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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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terça-feira, maio 06, 2003

Leiam este hilariante texto retirado do blog O Gato Fedorento

QUAIS PYTHON, QUAL QUÊ: Muitos leitores (mais precisamente, dois) nos têm perguntado quais são as nossas principais referências humorísticas. A minha, aponto-a sem hesitações: é Vera Roquette. As crónicas que escreve quinzenalmente para o Diário de Notícias são do melhor que já li em 29 anos de vida. Em Vera Roquette, um analfabetismo de grande envergadura junta-se a uma fulgurante estupidez para produzir os textos mais incompreensíveis da imprensa portuguesa. A primeira nota a destacar é esta: o DN paga a Vera Roquette ao ponto de exclamação. Não pode haver outra razão para alguém ser tão abundantemente exclamativo num quarto de página. Neste particular, destaco as crónicas “Isto é que vai uma crise!” (30 exclamações), “O que diz Portas” (45 exclamações) e “Ai Jesus! Sr. Doutor!” (56 exclamações). Nesta última, Vera Roquette encena um diálogo entre um paciente e o seu médico, construindo uma parábola sobre um problema muito grave da sociedade portuguesa que incomoda bastante a autora, mas que não se chega a perceber qual é. Minto: há um passo do texto em que Vera Roquette faz uma denúncia importante. Queixa-se o doente: “Ai Jesus! Sr. Doutor! Doem-me as articulações de enferrujada canalhice...” Isto, concedo, é bem observado. Apesar de não haver casos de pneumonia atípica em Portugal, já anda por aí tudo em pânico com a doença. Mas este homem tem canalhice enferrujada nas articulações e o Ministério da Saúde assobia para o lado.
Outra crónica clássica de Vera Roquette é “Ao voto! Irra!” (49 exclamações). Conta a história de um casal de idosos que se vê forçado a sair da aldeia onde vive para fugir aos caciques locais, gananciosos caçadores de votos. A dada altura, acontece isto: “Porém, enquanto o diabo esfrega um olho, atravessasse-lhes (sic) pela frente o cunhado, a querer "candidatar-se" e a dar-lhes cabo da vida!” Nem comento, para não estragar.
Por último, a minha crónica preferida. O título é “Abaixo de gato!” (35 exclamações). O fascinante relato de meia dúzia de viagens de avião que Vera Roquette fez entre Faro e Lisboa. Começa assim: “Ora... Toma lá!...Toma! Toma! Cá vão mais umas traulitadas no ceguinho. - Dever, oblige! O país rosna "pulguento". Abaixo de cão. Pior... muito pior. Mia e "remia": "reminhau nhau nhau". Abaixo de gato. Ou seja... já nem de gatas!... Arrasta-se, de casa às costas, de tartaruga.” Brilhante no uso das aspas e das onomatopeias, Vera é clara no diagnóstico: este país está abaixo de gato. Porquê? Em primeiro lugar, porque há muita gente nos aeroportos: “Ouço dling-dlongs, exasperantes. Três horas depois, o toque celestial! O aeroporto está pelas costuras. Abarrotar. (Thanks God!)” Este “Thanks God” é precioso. Vejo-o como um gesto de grande patriotismo de Vera Roquette. Como quem diz: “Atenção: não é só a nossa língua que eu maltrato. Também dou calinadas em estrangeiro.”
Em segundo lugar, o país está abaixo de gato por causa das medidas de segurança: “(...) nas bagagens à minha frente, um grandalhão apitava por todos os lados. Mandaram-no tirar o blusão, a camisola, o telemóvel, os sapatos, oscularam-no (sic) de alto a baixo, e nada! Não parava de apitar... E lá se foi!” Aqui, compreendo a indignação de Vera Roquette: tenho viajado bastante de avião, já fiz disparar uma quantidade razoável de detectores de metais, e nem uma única vez fui osculado de alto a baixo no aeroporto. É o que dá ir sempre em turística.
Por último, o país está abaixo de gato por causa das obras na rodovia: “Deixei o aeroporto e, esfegunteada (sic) meti-me à estrada. Continua, há um ano, a ser alargada para quatro faixas! Está de pantanas. Empoeirada. Engarrafada. A fervilhar Farenheits e magotes.”
Pode haver quem ache exagerada a reacção de Vera Roquette. Mas estrada que fervilha Farenheits e magotes é estrada que não serve. Ou alguém faz alguma coisa depressa ou este país esfegunteia-se. E não vai ser bonito. RAP

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