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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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domingo, setembro 18, 2005

Madrid qui lu parió
A minha nova casa



Antonio Arias. Não sei quem foi, mas mereceu dar o nome à rua onde agora moro. Quando saio do meu prédio, tenho à direita a calle del Alcalde Sáinz de Baranda, uma rua cortada a meio por um passeio com jardim e esplanadas. Seguindo por ela, são apenas quatro quarteirões até ao gigantesco Parque del Buen Retiro, coração verde da capital espanhola.

Domingo. Saio de manhã com a minha mulher. A caminho do parque do Retiro, há um quiosque, onde compro o "El País". Recebo um brinde inesperado, um grande volume de uma enciclopédia que começa agora a acompanhar o jornal aos domingos. O primeiro livro foi de graça.

Chegando ao parque, o contacto com uma atmosfera impressionante: gente de todas as idades, em fatos de treino, a correr para cá e para lá, a andar de patins em linha, ou a passear com carrinhos de bebé ou com terriers na ponta da trela. Crianças jogam à bola e a sua algazarra mistura-se com a dos pássaros. Atravessamos o parque em busca de um banco para ler o jornal. Passamos por vários sem que a curiosidade nos deixasse de empurrar em frente. Chegamos a um enorme lago artificial onde dezenas de barcos a remo, azuis e numerados, vagueiam por trajectos caóticos, sem destino. Depois do lago, ouvimos notas que nos chamam até um coreto onde vários instrumentos performam novo caos, este sónico. Sussurro à minha mulher uma parvoíce pseudo-entendida qualquer sobre free jazz, para logo a seguir perceber que os músicos estavam apenas a afinar os instrumentos. E eu que podia jurar já ter ouvido algo parecido na Gulbenkian.

Sentamo-nos numa das centenas de cadeiras dispostas ao sol em redor do coreto, em meio a uma multidão de pessoas de idade. A Orquestra Sinfónica Municipal de Madrid começa a tocar temas de filmes conhecidos. Reconheço "Os Sete Magníficos". Minha mulher apropria-se do jornal. Sobra para mim a revista. Não me queixo. Começo a ler uma crónica de um tal Juan Cueto, qualquer coisa engraçada sobre esta tendência tão humana para fazer coisas parvas. Mais à frente, um grande artigo sobre Einstein. Naquele momento, o conteúdo dos textos fascina, mas nem é o mais importante. Sinto o nascer de um hábito.

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