domingo, dezembro 28, 2003

And now...

... Notas da Nova Albion

2. Cristiano Ronaldo



O Manchester United é líder na Premier League, graças à vitória sobre o Everton (3-2). Um dos jogadores em destaque nessa partida foi o português Cristiano Ronaldo. A equipa deposita grandes esperanças neste jovem de apenas 18 anos, apesar de não ter vindo a aproveitar da melhor forma a maior parte das oportunidades que lhe têm sido dadas este ano. Com um jogo marcadamente individualista, Ronaldo precisa ainda desenvolver o sentido colectivo que o futebol moderno exige. Se os seus passes atingirem um dia metade da qualidade das fintas, já não era nada mau.

Mas esta jornada, as coisas correram bem. Hoje comprei o The Independent e o título da crónica de jogo atestava isso mesmo: "Ronaldo mantém United no topo". A exibição do português foi muito saudada nesse jornal, que passo a citar:

"O United (...) arrancou finalmente uma performance de Cristiano Ronaldo, que restaurou em parte uma reputação que sofreu com muitos dias maus. O 'júri' está ainda a avaliar o jovem de 18 anos, que às vazes parece um sôfrego número de circo, com as suas fintas gratuitas e sobre-elaboradas. Mas quando o cérebro engrena, a sua habilidade para rasgar espaço com os seus pés-relâmpago pode abrir a mais parcimoniosa defesa.

"Ele fez alguns jogos fantásticos, especialmente contra o Charlton, no início da época", disse (o treinador Alex) Ferguson. "Hoje ele foi maravilhoso". Gary Neville, capitão do United foi ainda mais entusiástico. "Ele foi brilhante, um perigo constante", disse. "Ele quer a bola o tempo todo, e não importa o que ele faça, se perde a bola ou sofre falta, ele volta para mais. É um jogador bravo em todos os sentidos".

A primeira parte pertenceu a Kleberson; a segunda foi de Ronaldo e o jogo girou à sua volta. Os seus dribles proporcionaram a (Wayne) Rooney a sua única intervenção de registo no jogo - a sua admoestação - antes de devastar completamente Tony Hibbert e entregar um cruzamento que merecia melhor do que a cabeçada esbanjadora de Bellion sobre a barra. Qualquer um que tenha prestado atenção a Ronaldo pode atestar da sua disponibilidade e perseverança, que deram frutos aos 67 minutos. Ele deslizou uma vez mais sobre a investida de Hibbert e desta vez cruzou ao primeiro poste, onde Bellion apareceu a colocar a bola no fundo da rede.
"

quarta-feira, dezembro 24, 2003

And now…

… Notas da Nova Albion

1. Louis Theroux



O gajo é louco, não há dúvida. Faz uns documentários para a BBC sobre realidades sociais delicadas, mas com um estilo algo satírico, recheado de ironia. Uma espécie de Michael Moore britânico. Entrar numa casa de skin-heads e começar a provocá-los com perguntas como "Seria um problema para vocês se eu fosse um judeu?" ou "Considera-se realmente mais atraente do que Denzel Washington?" não é para qualquer um. Theroux fez isso no episódio desta semana "Louis and the Nazis", em que foi até à Califórnia para entrevistar alguns dos mais famosos neo-nazis na América, incluindo Tom Metzger e April Gaede.

A estratégia dele é sempre a mesma. Entra de forma amigável e põe os indivíduos a falar aberta e orgulhosamente sobre as suas convicções, de repente começa a picá-los, a confrontá-los com as suas contradições. O resultado é invariavelmente despertar a ira e terminar odiado pelas pessoas que entrevista. Theroux perde descaradamente a isenção quando resolve atirar a uma mãe que confessa estar a incutir o racismo nas suas filhas: "Já pensou em procurar ajuda médica, tartar-se com um psiquiatra?"; e mais ainda quando afirma abertamente: "Você está errada. A civilização moderna está do meu lado". Consegue, de facto, bons programas de televisão, pela sua ousadia, mas desperdiça talvez a oportunidade de fazer bons documentários.

Mas, quem gosta do estilo, pode facilmente encontrar em vídeo ou DVD os programas da série que o celebrizou, "Weird Weekends", ou ir a um bom site para saber um pouco mais.

domingo, dezembro 21, 2003

A vida sexual dos ingleses é como o Mundial de futebol: acontece só de quatro em quatro anos e o resultado quase nunca é satisfatório.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

lá lá lá

Precisando ir a Viseu, e com boleia garantida para o regresso a Aveiro, meti-me num autocarro. A minha ideia era ir a ler o jornal durante a hora e pouco de viagem, mas houve obstáculos à minha concentração. Ei-los:
"Thank god is christmas, lá lá lá lá lá lá......"
"Last christmas, i gave you my hart, and the very next day" etc etc etc
...
...
...
Foi hora e meia com o rádio ligado a passar música de elevador, e o que é pior, música de elevador de Natal.
Grande Nick

Experimentem ver um filme com o Nick Nolte sem legendas. Vi ontem o The Good Thief, do Neil Jordan, num DVD não legendado. "Bugtr mnumn iumn shutremnhb vde bamnmnmn umm Monte Carlo" é o que se percebe do Nick Nolte. Os outros personagens são franceses e argelinos a falar em inglês e também não se percebe muito bem o que dizem. O filme parece bom... mas não posso garantir!

terça-feira, dezembro 16, 2003

Tanto para ensinar ao mundo



Cheguei hoje a Londres e comecei logo a sentir saudades do nosso mal-amado Portugal, país que muitos classificam injustamente de terceiro-mundista. Isto porque, na estação de comboios de Kings Cross, perdi o comboio para Ely que partia às 13h00, só porque cheguei à plataforma respectiva às 13h05, o que me obrigou a esperar 40 longos minutos pelo comboio seguinte.

Nunca é demais sublinhar - e atirar à cara desses profetas da desgraça que só sabem dizer mal do país - que essa situação teria sido evitada se a CP administrasse os comboios ingleses. Nesta companhia tão criticada, mas que é na verdade um exemplo para qualquer país evoluído, o comboio das 13h00 nunca parte antes das 13h20, evitando assim correrias e tempos de espera desnecessários.

sexta-feira, dezembro 12, 2003

Este Shakespeare sabia-a toda



"Yet do I fear thy nature;
It is too full of the milk of human kindness."

Macbeth. Act I Scn 5

quarta-feira, dezembro 10, 2003

De onde é que eu sou



A interrogação mais difícil que alguém que acaba de me conhecer pode fazer: "és de onde?" E como me fazem essa pergunta! Basta ouvirem um minutinho da miscelânea que é o meu sotaque. "És de onde?" É certinho.

Como responder a isto? Para a maior parte das pessoas é fácil. Mas eu, bem... a verdade é que não minto se disser que sou de Angola. Foi lá que nasci e, embora fosse ainda um bebé quando em 1975 a minha família foi forçada a deixar o país - por razões sobre as quais não reza esta crónica - meus pais fizeram questão de me incutir uma forma de estar na vida definitivamente africana. Tenho gindungo no sangue, diria.

Passei toda a minha infância e parte da adolescência no Brasil, até aos 15 anos. Foi ali que me formei como pessoa, onde aprendi aquilo que era importante na vida, onde tive os meus primeiros amigos, os meus primeiros amores. Impossível negá-lo: sou brasileiro. "Onde é que viveste no Brasil?" é a segunda pergunta mais difícil que me podem fazer. É que meu pai, por motivos profissionais, estava sempre a mudar de cidade, e nós com ele. Passámos pelo Rio de Janeiro, São Paulo (onde nasceu a minha primeira irmã), Belo Horizonte, Mococa, Ribeirão Preto (onde nasceu a minha segunda irmã), e até estivemos cinco anos na Amazónia - ainda hoje ecoam na minha memória as grasnadas dos bandos de tucanos e araras que pairavam sobre a selva cheirosa ao fim da tarde.

Desde muito cedo, habituei-me à ideia de que, por onde quer que passasse, não era dali, embora isso, para mim, tivesse pouco significado. A verdade é que os termos aprendidos em casa com os meus pais valeram-me, entre os meus amiguinhos, a alcunha de "português", que eu aceitava com muito orgulho. O que me arrancou às terras de Veracruz foi algo de muito forte. Grande parte da família estava em Portugal. Mais do que aquilo que busca a maior parte dos emigrantes, pois nunca passámos por dificuldades no Brasil, o que nos trouxe, em 1990, para solo lusitano foi o apelo das nossas raízes, profundamente cravadas no Algarve: meus avós são todos de Portimão. Quatro anos nessa cidade chegaram para assimilar algo da maneira de falar da província mais meridional do país, o suficiente para confundir quem quer que tentasse adivinhar a minha origem.

Isso foi posto à prova com êxito em Coimbra, durante os quatro anos do curso de Jornalismo, anos vividos com muita intensidade, em que me formei profissionalmente, em que conheci aqueles que são hoje os meus melhores amigos, em que encontrei o maior amor da minha vida. Voltar à "Lusa Atenas" terá sempre para mim um sabor muito especial.

Algo semelhante sinto ao voltar à Finlândia, onde estudei um ano no programa Erasmus, experiência também muito intensa, que me ensinou muito sobre o ser humano, e onde aprendi que a comunicação por vezes se realiza por formas inesperadas, que transcendem a língua, e percebi que a minha pátria pode ser qualquer uma que me aceite como cidadão e me dê condições de vida justas. Ali conheci um povo fascinante, que se organiza na base do respeito mútuo e da honestidade, um modelo de país no qual sonho viver um dia.

Hoje estou em Lisboa, onde me iniciei profissionalmente há já quatro anos, e onde tenho conhecido pessoas extraordinárias (e outras "extra ordinárias") e alguns verdadeiros amigos. É aqui que me estou, aos poucos, a estabelecer e, num certo sentido, já me sinto também um pouco lisboeta.

Dada a importância que esses sítios tiveram para fazer de mim aquilo que sou hoje, acho que a única maneira de responder de forma honesta e abrangente à pergunta do início deste texto é: "sou desses lugares todos e de todos aqueles por que irei passar".

"As Identidades Assassinas"

A respeito disto, Amin Maalouf, escritor francês nascido no Líbano, autor do livro "As Identidades Assassinas", explica de forma muito aproximada aquilo que gostaria de dizer sempre que me perguntam o que sou:

«Desde que deixei o Líbano, em 1976, para me instalar em França, perguntam-me inúmeras vezes, com as melhores intenções do mundo, se me sinto "mais francês" ou "mais libanês". Respondo invariavelmente: "um e outro!" Não por qualquer desejo de equilíbrio ou equidade, mas porque, se respondesse de outro modo, estaria a mentir. Aquilo que faz que eu seja eu e não outrem é o facto de me encontrar na ombreira de dois países, de duas ou três línguas, de várias tradições culturais. É isso precisamente que define a minha identidade. Tornar-me-ia mais autêntico se amputasse uma parte de mim mesmo?

(...) Metade francês e metade libanês? De modo algum! A identidade não se compartimenta, não se reparte em metades, nem em terços, nem se delimita em margens fechadas. Não tenho várias identidades, tenho apenas uma, feita de todos os elementos que a moldaram, segundo uma "dosagem" particular que nunca é a mesma de pessoa para pessoa.

(...) Quando perguntam o que sou "bem no fundo de mim mesmo", isso pressupõe que existe "bem no fundo" de cada um de nós, uma única pertença que conta, uma espécie de "verdade profunda" de cada um, a sua "essência", determinada de uma vez por todas à nascença e que nunca se alterará; como se o resto, todo o resto - a sua trajectória de homem livre, as convicções adquiridas, a sua sensibilidade própria, as suas afinidades, a sua vida, em suma -, não contasse para nada.
»

Nesse livro, Maalouf parte do seu caso particular para elaborar um brilhante ensaio, em que ridiculariza a loucura colectiva que, todos os dias, e por todo o mundo, leva os homens a matarem-se em nome da sua "identidade". «Quando se incita os nossos contemporâneos a "afirmarem a sua identidade", como tão frequentemente se faz hoje em dia, o que se lhes diz desse modo é que devem reencontrar no seu íntimo essa pretendida pertença fundamental, muitas vezes religiosa ou nacional, racial ou étnica, e brandi-la orgulhosamente na cara dos outros. (...) por toda a parte se faz sentir a necessidade de uma reflexão serena e global sobre a melhor maneira de domesticar a besta identitária».

sexta-feira, dezembro 05, 2003

Estava aqui a pensar...



Amnésia é um gajo não se lembrar do que é o clítoris, depois de ter estado várias vezes com a resposta na ponta da língua.

quinta-feira, dezembro 04, 2003

Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen



Nada é impossível para uma mente disposta. Excepto fazer descolar um avião da Yes.

terça-feira, dezembro 02, 2003

Estava aqui a pensar...



Em Inglaterra, quem conduz o carro é o passageiro.

sexta-feira, novembro 28, 2003

Doh!

Num espírito de serviço público, este blog revela os nomes completos da família Simpson:


Homer Jay Simpson



Marjorie Bouvier Simpson



Bartholomew Jo-Jo Simpson



Lisa Marie Simpson



Margaret Simpson


Como bónus, aí está o nome completo do dono do Kwik-E-Mart:


Apu Nahasapeemapetilon


E como segundo bónus, aqui estão as três frases que, segundo Homer J. Simpson, podem ser utilizadas para resolver qualquer situação difícil na vida:

* Cover for me!
* Oh, good idea, boss!
* It was like that when I got here.

quarta-feira, novembro 26, 2003

O que é que o cu tem a ver com as calças

Ontem passou na tv uma xaropada chamada no original I am Sam (o Sean Penn muito convincente a fazer de atrasado mental - bastou-lhe decorar as deixas). Em português a coisa chama-se A Força do Amor.
Curioso, fui tentar perceber se outros países sofriam da doença de dar nomes estúpidos aos filmes ou se é só defeito nosso. Eis os resultados da rápida pesquisa: em França o filme chama-se Sam je suis Sam, em Itália Mi chiamo Sam, na Alemanha Ich bin Sam e em Espanha La fuerza del amor. Mentira: em Espanha chama-se Yo soy Sam.

sexta-feira, novembro 21, 2003

Contra o regresso do lápis azul



Depois de certos poderes estabelecidos terem obrigado ao encerramento do célebre blog Muito Mentiroso, eis que as forças maléficas da extrema-direita encapotada e fascizante que ainda pairam na nossa sociedade alcançam mais uma vitória: conseguiram que o Mais ou Menos Mentiroso se visse também obrigado a fechar as portas.

Mas justamente por essa sombra da censura salazarenta continuar ainda hoje a ameaçar a democracia no nosso país é que a existência de órgãos de informação independentes de poderes e corporações se faz necessária. Por isso, eu e o Pi Nóquio continuaremos a nossa cruzada contra aqueles que nos querem calar, no novo blog PSICOTAPA, que já começou a vomitar as verdades que muita gente conhece, mas que ninguém se atrevia a divulgar.

quinta-feira, novembro 20, 2003

E ainda mais um momento shakespeariano



"The first thing we do, lets kill all the lawyers."

Henry VI, Pt II, act 4, scn 2
REM

Estou a ouvir "The Best of REM - In Time 1988-2003". O álbum é quase todo excelente (Tiberius, posso usar este adjectivo?), mas gosto sobretudo das fenomenais (posso?) The Great Beyond, Daysleeper, Electrolite e Nightswimming.

quarta-feira, novembro 19, 2003

Outro momento shakespeariano



"Men at some times are masters of their fates:
The fault, dear Brutus, is not in our stars but in ourselves
That we are underlings."

Julius Caesar, act 1, scn 2

terça-feira, novembro 18, 2003

Um momento shakespeariano



"For there never was yet philosopher
That could endure the toothache patiently."

Much Ado About Nothing, act 5, scn 1
Publicidade gratuita

Butter Cookies, da Dan Cake.

segunda-feira, novembro 17, 2003

Alta Arte
Bill e Lenin

Muitos são os cumprimentos e felicitações que tenho recebido por ter provado em Portugal que era possível escrever sobre o filme "Dogville", de Lars von Trier, sem mencionar Brecht. As pessoas agradecem-me e pedem que escreva mais sobre cinema.



Pois bem, vou então exorbitar sobre dois filmes que vi ultimamente. Um é "Kill Bill", de Quentin Tarantino. Um filme muito tarantínico, com uma história bem engendrada, uma narrativa recortada interessante, personagens bem sacados, mortes originais e irónicas, boa banda sonora. Graficamente falando, este deve ser o melhor filme do realizador, mas no global, não está ao nível de um "Pulp Fiction" ou de um "Cães Danados". Em termos de diálogos, um dos grandes atractivos nos filmes de Tarantino, o "Kill Bill" é mais fraco do que esses outros dois. É mais porrada e menos conversa.



O outro é "Good Bye, Lenin!", de Wolfgang Becker. Um filme imaginativo sobre a queda do Muro de Berlim, com momentos muito engraçados (as ideias do protagonista para esconder a realidade da sua mãe, que despertara do estado de coma em plena Berlim Oriental pós-RDA, são hilariantes). Mas esta é daquelas comédias que é mais do que isso, não só por ter momentos tocantes (os actores são muito bons), mas porque nos faz pensar na relativização das coisas, imaginar como teria sido o mundo se o comunismo tivesse triunfado, com os países do Leste da Europa a ajudarem as vítimas do capitalismo, sistema entretanto arruinado... Não é louco?

Resumindo e concluindo, estes dois filmes, na escala de estrelinhas do Vostradeis, levam ambos * * * * (quatro estrelinhas - de zero a cinco).
Flashback

"A vida podia ser mais bonita se nos beijássemos com língua mais vezes".
Ernesto, 16 de Maio de 2003
A selecção em Aveiro

Fui à inauguração do novo estádio de Aveiro e achei piada às monumentais vaias ao Scolari e ao Madaíl. No fim do jogo, depois de uma nova exibição deprimente da selecção, também os jogadores não escaparam às justas manifestações de descontentamento dos adeptos.
Um a um, jogaram assim:
Ricardo - sem confiança e nervoso (no Sporting também).
Miguel - não foi dos piores, mas Paulo Ferreira é melhor.
Rui Jorge - indiferente. Não aquece nem arrefece.
Jorge Andrade - o melhor central português, juntamente com o Ricardo Carvalho. Só Scolari não percebe que formam uma das melhores duplas de centrais da Europa, porque são rápidos, posicionam-se bem, jogam bem de cabeça, não são faltosos e sabem sair a jogar.
Costinha (ou Tostinha, como vi escrito num jornal) - longe da forma do ano passado.
Deco - Discreto, mas com apontamentos só para predestinados.
Rui Costa e Figo - um embuste, uma fraude, uma mentira; Figo já foi, nos tempos do Barcelona, um dos 5 ou 6 melhores jogadores do mundo. Hoje é uma sombra, uma caricatura: a exibição com a Grécia foi constrangedora, deu pena vê-lo sem velocidade para ganhar sprints aos adversários, sem explosividade, sem capacidade no um-para-um, sem visão de jogo, sem pontaria, complicativo... Rui Costa, ao contrário de Figo, nunca foi um grande jogador: acontece apenas que é muito sobrevalorizado, sobretudo pela imprensa desportiva de Lisboa.
Luis Boa-Morte - mal tocou na bola e quando o fez perdeu-a
Pauleta - marcou um bom golo e falhou outros. É dos mais esforçados e inconformados, mas não é um grande ponta-de-lança.
Rogério Matias - Não há muitos defesas-esquerdos em Portugal, mas convocá-lo diz quase tudo sobre Scolari.
Simão - espevitou a equipa nos primeiros 10 minutos da segunda parte. Depois desapareceu.

quinta-feira, novembro 13, 2003

Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen



O homem que alcança o domínio de uma arte revela-o em cada um dos seus actos. O matador José Castelo Branco domina a arte da tauromariquice.

quarta-feira, novembro 12, 2003

O estádio Mário Duarte, em Aveiro, vai deixar de ser utilizado pelo Beira Mar. O estádio das Antas, no Porto, vai ser demolido. Alguns dos mais belos e preciosos momentos da minha infância e juventude foram passados ali, sempre na companhia do meu pai. Às Antas íamos ver o FC Porto com alguma regularidade, aos domingos (quando os jogos ainda eram sempre aos domingos): saíamos de Aveiro depois do almoço, a bordo do nosso Dyane ou Visa (a fidelidade do meu pai à Citroen mantém-se até hoje), entrávamos e saíamos da auto-estrada, passávamos a Avenida da República, em Gaia, atravessávamos a ponte da Arrábida e seguíamos em direcção à Avenida Fernão de Magalhães, junto ao estádio e onde se sentia já o ambiente do jogo. Deixávamos sempre o carro numa ruela meio perdida a 500 metros do campo e caminhávamos para as bilheteiras, eu já totalmente dominado por aquela excitação infantil (que ainda hoje prevalece) à medida que o barulho dos adeptos e a cor das bandeiras se apoderava dos nossos sentidos.
Penetrávamos naquele monstro de betão e era arrepiante e arrebatador o primeiro vislumbre do relvado, a partir ainda das entranhas do estádio. E assim se foi moldando uma paixão absolutamente inquebrável com o FC Porto, ao mesmo tempo que eu e o meu pai vivíamos aquele perene amor entre filho e pai.
O FC Porto e o Beira Mar chegaram ao fim de um ciclo das suas histórias, ao abandonarem os seus antigos campos. Mas também para mim a demolição das Antas e o abandono do Mário Duarte representa o fim de qualquer coisa.

terça-feira, novembro 11, 2003

Mitos familiares

Sobre os homens e as mulheres


2 – Vida Social. Este segundo capítulo da minha obra (tipo Matrix, se o pessoal pedir ainda se faz mais um texto, estendo até ao ridículo o conflito com as máquinas) é dedicado à visão diferente que homens e mulheres têm da vida social. Há várias vertentes mas, normalmente, caem no mesmo axioma. “Amigo das minhas amigas o marido pode ser mas eu nunca serei amiga dos teus amigos”. Passo a explicar: as relações sociais são pautadas em função de um conjunto de premissas que envolvem questões como utilidade ou companhia. Para uma mulher, uma amiga tem de ser útil nalgum momento ou então deve ser daquelas que está sempre presente. Para os homens, as amizades medem-se mais pela relação de lealdade existente entre as duas partes. Enquanto traficante de livros e fotocópias na universidade, vivi numa residência estudantil masculina onde as relações de amizade perduraram além do curso, apesar de não estarmos presentes, uns para os outros. Se alguma vez precisar de algo dessas pessoas sei que eles moverão mundos para me satisfazer. E o mesmo sucede em sentido contrário.
Agora, no caso das mulheres, poucas são as relações que permanecem depois de uma mudança de cidade. O comodismo pessoal e a necessidade utilitária das amigas leva-as a transferirem essas carências para a vizinha do lado. Só as mulheres têm como melhores amigas a vizinha do lado. Para os homens, essa relação não passa de um “olá tudo bem” e um “como é que ficou o jogo de há bocado”.
É óbvio que isto são generalizações, mas as amizades masculinas permanecem mais tempo porque as duas partes esforçam-se e trabalham por a alimentar. Nem que seja com algum Jameson e muitas imperiais pelo meio, com jantares decadentes.

3 – As saídas. Um dos pontos mais de tensão mais subtil num casal é o desejo de sair do homem e o anseio por recato da mulher. Embora não esteja ainda cientificamente provado, julgo que a seriação do ADN vai levar a algumas conclusões surpreendentes sobre as diferenças entre homens e mulheres.
Toda a mulher, embora não o revele, tem um desejo recôndito de se transformar numa Hera dominante, com a gestão perfeita de um lar ideal, onde o marido se submete à sua vontade ou é enganado pela sua proverbial inteligência. Por outro lado, o homem sonha, no seu íntimo, que é um garanhão sem rédea, escoiceando qualquer rival e cobrindo toda a égua que lhe apareça à frente.
No casamento, a mulher, perante a sua própria impotência em ter um lar ideal, tenta controlar o marido, com um rédea apertada. Pelo menos, aquele está seguro. O homem, perante a constatação real da incapacidade de cobrir toda a égua quer ter a ilusão de que o poderia fazer se quisesse.
Aqui sucede um choque imemorial, que já opôs casais tão célebres como Júlio César e Cleóptara, Menelau e Helena, Sansão e Dalila ou o Príncipe Carlos e Diana. Ele quer sair, nem que seja uma vez por semana, para recordar os tempos áureos de solteiro (em que batia punhetas a pensar na miúda que estava a dançar na pista de dança e que não lhe ligou nenhuma) e ela quer o marido em casa para marcar com ferros quentes o seu domínio conjugal dentro das paredes. Quando nenhum cede, as tensões acumulam-se e, em muitos casos, o divórcio é logo ao virar da esquina dos anos.
Para solucionar este problema sugiro uma solução que satisfaz todas as partes. Um amigo (ou vários) do peito do marido faz o favor de dar uma berlaitada na mulher enquanto o cônjuge está fora. Com esta medida, que pode ser articulada por um grupo de amigos casados em regime de holding, a mulher tem um incentivo para deixar o marido sair para a noite e, ao fim de algumas semanas, o peso na consciência e na testa vai incentivá-lo a permanecer mais tempo em casa.