quarta-feira, setembro 24, 2003

Equador

Justamente elogiado como cronista e comentador, Miguel Sousa Tavares goza de uma quase absoluta impunidade da crítica literária, subserviente com ele como com quase mais ninguém. Multiplicam-se os elogios ao romance que escreveu, Equador, mas todos se esquecem de referir que é um livro mal escrito.
Não li o livro todo; aliás, li apenas umas 30 páginas de forma aleatória, das 500 ou 600 que o livro tem. Mas deu para perceber que a qualidade da escrita é deficiente, por exemplo na repetição de palavras ou na pobreza do vocabulário. Confirma-se que não é escritor quem quer e que um bom cronista não é necessariamente um bom romancista.
Força!

Gostava de desejar as maiores felicidades ao La Louvière, Molde e Malmo.

terça-feira, setembro 23, 2003

Notícias a Partir
Bush quer reconstruir Iraque em forma de Disneylândia



NAÇÕES UNIDAS (AFPnis) - O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deixou hoje um pedido ajuda às Nações Unidas para a reconstrução do Iraque, apelando a que as divergências assumidas no passado quanto à ofensiva militar no território iraquiano fossem esquecidas e unidos os esforços para erguer uma nação entretanto fragilizada. Bush avançou mesmo com um projecto para reconstruir o país em forma de Disneylândia.

"A ideia é construir um país em que impere a paz e a democracia. Tinham-me sido sugeridos exemplos de países em que nos deveríamos basear, como a Finlândia ou a Islândia, mas eu pensei 'porque não ir mais longe e fazer ali uma Disneylândia?'", afirmou orgulhoso o chefe da Casa Branca, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU.

Bush explicou que, segundo o plano, todos os iraquianos passariam a andar nas ruas com um barrete de Rato Mickey e que os soldados norte-americanos no terreno ficariam encarregados do fogo-de-artifício. Os habitantes do Iraque não ficariam obrigados a pagar impostos, mas por outro lado, teriam de comprar ingresso todos os dias para poderem viver no país. Quanto aos problemas socio-estruturais que afectam o Iraque, Bush está optimista em como o novo modelo ajudará a resolvê-los: "Já fui várias vezes à Disneylândia e à EuroDisney, em Paris, e nunca vi lá gente desempregada ou crianças com fome", afirmou.

O plano do chefe de Estado norte-americano não recolheu, no entanto, o consenso na ONU, tendo merecido vivas críticas, nomeadamente, do secretário-geral da organização, Kofi Annan. "Ele [Bush] parece estar a gozar com o mundo. Uma ideia tão ridícula só pode partir de um perfeito irresponsável", afirmou Annan. "Pessoalmente, acho que o Iraque deveria ser reconstruído em forma de Parque Astérix", acrescentou.
Toda a verdade...

... sobre o sucesso dos orientais no ténis de mesa.

segunda-feira, setembro 22, 2003

Equívoco de Pipi

O nosso camarada Pipi fez recentemente aquilo a que chamou "Análise Sócio-profissional da Rebarba". Um texto bem esgalhado, ao seu estilo, em que defende, com a autoridade do seu empirismo, que há práticas sexuais preferidas pelas mulheres consoante a profissão que exercem: as executivas preferem "cu"; as secretárias, "punheta"; as balconistas, "foda em pé", e por aí adentro. O mais célebre fodósofo português tem, no entanto, uma passagem menos feliz:

«Putas e jornalistas (passe a redundância): tudo. Need I say more?»

Ora, trata-se de uma imprecisão científica imperdoável, que me obriga a sair em defesa das nossas colegas de profissão (refiro-me às jornalistas). As jornalistas não são putas, caro Pipi. As putas ganham muito mais.

Além disso, há diferenças físicas que uma observação atenta não deixa escapar. De tal forma, que talvez seja mais fácil explicá-lo através de imagens. Ora, preste atenção...

Isto é uma jornalista:



... e isto é uma prostituta:



Como se pode ver no exemplo acima, apesar dos pontos em comum, as putas, além de serem mais bonitas, têm outro cuidado com a imagem, sendo mais comedidas no uso da maquilhagem, o que lhes dá um aspecto mais sóbrio e discreto. Ver uma meretriz ou uma repórter a passar na rua é totalmente diferente. As vestimentas ultra-reduzidas, em cores berrantes, e o andar superbamboleante distinguem as jornalistas.

sexta-feira, setembro 19, 2003

quinta-feira, setembro 18, 2003

Mais ou menos bem-vindo

O Núcleo Duro saúda a chegada à Blogosfera do Mais ou Menos Mentiroso, uma sátira ao blog Muito Mentiroso, já de si bastante satírico. O novo blog, da responsabilidade de Pi Nóquio, tem a virtude de provar que é possível gozar com coisas que já são a gozar, o que justifica a criação do verbo regozar. Obrigado, Pi, por este contributo para a cultura nacional.
Estamos salvos



A União Europeia decidiu que os maços de cigarros precisam de avisos maiores sobre os malefícios do tabaco. Tenho na mão um dos novos maços, comprados numa free shop de aeroporto, com avisos em inglês que dizem SMOKING KILLS e SMOKING CAN CAUSE A SLOW AND PAINFUL DEATH.

Até que enfim. Durante anos e anos, os maços de tabaco tinham as mesmas mensagens, mas em letras pequeninas. Ora é claro que eu, e milhões de outros como eu, nunca tinha paciência para ler o que vinha em letras miudinhas.

Agora fico a saber: O TABACO PODE MATAR. Não! Estes anos todos eu julgava que o tabaco fazia bem ao coração! Quando apanhava gripe tomava cigarros em vez de Vicks! E afinal o tabaco faz mal! Não sabia! Como é que eu havia de saber? O tabaco afinal PODE CAUSAR UMA MORTE LENTA E DOLOROSA! Porra, afinal vou ter de passar para a heroína, que causa uma morte RÁPIDA E INDOLOR.

Por isso: obrigado, União Europeia. Mas os génios que protegem a nossa saudinha nunca ficam parados. Eles já perceberam que os novos rótulos em letras garrafais ainda podem ser subtis para muita gente.

Os analfabetos ou os velhinhos que vêem mal ao perto continuam ignorantes, ainda não sabem que O TABACO PODE MATAR. Para os salvar, está a ser preparada uma uma nova medida.

quarta-feira, setembro 17, 2003

Kafka agradece

Já que Coimbra e a Universidade estão novamente na baila, aproveito a oportunidade para enviar alguns agradecimentos. É que o nosso texto "Se Kafka soubesse..." foi recebido de forma muito positiva pela blogosfera, tendo merecido comentários de blogues bem conhecidos:

«Uma lição de Marketing Sr. Reitor?
Através do Causa Liberal encontrei o post do Núcleo Duro, intitulado "Se Kafka soubesse...". Nele, o autor descreve o péssimo serviço da secretaria da Universidade de Coimbra quando este pediu o certificado de curso (para o obter terá de pagar 150 euros por um diploma que estará disponível na próxima década). Na minha faculdade passei por situação semelhante. Os prazos de entrega, contudo, não se equiparam aos descritos pelo Núcleo.
Será esta a melhor estratégia para uma Universidade desenvolver a sua marca? (...)»
- BrainstormZ, in Tempestade Cerebral

«Revista de Blogues VI
Os Melhores da Semana
(...) Melhor Posta: "Se Kafka soubesse...", no Núcleo Duro;»
- CAA, in Mata-Mouros

«SE KAFKA SOUBESSE: Roubo o título de um brilhante post do Núcleo Duro. Porque já há muitos anos me tive de defrontar com o mesmo sadismo burocrático, senti arrepios ao ler a descrição do sentimento de impotência perante o terror da burocracia.»
- NMP, in Mar Salgado

«Burocracia e subdesenvolvimento
O Núcleo Duro tem um post com um excelente exemplo do inferno burocrático em Portugal (neste caso, na Universidade de Coimbra): Se Kafka soubesse...»
- AAA, in Causa Liberal
Os Donos do Garfo

Nome: Il Padrino
Designação: pizzaria
Localização: São Teotónio (Alentejo)
Preço: aí uns 12 euros
Classificação: 8 (de 0 a 10)

Il Padrino (não tenho a certeza se é exactamente assim que se escreve) é uma pequena pizzaria situada em São Teotónio, uma povoação no sul do litoral alentejano, a meia-dúzia de quilómetros de Zambujeira do Mar. As pizzas são feitas à vista dos clientes por um sujeito de bigodinho que não estranharíamos ver num episódio de Os Sopranos ou num dos Padrinhos do Coppola.
Quando lá fui optei pela pizza Il Padrino, uma especialidade que me foi recomendada por amigos e que nunca tinha visto em nenhuma outra pizzaria. A massa era excelente, embora não fosse ela a principal responsável pela qualidade da pizza. O que a torna especialmente saborosa é uma finíssima (quase da grossura de uma folha de papel) fatia de carne e a quantidade apreciável de manteiga de alho que é colocada a embeber a massa. Não sendo particularmente grande, a pizza Il Padrino é suficientemente robusta para nos deixar de barriga cheia.
Como aperitivo foi colocado na mesa um extraordinário queijo, pequenino e caro, azeitonas, pão e uma salada de polvo.
Ainda Coimbra

Caro Ernesto, acho que confundes uma coisa: se há algum consenso sobre Coimbra é geralmente sobre as suas alegadas virtudes, e não sobre os seus defeitos. A moda, de há muitos anos para cá, é gabar Coimbra, elogiar Coimbra, aplaudir Coimbra...
É isso que a torna irritante, essa presunção generalizada de que Coimbra é a "cidade do conhecimento", a "capital da saúde", mais as balelas sobre a "Briosa" e o Mondego, e as capas e batinas, e os doutores... Pouco há em Coimbra que a distinga de maioria das outras cidades portuguesas, e no entanto ela é frequentemente celebrada, por motivos normalmente ridículos, como o tal estatuto que lhe foi atribuído de "cidade do conhecimento". Nenhuma outra cidade portuguesa é exaltada como Coimbra, nem mesmo Lisboa ou o Porto.
Nada de especial me move contra Coimbra: passei lá óptimos momentos da minha vida, conheci a Zizoua, fiz amigos que mantenho, etc. Mas isso não me retira a lucidez de pensar que Coimbra é de facto uma cidade miserável, porque é horrivelmente feia, por causa das praxes, porque pouco há para fazer...
Hoje paguei três euros de estacionamento, oito euros por uma refeição rápida e ainda tive de dar dinheiro ao arrumador sob pena de não ter carro da próxima vez. Que saudades tenho de Coimbra, com as cantinas a 250 paus, imperial nas Amarelas e o mundo parecia um suspiro de rosa. No tempo em que era feliz com coisas tão ligeiras como furar a fila do D. Dinis ou cravar B52 nas barracas da Queima.

Foda-se, tou a ficar velho!
Ouvi dizer

O Jaime Antunes, o Luís Filipe Vieira e o Guerra Madalena são candidatos à liderança do Benfica?
É tão bom ser sportinguista nos dias que correm. Obrigado pai pelos conselhos.
Sobre os jornalistas

Agora parece que há algum bricabraque com a vinda de jornalistas para a blogosfera. É claro que como todas as questões entre pulgões (que, caso não saibam, são uma espécie parasitas de formigas, mais coisa menos coisa) debrucei-me sobre o assunto durante o meu período laboral e cheguei a algumas tristes conclusões.
É idiota distinguir jornalistas de outras classes não eméritas como os proxenetas, eurodeputados, cronistas, poetas, editores, professores e outros quejandos. Pelo que só por aí é perceptível que as birras do nosso grande amigo e outros não me merecem pais comentários.
Apesar disso, também não gosto da proverbial sapiência de outros jornalistas que gostam de armar-se em defensores da classe, como se tivessem mandato para tal. O facto de meia-dúzia de iluminados dizerem mal dos jornalistas não merece grande comentário até porque esses senhores só existem pelos media. Preocupa-me mais aquilo que pensa a empregada da mediadora que vai comprar o jornal no meu quiosque e não o que alguns carreiristas entendem. Se a relação fosse franca e honesta ainda aceitava as críticas mas isso não sucede. Quando há comunicados, dicas, sugestões de trabalho, o jornalista é sempre o melhor do mundo, mas quando os objectivos iniciais não são cumpridos toda a imprensa passa a ser uma merda. É claro que esta profissão é uma bosta para quem a vive de uma forma intensa e profissional: as suas vantagens aparentes transformam-se, com o passar dos anos, em estigmas limitadores.
Responder a verborreias de alguns sobre os jornalistas no intuito de gerar debate sério é algo que considero inútil perante o tipo de interlocutores existentes. Na relação com a fonte, somos ou amigos ou jornalistas. Mas também não estamos autorizados a criar inimigos. Eles que o sejam que nós pairamos.
Finalmente, uma última questão (e aquela que me levou a escrever este texto). Não suporto tomar a parte pelo todo e nas críticas aos jornalistas essa é uma verdade indesmentível. O erro de um profissional só o responsabiliza a ele ou, quanto muito, a instituição onde trabalha. Contudo, isso não sucede com os jornalistas. Porque há alguns que cometem erros, voluntários ou não, todos somos culpados. Porque há uma notícia sensacionalista, todos passam a ser tablóides. E aí nem a classe tem a coragem de responsabilizar os prevaricadores de modo a salvar a imagem de todo o resto. Fica tudo numa choldra onde bóiam dejectos e gente responsável.
Terminei!

Após cada 15 dias de férias deparo-me com lixo acumulado de seis meses a que tenho de dar destino. Todos os anos me proponho a arrumar tudo e deixar as coisas (finalmente) limpas. No entanto, todos os anos, protelo esta actividade até ao limite do humanamente aceitável (para os humanos que eu suporto sempre mais algum fax urgente espalhado entre papéis de rebuçado de café e folhas caídas de jornais velhos.
Este ano, esmerei-me e, quinze dias depois de ter voltado, consegui ver o fundo do túnel da minha arrumação. Pelo meio, deitei no lixo resmas de coisas importantes que perderam o seu timming ou foram dadas pela concorrência, como uma contagem inútil de vazas no final de um jogo de King.
Apesar disso, saboreei algumas pérolas entre aquele chiqueiro de porcos que são os jornais recolhidos. Memórias curiosas que guardo sem objectivo algum que não seja sorrir quando faço a arrumação anual do escritório.
Como o DN de Julho de 1995 onde Bin Laden dizia que os EUA tinham feito bem em invadir o Iraque ou o JN de 1997 onde Fernando Gomes elogiava, entre outros políticos sociais-democratas o então deputado Rui Rio.
Mas a melhor coisa foi algo que acabei por achar num jornal recente. Tratava-se de uma notícia de uma filósofa ou intelectual americana defendendo que uma das soluções para a felicidade era deitar todo o lixo que não precisássemos pela porta fora, limitando-nos ao essencial. Por isso deitei essa entrevista fora e guardei o resto dos jornais.
Pode ser que para o ano lance no contentor a ocasião em que Marcelo Rebelo de Sousa disse que Durão Barroso nunca seria Primeiro-Ministro.

terça-feira, setembro 16, 2003

Cidade do conhecimento

Quem circula na auto-estrada do norte vai deparando com placas que contêm informações muito sumárias sobre monumentos ou particularidades das localidades que se aproximam. "Castelo de Montemor-o-Velho", "Ria de Aveiro", "Mosteiro da Batalha" ou "Convento de Mafra", por exemplo. Coimbra, pelo contrário, é apresentada como "cidade do conhecimento". Que presunção! Que pirosice! Que mentira! "Cidade do conhecimento"?! Porquê? Quem teve a ideia? Quem quer enganar os turistas desprevenidos?

segunda-feira, setembro 15, 2003

What a Wonderful World
Fita anti-terrorismo



Desde o célebre 11 de Setembro, voar nunca foi tão seguro. Mas só agora pode dizer-se com alguma certeza que os terroristas especializados em sequestros de aviões têm os dias contados. É que os passageiros de um voo doméstico nos Estados Unidos descobriram as virtudes anti-atentado de um utensílio no qual a CIA e o FBI nunca tinham pensado: a fita-cola.

Este material revolucionário foi testado com sucesso no voo 54 (Honolulu-Los Angeles) da United Airlines, quando um maluco se levantou do seu lugar e desatou a declamar trechos da Bíblia em voz alta. Resta agora saber se a fita é igualmente eficaz na imobilização de indivíduos que lêem o Alcorão.

É tentador imaginar, num futuro próximo, as doces hospedeiras de bordo na demonstração dos procedimentos de segurança, antes da descolagem: «... coloque a sua máscara de oxigénio primeiro, antes de auxiliar a criança a seu lado. Em caso de atentado terrorista, um rolo de fita adesiva saltará do assento da frente. Enrole o sujeito barbudo da seguinte maneira...»
Um pequeno episódio da vida real.

Hoje de manhã, no tribunal, um homem mal encarado contestou a um dos escrivães o facto de eu estar sentado no banco de espera quando pessoas mais idosas aguardavam, impacientemente, a sua chamada. Pelo meio chamou-me puto e a escrivã (por sinal com um peito avantajado e lustroso) veio pedir para me levantar: "Ó jovem, importa-se de sair porque este senhor mais velho está a sentir-se mal?" (o cromo tinha 50 e poucos anos). Obviamente que anuí, um pouco incomodado, apenas porque a senhora era relativamente engraçada.

terça-feira, setembro 09, 2003

Reflectoporn

O E-Bay tornou-se num dos sites de maior sucesso na Internet. Para quem não saiba, o E-Bay é um mercado onde toda a gente pode comprar e vender toda a espécie de merdas, desde carros a beanie babies.

Felizmente há pessoas com imaginação para tornar um site aborrecido onde se vendem maçanetas de portas ou chaleiras numa coisa interessante. A coisa está tão na moda que até já tem um nome: Reflectoporn.

segunda-feira, setembro 08, 2003

"Vamos jantar e paga ele"

Se ainda mais exemplos fossem precisos sobre a deprimente qualidade dos jornais desportivos portugueses, e em particular de A Bola, o pior dos três, eis que a "bíblia" nos oferece hoje uma extraordinária primeira página. Impressionante como uma simples página diz tudo sobre um jornal!

As canetas e as tampas

Depois de mais um interregno para umas bem merecidas férias – as primeiras pagas pela empresa em cinco anos – regresso a estas lides para vos contar uma breve história do quotidiano.
Como todas as pessoas que regressam de férias, jurei que iria arrumar melhor o meu escritório e organizar o meu tempo para conseguir ir ao ginásio ganhar aquele corpo esbelto que se esconde atrás das minhas banhas viscosas e moles.
Como todas as pessoas, decidi tentar arrumar o escritório, começando pelos papéis que, escorreitos e resistentes, teimavam em ocupar o espaço da secretária. Depois de várias selecções e subselecções em importante, médio importante, pouco importante, lixo, deitei a maioria no arquivo C (de caixote).
Após essa façanha, propus-me a arrumar as canetas e descobri um negócio de futuro. Já repararam como as tampas das canetas – quais pequenos gnomos com asas – fogem dos nossos locais de trabalho, como se roubadas por algum vilão? Estou mesmo a desenvolver uma teoria de que os ratos têm fixação em tampas bic e molin para actos sadomasoquistas e só os mais dotados é que tentam praticar sexo tântrico com as tampas uniball.
Bem, mudando de assunto, julgo pertinaz e adequado sugerir ao Sérgio Figueiredo, do Diário Económico, que aborde num dos seus próximos editoriais a falta de capacidade de resposta do sector caneteiro nos acessórios. Ora, se a Renault é obrigada a produzir jantes, pneus, suspensões e bancos em barda para satisfazer os clientes porque é que as marcas de esferográficas não fazem o mesmo com as tampas.
Se a teoria das canetas fosse aplicada nos carros, cada vez que mudássemos de escova do pára-brisas tínhamos de comprar um automóvel novo (além de que estes ficariam roídos na traseira devido ao nervosismo dos seus proprietários).
Deste modo, peço encarecidamente aos produtores de canetas que tenham em conta os interesses dos seus clientes e produzam tampas para aquelas coisinhas lindas de escrever que estão sozinhas nas nossas estantes (em copos idiotas calhados em rifas) porque as suas companheiras foram servir de vibrador a ratos sedentos de prazer.
Scolari, aprende que eu não duro sempre

É muito fácil criticar após derrotas, blá, blá, blá... A verdade é que as críticas devem ser feitas quando se justificam, e este é um desses momentos. É muito negativo o balanço da era Scolari, e já o era antes do jogo com a Espanha. Os resultados são muito fraquinhos e mesmo as vitórias são sempre por margens reduzidas e quase sempre frente a adversários das segunda ou terceira divisões europeias ou sul-americanas - a excepção foi o Brasil, mas mesmo aí a exibição esteve longe de ser brilhante.
A Scolari devem-se criticar várias coisas, entre elas convocar jogadores que não têm lugar na primeira equipa (Fernando Couto, Quim, Fernando Meira...) e não convocar ou utilizar pouco outros que deviam ser titulares ou andar lá perto (Vitor Baía, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Quaresma, Cristiano Ronaldo, Hugo Viana, Hélder Postiga, Jorge Andrade, Tiago...). É ainda evidente a absoluta incapacidade de pôr a equipa a jogar bem: não há boa circulação de bola, não se exploram os flancos, não se pressiona o adversário, não se defende bem... Como Scolari é teimoso e um bocado burro, é óbvio que não vai mudar nada - pior para ele e para a selecção. Eis qual devia ser o 11 titular: Ricardo, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Tiago, Deco, Figo, Quaresma, Cristiano Ronaldo, Hélder Postiga.

domingo, setembro 07, 2003

Matar velhinhos

Parece que há quem pense que aqueles obtusos limitadores de velocidade instalados a cada 500 metros em centenas de estradas do país vão servir para reduzir a sinistralidade rodoviária. Não vão, claro, porque o problema principal vem de trás, das fases de instrução e exames a que se submetem os candidatos à carta de condução. O facto de sermos pouco civilizados também ajuda, assim como o mau desenho e as más condições das estradas e a sinalização deficiente.
Querer acabar com as mortes na estrada com medidas avulsas, como colocar limitadores de velocidade activados aos 50 km/hora, é rídiculo. Aqueles aparelhos estão colocados nos lugares mais absurdos, onde não fazem nenhum sentido. Há estradas onde não é mais seguro para ninguém andar a 45 do que a 70 km/hora. E é muito irritante parar em sinais vermelhos de 500 em 500 metros, só porque ao passar por um controlador seguíamos a 55 km/hora, sem pôr nada nem ninguém em perigo. Dá vontade de acelerar e matar 3 ou 4 velhinhos que sigam a pé ou de bicicleta nas bermas!

sexta-feira, setembro 05, 2003

Agora sim!



O "Público", que já nos habituou a projectos editoriais paralelos de grande sucesso, prepara-se para lançar mais um. O Núcleo Duro soube em primeira mão que está na calha um suplemento de "Ciências para Crianças". Como é que nunca ninguém pensou nisso?

Uma fonte dentro da redacção daquele diário, que realizou uma sondagem rigorosa ao potencial do mercado das publicações, revelou-nos que esse suplemento será dividido por secções direccionadas aos vários públicos infantis, a saber: "Física para Bebés", "Química Orgânica para Rapazes Mal-Comportados", "Astronomia para Miúdos Autistas", "Genética para Órfãos" e "Mecânica Quântica para Crianças Abandonadas".

A ideia deverá abrir caminho a outros cadernos dedicados a cada uma das várias minorias que compõem o leque de leitores do jornal, estando já em preparação outros suplementos: "Cultura para Futebolistas", "Desporto para Donas de Casa", "Política para Mongolóides", "Literatura para Analfabetos" e "Artes e Espectáculos para Cangurus Pedófilos".

segunda-feira, setembro 01, 2003

Pastéis de vento
pérolas da sabedoria zen



Aqueles que buscam a verdade por meio do intelecto e do aprendizado apenas se distanciam cada vez mais dela. Só quando os pensamentos cessam completamente de se ramificar em todas as direcções, só quando se desiste de pensar em sair em busca de alguma coisa, só quando a mente se imobiliza como madeira ou pedra, é que se está no caminho certo para o portal. Só assim é possível ser um concorrente do Big Brother.