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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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sexta-feira, junho 06, 2003

Crónicas daquilo que eu não gosto

Lisboa

Estou farto de Lisboa, dos lisboetas, dos lisboinhas e de tudo quanto reuna na mesma palavra Lis e Boa. Cansa-me o som desses fonemas e irrita-me solenemente a arrogância a que estão associados. Tudo gira em torno de Lisboa e do Cais do Sodré. Se o espermatozóide Marquês não tivesse furado o óvulo da mãe talvez ninguém tivesse tido a ideia de reconstruir a Baixa e Portugal seria um país mais feliz. Com uma capital em Santarém ou na Guarda.
Não tenho paciência para a sobranceria com que todos os lisboinhas olham para o resto do país como se não passasse de uma bainha mal alinhavada que têm de suportar. Para eles, Portugal deveria resumir-se à capital e à Quarteira, com um grande viaduto (um pouco maior que o Duarte Pacheco) sobre Tróia e o Alentejo.
E, depois, a intelligentzia da nação segue à justa este pacóvio modelo de desenvolvimento, ignorando o resto do mundo. Os políticos (aqueles que são bem vistos) são de Lisboa e vão à província para serem eleitos cabeças-de-lista dos seus partidos, os intelectualóides são paridos entre conversas cheias de maconha e de whiskey (tem que ser o irlandês porque é mais fino, só os parolos – os pobres – bebem o escocês), os apresentadores são eleitos entre o Liceu Francês e o Colégio Alemão. Enfim, é tudo escolhido nos quarteirões que vão de Alvalade a Monsanto, permitindo, de quando em vez, a entrada de algum saloio nortenho.
A comunicação social, essa nem vale a pena falar. Uma notícia do Santana vale mais do que todas as Câmaras do país juntas e um peido de um paneleiro no Parque é mais importante que um colóquio de uma povoação em A-do-Freixo (excepto se tiver algum lisboinha a falar).
Por outro lado, irrita-me as consequências desta visão deturpada. O resto do país só aparece quando há mortos, facadas ou violações. O interesse de 80 por cento dos portugueses só é levado em linha de conta quando algum crime horrendo impõe-se na agenda e pode, quem sabe, entrara como sexta notícia no alinhamento de algum jornal televisivo, ou uma chamada no canto da primeira página.
Mas pior que os lisboinhas originais são os lisboinhas importados, que se deslumbram por verem um prédio com mais de cinco andares e têm orgasmos (múltiplos) ao verem uma estrela (da K7 ou da rádio pirata) a beber um café na esplanada que frequentam. E fazem manifestações por tudo e por nada como se as únicas causas sociais estivessem à sombra do castelo de São Jorge.


Repito o que disse anteriormente: Quero emigrar.

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