país.
Temos sido amplamente felicitados pelo nosso artigo sobre o piroflato. As pessoas sublinham com gratidão o grande contributo científico e documental desse trabalho. Mas também nos chegam, de toda a parte, agradecimentos de peidorreiros que se sentiam recriminados pela sociedade e para os quais a leitura do nosso texto "As olimpíadas da bufa" apareceu como um grande alento, servindo para ajudar a dissipar velhos tabus. Em homenagem aos bufadores de todo o mundo, aqui fica uma "treila" do filme The Matrax: Revolutions (levantem o som das colunas, que a banda sonora é essencial), que estreou ontem em salas de cinema a céu aberto de todo o país.
Vamos falar a sério sobre jornais
Tenho muitas teorias que aqui não exponho mas irrita-me a forma como alguns jornais, ditos sérios, fazem da nomeação de um director um filme de terror.
Porra o DN é só o quinto diário do país, a caminho de ser ultrapassado pela Capital. Para que é que se preocupam com isso? Outras enormidades institucionais como os velhinhos Século ou Diário de Lisboa acabaram. Se calhar o jornal-de-referência-mais-tablóide-que-conheço vai morrer de morte natural e o Fernando Lima é o seu coveiro. Ou não.
Se calhar o senhor até é competente e merece o lugar. Irrita-me, isso sim, o discurso paternalista e esquerdóide que um jornal de referência faz deste caso, com um folhetim diário, quase como uma rubrica. É para bater no DN, vamos bater todos, parece a regra que chegou ao Público. Esquecem-se é que o seu director (como outros, aliás) fazem tantos fretes ao Governo como fez o Fernando Lima, só que de uma forma mais idiota porque não recebem salário. Não concordo com o jornalismo engajado ideologicamente mas irrita-me a colagem dos jornais nacionais ao Governo (numa lógica de seguir a onda). Os jornais apluadem agora todas as boas medidas e minimizam as asneiras. Do mesmo modo não vou tolerar que, quando o Executivo cair em desgraça, seja a imprensa a primeira a morder as mãos de quem lhes deu de comer. Isso sucedeu ciclicamente com Cavaco e Guterres, apenas para recordar os tempos mais próximos.
Por isso, admito que faça falta um novo diário de vocação de esquerda, pelo menos para contrabalançar o comodismo direitista, embalado pelos slogans do Portas e as poses do Durão.
Pelo meio, ao que ao jornalismo diz respeito, não gosto de ver o Fernando Lima na direcção do DN, como não gostei da tansferência directa de muitos jornalistas de política (sublinho, de política) para o novo Governo, depois das últimas eleições. Por isso penso que deveria haver um período de nojo antes de qualquer transferência entre profissões consideradas incompatíveis pela lei. Já agora, defendo que as incompatibilidades consagradas no estatuto de jornalista fossem alargadas para impedir situações complicadas, nomeadamente na imprensa regional. Sabiam que um chefe de gabinete, um vereador a meio-tempo ou um deputado municipal pode ser, de acordo com a lei, ao mesmo tempo jornalista, com carteira profissional?
Mais preocupado fico é com a entrega da carteira profissional de algumas vedetas do jornalismo televisivo por TRÊS DIAS para fazerem publicidade. Beneficiam do estatuto social obtido enquanto jornalistas para vender óleo de fígado de bacalhau ao Zé Pagode. Depois voltam à profissão, como se nada fosse. Neste caso, julgo que uma simples adenda à lei que preveja a existência de incompatibilidades, enquanto o anúncio for exibido, seria suficiente. É que a senhora Manuela Moura Guedes filma a publicidade sem ser jornalista mas quando o filme for exibido nas TV, rádio e cassete pirata ela já é de novo jornalista.
Tenho muitas teorias que aqui não exponho mas irrita-me a forma como alguns jornais, ditos sérios, fazem da nomeação de um director um filme de terror.
Porra o DN é só o quinto diário do país, a caminho de ser ultrapassado pela Capital. Para que é que se preocupam com isso? Outras enormidades institucionais como os velhinhos Século ou Diário de Lisboa acabaram. Se calhar o jornal-de-referência-mais-tablóide-que-conheço vai morrer de morte natural e o Fernando Lima é o seu coveiro. Ou não.
Se calhar o senhor até é competente e merece o lugar. Irrita-me, isso sim, o discurso paternalista e esquerdóide que um jornal de referência faz deste caso, com um folhetim diário, quase como uma rubrica. É para bater no DN, vamos bater todos, parece a regra que chegou ao Público. Esquecem-se é que o seu director (como outros, aliás) fazem tantos fretes ao Governo como fez o Fernando Lima, só que de uma forma mais idiota porque não recebem salário. Não concordo com o jornalismo engajado ideologicamente mas irrita-me a colagem dos jornais nacionais ao Governo (numa lógica de seguir a onda). Os jornais apluadem agora todas as boas medidas e minimizam as asneiras. Do mesmo modo não vou tolerar que, quando o Executivo cair em desgraça, seja a imprensa a primeira a morder as mãos de quem lhes deu de comer. Isso sucedeu ciclicamente com Cavaco e Guterres, apenas para recordar os tempos mais próximos.
Por isso, admito que faça falta um novo diário de vocação de esquerda, pelo menos para contrabalançar o comodismo direitista, embalado pelos slogans do Portas e as poses do Durão.
Pelo meio, ao que ao jornalismo diz respeito, não gosto de ver o Fernando Lima na direcção do DN, como não gostei da tansferência directa de muitos jornalistas de política (sublinho, de política) para o novo Governo, depois das últimas eleições. Por isso penso que deveria haver um período de nojo antes de qualquer transferência entre profissões consideradas incompatíveis pela lei. Já agora, defendo que as incompatibilidades consagradas no estatuto de jornalista fossem alargadas para impedir situações complicadas, nomeadamente na imprensa regional. Sabiam que um chefe de gabinete, um vereador a meio-tempo ou um deputado municipal pode ser, de acordo com a lei, ao mesmo tempo jornalista, com carteira profissional?
Mais preocupado fico é com a entrega da carteira profissional de algumas vedetas do jornalismo televisivo por TRÊS DIAS para fazerem publicidade. Beneficiam do estatuto social obtido enquanto jornalistas para vender óleo de fígado de bacalhau ao Zé Pagode. Depois voltam à profissão, como se nada fosse. Neste caso, julgo que uma simples adenda à lei que preveja a existência de incompatibilidades, enquanto o anúncio for exibido, seria suficiente. É que a senhora Manuela Moura Guedes filma a publicidade sem ser jornalista mas quando o filme for exibido nas TV, rádio e cassete pirata ela já é de novo jornalista.
Mitos familiares
Sobre os homens e as mulheres
Viver em conjunto com alguém e ainda por cima com uma criança (ou um pequeno Abu Nidal em potência) de três anos transforma o nosso dia-a-dia em pequenas sagas épicas que Homero seria incapaz de descrever. Esta situação levou-me a coligir alguns momentos de conjugalidade que deveriam ficar nos anais (não desses que vocês estão a pensar mas os outros, aqueles sem nádegas nos lados) da história humana. Muitos destes breves trechos não foram vividos por mim mas são recordados por todos os homens casados numa tradição oral e subliminar que se propaga como a pneumonia atípica, equivalente aos mitos urbanos.
1 – As birras. Uma coisa curiosa num casal é a forma como as tensões se consomem. Os homens chateiam-se com qualquer coisa, dizem umas caralhadas e batem com a porta do escritório e sanam as consciências, coçando o ego com uma atitude machista barata como quem coça os tomates. Já as mulheres lidam com as tensões de modo diferente. Prova da sua grande inteligência, elas acumulam e não dizem a razão da sua má-disposição. Uma das perguntas que todos os homens já fizeram às suas companheiras é a célebre “o que é que eu fiz?”. Nalgumas ocasiões juntamos “de mal” à frase porque já sabemos que existe borrasca do outro lado da barricada. E, em muitos casos, o troco é o “se não sabes, devias saber”. Aqui está o cerne das tensões que acabam com muitos casamentos. É óbvio que os homens deixam as cuecas junto à cama e não limpam os pratos depois de comer. Mas, as mulheres não podem estar à espera que o companheiro se aperceba do erro, acumulando um mal-estar perpétuo. Estas crises correspondem àquilo que os especialistas chamam de birra-dela-que-queria-que-o-homem-soubesse-porque-é-que-ela-está-chateada-mas-ele-não-sabe-e-ela-não-lhe-diz.
Após aturadas sondagens no prédio onde vivo, constatei que este é um mal comum de todos os casais, pelo que sugiro uma solução de compromisso: na mesinha de cabeceira, ela cola uma fita com a cor que representa o motivo por que está chateada. Tipo amarela para questões de limpeza, rosa para ciúmes, verde para falta de carinho, azul para necessidade de conversar ou laranja para uma queca. Depois caberá ao homem adivinhar, mediante aquelas bissectrizes, as razões da birra da mulher. Ficam todos contentes: ela não fere o orgulho, dizendo porque é que está chateada, e ele resolve mais uma tensão inútil. Se quem ler este texto pensar em optar por esta solução, recomendo que não devem comprar muitas fitas laranjas porque a probabilidade de verem essa fita na mesinha de cabeceira é infinitamente inferior a qualquer uma das outras.
Sobre os homens e as mulheres
Viver em conjunto com alguém e ainda por cima com uma criança (ou um pequeno Abu Nidal em potência) de três anos transforma o nosso dia-a-dia em pequenas sagas épicas que Homero seria incapaz de descrever. Esta situação levou-me a coligir alguns momentos de conjugalidade que deveriam ficar nos anais (não desses que vocês estão a pensar mas os outros, aqueles sem nádegas nos lados) da história humana. Muitos destes breves trechos não foram vividos por mim mas são recordados por todos os homens casados numa tradição oral e subliminar que se propaga como a pneumonia atípica, equivalente aos mitos urbanos.
1 – As birras. Uma coisa curiosa num casal é a forma como as tensões se consomem. Os homens chateiam-se com qualquer coisa, dizem umas caralhadas e batem com a porta do escritório e sanam as consciências, coçando o ego com uma atitude machista barata como quem coça os tomates. Já as mulheres lidam com as tensões de modo diferente. Prova da sua grande inteligência, elas acumulam e não dizem a razão da sua má-disposição. Uma das perguntas que todos os homens já fizeram às suas companheiras é a célebre “o que é que eu fiz?”. Nalgumas ocasiões juntamos “de mal” à frase porque já sabemos que existe borrasca do outro lado da barricada. E, em muitos casos, o troco é o “se não sabes, devias saber”. Aqui está o cerne das tensões que acabam com muitos casamentos. É óbvio que os homens deixam as cuecas junto à cama e não limpam os pratos depois de comer. Mas, as mulheres não podem estar à espera que o companheiro se aperceba do erro, acumulando um mal-estar perpétuo. Estas crises correspondem àquilo que os especialistas chamam de birra-dela-que-queria-que-o-homem-soubesse-porque-é-que-ela-está-chateada-mas-ele-não-sabe-e-ela-não-lhe-diz.
Após aturadas sondagens no prédio onde vivo, constatei que este é um mal comum de todos os casais, pelo que sugiro uma solução de compromisso: na mesinha de cabeceira, ela cola uma fita com a cor que representa o motivo por que está chateada. Tipo amarela para questões de limpeza, rosa para ciúmes, verde para falta de carinho, azul para necessidade de conversar ou laranja para uma queca. Depois caberá ao homem adivinhar, mediante aquelas bissectrizes, as razões da birra da mulher. Ficam todos contentes: ela não fere o orgulho, dizendo porque é que está chateada, e ele resolve mais uma tensão inútil. Se quem ler este texto pensar em optar por esta solução, recomendo que não devem comprar muitas fitas laranjas porque a probabilidade de verem essa fita na mesinha de cabeceira é infinitamente inferior a qualquer uma das outras.
terça-feira, novembro 04, 2003
Carlos Sainz da frente!
Co-piloto do Carlos Sainz: - Longa à direita, esquerda vinte e sete... direita dezoito... esquerda curta...
Carlos Sainz: - 'Joder', esta era longa!
- Pois era, desculpa. Enganei-me.
- Podia ter ido mais depressa. Lê lá essa 'mierda' com atenção!
- Direita curta... esquerda quinze... direita vinte e cinco... esquerda, longa... CURTA, DESCULPA!!!
Co-piloto do Carlos Sainz: - Longa à direita, esquerda vinte e sete... direita dezoito... esquerda curta...
Carlos Sainz: - 'Joder', esta era longa!
- Pois era, desculpa. Enganei-me.
- Podia ter ido mais depressa. Lê lá essa 'mierda' com atenção!
- Direita curta... esquerda quinze... direita vinte e cinco... esquerda, longa... CURTA, DESCULPA!!!
segunda-feira, novembro 03, 2003
Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen
Na alma absolutamente livre de pensamentos e emoções, nem mesmo um tigre encontra espaço para cravar as garras. Quanto mais o Guerra Madaleno.
pérolas da sabedoria zen
Na alma absolutamente livre de pensamentos e emoções, nem mesmo um tigre encontra espaço para cravar as garras. Quanto mais o Guerra Madaleno.
Cor-de-rosa
Um destes dias, num quiosque, vi na capa de uma revista do coração o deputado Paulo Pedroso agarrado à namorada, com pose de apaixonado. Para alguém que é suspeito de crimes de pedofilia não lhe ficava mal um pouco mais de pudor, decoro e discrição. Saiu da prisão há dias, continua arguido e aparece em revistas cor-de-rosa abraçado à namorada?
Um destes dias, num quiosque, vi na capa de uma revista do coração o deputado Paulo Pedroso agarrado à namorada, com pose de apaixonado. Para alguém que é suspeito de crimes de pedofilia não lhe ficava mal um pouco mais de pudor, decoro e discrição. Saiu da prisão há dias, continua arguido e aparece em revistas cor-de-rosa abraçado à namorada?
sexta-feira, outubro 31, 2003
O pacifista
Ahmed Rostami tinha um sonho. Queria um mundo de igualdade, sem injustiças, com todos os seres humanos a viver em comunhão, livres de invejas, crimes, corrupção e americanos. Ahmed resolveu então ir para a capital aprender a lutar, para se alistar em qualquer exército islâmico que combatesse o Grande Satã.
E munido de grande coragem, o nosso bravo Ahmed foi prestar provas a uma academia que treinava heróis em Teerão. Logo no primeiro teste, Ahmed descobriu a sua verdadeira vocação... e voltou para o Norte, para o cultivo de flores às margens do Lago Urmia, que nunca devia ter abandonado. Jurou a si próprio, perante Alá, que nunca mais voltaria a pegar numa arma. Isso de combater é para gente doida!...
Ahmed Rostami tinha um sonho. Queria um mundo de igualdade, sem injustiças, com todos os seres humanos a viver em comunhão, livres de invejas, crimes, corrupção e americanos. Ahmed resolveu então ir para a capital aprender a lutar, para se alistar em qualquer exército islâmico que combatesse o Grande Satã.
E munido de grande coragem, o nosso bravo Ahmed foi prestar provas a uma academia que treinava heróis em Teerão. Logo no primeiro teste, Ahmed descobriu a sua verdadeira vocação... e voltou para o Norte, para o cultivo de flores às margens do Lago Urmia, que nunca devia ter abandonado. Jurou a si próprio, perante Alá, que nunca mais voltaria a pegar numa arma. Isso de combater é para gente doida!...
quinta-feira, outubro 30, 2003
Coragem
1. Louve-se a coragem dos jornalistas do DN ao rejeitarem o nome do novo director e louve-se igualmente as críticas que formularam ao rumo do jornal (“tabloidização” e “descaracterização”, com consequente “perda de credibilidade”) nos últimos meses.
2. Ao longo da vida corta-se o cabelo dezenas de vezes. Hoje fi-lo mais uma vez, mas cortei-o todo a pente 3. Para muitos é uma coisa trivial, mas para alguém como eu, altamente conservador em matéria da sua própria aparência, é um acto de coragem.
1. Louve-se a coragem dos jornalistas do DN ao rejeitarem o nome do novo director e louve-se igualmente as críticas que formularam ao rumo do jornal (“tabloidização” e “descaracterização”, com consequente “perda de credibilidade”) nos últimos meses.
2. Ao longo da vida corta-se o cabelo dezenas de vezes. Hoje fi-lo mais uma vez, mas cortei-o todo a pente 3. Para muitos é uma coisa trivial, mas para alguém como eu, altamente conservador em matéria da sua própria aparência, é um acto de coragem.
quarta-feira, outubro 29, 2003
As olimpíadas da bufa
Eram tardes bem passadas, naquele apartamento que os oito tínhamos alugado na Rua do Brasil. A mesa da sala era perfeita para umas partidas de pingue-pongue. Bastava pôr uns rolos de papel higiénico alinhados no meio a fazer de rede e tínhamos diversão garantida e algum exercício físico para descomprimir da vida dura e agitada de estudante universitário na Coimbra dos anos 90. Mas o auge da galhofa era quando o Marco vinha com o isqueiro.
A ideia nasceu depois de termos assistido a um documentário na televisão sobre o aproveitamento do gás metano - aquele produzido pelos intestinos e fezes dos animais - como fonte de energia alternativa. O facto é que se trata de um gás inflamável, que pode substituir outro tipo de combustível na indústria, mas também pode gerar momentos da mais incontinente diversão.
Cada um de nós, na sua vez, deitava-se de barriga para cima no sofá, pernas na posição "freguesa-de-ginecologista", lança-chamas apontado ao "anel de couro" (com cuidado para não queimar as calças), apagávamos a luz... e era como se o fogo convertesse o metano em gás hilariante. Os puns transformavam-se em pequenas flamas. Ninguém conseguia conter as risadas... nem os peidos.
Até que resolvemos organizar os Campeonatos Locais de piroflato (foi assim que escolhemos designar a modalidade), convidando malta de todo o prédio e oferecendo como prémio para a maior labareda uma feijoada que acabávamos todos por comer, em ambiente de festa. No meio da celebração, costumávamos discutir o papel socializante do piroflato e as suas virtudes ambientais, uma vez que depois de queimados, os flatos não tinham cheiro. Também debatíamos questões estético-filosóficas deste fenómeno, que não deixava de ser a materialização do pum numa coisa visível, a prova de que o peido tinha forma. Mas preocupava-nos sobretudo o futuro deste desporto e surgiram ideias para a criação de uma federação nacional. Havia mesmo quem defendesse a elevação do piroflato a modalidade olímpica.
Dessas tardes de tertúlia peidorreira, guardo a lembrança das exibições do virtuoso Fidalgo, o nosso grande campeão, que impediu que o título alguma vez saísse de casa. Dotado de um aparelho intestinal capaz de produzir chamas do tamanho de bolas de futebol, Fidalgo era o mais extraordinário dos executantes, uma espécie de Pelé do pum. Também me lembro de uma vizinha, a quem todos passaram a chamar Fornalha, e que tinha um talento natural para a coisa.
Uma pena que, apesar de ser talvez o desporto mais democrático do mundo, muito graças ao baixo custo do equipamento (basta um isqueiro), o piroflato, ao contrário do que esperávamos, não se tenha alastrado como gás. É triste ver o povo pela rua a desperdiçar talento, largando bufas à toa, sem as queimar. O mundo perdeu certamente grandes espectáculos. Mas, enfim, estou-me a cagar!
Eram tardes bem passadas, naquele apartamento que os oito tínhamos alugado na Rua do Brasil. A mesa da sala era perfeita para umas partidas de pingue-pongue. Bastava pôr uns rolos de papel higiénico alinhados no meio a fazer de rede e tínhamos diversão garantida e algum exercício físico para descomprimir da vida dura e agitada de estudante universitário na Coimbra dos anos 90. Mas o auge da galhofa era quando o Marco vinha com o isqueiro.
A ideia nasceu depois de termos assistido a um documentário na televisão sobre o aproveitamento do gás metano - aquele produzido pelos intestinos e fezes dos animais - como fonte de energia alternativa. O facto é que se trata de um gás inflamável, que pode substituir outro tipo de combustível na indústria, mas também pode gerar momentos da mais incontinente diversão.
Cada um de nós, na sua vez, deitava-se de barriga para cima no sofá, pernas na posição "freguesa-de-ginecologista", lança-chamas apontado ao "anel de couro" (com cuidado para não queimar as calças), apagávamos a luz... e era como se o fogo convertesse o metano em gás hilariante. Os puns transformavam-se em pequenas flamas. Ninguém conseguia conter as risadas... nem os peidos.
Até que resolvemos organizar os Campeonatos Locais de piroflato (foi assim que escolhemos designar a modalidade), convidando malta de todo o prédio e oferecendo como prémio para a maior labareda uma feijoada que acabávamos todos por comer, em ambiente de festa. No meio da celebração, costumávamos discutir o papel socializante do piroflato e as suas virtudes ambientais, uma vez que depois de queimados, os flatos não tinham cheiro. Também debatíamos questões estético-filosóficas deste fenómeno, que não deixava de ser a materialização do pum numa coisa visível, a prova de que o peido tinha forma. Mas preocupava-nos sobretudo o futuro deste desporto e surgiram ideias para a criação de uma federação nacional. Havia mesmo quem defendesse a elevação do piroflato a modalidade olímpica.
Dessas tardes de tertúlia peidorreira, guardo a lembrança das exibições do virtuoso Fidalgo, o nosso grande campeão, que impediu que o título alguma vez saísse de casa. Dotado de um aparelho intestinal capaz de produzir chamas do tamanho de bolas de futebol, Fidalgo era o mais extraordinário dos executantes, uma espécie de Pelé do pum. Também me lembro de uma vizinha, a quem todos passaram a chamar Fornalha, e que tinha um talento natural para a coisa.
Uma pena que, apesar de ser talvez o desporto mais democrático do mundo, muito graças ao baixo custo do equipamento (basta um isqueiro), o piroflato, ao contrário do que esperávamos, não se tenha alastrado como gás. É triste ver o povo pela rua a desperdiçar talento, largando bufas à toa, sem as queimar. O mundo perdeu certamente grandes espectáculos. Mas, enfim, estou-me a cagar!
Madaleno ao poder
Faz parte dos estatutos: o Núcleo Duro apoia todo e qualquer candidato à presidência do Benfica que prometa - e sobretudo que consiga - comprar o Rui Costa. A promessa desta vez partiu do inigualável Guerra Madaleno e é portanto Guerra Madaleno que o ND apoia nas próximas eleições.
Rui Costa é, a par de João Pinto, o mais claro exemplo do jogador altamente sobrevalorizado. Faz parte da "geração de ouro" do futebol português, que como se sabe não ganhou rigorosamente nada ao serviço da selecção - campeonatos do mundo de juniores não contam, porque não têm importância nenhuma.
De maneira que a transferência de Rui Costa para o Benfica era o melhor que podia acontecer ao FC Porto. Por isso, faço figas para que o Madaleno ganhe as eleições.
Faz parte dos estatutos: o Núcleo Duro apoia todo e qualquer candidato à presidência do Benfica que prometa - e sobretudo que consiga - comprar o Rui Costa. A promessa desta vez partiu do inigualável Guerra Madaleno e é portanto Guerra Madaleno que o ND apoia nas próximas eleições.
Rui Costa é, a par de João Pinto, o mais claro exemplo do jogador altamente sobrevalorizado. Faz parte da "geração de ouro" do futebol português, que como se sabe não ganhou rigorosamente nada ao serviço da selecção - campeonatos do mundo de juniores não contam, porque não têm importância nenhuma.
De maneira que a transferência de Rui Costa para o Benfica era o melhor que podia acontecer ao FC Porto. Por isso, faço figas para que o Madaleno ganhe as eleições.
terça-feira, outubro 28, 2003
Obrigado, obrigado, obrigado...
Este blog é o responsável pela atribuição semanal dos Bordalos Awards. O Núcleo Duro orgulha-se de ter sido galardoado esta semana com o prémio para o "pior post", graças a uma malha do DJ Carcaça sobre os pensamentos de Koumba Yalá. Gostaríamos de agradecer aos nossos patrocinadores e a todos os que nos têm apoiado nesta nossa ascensão meteórica na blogosfera. Este prémio é para vocês!
Este blog é o responsável pela atribuição semanal dos Bordalos Awards. O Núcleo Duro orgulha-se de ter sido galardoado esta semana com o prémio para o "pior post", graças a uma malha do DJ Carcaça sobre os pensamentos de Koumba Yalá. Gostaríamos de agradecer aos nossos patrocinadores e a todos os que nos têm apoiado nesta nossa ascensão meteórica na blogosfera. Este prémio é para vocês!