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NÚCLEO DURO

 

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A política é a arte de fazer alianças. É só derreter os fios de ouro roubados...







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segunda-feira, janeiro 30, 2006

Isto é o Portugal que temos

Esta história é verídica e aconteceu-me há alguns dias. Conto-a agora porque não tinha mais nada para fazer durante a tarde.

Cerca das 10 da manhã, estava eu a beber um café e a ler jornais de borla num estabelecimento no centro de Leiria quando um carro pára, sobre o passeio, junto a uma cabine de telefone com moedas, saindo um indivíduo com um alicate e uma chave de fendas.
Como o carro tinha matrícula espanhola e não apresentava qualquer identificação da PT estranhei o caso e alertei a dona do estabelecimento. A senhora concordou comigo que a situação era estranha e decidimos ligar para a PT, alertando a empresa de um eventual assalto.

Telefonei para o 16200 e atendeu-me uma senhora simpática que me perguntou o que é que eu queria. Expus a situação e respondeu-me um silêncio de 20 segundos que interrompi, perguntando "está ainda alguém?". Respondeu-me a mesma voz simpática, alegando que iria passar para outro departamento. "É normal", pensei eu.
Qual não foi o meu espanto que quatro departamentos depois, sempre com vozes simpáticas do outro lado do telefone, cheguei a falar com um supervisor. "É desta", pensei, enquanto assistia ao suspeito a abrir com a chave a caixa das moedas.
Outra voz simpática, desta vez masculina, pediu-me para indicar a cabine o que eu fiz. "É aquela junto ao Posto de Turismo. Se calhar basta vocês avisarem a PSP ou então ligarem para os vossos serviços de avarias para saber se foi enviado algum carro", aduzi.
Mas a voz simpática retorquiu-me que precisava de saber o número da cabine e isso só poderia ser visto no próprio equipamento. Eu disse que não podia lá ir porque estava lá o tipo, com barba por fazer e aspecto meliante, e não estava com vontade de receber algum sopapo por "amor à pátria".
Agora, a voz simpática mostrou-se um pouco triste e disse-me que nada podia fazer sem o número da cabine, pelo que eu deveria avisar as autoridades.
Já cansado mas rindo de tudo isto, perguntei à voz se eles não podiam avisar a PSP do caso. A voz respondeu-me com uma La Palissada: "Se é o senhor a ver um crime, tem de ser o senhor a denunciar, não acha?"
Eu achei, agradeci e desliguei. Depois liguei para a PSP e, enquanto via o homem a entrar dentro do carro com um saco cheio de moedas, avisei o agente que tinham acabado de assaltar a cabine de telefone do posto de turismo.
O senhor agente agradeceu-me e eu deixei o café. Passado 45 (quarenta e cinco) minutos, telefonou-me a dona do café, pedindo para eu ir falar com o agente que tinha acabado de chegar. Eu aleguei que estava em Santarém e o senhor agente, com voz grossa e simpática, pegou no telefone e disse-me que eu tinha de me apresentar OBRIGATORIAMENTE no posto para relatar o sucedido, de modo a que constasse em auto.

Ainda não sei se vou...

PS: Descobri hoje que o 16200 é a pagar a partir de telemóveis. Estou a ver que também fui "assaltado" juntamente com a cabine telefónica.

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